Análise Psicológica
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    A multidimensionalidade da adaptação escolar na pré-adolescência

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    A presente investigação procura fomentar a reflexão e a compreensão do fenómeno da adaptação escolar. Partindo da exploração da literatura e de um conjunto de pressupostos teóricos de ordem desenvolvimental e ecológica, foi concetualmente delineado e testado um modelo multidimensional de adaptação escolar na pré-adolescência. O modelo examina principalmente dimensões sociais, mas também a dimensão académica e o nível socioeconómico familiar, propondo uma visão integrada da adaptação escolar. O estudo empírico desenvolveu-se junto de 706 estudantes pré-adolescentes e avaliou as perceções do próprio estudante e as perceções dos professores e pares acerca da competência social dos estudantes. O teste empírico ao Modelo de Adaptação Escolar evidencia um ajustamento global razoável, suportando as associações preconizadas entre as componentes da competência social e entre estas componentes sociais e a realização académica e o nível socioeconómico e cultural da família. Estes resultados sublinham a necessidade de considerar múltiplas facetas na avaliação e promoção da adaptação escolar, reconhecendo-se que esta engloba especialmente conexões entre a competência social e realização académica do estudante. Estes resultados serão ainda alvo de reflexão e discussão, sendo extraídas implicações para a investigação, teoria e intervenção.

    Viabilidade da monitorização da intervenção psicoterapêutica com adolescentes com recurso a aplicações móveis

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    A monitorização sistemática da intervenção psicoterapêutica é determinante na avaliação da eficácia clínica de uma intervenção e na adequação da mesma às necessidades do indivíduo. Ao longo da última década, a tecnologia foi evoluindo rapidamente, bem como as aplicações tecnológicas associadas aos processos de psicoterapia. A inclusão da monitorização psicoterapêutica nos processos de intervenção psicológica surgiu enquanto necessidade atual, a par da evolução tecnológica. Assim, este trabalho de investigação surge no âmbito de um projeto dirigido à construção de uma aplicação móvel para a monitorização psicoterapêutica nos processos de intervenção psicológica. Com o objetivo de conhecer as perceções de terapeutas, acerca da viabilidade de uma aplicação móvel na realização da monitorização psicoterapêutica, provenientes de diferentes contextos, foram realizadas entrevistas semiestruturadas a 14 terapeutas. As entrevistas têm em vista a exploração da viabilidade da monitorização da intervenção psicoterapêutica com adolescentes e a pertinência do recurso a aplicações móveis no processo terapêutico. Previamente à entrevista, os terapeutas preencheram o consentimento informado, o acordo de confidencialidade e uma ficha sociodemográfica. As entrevistas foram transcritas e foi realizada uma análise semi-indutiva do seu conteúdo com recurso ao software NVivo 10. Os resultados obtidos evidenciaram que a monitorização psicoterapêutica é percecionada como relevante pelo terapeuta, não só para a sua prática profissional, como também para o próprio cliente. Os entrevistados identificaram igualmente fatores facilitadores na utilização deste tipo de aplicações móveis na prática clínica atual. Da sua reflexão acerca da viabilidade das novas tecnologias na monitorização psicoterapêutica emerge a identificação de ganhos e constrangimentos para o terapeuta e para o cliente

    Perceção de acontecimentos de vida negativos, depressão e risco de suicídio em jovens adultos

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    Este trabalho teve como objetivo testar dois modelos de previsão do risco de suicídio que assumem que a depressão medeia a relação entre a frequência de acontecimentos de vida percebidos como negativos e o risco de suicídio e a intensidade dos acontecimentos de vida percebidos como negativos e o risco de suicídio. Foi controlado o efeito da idade e do género dos participantes. Os dados foram recolhidos em dois momentos diferentes com um intervalo de cinco meses. Participaram 165 jovens adultos (41 homens e 121 mulheres) que responderam ao Life Experiences Survey, à Escala de Depressão do Centro de Estudos Epidemiológicos e ao Questionário de Comportamentos Suicidários - Revisto. Os dois modelos de equações estruturais testados ajustam-se aos dados de forma satisfatória. Os resultados são discutidos nas suas implicações para a prática clínica

    Entre os sentidos atribuídos à colaboração e a possibilidade de mudança

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    Dada a importância fundamental das representações na vida dos indivíduos e, particularmente, na profissão docente, enquanto influenciadoras da sua ação didática, desenvolveu-se um estudo no âmbito da formação inicial deste grupo profissional. A finalidade era a de compreender as dinâmicas de influência entre as representações, a possibilidade de mudança e a adoção de trabalho colaborativo. Participaram dois grupos de estudantes de uma unidade curricular de um mestrado profissionalizante em Educação Pré-escolar e Ensino no 1º Ciclo do Ensino Básico de uma universidade portuguesa, no ano letivo de 2010/2011. Disponibilizou-se um questionário online no início do estudo e, no fim, deste os estudantes conceberam uma reflexão escrita individual sobre a vivência numa unidade curricular em que se promovia a colaboração. Neste artigo pretendemos apresentar e discutir as representações destas duas fases do estudo. Os resultados apontam para a influência das representações sobre colaboração na adoção dessa modalidade de trabalho e a dificuldade de mudança, ainda que essa possibilidade fique em aberto, como veremos. Daqui emergiram algumas sugestões pedagógico-didáticas com vista à promoção de práticas inovadoras no Ensino Superior, centradas na aprendizagem dos estudantes e no desenvolvimento da colaboração, particularmente na formação inicial de professores

    Risco e regulação emocional em idade pré-escolar: a qualidade das interações dos educadores de infância como potencial moderador

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    A investigação tem demonstrado que as crianças em desvantagem social enfrentam muitos desafios e estão mais vulneráveis a desenvolver dificuldades a nível da regulação emocional, sendo extremamente relevante identificar fatores protetores que moderem esta vulnerabilidade. No presente estudo, foi analisado o papel moderador das interações do educador de infância no desenvolvimento da regulação emocional. Os participantes foram 338 crianças em idade pré-escolar de dois ambiente sociais distintos: em desvantagem social (n = e em situação de não risco. A regulação emocional foi avaliada através de um questionário ao educador, o Emotion Regulation Checklist (ERC, Shields & Cichetti, 1997). A qualidade das interações do educador de infância com as crianças foi observada através de uma escala de observação, o Classroom Assessment Scoring System (CLASS, Pianta, La Paro & Hamre, 2008). Os educadores avaliaram ainda a sua relação com cada criança participante através da Student-Teacher Rating Scale (STRS, Pianta, 2001). Análises multi-grupo multi-nível indicaram que no grupo de crianças de risco nas salas com mais qualidade a nível emocional e na sua organização, as crianças demonstraram competências de regulação emocional mais elevadas, sugerindo o importante papel dos educadores de infância no desenvolvimento da regulação emocional

    Cancro da mama vivido na relação mãe-filhos e na parentalidade

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    O diagnóstico de Cancro da Mama (CM) desencadeia uma crise na doente[1] e no seu sistema familiar, levando a mudanças no seu modo de funcionamento. O presente estudo tem como objetivos analisar as mudanças percebidas, a curto e a longo prazo, na relação mãe-filhos e na parentalidade na sequência do diagnóstico de CM materno, bem como analisar de que forma “ser mãe” influenciou o modo como as pacientes lidaram com o CM. Foram entrevistadas 17 mulheres sobreviventes de CM com filhos dependentes no momento do diagnóstico através de uma entrevista semiestruturada. Os dados foram analisados segundo a Grounded Theory. Os resultados demonstraram que esta experiência desencadeia mudanças, temporárias e permanentes, nos padrões de funcionamento familiar. Perante as mudanças nos comportamentos dos filhos, as mães adotam novas estratégias para promover bem-estar nos descendentes. Após a família se conseguir descentrar da doença, as mulheres conseguem refletir sobre os contributos da vivência do CM na relação mãe-filhos. Clinicamente, estes resultados permitem conhecer as necessidades destas mães e apoiar a elaboração de programas de intervenção psicológica capazes de responder a essas necessidades, salientando a importância de uma intervenção sistémica e que potencie a expressão emocional. [1] O recurso ao feminino deve-se ao facto de a incidência de CM nos homens ser mínima comparativamente com a taxa de incidência nas mulheres (American Cancer Society, 2015)

    Identificando os factores de influência da compra por impulso em adolescentes portugueses

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    A compra por impulso tem sido uma área vastamente pesquisada, entretanto, raras investigações têm sido realizadas em Portugal e particularmente com o público adolescente. Esta pesquisa teve o objectivo de identificar factores influenciadores da compra impulsiva (variáveis sociodemográficas, práticas sociais e hábitos online, variáveis psicológica, de influência grupal e valores). Participaram 238 adolescentes portugueses (117 rapazes e 121 raparigas, com idade média de 15.43 anos) da cidade do Porto (Portugal). Os resultados mostram que o sexo de pertença não influência a compra por impulso, e que a frequência de visitas a centros comerciais por mês, o prazer nas compras, a importância atribuída à marca, a tendência a gastar mais na presença de amigos e o materialismo nas compras têm uma correlação positiva com a compra por impulso, enquanto os valores de bem-estar profissional apresentam uma relação negativa. Os resultados corroboram a literatura e contribuem para compreender melhor o comportamento de compra impulsiva em Portugal

    Representações sociais do envelhecimento ativo num olhar genderizado

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    O objetivo deste estudo é analisar as representações sociais do envelhecimento ativo, procurando detetar os impactos das conceções diferenciadas de homens e mulheres idosos. Foi desenvolvido um estudo de coorte transversal. Foram inquiridas 123 pessoas idosas (M = 76,84; DP = 8,46). Utilizámos para aceder às evocações sobre o envelhecimento ativo a Técnica de Associação Livre de Palavras. As representações que emergiram com maior frequência foram a “família”, “passeio”, “convívio” e “saúde”. Foi possível destacar diferenças na representação social do envelhecimento ativo a partir de um olhar genderizado. Das evocações exclusivas do sexo masculino a evocação proeminente âncora no “desporto”, enquanto no sexo feminino a “atividade doméstica” predomina. Ambos os sexos elegeram a “família” como evocação proeminente na representação social do envelhecimento ativo. As mulheres, refletindo os papéis que desempenharam ao longo da sua vida parecem assumir que um envelhecimento ativo representa a execução das tarefas que sempre fizeram, centrando-se muitas das suas evocações em conteúdos de cariz familista, onde o papel de cuidadoras se destaca. As atividades de carácter instrumental e associadas à esfera privada, como as tarefas domésticas emergem com maior proeminência. No caso dos homens, a componente familista é também evocada, emergindo concomitantemente atividades de lazer.

    Programas de intervenção para o desenvolvimento de competências socioemocionais: Uma revisão crítica dos enquadramentos SEL e SEAL

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    Nos últimos anos tem aumento o interesse nos programas de desenvolvimento de competências socioemocional baseadas em escolas, face à perceção incrementadas destas como cruciais para o sucesso na vida e na escola. Este aumento impulsionou a criação de medidas legislativas de suporte e orientação nos Estados Unidos (Social and Emotional Learning - SEL) e em Inglaterra (Social and Emotional Aspects of Learning - SEAL). O presente artigo pretende analisar as semelhanças e as diferenças entre as duas abordagens, comparando vários pontos cruciais como objetivos, âmbito de intervenção, estratégia de implementação, formatos dos programas, implementadores empregues e a adequação da implementação dos programas com o respetivo enquadramento teórico. Adicionalmente será analisada a eficácia e a efetividade de cada abordagem, contemplando questões como a existências de diferenças de género no impacto de programas de desenvolvimento socioemocional, bem como a importância de envolver múltiplos informantes na avaliaçao dos resultados. Em suma, pretendeu-se analisar criticamente estas abordagens de forma a apoiar a implementação de programas eficazes em Portugal, bem como identificar as temáticas que requerem investigação adicional. Pode-se concluir que são necessários estudos adicionais sobre a efetividade, o formato mais adequado e o impacto do género sobre os programas de desenvolvimento socioemocional

    Estudo de adaptação e validação de uma escala de perceção de liderança ética para líderes portugueses

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    Os líderes influenciam o comportamento individual e organizacional, incluindo a dimensão ética, sendo igualmente influenciados pela suas expetativas, interpretações e interações com os outros (Glynn & Jamerson, 2006; Kellerman, 2004).Frequentemente intervêm em diferentes contextos éticos, o que torna difícil para as pessoas "boas" tomarem boas decisões em situações más" (Glynn & Jamerson, 2006, p. 154).A liderança ética pode ser considerada como a "demonstração de conduta normativamente adequada através de ações pessoais e das relações interpessoais, assim como a promoção de tal conduta para os liderados através de uma comunicação bidireccional, reforço e tomada de decisão" (Brown, Trevino & Harrison, 2005, 9.120).O estudo aqui apresentado teve como objetivo desenvolver uma escala de liderança ética (Hanges & Dickson, 2004) para líderes portugueses com base na adaptação e validação da escala realizada por De Hoog e Den Hartog (2008).Os resultados obtidos evidenciam qualidades psicométicas adequadas, com um valor elevado de consistência interna. As análises fatoriais exploratórias revelam uma estrutura que aponta para a existência de dois fatores para a escala definidos como Liderança Ètica e Liderança Despótica que integram as respetivas dimensões.Importa, futuramente realizar uma análise da estabilidade das escalas com outra amostra por forma a verificar-se a consistência do s valores obtidos

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