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    GÊNERO E RELIGIÃO

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    O campo social exerce significativa influência na formação das subjetividades e das representações de gênero que, quando potencializadas pela religião, tornam-se instrumentos efetivos de informação, formação e manutenção das construções sociais de sexo. Neste sentido, o dossiê tem por objetivo analisar o campo religioso e sua indissociabilidade cultural no que tange às relações sociais de sexo, trazendo à arena de discussão problematizações de gênero em diálogo com a religião. Isto posto, contará com contribuições temáticas das mais variadas áreas das Ciencias Humanas, especificamente de autores singulares e fundamentais à reflexão proposta

    A MULHER, O PECADO E JESUS

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    As questões de gênero e seus enfrentamentos nos parecem uma discussão apenas contemporânea. Todavia, quando estudamos os textos sagrados, no caso específico a Bíblia, percebemos que elas são muito mais antigas. Aliás, elas começaram desde a narrativa da Criação descrita no livro do Gênesis. A partir do relato do “casal inaugural”, num jogo de luz e sombras, vamos encontrar o traçado do perfil da mulher e seus papéis a serem desempenhados naquela cultura e que se espraiam no seio do cristianismo. A reflexão aqui apresentada evidencia o quanto a mulher, de cujo ventre nasceu o pecado, teve sua própria corporeidade decretada impura e enquadrada pela legislação patriarcal judaica. Ela encontrou, entretanto, na figura de Jesus de Nazaré, alguém que a colocou definitivamente no lugar que lhe cabia, isto é, “filha de Israel”, participante do “povo eleito”. Ainda mais. “Aquele nascido de mulher” sacralizou o ventre. Em Jesus Cristo, a mulher encontrou outros papéis a assumir: tornou-se discípula e apóstola. Não só. Contribuiu para o início de sua missão messiânica; acompanhou-o pelos vilarejos; seguiu passo a passo sua via-crucis; aceitou alargar sua maternidade sobre a humanidade inteira; acolheu-o morto em seus braços; e gritou a vitória sobre a morte proclamando sua Ressurreição. Eis a reflexão que propomos

    Consciência e Intencionalidade na Fenomenologia de Edmund Husserl

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    O presente artigo visa discorrer sobre um dos conceitos centrais na fenomenologia husserliana: o conceito de intencionalidade. De saída, ressalta-se que a consciência é necessariamente intencional por partir da relação básica constituída pelo par indissociável sujeito/objeto. Tal conceito - intencionalidade -, põe em destaque o movimento da consciência em direção ao objeto e, mais ainda, essa propriedade cumpre um caráter universal, fazendo-se presente no funcionamento psíquico do homem

    MARIA, DOS ANDORES À MEDICINA CASEIRA: SEU NOME E OS NOMES POPULARES DAS PLANTAS MEDICINAIS

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    This article aims to discuss the Marian devotional identify of Catholic Christianity, based on the popular nomenclature of medicinal plants. Popular religiosity in Brazil shows that the religious imaginary is shared by many people in curing diseases. Therefore, our study aimed to rescue in the academic literature some examples of popular nomenclature of medicinal plants whose names contain the word Maria or the expression. “Nossa Senhora”. The research consisted in the analysis of the nomenclature present in books of medicinal plants, botany and other works that mention home medicine. The union of health and spirituality is present in the traditions of the people, according to the needs of each age. Therefore, popular faith originates a language that is part of the custom of the people to name some medicinal plants with religious names.O presente artigo procura construir, a partir da nomenclatura popular das plantas medicinais, uma discussão em torno da identidade devocional mariana do cristianismo de base católica. A abordagem da religiosidade popular presente no território brasileiro mostra que o imaginário religioso compartilhado pelos praticantes do catolicismo é evidenciado nas suas várias formas de reivindicar e/ou invocar a cura das doenças. A pesquisa consiste na análise da nomenclatura presente em livros de fitoterapia, botânica e demais obras que mencionem a medicina caseira. A forma de interligação da saúde com o sagrado é ressignificada a cada sentimento que surge nas tradições do povo. Em nosso entendimento, a fé popular e o seu modo de ser vivenciada pode criar uma linguagem simbólica através do costume do povo de nomear as plantas medicinais com nomes marianos

    Métodos Axiomáticos: a Interpretação Matemática de Lawvere da Lógica de Hegel

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    O pensamento axiomático de Hilbert foi um influente modelo filosófico que motivou movimentos como o positivismo no início do século XX, em diversas áreas dentro, e fora, da filosofia, como a epistemologia e a metamatemática. O formalismo axiomático fornece, através do uso da lógica de primeira ordem, uma importante fundação para modelos lógicos formais, o que, para Hilbert, representaria um modelo universal de investigação empírica, não só para a matemática, mas para todas as ciências naturais, e pela visão positivista, também a filosofia. Contudo, no caso mais específico da matemática, existe uma certa descomunicação entre os fundamentos da matemática e sua prática, onde métodos informais, ainda promovem elegantes ferramentas para matemáticos de diversas áreas, inclusive, quando certos paradigmas tentam ser quebrados. É exatamente esta assincronia entre os fundamentos da matemática, e a sua prática que iremos investigar neste estudo. Lawvere, insatisfeito com a “fundação não fundamentada” do método axiomático proposto por Hilbert, e inspirado pela dialética hegeliana, procurou revisar os fundamentos da matemática pela lógica categórica e a Teoria das Categorias. Vemos neste estudo, como as interpretações de Lawvere de conceitos da lógica de Hegel, como, equivalência, unidade dos opostos e “aufheben”, permitem uma nova abordagem matemática, com um posicionamento filosófico que procura, de certa forma, transcender a dicotomia entre escolas analíticas e continentais. Lawvere trata a lógica objetiva de Hegel como uma possível estratégia para resolver o problema de aterramento lógico em metafísica. Por fim, vemos como as contribuições de Lawvere para a axiomatização da lógica categórica tiveram impactos inovadores na metamatemática, especialmente no desenvolvimento das fundações univalentes de Vladimir Voevodsky

    “SAIR DO PAPEL PARA A VIDA”: ENTRECRUZAMENTOS ENTRE TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO E FORMAÇÃO DO CAMPO INDIGENISTA NO NORDESTE - ENTREVISTA COM O INDIGENISTA SAULO FERREIRA FEITOSA

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    Esta entrevista com o indigenista Saulo Ferreira Feitosa foi realizada no início de outubro de 2017, nas dependências do Centro Acadêmico do Agreste/UFPE, em Caruaru, Estado de Pernambuco, no âmbito do projeto Memórias Indigenistas no Nordeste. O projeto desenvolve um conjunto de ações integradas que visam a recuperação, organização, documentação e disponibilização de acervos (fotográfico, hemerográfico, audiovisual e sonoro) construídos durante a atuação do Conselho Indigenista Missionário - Regional Nordeste (Cimi/NE) desde a sua fundação, na década de 1970. A entrevista foi realizada como parte do projeto intitulado “Pesquisando a memória das imagens, contando a história indígena e do indigenismo no Nordeste”, que tem apoio de recursos oriundos do Edital Funcultura 2014, da FUNDARPE-SECULT/PE

    ENCONTROS DE LIBERTAÇÃO: O MOVIMENTO DE EVANGELIZAÇÃO RURAL E O ENCONTRO DE IRMÃOS

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    Ao final da década de 1960, a Igreja Católica brasileira entrou em ebulição. O autoritarismo instaurado pelo regime militar gerou um terreno para a inusitada aproximação entre uma forma religiosa e pensamentos e práticas políticas de esquerda, originando diversos grupos que ativamente se engajaram em mobilizações sociais ao lado das camadas mais pobres da população. Freiras, padres e leigos envolvidos no cotidiano eclesial, desejosos de uma realidade social mais justa, tiveram “reveladas” as origens das tremendas desigualdades que configuram a sociedade brasileira e precisavam, a partir de então, agirem sobre elas. Neste caldo de transformações e intercâmbios intensos, surgiu, de norte a sul do país, uma “Igreja dos Pobres” e para os pobres. Fruto direto deste processo, o Movimento de Evangelização Rural, MER, fundado em 1969, é emblemático desta tendência. O artigo apresenta os encontros que possibilitaram a formação do agrupamento e foca na atuação de seus militantes na Região Metropolitana de Recife, através do movimento Encontro de Irmãos, fundado também em 1969, e no qual o MER participou ativamente até 1990. Ao final, discute o processo de ruptura e reaproximação entre política e religião na experiência do atual Movimento das Comunidades Populares, herdeiro direto daquelas experiências

    Mesa y Memorial

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    Ordinariamente la eucaristía se presenta y se vive centrada en el altar y la cruz, un altar presidido por el sacerdote que actúa como alter Christus, ante la lejanía y pasividad del pueblo que calla, escucha, reza y participa en la colecta. La misma estructura arquitectónica del templo favorece y expresa esta distancia entre el ministro y el pueblo

    Um movimento para dentro do mundo: pistas comblinianas para compreensão da missão cristã a partir da leitura de A Teologia da Missão

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    O presente artigo é uma apresentação do pensamento missiológico de José Comblin a partir da leitura de A Teologia da Missão, lançando mão de outras obras do autor, a fim de perceber o entendimento combliniano da missão, embora não de maneira exaustiva. Basicamente, este trabalho indica que, para se compreender o pensamento do autor sobre o tema em questão, é necessária a assimilação de quatro características da missão, isto é, que ela é: agente, promotora de salvação, serva e testemunha do Evangelho de Jesus. Assim, essas quatro características serão o foco desta análise

    Por uma história das Capitanias do Norte: questões conceituais e historiográficas sobre uma região colonial no Brasil

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    O artigo analisa o uso do termo Capitanias do Norte do Estado do Brasil, fazendo um pequeno balanço historiográfico das principais contribuições sobre o assunto e contrapondo com uma nova produção mais recente de jovens historiadores. Propõe, portanto, uma reflexão teórico-metodológica sobre o conceito, defendendo a sua utilização para determinado contexto. Entendemos que as Capitanias do Norte abarcam as conjunturas de 1654 a 1817, englobando o contexto da Restauração, mas também das transformações políticas e econômicas na virada doXIX

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