Análise Psicológica
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A construção narrativa da identidade em jovens adotados: O caso Beno
A adolescência é o momento em que surge a necessidade de construção de uma identidade que permita à pessoa uma relação produtiva com o mundo (Erikson, 1968; Habermas & Bluck, 2000; McAdams, 2001). McAdams refere-se ao processo de construção da identidade como o de desenvolvimento de um sentido de unidade e de propósito diante das demandas do mundo e da sociedade, no qual os jovens organizam sua história de vida a fim de produzir uma narrativa autobiográfica coerente. O presente trabalho investiga, através de um estudo de caso, a elaboração de uma narrativa de vida com a finalidade de buscar ali a construção narrativa da identidade da pessoa adotada. Interessa-nos investigar como aparece a questão da adoção na narrativa de vida e qual seu papel na construção do self narrativo. Foi entrevistado um jovem de 22 anos de idade com a Entrevista de Elicitação de Histórias de Vida (Gonçalves, Henriques, & Vieira, 2010). A narrativa foi submetida a uma análise descritiva de estrutura, processo e conteúdo, baseada nos sistemas de Gonçalves e colaboradores (Gonçalves, Henriques, Alves, & Soares, 2002; Gonçalves, Henriques, & Cardoso, 2006; Gonçalves, Henriques, Alves, & Rocha, 2006; Gonçalves, Henriques, Soares, & Monteiro, 2006); no modelo tridimensional de coerência global de narrativas de vida (Habermas & Diel, 2005; Habermas & de Silveira, 2008; Habermas, Ehlert-Lerche, de Silveira, 2009); e na análise da multiplicidade de imagos, caracteres e vozes do discurso narrativo (Hermans, 2008; Hermans & Kampen, 1993; McAdams, 1993)
Relationship between socio-demographic, clinical and psychosocial variables in patients with Type 2 Diabetes
The aim of this study is to analyze the relationship between socio-demographic, clinical and psychosocial variables in patients with Type 2 Diabetes and to establish comparative patterns between genders with this disorder. Patients from a primary care center were assessed through a researcher design form and through the HADS, the ESSS and the PSQI. A total of 90 patients with Type 2 Diabetes were enrolled in this study (50% women), with a mean age of 56.67±6.41 years. The HADS depression presented a score of 3.77±2.98 and 6.70% of the sample revealed depression symptoms. As to anxiety, the HADS presented scores of 7.27±5.07 with 36.60% of the subjects revealing anxiety symptoms. Regarding social support, the results were positive and similar between genders. When it comes to sleep, the sample presented a PSQI of 8.68±2.87, with 73.30% of patients revealing poor sleep quality and 24.40% showing a sleep disorder. When comparing genders, women had higher anxiety (♀ 9.73±5.58; ♂ 4.80±2.91; p=0.000) and depression scores (♀ 4.26±2.69; ♂ 3.26±3.19; p=0.026), and worse sleep quality (♀ 9.88±7.46; ♂ 7.46±2.34; p=0.000). In conclusion, we can state that anxiety symptoms are very prevalent in patients with Type 2 Diabetes and women are more vulnerable to anxiety, depression symptoms and poor sleep quality.The aim ofthis study is to analyze the relationship between socio-demographic, clinicaland psychosocial variables in patients with Type 2 Diabetes and to establishcomparative patterns between genders with this disorder. Patientsfrom a primary care center were assessed through a researcher design form andthrough the Hospital Anxiety and Depression Scale, the Satisfaction with SocialSupport Scale and the Pittsburgh Sleep Quality Index. A total of90 patients with Type 2 Diabetes were enrolled in this study, with a mean ageof 56.67±6.41 years. The HADS depression presented a score of 3.77±2.98 and6.7% of the sample revealed depression symptoms. The HADS anxiety presentedscores of 7.27±5.07 and 36.6% of the subjects had anxiety symptoms. Regardingsocial support, the results were positive and similar between genders. When itcomes to sleep, the sample presented a PSQI of 8.68±2.87, with 73.3% ofpatients revealing poor sleep quality and 24.4% showing a sleep disorder. Whencomparing genders, females had higher scores of anxiety and depression andworse sleep quality. Inconclusion, we can state that anxiety symptoms are very prevalent in patientswith Type 2 Diabetes and women are more vulnerable to anxiety, depression symptomsand poor sleep quality
Educação parental com famílias maltratantes: Que potencialidades?
O mau trato infantil assume, pelas consequências individuais, familiares e sociais, a curto, médio e longo prazo, um papel preponderante no âmbito da proteção à infância e, constitui, por isso, uma preocupação social e política premente. Os dados do sistema protetivo português apontam para taxas elevadas de reabertura dos processos de promoção e proteção, na sequência da reincidência dos comportamentos maltratantes. A maioria das intervenções propostas neste âmbito foca-se no apoio familiar e parental, hipotetizando que mudanças na parentalidade poderão dirimir a reincidência deste fenómeno. É neste contexto que os programas de educação parental, pelas potencialidades que lhes têm sido evidenciadas na investigação desenvolvida noutros países, têm assumido uma importância crescente na intervenção para a mudança dos comportamentos parentais e da relação pais-filhos. Em Portugal, a educação parental aplicada a contextos de vulnerabilidade familiar e social tem despertado o interesse da classe política e atores sociais, nomeadamente aquando da definição de políticas de intervenção social, assumindo, atualmente um papel pertinente na prevenção do mau trato infantil. O presente artigo pretende refletir sobre o papel da educação parental no âmbito da intervenção protetiva, evidenciando o impacto positivo que uma intervenção desta natureza poderá imprimir às famílias referenciadas como maltratantes
Qualidade de vida e sintomatologia psicopatológica em pais de crianças com diagnóstico de deficiência/anomalia congénita: A importância das características de resiliência
O objetivo do presente estudo consistiu em avaliar a adaptacao parental, em termos de sintomatologia psicopatologica e qualidade de vida (QdV), bem como avaliar a influencia das caracteristicas de resiliencia parental na sua adaptacao, bem como na adaptacao do(a) parceiro(a). A amostra foi constituida por 90 participantes (45 casais), pais de criancas com um diagnostico de deficiencia/AC. O protocolo de avaliacao incluiu a Escala de Resiliencia para Adultos (ERA), o Inventario de Sintomas Psicopatologicos (BSI-18) e o instrumento de avaliacao de QdV da Organizacao Mundial de Saude, WHOQOL-Bref. Os resultados mostraram que as maes apresentaram valores mais elevados na dimensao ansiedade (p<.01), no indice geral de gravidade (p<.01) e pior QdV psicologica (p<.05). As maes apresentaram valores mais elevados de resiliencia, em particular de coesao familiar (p<.05). Em ambos os pais, a resiliencia mostrou-se associada a menor sintomatologia psicopatologica e a resultados mais elevados de QdV. A resiliencia materna nao se mostrou significativamente associada a adaptacao paterna mas, constatou-se que niveis elevados de resiliencia paterna se associaram a menor sintomatologia psicopatologica e melhor QdV materna. Os resultados deste estudo evidenciam o papel protetor da resiliencia na adaptacao parental ao diagnostico de anomalia congenita da crianca. Adicionalmente, estes resultados enfatizam a necessidade de avaliar e promover os recursos parentais. Por fim, ressalta-se a necessidade de avaliacao do casal como unidade de analise e os potenciais efeitos cruzados no desenho de intervencoes terapeuticas, reforcando-se o papel da relacao conjugal e do contexto interpessoal em que esta problematica ocorre
Scaffolding verbal materno no âmbito de uma tarefa de elicitação narrativa em crianças de idade pré-escolar
O scaffolding tem sido estudado no âmbito de tarefas de resolução de problemas, sendo escassas asinvestigações em contexto de elicitação narrativa. Este trabalho analisa o scaffolding verbal maternona promoção da construção narrativa de crianças em idade pré-escolar, através da utilização de umlivro de imagens. As narrativas de 41 crianças (58.5% rapazes) de 4 anos foram vídeo-gravadas,transcritas e analisadas segundo a Grelha de Cotação de Comportamentos Verbais Promotores daNarrativa nas Crianças em Idade Pré-escolar. Verificou-se que as mães dirigem a atenção e o interesse da criança para o livro, utilizam questões específicas para direcionar o discurso da criança, recorrem a exemplos e solicitam a comprovação da criança e utilizam questões com incentivos de forma apromover o seu discurso. Relativamente ao modo como orientam a narrativa dos seus filhos,registaram-se valores semelhantes ao nível da intrusividade, sensibilidade e mudança. Os resultadossugerem que a mãe tende a desempenhar a função de coautora ou mesmo de narradora principal comoforma de auxiliar a criança na construção da narrativa
Observação das interacções educador-criança: Escala de interacção do prestador de cuidados
A Escala de Interacção do Prestador de Cuidados, na sua versão original, Caregiver Interaction Scale (CIS), é um sistema de observação que pretende avaliar a qualidade e o conteúdo das interacções, em termos da sensibilidade, aspereza e permissividade dos prestadores de cuidados. Com o intuito de apresentar esta escala e algumas qualidades métricas para o contexto português, realizámos um conjunto de análises com base numa amostra de 115 salas do 1.º ano de escolaridade. Os resultados mostram que a escala é um instrumento útil para recolher informação acerca dos processos interactivos dos educadores e professores. Os resultados revelaram ainda que os professores observados tendem a estabelecer interacções moderadamente positivas e com um elevado grau de envolvimento
Delinquência juvenil no feminino: Um estudo comparativo de raparigas institucionalizadas
A presente investigação teve como objectivo analisar o papel desempenhado na delinquência juvenil feminina pelos constructos de traços psicopáticos, problemas de comportamento, comportamentos delinquentes e auto-estima. Recorrendo a 249 jovens do sexo feminino, subdivididas em grupo forense (n=93) e em grupo escolar (n=156), foram analisadas diferenças a nível de variáveis sócio-demográficas, traços psicopáticos, perturbação do comportamento, problemas de comportamento, comportamentos delituosos, auto-estima e desejabilidade social. Os resultados indicaram que as jovens do grupo forense apresentam valores significativamente mais elevados em traços psicopáticos, categoria psicopática, perturbação de comportamento, problemas de comportamento e comportamentos delituosos, mas não foram encontradas diferenças relativamente a auto-estima e desejabilidade social. Um modelo de regressão logística binaria confirmou a importância dos traços psicopáticos e da categoria psicopática na predição de pertença das jovens aos grupos forense e escolar
Interacção terapêutica em momentos de ambivalência: Um estudo exploratório de um caso de insucesso
No processo psicoterapêutico a mudança constrói-se através da emergência e expansão de excepções ao funcionamento problemático do cliente. Contudo, o potencial de mudança destas excepções ou inovações pode ser abortado através da atenuação do seu significado quando o cliente as desvaloriza, trivializa ou nega. Quando este processo se repete ao longo da terapia estamos na presença de ambivalência, na medida em que ocorre uma oscilação recorrente entre duas posições opostas (inovação-retorno ao funcionamento problemático). O presente estudo exploratório tem como principal objectivo descrever a interacção terapêutica nestes momentos de ambivalência, num caso de insucesso psicoterapêutico, recorrendo ao Sistema de Codificação da Colaboração Terapêutica. Os resultados sugerem que a ambivalência emerge maioritariamente no seguimento de intervenções em que a terapeuta desafia a perspectiva habitual da cliente. Os resultados mostram ainda que a terapeuta tende a responder à ambivalência da cliente com um novo desafio, sendo que a cliente tende a expressar novamente ambivalência ou a discordar da terapeuta. Deste modo, quando a terapeuta persiste no desafio verifica-se frequentemente uma escalada no desconforto da cliente, que se manifesta na evolução de uma resposta de ambivalência para uma resposta de invalidação por parte da cliente
Quando o cliente pensa que não sente e sente o que não pensa: Alexitimia e psicoterapia
É repetidamente referido na literatura que pacientes alexitímicos têm piores resultados em psicoterapia. Tendo como referência que as características associadas ao conceito de alexitimia reflectem défices ao nível do processamento emocional, não só ao nível da regulação emocional, mas também dos processos subjacentes, como a consciência e a experienciação emocionais e a expressão e a diferenciação emocional, sugere-se que com pacientes com funcionamento alexitímico seja necessário um maior enfoque terapêutico ao nível das tarefas emocionais. Neste trabalho salientamos as dificuldades que podem ocorrer ao nível da aliança terapêutica e discutem-se as implicações para as tomadas de decisão clínica. Através de uma análise crítica da literatura apontamos a importância de ter em conta esta dimensão na conceptualização de caso, no sentido de antecipar dificuldades ao nível da relação terapêutica e de se optar por objectivos mais focados nos processos subjacentes à alexitimia do que nas suas consequências
Scaffolding Verbal Materno e Coerência Estrutural Narrativa da Criança em Idade Pré-escolar
O scaffolding assume um papel importante no desenvolvimento das capacidades narrativas das crianças. O objetivo deste estudo foi analisar qual a relação entre o scaffolding verbal materno e a coerência estrutural narrativa da criança. Quarenta e uma crianças (58.5% rapazes) com 4 anos e suas mães realizaram uma tarefa de elicitação narrativa, utilizando um livro de imagens. Os resultados mostram que os comportamentos maternos que dirigem a atenção e o interesse da criança para o livro correlacionavam-se negativamente com a sequência estrutural e comprometimento avaliativo e, marginalmente, com a orientação e integração narrativa da criança. O uso de questões específicas que direcionam o discurso da criança estava também correlacionado negativamente com a sequência estrutural e, marginalmente, com a integração. Em contraste, níveis reduzidos de intrusividade materna a par com níveis elevados de sensibilidade e mudança dos comportamentos face à narrativa da criança mostraram-se associados a uma elevada coerência estrutural narrativa. Estes resultados sugerem que o momento no qual a mãe decide intervir e a forma como o faz são aspectos relevantes ao nível do desenvolvimento da narrativa da criança, com possíveis repercussões ao nível da coerência estrutural narrativa