Análise Psicológica
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A perturbação de hiperatividade/défice de atenção em idade pré-escolar: Especificidades e desafios ao diagnóstico e intervenção
Com a presente revisão da literatura, pretende-se caraterizar a PH/DA em idade pré-escolar. Nos últimos anos este diagnóstico tem vindo a ser aplicado cada vez com mais frequência antes dos 5 anos de idade, alertando para a necessidade de proceder a uma clarificação da identificação e diagnóstico precoces. A utilização do Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (DSM) em idade pré-escolar tem sido objeto de debate, devido ao risco de psicopatologização e sobrediagnóstico de problemas de desenvolvimento que podem ser transitórios. Através do estudo dos indicadores precoces de risco implicados nas diferentes trajetórias da PH/DA poderemos responder de forma mais apropriada aos primeiros sinais da hiperatividade e proporcionar intervenções precoces. O presente artigo faz uma síntese das áreas a avaliar e dos instrumentos que é possível utilizar, bem como das principais evidências científicas e diretrizes práticas sobre a avaliação e intervenção na PH/DA em idade pré-escolar
Relações entre o estatuto escolar e o autoconceito, auto-estima e orientações motivacionais em alunos do 9º ano de escolaridade
Investigações sobre o insucesso académico evidenciam que a natureza dos resultados obtidos pelos alunos se relaciona de modo significativo com uma série de variáveis como a motivação, autoconceito e auto-estima. No presente estudo pretendemos analisar as relações existentes entre o estatuto escolar e o autoconceito, auto-estima e orientações motivacionais de alunos do 9º ano de escolaridade ao longo do ano lectivo. Para o efeito realizámos um estudo longitudinal com dois momentos de avaliação: um no início do 2º período e outro no final do 3º período. Participaram no estudo 158 alunos que responderam à escala de autoconceito e auto-estima (Peixoto & Almeida, 1999) e à escala de orientações motivacionais de Skaalvik (1997; Peixoto, Mata, & Monteiro, 2008). As análises aos dados indicaram que o estatuto escolar introduz diferenças nalgumas dimensões do autoconceito (autoconceito académico e autoconceito de apresentação) e um efeito tendencial na autoestima. Os resultados obtidos permitiram também evidenciar a existência de diferenças nas orientações motivacionais (orientação para a tarefa e orientação para o evitamento) introduzidas pelo estatuto escolar
Desenho e Avaliação de Programas de Desenvolvimento de Competências Parentais para Pais Negligentes: Uma revisão e reflexão
A negligência parental tem surgido associada à falta de competência dos pais para educar, supervisionar e responder às necessidades dos filhos menores, colocando em risco o seu bem-estar. O presente artigo apresenta um breve enquadramento do fenómeno da negligência parental, sua prevalência e relevância social no contexto nacional. São ainda apresentadas algumas definições de negligência, referidos alguns dos seus modelos teóricos de enquadramento e os principais fatores de proteção e de risco associados. Em seguida descrevemos brevemente um conjunto de programas de intervenção com famílias negligentes desenvolvidos e aplicados em contexto nacional. Esta análise indica que são ainda escassos os programas que apresentam um quadro teórico de referência específico, metodologias e estratégicas bem definidas e ainda mais raros os que utilizam desenhos de avaliação que permitem aferir adequadamente a sua eficácia. No final do artigo, e com base na literatura e nos programas analisados, procuramos sistematizar um modelo geral de intervenção neste contexto e apresentar algumas propostas relativas à estrutura e conteúdo dos programas de formação parental bem como às metodologias e procedimentos de desenho e de avaliação dos seus resultados
Aspectos psicológicos na obesidade mórbida: Avaliação dos níveis de ansiedade, depressão e do auto-conceito em obesos que vão ser submetidos à cirurgia bariátrica
A obesidade e um problema de saúde publica considerando a sua elevada prevalência, a dificuldade no controlo e o elevado índice de reincidência. Metodologia: E um estudo com desenho correlacional e foi desenvolvido num Centro Hospitalar da Região Norte de Portugal (CHAA), com uma amostra não aleatória de 100 participantes, de ambos os géneros, com obesidade mórbida e candidatos a cirurgia bariatríca. O objectivo deste estudo consiste em avaliar os níveis de ansiedade, depressão e auto-conceito em obesos que vão ser submetidos a cirurgia bariatrica, mais concretamente, caracterizar o estado emocional (ansiedade, depressão) dos utentes com obesidade mórbida candidatos a cirurgia bariatrica, verificar a relação entre os níveis de ansiedade, depressão e o auto-conceito, analisando se existem relações significativas entre as dimensões do auto-conceito (aceitação/rejeição social, autoeficácia, maturidade psicológica, impulsividade/actividade) e a ansiedade e depressão. Pretende-se ainda verificar a relação existente entre o IMC e a ansiedade, depressão e avaliar a relação entre o IMC) e o autoconceito. Para a realização do presente estudo foi administrado um Questionario Socio-Demografico e Clinico, o Hospital Anxiety and Depression Scale (HADS) de Zigmond e Snaith (1983) e o auto-conceito através do Inventario Clinico de Auto-Conceito (ICAC) de Vaz Serra (1986). Resultados: O estudo sugere uma associação estatisticamente significativa entre os níveis de ansiedade, depressão e o autoconceito em indivíduos com obesidade mórbida. Verificou-se ainda que a ansiedade esta presente nos indivíduos com obesidade mórbida mas, de acordo com as analises efectuadas, não parece haver correlações significativas entre a ansiedade, a depressão, o auto-conceito e o IMC. Conclusão: Apesar de alguns estudos revelarem que os indivíduos obesos apresentam uma maior probabilidade de manifestar algum grau de psicopatologia, nem todos os sujeitos apresentam graus significativos de perturbações psicológicas. Esperamos contribuir para ampliar o conhecimento e compreensão dos aspectos psicológicos desta doença, associada as dimensões em analise – depressão, ansiedade e autoconceito que tem sido estudado, sobretudo, do ponto de vista medico, nutricional e estético, mas ainda de forma incipiente pela psicologia, contribuindo, deste modo, para o aprofundamento desta área e o desenvolvimento de futuros planos de intervenção na praxis da Psicologia Clinica e da Saúde
A elaboração da psicologia sócio histórica cultural: As cartas vigotskianas
O artigo tem como objetivo analisar as cartas de Lev Semenovich Vigotski, escritas no período de 1926 à 1934 e publicadas no Journal of Russian and East European Psychology. Esta é uma oportunidade de conhecermos um pouco mais sobre a realidade em que Vigotski viveu, e acessarmos seu itinerário intelectual, identificando os círculos de suas relações, suas preocupações acadêmicas e suas reflexões teóricas acerca da construção da teoria sócio histórica cultural. Tal tarefa ocorreu em dois momentos, primeiramente, na tradução e sistematização das cartas e, posteriormente, na análise dessas, embasada no referencial teórico de estudiosos da teoria vigotskiana. Após breve introdução do momento histórico da psicologia soviética, traçamos três perspectivas que nos auxiliaram a analisar as cartas: (1) a situação de sua saúde e os impedimentos para realizar seu trabalho; (2) uma reflexão crítica sobre a psicologia, com vistas a criar as condições para a emergência de uma nova psicologia; (3) a consolidação do grupo de trabalho, afastamentos e rupturas, em torno de questões relativas a psicologia e seus desdobramentos teóricos e metodológicos. Enfatizamos a maneira humanista com que Vigotski vivenciou esses momentos
Questionário de diagnóstico local de segurança: Estudo numa comunidade urbana
Este texto apresenta de um questionário construído em colaboração com o Comando Metropolitano do Porto, que intervém numa comunidade urbana problemática, situada na freguesia da Sé, Porto. Subjacente à construção do questionário para levantamento de Diagnósticos Locais de Segurança (DLS), segundo as diretrizes ministeriais nacionais, esteve a necessidade de, naquela comunidade urbana, se caracterizar o sentimento de (in)segurança dos moradores nas suas componentes objetiva e subjetiva. O instrumento, cuja versão final é composta por cinco secções, foi administrado a uma amostra de 244 indivíduos de ambos os sexos, residentes, trabalhadores ou estudantes naquela região e com idades entre os 16 e os 82 anos. O estudo transversal e descritivo revelou o predomínio de uma perceção de segurança, não obstante a noção de aumento da criminalidade. O tráfico de drogas surgiu como crime mais frequente, e os mais temidos foram furto/roubo, assalto a residência e tráfico de drogas. O desemprego e os problemas económicos foram percebidos como causas para o aumento da criminalidade. A reabilitação urbana e o aumento de policiamento foram medidas sugeridas para aumentar a segurança. Estes e outros resultados reforçam a importância de diagnósticos locais de segurança, para a elaboração de estratégias preventivas adequadas a cada comunidade específica
Práticas atuais e ideais em intervenção precoce no Alentejo: Perceções dos profissionais
Com este estudo, pretendeu-se compreender as percecoes que os profissionais das equipas locais de intervencao do Alentejo tem em relacao as suas praticas tipicas e as praticas que consideram ideais. Participaram 167 profissionais de 25 equipas de Portalegre, Evora, Beja e Alentejo Litoral. A recolha de dados foi realizada com base no Questionario aos Profissionais de Intervencao Precoce na Infancia (IPI) e na Escala de Avaliacao de Servicos: Familias em Contextos Naturais (McWilliam, 2000/2008). De acordo com os resultados obtidos, (1) existem diferencas entre as percecoes dos profissionais em relacao as praticas tipicas e as praticas ideais; (2) nao existem diferencas na percecao dos mesmos profissionais em relacao as praticas tipicas e as praticas ideais, em funcao das variaveis idade, tempo de experiencia profissional em IPI, formacao de base e formacao complementar; e (3) existem diferencas entre as percecoes dos profissionais em relacao as praticas tipicas, em funcao das suas percecoes acerca do tipo de funcionamento da equipa, com os profissionais que caracterizam a equipa como transdisciplinar a relatar praticas tipicas mais proximas das praticas recomendadas. Os resultados sugerem a necessidade de promover a transdisciplinaridade das equipas de IPI bem como a qualidade das suas praticas
Da escrita grafo-perceptiva à escrita fonetizada: Factores e processos evolutivos na descoberta do princípio alfabético
As práticas de escrita inventada em pré-escolar facilitam a descoberta do princípio alfabético (Adams, 1990; Alves Martins & Silva, 2001, 2009; Treiman, 1998). Os programas desenvolvidos comprovam a eficácia das práticas de escrita inventada tendo apenas em conta os resultados finais obtidos, pelo que neste artigo se apresenta a análise das sessões de um programa de escrita inventada, com o objectivo de tentar compreender quais são os factores e os processos evolutivos que ocorrem durante este tipo de intervenções, levando à descoberta do princípio alfabético.Na análise foram tidos em conta as respostas verbais dadas pelas crianças, o tipo de escrita produzido durante as sessões e as intervenções do experimentador. Considera-se que os factores que contribuem para a descoberta do princípio alfabético são o conhecimento dos nomes das letras, o estabelecimento explícito das relações letra/som com base nas escritas das próprias crianças e o recurso a palavras facilitadoras
O desenvolvimento da socialização e o papel da família
O estudo apresentado procurou analisar o papel da família no desenvolvimento da socialização em crianças e adolescentes, nomeadamente no que concerne ao papel da estrutura familiar e das relações pais-filhos. Assim, foi nosso objectivo verificar, por um lado, se a estrutura familiar seria por si só uma variável significativa para o desenvolvimento dos comportamentos sociais ou se, por outro lado, as relações pais filhos seriam melhores preditores da socialização dos filhos. Para o efeito, auscultaram-se 182 crianças e adolescentes a frequentarem o ensino básico, do 6º ao 9º ano de escolaridade, através de três questionários de auto-resposta que avaliaram aspectos sócio-demográficos, variáveis de socialização e relações pais-filhos. De um modo geral, os resultados obtidos permitem assumir que, mais do que a estrutura familiar por si só, será o modo como os elementos da família se relacionam que influenciará o desenvolvimento da socialização dos filhos. Acreditamos que tal conclusão poderá trazer importantes e úteis implicações no que ao desenvolvimento dos comportamentos sociais de crianças e adolescentes diz respeito, não apenas para a família, como para todas as instituições e profissionais que com ela lidam
O impacto dos estilos educativos parentais e do desenvolvimento vocacional no rendimento escolar de adolescentes
Compreender a complexidade da problemática do in/sucesso e/ou do abandono escolar, tem sido uma das preocupações dominantes da investigação nas últimas décadas, sendo não só objeto do interesse geral, como também tem vindo a municiar os discursos críticos em relação à dita escola de massas. Neste sentido, a presente investigação incide na análise dos preditores familiares e individuais do rendimento escolar de adolescentes. Participaram neste estudo 222 adolescentes com idades compreendidas entre os 14 e os 16 anos, que frequentavam o 9º ano de escolaridade. Os dados foram recolhidos em escolas secundárias, através do Questionário de Estilos Educativos Parentais e da Escala de Exploração e Investimento Vocacional. O nível de escolaridade das mães, a monitorização parental e o investimento vocacional revelaram-se preditores do rendimento escolar. Os resultados são discutidos à luz de uma abordagem psicossocial sendo retiradas implicações para a intervenção psicológica