Análise Psicológica
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A partir de uma poesia de Ruth Fainlight, a autora evoca aspectos de uma psicoterapia com uma jovem mulher que apresenta dificuldades de separação-individualização
A expressão no Rorschach dos fenómenos transitivos e do espaço potencial na personalidade borderline
Pretendemos compreender, à luz do método Rorschach, as características dos fenómenos transitivos e do espaço potencial no sujeito borderline. O estudo destes conceitos é desenvolvido tendo por base as teorias de Winnicott e Ogden sobre a psicopatologia dos fenómenos transitivos e do espaço potencial, respectivamente. Para uma melhor compreensão destes conceitos no caso borderline, procuramos articulá-los com os conceitos de função materna e de angústia branca de Green. O método Rorschach é perspectivado na sua dimensão intersubjectiva e dinâmica, em que o apelo a um duplo modo de funcionamento (perceptivo e projectivo) permite uma compreensão mais aprofundada da dinâmica relacional entre interno e o externo, no espaço psíquico do sujeito borderline. É elaborada uma leitura dos conceitos de fenómenos transitivos e de espaço potencial, procurando integrar e articular a revisão de literatura e os elementos Rorschach. Neste contexto é aplicado o Rorschach a um sujeito do sexo feminino com o diagnóstico de perturbação borderline da personalidade. Da análise do protocolo destacamos que, apesar da impossibilidade de estabelecer uma relação intersubjectiva entre o real e o imaginário, o interno e o externo, o sujeito é capaz de mobilizar estratégias arcaicas que lhe permitem um contacto mínimo com o outro. A imagem Rorschach é experimentada como um objecto real, adquirindo a função (suporte) e as qualidades (reconfortantes) de um objecto transitivo. Os movimentos do sujeito dão conta de uma aproximação ao espaço potencial – espaço prépotencial
O escalão etário e o tempo de prática da modalidade como determinantes das atribuições causais no desporto: Um estudo efectuado no futebol
Analisando uma amostra constituída por 192 futebolistas, este estudo pretendeu avaliar a influência das variáveis independentes referentes ao escalão etário (juniores vs. seniores) e tempo de prática desportiva federada (≤ 5 anos; 6 a 10 anos; ≥ 11 anos) nas atribuições de causalidade efectuadas pelos atletas para explicarem os resultados mais importantes das suas carreiras desportivas Baseando-nos no modelo atribuicional da motivação e emoção de Weiner (1979, 1986), que explica a percepção de causalidade ao longo das dimensões de locus de causalidade, estabilidade e controlabilidade, encontramos resultados que permitem evidenciar que os jogadores de diferentes escalões etários e com tempos de prática desportiva diferenciados, não se assemelham na forma como percepcionam os seus resultados, independentemente destes ocorrerem em situações de sucesso ou insucesso desportivo
Resolution of ruptures in therapeutic alliance: Its role on change processes according to a relational approach
Este artigo apresenta as premissas básicas de uma abordagem relacional em psicoterapia, nomeadamente no que diz respeito às origens de natureza interpessoal da psicopatologia e consequentemente ao modo como a experiencia relacional que a psicoterapia oferece, pode servir para alterar os esquemas interpessoais disfuncionais do paciente subjacentes aos sintomas. Na 2ª parte do artigo, apresentamos as implicações clínicas do conceito do conceito de Rupturas na Aliança Terapêutica, entendidas como um comprometimento ou quebra na relação colaborativa entre terapeuta e paciente. Seguindo a conceptualização de Aliança de Bordin, as rupturas podem consistir num desacordo ao nível das tarefas ou objectivos do processo ou numa tensão no vínculo. São revistos os resultados mais relevantes que têm sido encontrados sobre o modo como estes ciclos interpessoais entre terapeuta e paciente podem conduzir à mudança quando eficazmente geridos, ou a resultados pobres ou finalizações unilaterais quando não resolvidos. Tendo já acumulado evidência para a importância da aliança terapêutica, uma segunda geração de investigadores na aliança, tem procurado compreender o modo como a aliança é, em si mesma, um mecanismo de mudança. Os resultados que aqui são revistos sugerem que o processo de reparação de alianças enfraquecidas pode oferecer uma resposta a esta questão
Violência nas relações íntimas ocasionais de uma amostra estudantil
Este artigo apresenta os resultados de uma investigação sobre a prevalência da violência nas relações afectivas ocasionais de uma amostra de estudantes, composta por 600 alunos do ensino secundário e superior. 72.3% dos elementos desta amostra relataram já ter estado envolvidos em relações afectivas ocasionais. Nas suas respostas a um inventário de violência (IVC-4, Antunes & Machado, 2007),43.2% dos participantes admitem ter perpetrado pelo menos um acto abusivo contra um parceiro(a) ocasional ao longo das suas vidas (30.1% de natureza física) e 37.3% reconhecem ter sido alvo de violência por um parceiro ocasional ao longo da vida (20.4% de agressão física). Esta violência aparece essencialmente associada aos sujeitos mais novos, que frequentam anos inferiores de escolaridade e do ensino secundário. Ocorre também mais frequentemente entre os jovens com um maior número de envolvimentos ocasionais. Estes resultados corroboram a relevância do problema da violência na intimidade juvenil e, sendo bastante superiores aos níveis de prevalência da violência nas relações de namoro (Machado, Caridade, & Martins, 2009), sugerem que poderá haver dinâmicas relacionais específicas das relações ocasionais que aumentam o risco nestes envolvimentos e que a investigação futura deverá aprofundar
Surdez infantil e comportamento parental
O objectivo deste trabalho é o de construir uma teoria sobre o comportamento parental de pais de crianças surdas. Os participantes são quatro mães e dois pais de crianças surdas, com idades compreendidas entre os 2 e os 13 anos. Os dados foram recolhidos através de entrevista semi-estruturada e analisados pelo método da Grounded Theory. A maior preocupação destes pais é como comunicar com a criança e como esta poderá comunicar com eles e com os outros. Assim, estes pais agem continuamente para resolver a sua preocupação principal e, desta forma, minimizar a surdez e as dificuldades comunicativas da criança torna-se central na vida destes pais.Para tal, sobrevalorizam as suas crianças surdas, normalizam-nas e optam por uma comunicação total que engloba técnicas de amplificação da pouca audição que a criança tem, aprendizagem da fala e aprendizagem da língua gestual pelos pais. Todos estes comportamentos de minimização são realizados pelos pais com graus de investimento diferentes e variam segundo vários factores, nomeadamente o grau de aceitação da surdez, a preocupação com o futuro, o apoio familiar e o apoio de terceiros
Crescer por dentro – A barreira de contacto no processo adolescente através do Rorschach
Propusemo-nos estudar a especificidade das barreiras de contacto estabelecidas e recriadas na adolescência, considerando-as a chave-mestra para todo o desenvolvimento e crescimento saudável. Explorámos as suas manifestações, características e funcionalidades tendo em conta que não existe uma adolescência, mas adolescências no plural, englobando este processo um período temporal bastante longo. Partindo da fase final da puberdade como linha orientadora do estado inicial das barreiras, propusemonos observar e descrever as alterações induzidas pelo processo adolescente, adoptando uma perspectiva essencialmente desenvolvimentista, enquadrando a complexificação das barreiras de contacto no crescimento psíquico do jovem. Para aceder a este objectivo descrevemos as suas manifestações no Rorschach, tendo sido criados procedimentos de análise específicos
Abordagem psicossocial dos comportamentos orientados para a Saúde: Estudo dos factores de previsão da aceitação e da rejeição do Diagnóstico Pré-Natal
A presente investigação fundamentou-se nas teorias relevantes para a compreensão dos comportamentos orientados para a saúde, nomeadamente o Health Belief Model desenvolvido por Rosentock (1974), e nos seus desenvolvimentos aplicados ao contexto específico do Diagnóstico Pré-Natal (Davies, 1983). Este modelo foi articulado com a teoria de Ajzen e Fishbein (1980), o Modelo da Acção Reflectida aplicado ao domínio da saúde. As atitudes e comportamentos face ao Diagnóstico Pré-Natal (DPN) em duas sub-amostras (30 mulheres que aceitaram a realização do DPN e 30 mulheres que recusaram a realização do DPN) permitiu discriminar 83% das aceitações, 93% para as rejeições ou seja 88.3% das escolhas.Estes comportamentos reflectem ainfluência das variáveis como o grau de instrução, a avaliação dos custos e dos benefícios inerentes à realização do DPN, os conhecimentos sobre a síndrome de Down (e o DPN), as atitudes face ao abortamento, as atitudes face aos médicos e à medicina, as atitudes face à procriação e o locus de controlo da saúde. As variáveis socio-demográficas mais importante foram o número de filhos e o grau de instrução. Os resultados vão de encontro com alguns aspectos dos modelos teóricos psicossociais que lhe serviram de suporte teórico. As variáveis grau de religiosidade, experiência prévia com a síndrome de Down e a influência de outros poderosos no locus de controlo de saúde foram redundantes para a discriminação dos grupos.Os resultados evidenciam alguns dos fundamentos das atitudes, decisões e comportamentos das consulentes, em relação ao DPN e permitem retirar certas implicações ao nível da influência dos factores psicossociais na organização do conhecimento, atitudes e representações, estabelecendo os limites e o alcance da sua relevância para a tomada de decisão de rejeição do Diagnóstico Pré-Natal
Sucesso e desenvolvimento psicológico no Ensino Superior: Estratégias de intervenção
O insucesso escolar destaca-se, actualmente, como uma das grandes preocupações em todas as reflexões sobre o Ensino Superior, situação que tem conduzido ao desenvolvimento de estratégias para intervir ao nível do combate a este fenómeno. O presente trabalho tem como objectivo apresentar um programa de intervenção interdisciplinar ao nível da promoção do sucesso académico, aliando apoio psicológico, suporte social e promoção de estilos de vida saudável, concretizado no desenvolvimento do modelo do GAP-SASUC. Tendo por base as quatro áreas de intervenção que suportam o modelo (Consultas de Psicologia, Apoio de Alunos por Alunos, Serviço Social e Investigação), são apresentados os resultados referentes à identificação das necessidades e problemas dos estudantes do Ensino Superior, às estratégias de intervenção utilizadas e à avaliação das mesmas. Os resultados, quer em termos do aumento de participação, quer em termos de avaliação positiva realizada pelos alunos envolvidos, revelam a mais-valia que este modelo de interacção trouxe ao desenvolvimento psicológico do estudante universitário. São, ainda, referidas algumas implicações do desenvolvimento e aplicação do modelo, com incidência para o bem-estar do aluno e promoção do sucesso no Ensino Superior
Auto-eficácia académica e atribuições causais em Português e Matemática
A auto-eficácia académica e as atribuições causais são construtos motivacionais intimamente ligados à realização escolar, fornecendo informações importantes acerca das percepções de competência dos alunos e das estratégias que estes utilizam para lidar com os resultados da sua realização. Neste estudo avaliamos a auto-eficácia académica de 207 alunos (101 do 9.º ano de escolaridade e 106 do 10.º ano de escolaridade) e as causas que estes atribuem às suas notas de Português e de Matemática, utilizando a Escala de Auto-Eficácia Académica e o Questionário de Atribuições e Dimensões Causais (Pina Neves & Faria, 2005a, 2005b). Os resultados diferenciais mostram que os alunos do 10.º ano de escolaridade, bem como os alunos com aproveitamento escolar, apresentam expectativas de eficácia mais positivas para Português, para Matemática e para a realização escolar geral, fazendo ainda atribuições mais internas para as suas notas e tendo percepções de maior internalidade e estabilidade. Por sua vez, os resultados correlacionais evidenciam uma forte associação entre a auto-eficácia académica e os resultados escolares. Finalmente, as análises de regressão linear demonstram que as expectativas de eficácia e a controlabilidade são variáveis influentes na realização escolar, observando-se que são as dimensões específicas da auto-eficácia académica aquelas que têm maior poder explicativo do rendimento nas duas disciplinas alvo