Análise Psicológica
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Retrocessos no contexto de terapia linguística de avaliação
O modelo de assimilação é um modelo integrativo que pode ser aplicado a qualquer tipo de setting terapêutico para a descrição do processo de mudança. A Escala de Assimilação de Experiências Problemáticas (EAEP) descreve o processo de assimilação de experiências problemáticas em terapia. Ainda que a EAEP apresente uma sequência ordenada, estudos demonstram que o processo de assimilação não é contínuo; contrariamente, o processo parece seguir um padrão de altos e baixos, com progressos seguidos de retrocessos, particularmente em psicoterapias cognitivas. Neste artigo, apresentamos uma análise dos retrocessos no processo de uma cliente com um bom prognóstico, Maria, em tratamento com terapia linguística de avaliação. A amostra é composta por 105 retrocessos retirados da análise da assimilação de Maria de três problemas principais. As razões para a maioria dos retrocessos podem ser classificadas numa de três categorias: a zona de desenvolvimento próximo, a metáfora de equilíbrio e as linhas múltiplas. Cada uma destas categorias pode ser compreendida como uma consequência da estratégia cognitiva e ainda como parte do processo da terapia cognitiva e não como um desvio ou insucesso. Neste sentido, os retrocessos, enquadrados no modelo de assimilação, reflectem algumas das principais características da terapia cognitiva. No entanto, não podemos excluir a possibilidade dos retrocessos no desenvolvimento poderem indicar uma perspectiva de insucesso e, como tal, os terapeutas devem estar atentos e procurar solucioná-los
Validação do Inventário Feminino de Vivências do Processo de Separação e Divórcio (IFVPSD)
O divórcio contribuiu para uma mudança da estrutura familiar estando associado a um declínio da qualidade da relação conjugal com implicações a nível pessoal, interpessoal e social e tem vindo a aumentar nos últimos anos. Participaram 165 mulheres separadas ou divorciadas, com pelo menos um filho do casamento, com idades entre os 24 e os 55 anos que responderam ao inventário feminino de vivências do processo de separação ou divorcio (IFVPSD). A análise factorial revelou cinco dimensões: disfuncionalidade conjugal, conflito, emocionalidade, apoio social e adaptação. A disfuncionalidade remete para a crise conjugal e conflitualidade durante o casamento; o conflito centra-se no relacionamento com o ex-conjuge; a emocionalidade foca-se nos sentimentos vivenciados no processo de separação; o apoio social centra-se no papel de familiares e amigos durante o processo de separação e, finalmente, a dimensão da adaptação remete-nos para a adaptação ao processo de separação. A consistência interna das cinco dimensões aponta para alfas entre .72 e .82 que explicam 49.25% da variância total. O inventario feminino de vivencias do processo de separação ou divorcio reúne as condições necessárias para ser utilizado como instrumento de rastreio para identificar mulheres com dificuldade no processo de adaptação ao divórcio
Perturbações de comportamento externalizante em idade pré-escolar: O caso específico da perturbação de oposição
As Perturbações de Comportamento Externalizante são uma das principais razões pelas quais as crianças em idade pré-escolar são encaminhadas para os serviços de saúde mental. No entanto, não há ainda consenso relativamente ao diagnóstico destas perturbações nesta faixa etária. Com a presente revisão da literatura, pretende-se contribuir para uma caraterização geral das Perturbações de Comportamento Externalizante, designadamente da Perturbação de Oposição, em idade pré-escolar, bem como refletir sobre as dificuldades de diagnóstico nesta faixa etária e sobre as diferentes trajetórias desenvolvimentais envolvidas na emergência destas perturbações. É ainda nosso objetivo identificar os principais fatores etiológicos implicados na sua origem e lançar algumas pistas para futuras investigações
Perturbação mental e ideação suicida entre reclusos preventivos
A presente investigação tem dois objectivos: (1) Analisar a incidência de ideação suicida e de perturbação emocional numa amostra de 66 presos preventivos de um estabelecimento prisional central em dois momentos, durante a primeira semana de reclusão e após seis meses de cumprimento da pena, e nesse mesmo período de tempo; (2) explorar o grau de perturbação emocional e sintomatologia psicopatológica em dois grupos de reclusos, reclusos com ideação suicida (Grupo CIS) e reclusos sem ideação suicida (Grupo SIS). A ideação suicida foi avaliada através do Questionário de Ideação Suicida enquanto o Inventário de Sintomas Psicopatológicos permitiu avaliar a perturbação emocional e sintomatologia psicopatológica associada. Os resultados deste estudo permitem verificar que a incidência de ideação suicida se mantém estável ao longo dos primeiros seis meses de reclusão, enquanto a incidência de perturbação emocional diminui significativamente nesse mesmo período de tempo. A divisão da amostra em dois grupos, permitiu verificar que o Grupo CIS apresenta níveis de perturbação emocional significativamente superiores ao observado no Grupo SIS, particularmente sintomatologia psicopatológica depressiva, ansiosa, psicótica e hostil e, enquanto o Grupo CIS praticamente mantêm os mesmos níveis de perturbação emocional ao longo dos primeiros seis meses de reclusão, o Grupo SIS demonstra uma enorme diminuição nos níveis de perturbação emocional. Concluindo, a ideação suicida encontra-se fortemente associada à perturbação mental, nomeadamente à sintomatologia depressiva, ansiosa, psicótica e hostil. Nos reclusos com ideação suicida a perturbação mental apresenta um carácter disposicional, mantendo-se praticamente constante ao longo da execução da pena, enquanto nos reclusos sem ideação suicida apresenta carácter reactivo, diminuindo após seis meses de reclusão
Tornar-se Psicólogo para além das aulas: Grupo de desenvolvimento com estudantes de Psicologia
O Desenvolvimento Profissional (DP) tem vindo a ser revelado como um elemento crítico na formação e desempenho profissional do Psicólogo. Tendo por base os fundamentos teóricos acerca do DP e da construção da identidade profissional, e com carácter exploratório, construiu-se, implementou-se e avaliou-se a eficácia de um programa de intervenção. O principal objectivo desta é, num contexto seguro à exploração, promover o DP de estudantes de Psicologia, em duas componentes (intrapessoal e interpessoal/social). Constituíram-se dois grupos (um de 10 e outro de cinco participantes), avaliados formalmente no início e no fim do programa, através de uma medida construída para o efeito – Questionário de Desenvolvimento de Estudantes de Psicologia. Os resultados apoiam a eficácia da intervenção e indicam mudanças ao nível do autoconhecimento, da representação de DP, do conhecimento do papel de Psicólogo, dos recursos para a transição entre papéis e contextos, da coerência e riqueza narrativa e das competências relacionais básicas. Não obstante as reformulações necessárias identificadas na avaliação informal, o programa promove o DP e a construção da identidade profissional dos estudantes de Psicologia, tendo os participantes demonstrado a sua satisfação com a mesma
A disfunção sexual em homossexuais masculinos: Potencialidades e desafios
Neste artigo efectuou-se uma revisão da literatura sobre a etiologia, a prevalência, o diagnóstico e o tratamento das disfunções sexuais em homossexuais masculinos, destacando as principais fragilidades, os desafios e as lacunas que revestem esta temática. A síntese e integração dos principais desenvolvimentos teóricos e empíricos da literatura científica, nacional e internacional, sublinha que os estudos que abordam esta temática são escassos e apresentam resultados pouco consistentes e por vezes contraditórios. A literatura revela, ainda, a inexistência de critérios clínicos específicos, de programa de reabilitação ou de modelos de actuação para a disfunção sexual no campo da homossexualidade, pois estes centram-se no referencial teórico e prático dos heteros - sexuais e renegam para segundo plano as necessidades e especificidades da população homossexual. Por fim, e de modo a potenciar o desenvolvimento de mais pesquisas nesta área, são ainda dadas algumas sugestões para ulteriores trabalhos
Preditores da dependência nicotínica e do comportamento planeado para deixar de fumar
Este estudo avaliou os preditores da dependência tabágica e o modo como as representações do tabaco contribuem para as variáveis socio-cognitivas na cessação tabágica. Participaram no estudo 224 fumadores. Os resultados revelaram que ter menos idade, ser do sexo masculino, ter doença respiratória, fumar mais cigarros por dia, ter um parceiro que fuma, menor qualidade de vida mental e mais morbilidade psicológica foram preditores de maior dependência tabágica. Por sua vez, mais idade, menor compreensão, representações emocionais mais ameaçadoras e parceiro não fumar revelaram-se preditores da intenção; menor compreensão, representações cognitivas mais ameaçadora e parceiro não fumar previram as atitudes face ao comportamento deixar de fumar; mais idade, representações emocionais e cognitivas mais ameaçadoras e parceiro não fumar previram as crenças de comportamento em relação a deixar de fumar; representações emocionais mais ameaçadoras e parceiro não fumar previram as normas subjetivas; representações cognitivas menos ameaçadoras e parceiro não fumar previram o controlo comportamental percebido; mais idade, parceiro não fumar e representações emocionais mais ameaçadoras previram as crenças normativas/controlo. As representações emocionais e cognitivas mais ameaçadoras e ser do sexo masculino, foram os preditores do planeamento do coping/ação. Este estudo enfatiza a importância das representações do tabaco nos programas de cessação tabágica
O tempo subjectivo como instrumento (des)adaptativo no processo desenvolvi - mental
A Perspectiva Temporal – PT (Zimbardo & Boyd, 1999) é o processo através do qual as experiências pessoais e sociais dos sujeitos são categorizadas, arquivadas e recuperadas mediante categorias temporais que têm por base as noções subjectivas do passado, o presente e o futuro. Assim, através de uma análise da PT é possível compreender mudanças em diversas variáveis, tenham estas um carácter funcional (auto-estima, investimento escolar, comportamentos pró-activos e de empreendedorismo) ou disfuncional (consumo de drogas, comportamentos de risco, depressão) no processo desenvolvimental dos sujeitos. São apresentados dois estudos, de forma a validar esta tese. No primeiro é explorada a relação entre a PT e o desempenho académico, os resultados sugerem que os sujeitos com uma forte visão Fatalista do Presente assim como aqueles com baixa orientação para o Futuro, apresentam piores resultados académicos do que aqueles com uma forte orientação pessoal para o Futuro, resultados que são coincidentes com outros estudos prévios (Boniwell & Zimbardo, 2004; Lens & Tsuzuki, 2007). No segundo estudo é analisada a relação da PT com a auto-estima, no qual se verifica uma importante relação entre as dimensões de Passado Negativo, Presente Hedonista e Futuro Negativo com a auto-estima
Teoria da mente ao longo do desenvolvimento normativo: Da idade escolar até à idade adulta
A teoria da mente, enquanto marco do desenvolvimento sócio-cognitivo normativo emergente em idade pré-escolar, define-se como a capacidade para compreender e atribuir estados mentais – desejos, cognições, crenças e emoções – a si e aos outros, o que, por seu turno, permite a previsão e interpretação do comportamento dos outros (Astington & Barriault, 2001). Mas como se carateriza a teoria da mente no âmbito do desenvolvimento normativo ao longo do ciclo vital? E como se avalia? O presente artigo pretende responder a ambas as questões através de uma revisão teórica deste constructo no âmbito do desenvolvimento normativo em idade escolar, adolescência e idade adulta e uma síntese das principais metodologias desenvolvidas para a sua avaliação
Ajustamento psicossocial, ajustamento diádico e resiliência no contexto de desemprego
No contexto socioeconómico atual, o confronto com condições de maior ou menor adversidade no trabalho, onde podemos enquadrar o desemprego, pode desafiar a vida pessoal e relacional dos indivíduos. No presente estudo transversal, analisamos a adaptação pessoal (sintomatologia psicopatológica e qualidade de vida), relacional (ajustamento diádico) e resiliência individual no contexto de desemprego. A amostra foi constituída por conveniência e incluiu 15 casais em que um dos elementos estava desempregado e 22 casais, com ambos os elementos empregados. O protocolo de avaliação incluiu os seguintes instrumentos: Inventario de Sintomas Psicopatologicos (BSI); Instrumento de Avaliação da Qualidade de Vida da Organização Mundial de Saúde – WHOQOL-Bref; a Escala de Ajustamento Diádico – Revista (EAD-R) e a Connor-Davidson – Escala de Resiliência (CD-RISC). Os resultados encontrados sugerem que os participantes desempregados atribuem uma maior importância a relação do que os seus parceiros. A resiliência do desempregado mostrou-se associada a menor sintomatologia psicopatológica, a melhor perceção de QdV e a melhor ajustamento diádico. O presente estudo exploratório permitiu contribuir para conhecer melhor a adaptação individual e conjugal ao desemprego, sobretudo devido a escassez de estudos nesta area, deixando ainda pistas futuras de investigação