Análise Psicológica
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Percepções dos portugueses sobre os imigrantes: indispensabilidade, acção colectiva e distância social
O presente estudo investigou o impacto de diferentes formas de indispensabilidade grupal na acção colectiva e distância social de um grupo maioritário em relação a diferentes grupos de imigrantes. Mais especificamente, examinámos se a indispensabilidade percebida de diferentes grupos de imigrantes, para a identidade nacional e para o funcionamento da sociedade, a) reduz a distância social e b) aumenta o apoio a acções colectivas que beneficiam os imigrantes, c) através da adopção de diferentes representações grupais (grupo-único, dupla-identidade). 172 Portugueses nativos preencheram um questionário com as medidas de interesse. Os resultados revelaram a mediação esperada. As percepções dos Portugueses acerca da indispensabilidade dos imigrantes estavam associadas a menor distância social e a uma maior participação em acções colectivas, através da adopção de representações identitárias mais inclusivas. Replicando estudos anteriores, estes efeitos positivos devem-se a diferentes tipos de indispensabilidade, para os diferentes grupos de imigrantes, dadas as diferenças nas suas relações históricas com a sociedade de acolhimento
Mindfulness e Psychological Mindedness enquanto posturas terapêuticas: Relação com o processo de mudança em psicoterapia
A influência das características do psicoterapeuta, no processo e nos resultados da intervenção psicoterapêutica, tem sido amplamente reconhecida, independentemente do modelo teórico. Assumindo-se o interesse no estudo das competências terapêuticas não “técnicas”, necessárias para a prática clínica, reflecte-se sobre os constructos mindfulness e psychological mindedness, enquanto características relativamente estáveis da consciência da experiência e do self do psicoterapeuta, que podem manifestar-se como posturas terapêuticas distintas. Acreditamos que os terapeutas mais mindful e/ou psychologically minded, oscilando responsivamente entre as duas posturas terapêuticas, poderão verificar nos seus pacientes, uma maior capacidade estrutural, associada a um aumento da consciência da experiência e do self, obtido através da assimilação de objectivos estratégicos específicos de fase 2, do Metamodelo de Complementaridade Paradigmática (Vasco, 2006). É apontada a relevância clínica de se considerar a mindfulness e a psychological mindedness como posturas terapêuticas complementares, salientando-se a necessidade de se encontrar uma definição operacional dos constructos.
Efeitos individuais e familiares em crimes: Abuso sexual, violência conjugal e homicídio
Entre as diversas explicações sobre a carreira delinquente a família ocupa um lugar de eleição (Born, 2005). Apesar da literatura nos indicar que a família assume um papel crucial, existem outros autores (e.g. Mayer & Salovey, 1997), que evidenciam que a falta de aprendizagem de um repertório emocional adequado, nomeadamente a inteligência emocional, pode, por vezes, estar associada à origem do comportamento delinquente. A Teoria Geral do Crime (Gottfredson & Hirschi, 1990), pretende explicar que o autocontrolo é a variável central do comportamento delinquente. Este trabalho tem como objetivo analisar a relação entre o funcionamento familiar (rácio total, coesão e flexibilidade), o autocontrolo e a inteligência emocional em sujeitos condenados pelos crimes de abuso sexual, violência doméstica e homicídio. Participaram 92 sujeitos, reclusos, do sexo masculino, com idades compreendidas entre os 20 e os 73 anos de idade. Mediante os resultados constatamos que os participantes têm uma percepção semelhante da forma como se organizam as suas famílias, excepto na comunicação, onde os abusadores sexuais apresentam indicadores comunicativos inferiores. Ao nível da expressão emocional e da capacidade para lidar com as emoções também, foram encontradas diferenças significativas, sendo os abusadores sexuais a apresentarem maiores défices emocionais. No autocontrolo, foram igualmente os abusadores sexuais a apresentarem maiores níveis de autocontrolo. Limitações e implicações práticas e teóricas deste estudo são discutidas com base na literatura.
O relacionamento e a auto-definição de acordo com a perspectiva de Sidney Blatt: Conceptualização e implicações clínicas
Este trabalho de natureza teórica pretende apresentar o modelo de Sidney Blatt e discutir em torno de algumas das suas implicações clínicas. O artigo está organizado em diferentes secções. Começamos por abordar a conceptualização do autor sobre a depressão, de seguida descrevemos a sua proposta sobre o desenvolvimento da personalidade e os dois estilos de personalidade que concebeu, anaclítico e introjectivo. De seguida referimo-nos às estruturas ou esquemas cognitivo-afectivos e às duas configurações psicopatológicas descritas por Blatt. Continuamos discutindo em torno das relações existentes entre essas duas configurações psicopatológicas e fazemos depois uma síntese / reflexão sobre o modelo. O artigo termina com uma discussão sobre as implicações clínicas do modelo
Expressividade emocional da criança e expressividade emocional atribuída às personagens nas narrativas das crianças maltratadas e não maltratadas
Este estudo tem como objetivo analisar a expressividade emocional, nas narrativas das crianças maltratadas e não maltratadas. Participaram, nesta investigação, 100 crianças, entre os 5 e os 8 anos. Destas, 50 sofreram experiências de mau-trato e encontravam-se institucionalizadas, enquanto as restantes 50 não sofreram mau-trato e viviam com a família biológica. Foi apresentado às crianças um conjunto de seis inícios de histórias, que lhes era pedido para completar. A intensidade da expressividade emocional da criança e da expressividade atribuída às personagens, bem como a coerência entre ambas, foi analisada com base no Sistema para Codificar as Emoções na Attachment Story Completation Task. Foram, também, avaliadas a competência cognitiva verbal e não-verbal das crianças. Não foi observado um efeito do mau-trato na expressividade emocional, mas foi observado um efeito estatisticamente significativo da competência cognitiva não-verbal na expressividade emocional negativa da criança. Os resultados deste estudo apontam para a existência de semelhanças entre os dois grupos de crianças e enfatizam a importância de as intervenções dirigidas à promoção da competência emocional incluírem o treino da competência cognitiva
Emoções face à matemática e progressão na escolaridade – Estudo longitudinal com alunos do 5º e 7º anos de escolaridade
À medida que os alunos progridem na escolaridade enfrentam novos desafios que poderão ter influência nas emoções vivenciadas em contexto educativo. Para uma melhor compreensão desta problemática desenvolvemos um estudo longitudinal com o objetivo de estudar as emoções de alunos do 2º e do 3º ciclos, face às aulas e testes de matemática, com a sua progressão na escolaridade. Em paralelo analisámos se o género e o desempenho a matemática introduziam alguma especificidade nas emoções vivenciadas. Participaram neste estudo 1266 alunos, que foram seguidos durante 3 anos e que no ano do início da recolha de dados 674 (53.2%) estavam no 5º ano e 592 (46.8%) no 7º ano de escolaridade. Os alunos responderam, uma vez por ano, a um questionário sobre as emoções que sentiam nas aulas e testes de matemática (aborrecimento, desânimo, zanga, ansiedade, prazer, orgulho, alívio). Os resultados apontam para um decréscimo global das emoções positivas e um aumento das emoções negativas. Contudo, mostram também que a ansiedade, a zanga e o alívio evidenciam um padrão diferente comparativamente às outras emoções com as mesmas valências. O desempenho e o grupo (5º/7º) também mostraram ser variáveis importantes para a compreensão das emoções com a progressão na escolaridad
O suporte social e a personalidade são significativos para os objetivos de vida de adolescentes de diferentes configurações familiares?
O suporte social tem vindo a ser evidenciado na literatura como uma fonte de relevância no que concerne à planificação e estabelecimento de objetivos de vida de jovens adolescentes. Vivências emocionais adversas no contexto familiar, nomeadamente perdas significativas e transições podem, todavia, condicionar este processo. A presente investigação objetiva analisar o papel do suporte social no desenvolvimento de objetivos de vida de jovens de diferentes configurações familiares (famílias tradicionais e jovens em acolhimento institucional), sendo ainda testado o papel mediador da personalidade na associação anterior. A amostra foi constituída por 350 jovens adolescentes portugueses de ambos os géneros, com idades compreendidas entre 13 e os 18 anos, provenientes de famílias tradicionais e em regime de institucionalização. Para recolha de dados foi utilizado o Social Support Appraisals (SSA), Purpose in Life Test (PIL-R) e o Inventário de Personalidade dos Cinco Fatores (NEO-FFI-20). Foram testados modelos de mediação para as diferentes configurações familiares, sendo que os resultados sugeriram que o suporte social apresenta uma associação positiva significativa com os objetivos de vida, e a personalidade desempenha um efeito mediador na associação anterior. Os resultados foram discutidos à luz da teoria da vinculação, considerando a relevância do suporte social no desenvolvimento da personalidade e construção dos projetos de vida
Satisfação com a vida em pessoas seropositivas ao vírus da SIDA
O principal objetivo deste estudo consiste em compreender algumas variáveis envolvidas na satisfação com a vida na Infeção VIH/SIDA, e determinar um modelo preditor da mesma. É um estudo descritivo desenvolvido com uma amostra de 40 adultos com diagnóstico de Infeção VIH/SIDA, sendo 62,5% homens. Os instrumentos utilizados foram: Questionário socio demográfico e clínico, Hospital Anxiety and Depression Scale (HADS), Escala de Sentido de Vida, Escala de Satisfação com a Vida e Brief-Cope. Os resultados obtidos sugerem que não existem diferenças nas caraterísticas sociodemográficas e clínicas em relação à satisfação com a vida. Contudo, verificou-se a existência de associações entre a satisfação com a vida e o sentido de vida, o distress e o coping. O modelo preditor da satisfação com a vida contempla o distress e o sentido de vida, é significativo e explica 33.1% da variância. A intervenção psicológica junto desta população deve contemplar estes fatores, promovendo a perceção da satisfação com a vida, facilitando o sentido de vida, respostas de coping positivas e diminuindo o distress de forma a promover a adaptação à doença. Palavras chave: Satisfação com a vida; Sentido de vida, VIH/SIDA; Mal-estar psicológico; Copin
Analysis of the relationship between the syndrome of frailty and cognitive deficit in older adults with independent living
Elderly frailty is a syndrome composed of motor and metabolic factors and aspects of cognitive decline. The objective of this work was to evaluate the relationship between indicators of frailty and cognitive deficit in older adults with independent life, living in the city of Ivoti, Rio Grande do Sul State, Brazil. This study had a cross-sectional quantitative design, considering sociodemographic variables, cognitive status, and frailty syndrome components. Inclusion criteria were to have 65 years, understand the instructions, agree to participate and be a permanent resident at home and census tract. Data were analyzed using Pearson's bivariate correlation test. The results showed 15 correlations between frailty and other variables of the study, 9 of them also occur in the cognitive deficits and 6 are present only in the frailty syndrome. Cognitive deficit and frailty syndrome are not mutually exclusive in the subjects studied, but influence each other. In this study, 27 variables were tested for correlation with frailty and cognitive deficit. 21 of them were correlated to cognitive deficit. 15 were correlated to the frailty syndrome. This slight predominance of issues unrelated to the motor performance suggests psychosocial factors may have a significant impact on the establishment of the frailty syndrome
Contributos para a auto-regulação do bebé no Paradigma Face-to-Face Still-Face
Logo após o nascimento o recém-nascido apresenta comportamentos instintivos de auto-regulação, sendo capaz de controlar as suas respostas motoras e vegetativas isolando-se de estímulos perturbadores, organizando-se face ao stress e iniciando ou terminando a interação com os pais. Estes comportamentos evoluem ao longo do primeiro ano de vida. A partir dos 3 meses estes comportamentos parecem organizar-se em estilos comportamentais e ter um peso moderado na qualidade da vinculação mãe-filho(a). No intuito de estudar os processos de auto-regulação do bebé e o papel materno na interação, observámos 98 bebés (46 meninas, 51 primíparos, nascidos com mais de 36 semanas de gestação) e as suas mães, na situação experimental Still-Face aos 3 e aos 9 meses. O comportamento dos bebés foi classificado ou descrito quanto à sua forma de organização comportamental (e.g., capacidade de recuperação após o episódio do Still-Face) e o comportamento materno quanto à qualidade do envolvimento e ao nível de intrusividade. Os resultados indicam diferenças individuais na auto-regulação do bebé, das quais descrevemos e apresentamos 3 padrões de organização de resposta com diferentes estilos comportamentais associados. Estas formas de auto-regulação apresentam uma elevada associação com as respostas maternas, género do bebé e paridade. Os dados deste estudo suportam a tese de que a auto-regulação infantil resulta da capacidade da mobilização dos recursos do bebé e da resposta que recebe para apoiar os seus esforços