Portal de Periódicos da UNICAP
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Memórias de um documento: a Conferência de Medellín à luz dos escritos de José Comblin
Consideramos, neste ensaio, ser possível compreender a Conferência de Medellín (1968), seus embates e desdobramentos, através de acentos que não se situam, especificamente, dentro do contexto do próprio evento. Para isso, a análise de documentos que foram produzidos como preparativos para a realização dessa Conferência se torna uma opção metodológica importante, no sentido de perceber esse evento em uma perspectiva que vai além das suas pautas pastorais e eclesiológicas. Nesse sentido, o presente artigo tem por objetivo pensar os direcionamentos da Conferência de Medellín tendo como principal referência de análise um documento produzido pelo padre José Comblin, no ano de 1968. Consideramos que o referido documento se apresenta como uma fonte de grande valor informativo quando se busca fortalecer a ideia de que o gesto profético da Igreja em favor da opção pelos pobres, que foi tomado pela Conferência de Medellín, não foi subsidiado levando em conta, tão somente, a herança do Vaticano II, mas pesou, em grande medida, a própria conjuntura social e política vivida pela América Latina
Maquiavel no Brasil: Estado e Direito no Principado Civil
Maquiavel ao falar do principado civil, em sua obra O Príncipe, irá diferenciar dois tipos de governo possíveis: aquele cujo príncipe se apoia nos muitos (povo) e aquele cujo príncipe se apoia nos poucos (oligarcas). Dessa forma, o que ele tem em mente é identificar os dois tipos possíveis de principados civis e demonstrar que ambos conseguem chegar ao poder se se utilizarem dos meios adequados. Este artigo tem o intuito de investigar os Governos Lula e Temer sob a ótica maquiaveliana, demonstrando de que maneira a divisão de Maquiavel pode ser verificada nesses governos através de análise de dados e avaliando a capacidade política dos respectivos governantes
O Discurso Filosófico como Legitimação do Poder e Formação do Estado
O artigo aborda a genealogia do conhecimento como maneira de compreensão do discurso filosófico que embasa a legitimação do poder e a formação do Estado. A participação popular deve estar pautada pela melhor organização da máquina pública, representando de forma cristalina os anseios da sociedade e conferindo maior segurança às decisões políticas a serem tomadas. Ademais, o artigo que aqui se apresenta tem um viés exploratório e descritivo, fundamentado em uma abordagem qualitativa, a qual partiu da análise de documentos e de observações da realidade que foram confrontados com a recente doutrina sobre o tema e a legislação vigente
Elites e mediação política no Estado imperial brasileiro (segunda metade do séc. XIX)
O artigo busca analisar as conexões entre elites locais, provinciais e imperais e o pa- pel delas no processo de construção e manutenção do Estado imperial. Para tanto, enfocamos a atuação de Henrique d’Ávila como mediador político entre essas dife- rentes esferas de poder. Dessa forma, intentamos demonstrar que, através das redes de relacionamento, nas quais os mediadores eram peças-chave, as elites locais tive- ram seus interesses representados junto ao governo. Essa constatação aponta para o papel ativo das elites locais no processo de construção e manutenção do Estado Imperial
As Ordens Terceiras franciscanas no império português e os estatutos de limpeza de sangue entre os séculos XVIII e XIX
Este artigo analisa os usos dos estatutos de limpeza de sangue no recrutamento das Ordens Terceiras de São Francisco em diferentes pontos do império português entre os séculos XVIII e XIX, tendo em vista as mudanças estabelecidas pelas reformas do ministro Marquês de Pombal que aboliram tais estatutos em 1773. Desse modo, o objetivo consiste em avaliar a implantação e o impacto das disposições pombalinas no recrutamento dessas agremiações. A partir da documentação produzida pelas Ordens Terceiras franciscanas, tanto de Portugal quanto no além-mar, verificou-se a persistência dos critérios de exclusão na América portuguesa mesmo após sua proscrição. Algumas hipóteses explicam tal permanência dos estatutos de limpeza de sangue nesse território, contudo a presença da escravidão é fator essencial para compreender o apego às clivagens e hierarquias sociais baseadas na genealogia. Enquanto elemento estrutural, o escravismo perpassava todas as configurações sociais na América, o que favorecia interpretações e adaptações da legislação emanada da metrópole, como se verifica na permanência dos estatutos de limpeza de sangue nas Ordens Terceiras de São Francisco até o século XIX
DECOLONIALIDADE E PRÁTICAS EMANCIPATÓRIAS: NOVAS PERSPECTIVAS PARA A ÁREA DE CIÊNCIAS DA RELIGIÃO E TEOLOGIA
Recensão da obra Decolonialidade e práticas emancipatórias: novas perspectivas para a área de Ciências da Religião e Teologia, de Cesar KUZMA e Paulo Fernando Carneiro de ANDRADE (org.). São Paulo: Paulinas, 2019
A JANGADA DO SELF: USOS SOTERIOLÓGICOS DO EU E DO NÃO-EU NO BUDDHISMO ANTIGO
O objetivo deste artigo é sugerir que os ensinamentos Buddhistas sobreanattā(não-eu) não devem ser entendidos como uma negação categórica do eu, mas fazem parte de uma estratégia soteriológica comumente empregada pelo Buddha, de utilizar algo como ferramenta para o seu próprio fim. Tomando o kamma(ação) como o elemento central que estrutura todos os ensinamentos, podemos pensar na identificação do eu como um tipo de ação. Algumas instâncias desta ação serão hábeis e condutoras à libertação, e outras inábeis e condutoras ao sofrimento. Com isso em mente, este artigo irá analisar algumas ações inábeis do eu e do não-eu em suttasselecionados do Cânone Pali, mostrando como se encaixam na estratégia do Buddha de se utilizar de elementos como ferramentas para o abandono desses próprios elementos. Nessa perspectiva, o eu não é negado em absoluto desde o início do caminho, mas aprende-se a usa-lo de forma hábil como um meio de abandoná-lo.THE RAFT OF THE SELF: SOTERIOLOGICAL USES OF SELF AND NOT-SELF IN ANCIENT BUDDHISM ABSTRACTThe purpose of this article is to suggest that the Buddhist teachings on anattā (not-self) should not be understood as a categorical denial of the self, but constitute a soteriological strategy commonly employed by the Buddha, of using something as tool for its own demise.Taking kamma (action) as the main framework that structure all the other teachings, we can think of self-identification as a kind of action. Some instances of this action will be skillful and will lead to liberation, while others will be unskillful and will lead to suffering.With this in mind, the present article will analyze some skillful actions of self and not-self in selected suttas of the Pali canon, showing how they fit into the Buddha’s overall strategy of using elements as tools for their own demise. In this perspective, the self is not denied from the beginning of the path, but one learns how to use it skillfully in order to let go of it