Repositório Científico de Acesso Aberto da ULisboa
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    Raízes meniscais : uma revisão bibliográfica

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    Trabalho Final do Curso de Mestrado Integrado em Medicina, Faculdade de Medicina, Universidade de Lisboa, 2023O Ser Humano, outrora descrito como nómada, sempre se caracterizou por ser bastante móvel, tendo o seu complexo aparelho músculo-esquelético um papel crucial. É constituído por múltiplas articulações, nomeadamente, o joelho, uma das mais importantes e que contribui em grande parte para a sua mobilidade. Este é constituído por estruturas ósseas, tendinosas, ligamentares, musculares, vasculares e, entre elas, os meniscos. O menisco é uma estrutura fibrocartilagínea responsável pela congruência entre as superfícies articulares femoral e tibial e necessita estar bem fixo para poder desempenhar a sua função, especialmente, através das suas raízes meniscais. A importância da raiz meniscal começou a ser debatida no final do século passado e, até aquele momento, quando o menisco se encontrava lesionado, na grande maioria das vezes, não se hesitava em retirá-lo causando um grande impacto biomecânico pelo aparecimento de lesões degenerativas. Nos últimos anos, ficou comprovada a importância das raízes meniscais e o desenvolvimento de técnicas cirúrgicas para a realização da reparação e reinserção, quando lesionada. O objetivo deste Trabalho Final de Mestrado é, por um lado, elucidar quanto ao papel biomecânico das raízes meniscais, revendo os conceitos básicos da sua fisiopatologia e, ainda, rever os conceitos atuais do seu diagnóstico e tratamento. Palavras-chave: joelho; menisco; raiz meniscal; lesão da raiz meniscal.The Human being, once described as nomadic, have always been characterized by being very mobile, with their complex musculoskeletal system playing a crucial role. It has multiple joints, inclunding the knee, one of the most important and one that contributes to its mobility. In his constituiton there are bone, tendons, ligaments, muscles, vascular structures and, among them, the menisci. The meniscus is a fibrocartilaginous structure responsible for the congruity between the femoral and tibial joint surfaces and needs to be well fixed to perform its function, especially through its meniscal roots. The importance of the meniscal root began to be debated at the end of the last century, until that moment, when the meniscus was injured, in the vast majority of times, nobody hesitated to remove it, causing a great biomechanical impact due to the appearance of degenerative lesions. In recent years, the importance of the meniscal roots was proven and the development of surgical techniques for carrying out the repair and reinsertion, when injured. The objective of this Final Master's Work is to elucidate its biomechanical role carrying a literature review on its pathophysiology and current concepts on diagnosis and recommended treatment

    Substances most commonly used to improve work performance, and possible health risks

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    Trabalho Final de Mestrado Integrado, Ciências Farmacêuticas, 2023, Universidade de Lisboa, Faculdade de Farmácia.No ambiente de trabalho altamente competitivo e exigente que enfrentamos, as pessoas procuram formas de melhorar a sua capacidade mental, estabilidade emocional e produtividade, levando ao consumo de substâncias por parte de indivíduos saudáveis, com o intuito de melhorarem o seu desempenho. A capacidade de realizar tarefas de forma eficiente, com uma melhoria de funções cognitivas, como a memória, a atenção, a função executiva e o estado de alerta, são fundamentais para o sucesso no local de trabalho. Com esta finalidade, são habitualmente utilizados potenciadores cognitivos, principalmente em empregos de elevada responsabilidade. As profissões física e mentalmente exigentes, trabalho por turnos e horários de trabalho alargados contribuem para o declínio do desempenho, levando também ao consumo de tais substâncias. Trata-se, assim, de um fenómeno subestimado, frequentemente motivado pela elevada carga de trabalho e pelo stress por ele causado. Os potenciadores cognitivos incluem medicamentos não sujeitos a receita médica ou medicamentos de venda livre, drogas ilícitas e medicamentos sujeitos a receita médica, com indicação para tratar outras condições, utilizados em off-label. Estes são procurados pelo seu potencial para melhorar as capacidades cognitivas num curto período de tempo e com um esforço mínimo. Em indivíduos doentes, estas substâncias podem levar a função cognitiva a um nível comparável ao de um indivíduo saudável, mas não está comprovado que uma pessoa neurologicamente saudável e com o descanso adequado, possa atingir uma capacidade superior. Além disso, não devem ser ignorados os efeitos secundários esperados, nem a discussão ética que surge por detrás do seu uso. Doses moderadas podem conferir certos benefícios, mas o seu aumento e maior frequência de utilização conduzem rapidamente a efeitos adversos, como por exemplo a dependência. Esta monografia centra-se nas substâncias mais utilizadas com esse propósito, incluindo a cafeína, o metilfenidato, o modafinil, anfetaminas e também substâncias naturais, como Ginkgo biloba, ginseng e Bacopa monnieri. Os antidepressivos e as benzodiazepinas são, também, frequentemente utilizados com o intuito de melhorar o humor, reduzir o stress, e melhorar a qualidade do sono e bem-estar geral, tendo assim impacto no desempenho no trabalho. São explorados os mecanismos de ação, os benefícios e potenciais riscos associados ao consumo destas substâncias, e qual o seu verdadeiro impacto no desempenho profissional, salientando as principais preocupações para a saúde pública associadas aos potenciadores cognitivos e potenciadores de humor.In today's highly competitive and demanding working culture, persons seek ways to enhance their cognitive abilities, emotional stability and productivity leading to the consumption of drugs by healthy individuals, as a means to improve work performance. The abilities to perform tasks efficiently and effectively, along with improved cognitive functions such as memory, attention, learning, and alertness, are critical for success in the workplace. For this goal, cognitive enhancers (CEs) are commonly used by professionals mainly in high-responsibility jobs. Physically and mentally demanding occupations, shift work, and extended working hours contribute to the decline in performance also leading to the consumption of such substances. It is an underestimated phenomenon often driven by high workload and stress. Cognitive enhancers include over-the-counter medicines (soft enhancers), illicit drugs and prescription drugs used off-label. These are sought after for their potential to enhance cognitive abilities in a short period with minimal effort. In sick people, these substances can bring brain function to a level comparable to that of healthy individuals, but it is not clear whether neurologically healthy individuals, who are well-rested, can achieve a higher cognitive plane. Also, side effects should not be ignored and additionally, the widespread use of neuroenhancers has prompted ethical debates surrounding fairness. Moderate doses of these substances may provide certain benefits, however, increases in dosage or frequency would quickly lead to adverse effects, such as drug dependence. This paper focuses on employed substances, including caffeine, methylphenidate, modafinil, amphetamines, Ginkgo biloba, ginseng and Bacopa monnieri, used by healthy individuals with the aim of enhancing work performance. It also includes antidepressants and anxiolytics, sometimes used to enhance mood, reduce stress, and improve overall emotional well-being, potentially impacting work performance by increasing motivation

    Disease activity measures in adult patients with JIA : a systematic review

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    Trabalho Final do Curso de Mestrado Integrado em Medicina, Faculdade de Medicina, Universidade de Lisboa, 2023A Artrite Idiopática Juvenil (AIJ) é um termo que engloba várias doenças reumáticas crónicas de causa desconhecida e que, no seu conjunto, são as doenças reumáticas crónicas mais comuns na criança que, com frequência, se mantêm ativas na idade adulta. Contudo, não existem critérios específicos validados para medir a atividade da doença em adultos com AIJ, nem recomendações para o tratamento em idade adulta, o que pode ter um impacto negativo importante na transição de cuidados destes doentes para os serviços de adultos. Estudos prévios e revisões sistemáticas, de intervenções terapêuticas focaram-se na idade pediátrica, incluindo na seleção e medição de outcomes. O nosso objetivo é perceber quais são as escalas mais usadas para medir a atividade da doença, em doentes adultos com AIJ, ao longo do tempo. Realizámos uma revisão sistemática da literatura reportada de acordo com os critérios PRISMA. A pesquisa foi realizada via MEDLINE e Web of Science para estudos originais em inglês, na população com AIJ e mais de 18 anos, publicados depois dos anos 2000. 69 artigos cumpriram os critérios de inclusão. 53,6% mediram a atividade da doença com um único método, enquanto 46,4% utilizaram mais que um. 56,5% utilizaram Physician’s Global Assessement nesta medição. As escalas mais usadas foram: 43,9% American College of Rheumatology Pediatric criteria (ACR), 27,3% Juvenile Arthritis Disease Activity (JADAS), 15,2% Disease Activity Score (DAS28), 10,6% Wallace Criteria, 1,5% 11- point Numeric Pain Rating Scale (NRS-0-10) e 1,5% Six-point Composite Disease Activity Index (mJPsADA). Entre 2022-2009 a proporção foi semelhante, enquanto antes de 2009 a única escala usada foi o ACR. 65,5% utilizaram o ACR em associação com outra escala, sendo as mais comuns o PGA e o JADAS. 83,3% utilizaram o JADAS em associação com outro método, sendo neste caso, os mais comuns o PGA e ACR. A versão do JADAS mais utilizada foi JADAS71 e JADAS27 (27,8% cada). A avaliação da atividade da doença na AIJ Oligoarticular, Poliarticular e Sistémica teve uma utilização de escalas semelhante. Relativamente às restantes categorias de AIJ, o número de 2 Marta Croca Morais estudos foi limitativo para uma generalização. Um dos artigos concluiu que o JADAS27 é mais fidedigno que o DAS28 na avaliação da atividade da doença e outro artigo defendeu que o JADAS10 é um melhor parâmetro a refletir doença ativa que o DAS28 em doentes adultos com AIJ. Assim, a evidência suporta que, apesar de o ACR ser, globalmente, o método mais utilizado, o JADAS teve um crescimento exponencial depois de 2009. A generalização da utilização do JADAS, juntamente com alguma evidência que lhe atribui melhor desempenho que outras ferramentas, torna-o o melhor candidato para ser validada na AIJ em idade adulta.Juvenile Idiopathic Arthritis (JIA) is the most common chronic rheumatic disease in children with an unknown cause, which, frequently, continues active into adulthood. However, there is no specific criteria to measure disease activity and there is an absence of specific treatment recommendations in patients over 18 years old which can have a negative impact in the transition of these patients to adult care. Previous studies and systematic reviews focused on paediatric population, therefore, our aim is to understand which are the scales used to measure disease activity in adult patients with JIA throughout times. We conducted a systematic review in accordance with PRISMA. The electronic database search was MEDLINE and Web of Science focused on original studies in English, with JIA patients over 18 years old, published after the year of 2000. 69 articles met the inclusion criteria for review. 53,6% assessed disease activity based on a single method, while 46,4% used more than one. 56,5% utilized Physician’s Global Assessment to evaluate disease activity. The most used scales were 43,9% American College of Rheumatology Pediatric criteria (ACR), 27,3% Juvenile Arthritis Disease Activity (JADAS), 15,2% Disease Activity Score (DAS28), 10,6% Wallace Criteria, 1,5% 11-point Numeric Pain Rating Scale (NRS-0-10) and 1,5% Six-point Composite Disease Activity Index (mJPsADA). Between 2022-2009 the proportion was similar, whereas prior to 2009 the only scale utilized was ACR. 65,5% used ACR in association with another scale, being the most used PGA and JADAS. 83,3% used JADAS in association with another method, most frequently PGA and ACR. The most used version of JADAS was JADAS71 and JADAS27 (27,8% each). Oligoarticular, Polyarticular and Systemic JIA followed a similar utilization of scales to measure disease activity, the others categories of JIA did not have a significant number of studies attributed for a generalization. One of the articles concluded that JADAS27 was more accurate than DAS28 in measuring disease activity in adult population and another one that JADAS10 was a better reflector of active disease than DAS28. Therefore, evidence supports that even though ACR is globally the most used method to measure disease activity, JADAS had an exponential increase after 2009. The generalization of JADAS, and the scientific evidence that demonstrates its better performance, makes it the better candidate to validate in adult population with JIA

    The biblical Jesus and violence

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    Violence hits our senses daily. Violent events develop in various circumstances, some of which have religious roots. This work aims to study this subject under the light of Christianity and understand any direct relationship between New Testament texts and events of violence, physical or otherwise. Did those events occur because of these texts, either by Christians or against Christians? Using primary sources such as Augustine of Hippo and Thomas Aquinas and the works of several scholars carefully selected by a thorough analysis of available literature, this dissertation aims to understand the problem of violence, relate it to religion in general and Christianity in particular, and look at New Testament texts for episodes and sayings that connect with the theme. The text starts by developing the subject of violence to find out its origins, the types of violence that can be observed in society in the past or present, what provokes it, and if there is a way of controlling or, at least, diminishing it. The main question that needs answering is whether the New Testament brings a message of peace or violence. In my analysis, the apostle Paul plays a significant role, and his epistles are heavily cited throughout the text, either showing a message of peace or, on the contrary, a message of violence. Violent acts or episodes from the Old Testament are also referred to as examples. Likewise, themes such as terrorism and war from a religious perspective are analysed without overlooking the discussion of religious tolerance and intolerance. In my conclusion, I leave open some questions and doubts that may suggest further work on the subject.O tema da violência atinge-nos praticamente todos os dias. Vemo-lo nos noticiários da televisão, rádio ou jornais. Estes acontecimentos violentos que nos são relatados podem desenvolver-se em várias circunstâncias e verificar-se nas famílias, no trabalho, na sociedade ou entre países. Entre estes acontecimentos violentos, há alguns, no entanto, em que a ação é levada a cabo por um crente ou militante religioso. Nestes casos, a motivação por detrás destes atos pode ser de natureza religiosa. Sempre me impressionaram as situações em que as religiões, em vez de promoverem o bem, como pensamos ser suposto fazerem, geram acontecimentos que estão longe de ser bons ou pacíficos. Este é o ponto de partida desta dissertação. Um tema que, apesar de já largamente debatido, senti necessidade de conhecer melhor. O meu interesse particular era estudá-lo sob a influência do cristianismo, pelo que o restringi aos textos do Novo Testamento (NT). Não deixo, no entanto, de citar episódios e afirmações contidas no Antigo Testamento, o qual, à partida, mostra conteúdos violentos bem mais evidentes. Mas os dois corpora são como sabemos muito diferentes. A intenção é de perceber se existe uma relação direta entre os textos do NT e acontecimentos violentos, quer físicos quer de outra ordem. Pretendi também perceber se os acontecimentos que relato ocorreram por causa dos textos do NT. Não é claro, é provavelmente mesmo injusto e precipitado, defender que a violência tem origem no NT. Tradicionalmente, a mensagem de Cristo é apresentada como uma mensagem de paz e de amor, que será também a mensagem base do cristianismo. Apesar deste tom pacífico, é possível observar violência entre os cristãos desde o início do cristianismo. Vários exemplos podem ser encontrados no Novo Testamento, de que cito como exemplos iniciais a entrada de Jesus em Jerusalém (Mc 11:15-18) e o episódio de Ananias e Safira (Act 5:1-11). São ambos episódios violentos. Muitas outras formas de violência podem ser encontradas com implicações religiosas: sacrifício, martírio, cruzadas, Inquisição e terrorismo. Os cristãos têm sido atormentados ao longo da História, continuando a ser um dos grupos religiosos mais perseguidos do mundo, enfrentando por isso a prisão, a perda de casa e de bens, a tortura, a violação e até mesmo a morte. Tudo isto em resultado da sua fé. Mas também têm estado do outro lado, ou seja, como iniciadores ou provocadores de violência. Os cristãos têm-se apresentado assim nas duas qualidades: vítimas e agressores. O tema deste trabalho aborda a forma como a violência influencia os comportamentos, nomeadamente os das pessoas religiosas e, no caso em apreço, os cristãos. A violência já fazia parte do Antigo Testamento. Podemos ver isso logo no seu início, no livro do Génesis, com o episódio de Caim e Abel, ou o Dilúvio que elimina todos os animais da terra, ou também, no livro do Êxodo, de que posso referir, como exemplo, as dez pragas lançadas como castigo sobre o Egipto. O Novo Testamento tem igualmente exemplos de episódios violentos, os quais serão mais detalhadamente analisados. Para realizar esta tarefa, era essencial compreender o que foi desenvolvido e escrito no passado e o que está a ser publicado mais recentemente, para perceber o que os estudiosos de todo o mundo sentiram, pensaram e escreveram sobre o tema. Após ter realizado um levantamento bibliográfico das potenciais obras foi elaborada uma base de dados a qual foi sucessivamente ampliada durante a realização do trabalho, e que se aproximou das quinhentas obras, conforme consta do anexo. A análise criteriosa desta base de dados permitiu eleger as publicações a utilizar. A análise temporal da base de dados permitiu ainda detetar alguns padrões interessantes que se exploram na Introdução. O objetivo foi, portanto, compreender o problema da violência nas suas várias vertentes tendo-se para o efeito partido da análise do que se passa no mundo animal para poder posteriormente abordar a violência no ser humano, nas suas diversas manifestações as quais incluem obrigatoriamente a guerra como provavelmente a forma mais cruel de violência física. O tema da violência é desenvolvido no sentido de descobrir as suas origens, quais os tipos de violência que podemos observar na sociedade, quer no passado quer no presente, o que a provoca, e verificar se existe uma forma de a controlar, ou pelo menos de a diminuir. A relação da violência com a religião em geral e o cristianismo em particular é o ponto de chegada da dissertação com especial ênfase nos textos e episódios que o Novo Testamento nos relata. A principal questão a que é preciso responder é se o Novo Testamento traz uma mensagem de paz ou uma mensagem de violência. Nesta análise, Paulo desempenha um papel importante sendo, por isso, as suas epístolas muito citadas ao longo do texto. Relatam-se também atos e episódios violentos do Antigo Testamento, que de alguma forma, enquadram aqueles outros que o Novo Testamento também nos traz. No capítulo da violência religiosa, a dissertação debruça-se também sobre o terrorismo e sobre a guerra, ambos vistos numa perspetiva religiosa. As questões relacionadas com a tolerância e a intolerância religiosa são também abordadas pois enquadram razões e raízes de alguma violência religiosa. Apesar de em menor número que no Antigo Testamento, existem exemplos de violência no NT, mas existem também outros episódios e textos que importa analisar pelo significado que aportam ao tema. Neles se fala (ou se induz) sobre a violência na guerra, a violência sobre outras pessoas em geral e sobre as mulheres em particular, além de outras situações referidas ao longo do trabalho. Mas é também crucial falar dos aspetos pacíficos e promotores da paz que estão presentes no NT, de que o Sermão da Montanha é um exemplo fundamental e uma lição de paz para a humanidade. É, provavelmente, a mensagem por excelência de paz que Jesus deixou (Mt 5:43-44). Face a estas duas situações opostas – paz e violência – que estão presentes no Novo Testamento é interessante verificar para qual dos lados parece que a balança vai cair: a mensagem que advém do Novo Testamento é promotora de paz ou, por outro lado, dela resulta uma mensagem de violência? As posições de muitos dos autores seguidos, bem como alguns pensamentos próprios expressos ao longo do texto, parecem indicar que o Deus da Bíblia não é um Deus indiferente, mas sim um Deus que toma partido, o lado dos oprimidos. Na verdade, a escolha de Israel não terá ocorrido por ser a maior das nações, mas porque era o menor de todos os povos. Vê-se isso, por exemplo, quando Deus ficou do lado dos escravos, não do lado do Faraó. Como diz Maria no Magnificat, "derrubou os poderosos dos seus tronos e exaltou os humildes" (Lc 2:52-53). Lucas conta-nos no seu evangelho que, quando Jesus chegou a Nazaré, foi rezar na sinagoga e foi-lhe entregue o rolo do profeta Isaías para ser lido. Dizia: "O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para levar a boa nova aos pobres, enviou-me para proclamar a libertação aos cativos e a recuperação da vista aos cegos, para libertar os oprimidos” (Lc 4:18). A “agenda” de Jesus na sua deslocação à terra está bem clara: cuidar dos pobres e oprimidos. Na imagem que Jesus deixa sobre o Juízo Final, ao procurar testar a autenticidade da vida das nações, não é o critério teológico ou seguir a crença (e também a prática) correta que é usado, mas o que terá sido feito pelos doentes, os nus, os famintos e os presos. Há situações que nos fariam concluir para um lado ou para o outro da balança, ou seja, uns textos do Novo Testamento caem para o lado da violência, enquanto outros nos podem levar a concluir na direção oposta. Por isso fica a pergunta: o Novo Testamento transmite uma mensagem de paz ou uma mensagem de violência? Se tivermos de escolher um lado ou outro, a escolha será muito difícil. Ao concluir o trabalho, coloco-me algumas questões e dúvidas que podem sugerir trabalhos futuros como é o tema da “boa violência,” perguntando-me se haverá situações em que a violência possa ser considerada boa, ou tida como boa pelos intervenientes ou pelos assistentes por quem presenceia tais atos

    Novel processes and products from Mediterranean Biomass within the biorefinery framework

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    Doutoramento em Engenharia Florestal e dos Recursos Naturais / Instituto Superior de Agronomia. Universidade de LisboaN/

    Microbial Diversity and Discrimination of Queijo de Azeitão and Queijo de Nisa PDO cheeses based on Metagenomic data

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    Trabalho de projeto de mestrado, Bioestatística, 2024, Universidade de Lisboa, Faculdade de CiênciasTraditional Portuguese cheeses are highly valued for their unique organoleptic properties and quality. These properties stem from using raw, instead of pasteurized, milk in their production, which has a very diverse and rich microbiota. To ensure the quality of the cheeses, some traditional cheeses deserve a protective designation to guarantee their authenticity and adherence to traditional manufacturing practices - Protected Designation of Origin (PDO), which ensures that the products are produced, processed, and prepared in a defined geographical area, using traditional manufacturing methods and ingredients specific to that region. This FCT project, EMOTION, collected, in 2021, a total of 24 cheese samples, sixteen of which were collected from four PDO cheese factories in Azeitão and eight collected from two PDO cheese factories in the Nisa. In this master’s project, to find differences in the microbiota present in the two types of cheese, multivariate data visualization methods were used, such as Principal Coordinate Analysis (PCoA) and Non-metric Multidimensional Scaling (NMDS), as well as two statistical tests, Permutational Multivariate Analysis of Variance (PERMANOVA) and Analysis of Similarities (ANOSIM). The second objective was to identify the bacteria responsible for differentiating the two types of cheese. For this, a method known as Linear Discriminant Analysis Effect Size (LEfSe) was used. Both tests, PERMANOVA (p = 0.039) and ANOSIM (p = 0.004), revealed significant differences in the microbial composition of Nisa and Azeitão PDO cheeses. Based on the LDA scores histogram, bacteria of the genus Lacticaseibacillus (p = 0.0433) have a higher abundance in Nisa PDO cheeses than in Azeitão cheeses. Bacteria of the genera Enterococcus (p = 0.00117), Corynebacterium (p = 0.00705), and Latilactobacillus (p = 0.000757) have a higher abundance in PDO cheeses from the Azeitão region

    Characterization of Streptococcus dysgalactiae subsp. equisimilis responsible for non-invasive infection in humans

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    Tese de mestrado, Microbiologia Clínica e Doenças Infeciosas Emergentes, Universidade de Lisboa, Faculdade de Medicina, 2024Streptococcus dysgalactiae subsp. equisimilis (SDSE) é um estreptococo beta-hemolítico que pertence ao grupo dos estreptococos dos grupos C e G de Lancefield. De entre as várias espécies que compõe este grupo, SDSE é a mais frequentemente isolada do ser humano, hospedeiro em que pode ser encontrada como parte da microbiota da pele e mucosas dos tractos respiratório, gastrointestinal e urogenital, mas no qual pode igualmente causar várias infeções. Apesar de SDSE ter sido considerado durante muitos anos um microrganismo de baixa virulência, o aumento no número de infeções relatadas nas últimas décadas, em particular com o aumento da incidência de bacteriemias a ser detetada em várias localizações geográficas, tem levado a uma maior consciencialização do potencial patogénico destes estreptococos para o ser humano. SDSE é atualmente reconhecido como agente etiológico de um espectro de infeções similar a Strepococcus pyogenes, do qual é filogeneticamente próximo e com o qual partilha variados factores de virulência. Entre estes inclui-se a proteína M, codificada pelo gene emm e que é alvo do método de tipagem mais frequentemente utilizado para caracterizar as estirpes de SDSE – a tipagem do gene emm. As estreptolisinas O e S, várias proteínas de ligação à fibronectina ou a exotoxina pirogénica SpeG (que pode atuar como superantigénio), são outros factores inicialmente descritos em S. pyogenes que podem contribuir para a patogénese das infeções por SDSE. SDSE pode causar infeções não invasivas, tais como faringite e diversas infeções da pele e tecidos moles – incluindo infeções de feridas, abcessos, impetigo, erisipela ou celulite –, bem como infeções invasivas, que podem incluir bacteriemia, artrite séptica, endocardite, fasceíte necrotizante ou a síndrome do choque tóxico estreptocócico. Embora as infeções invasivas por SDSE tenham sido objeto de variadíssimos estudos ao longo dos últimos anos, um número muito limitado de trabalhos incidiu sobre as estirpes de SDSE que causam infeções não invasivas, permanecendo estas pobremente caracterizadas. O objetivo do presente estudo foi a caracterização das estirpes de SDSE responsáveis por infeções não invasivas em Portugal, nomeadamente a identificação dos tipos emm mais frequentes, a comparação da distribuição de tipos emm por diferentes tipos de infeção e a determinação da suscetibilidade a antimicrobianos destas estirpes. Para esse efeito, um total de 1079 estirpes de infeções não invasivas recuperadas no país entre janeiro de 2011 e dezembro de 2018 foram caracterizadas e comparadas com as estirpes isoladas de infeções invasivas durante o mesmo período. A caracterização incluiu a determinação do grupo de Lancefield, a tipagem do gene emm e o teste de suscetibilidade a um conjunto de 12 antimicrobianos. Os fenótipos de resistência a macrólidos, lincosamidas e estreptograminas B (MLSB) foram determinados e os genes que conferem resistência a estes antimicrobianos, à tetraciclina e aos aminoglicosídeos foram detetados por PCR. O sequenciamento do genoma completo foi realizado para um conjunto selecionado de estirpes não invasivas, permitindo determinar perfis alélicos de “multilocus sequence typing” (MLST) e a deteção de fatores de virulência nestas estirpes. As estirpes não invasivas representaram 74% de todos as estirpes de SDSE isoladas em Portugal de 2011 a 2018 (n=1458), período durante o qual se observou um aumento da proporção de estirpes invasivas isoladas, de 17.3% em 2011 para 30.8% em 2018 (p90% das estirpes isoladas destas infeções), enquanto 16.4% (n=177) foram isoladas de infeções do trato respiratório, principalmente de doentes com menos de 30 anos de idade. Uma minoria de amostras foi obtida do tracto urogenital (2.8%, n=30) ou de outros produtos (0.9%, n=10). A maioria das estirpes não invasivas pertencia ao grupo G de Lancefield (n=753, 69.8%), seguido do grupo C (n=322, 29.8%) e do grupo A (n=4, 0.4%). A caracterização genotípica encontrou 39 tipos emm, sendo stG62647 o mais frequente (23.5%) e sendo este tipo emm encontrado maioritariamente entre estirpes do grupo C de Lancefield. A maior parte dos tipos emm identificados incluía estirpes de diferentes grupos de Lancefield. Diferenças na prevalência de alguns tipos emm ao longo do período do estudo foram observadas, nomeadamente com o aumento do tipo emm stG245 e a diminuição dos tipos emm stG6, stG166b e stG2078 (p<0.05). A comparação da prevalência dos tipos emm entre estirpes isoladas de diferentes infeções, mostrou associações dos tipos emm stC36 e stC839 com infeções do trato respiratório (p<0.001), stG166b com infeções da pele e tecidos moles (p<0.001) e stC74a com infeções invasivas (p<0.01). Não foram observadas diferenças na diversidade de tipos emm entre estirpes isoladas de diferentes infeções. O sequenciamento do genoma completo das estirpes dos dois tipos emm associados a infeções do trato respiratório (n=38) mostrou que pertenciam a 15 tipos de sequência MLST, agrupados em 6 complexos clonais (CCs) e 3 singletons. Estes dois tipos emm estavam associados a CCs distintos, principalmente CC49 e CC68 no caso de stC36, e CC3 e CC44 no caso de stC839. Além disso, os dados de MLST mostraram que as estirpes dos tipos emm stC36 e stC839 pertenciam a CCs diferentes dos mais prevalentes anteriormente reportados para as infeções invasivas. A análise da distribuição dos factores de virulência nos genomas das estirpes de SDSE mostrou que sete potenciais genes de virulência (fbp54, hasC, lmb, sagA, scpA/scpB, ska e slo) estavam presentes em todos as estirpes stC839 e stC36, bem como na maioria das estirpes SDSE invasivas previamente caracterizadas em Portugal. Por outro lado, dois genes, mf3 – que codifica uma desoxirribonuclease – e speG – que codifica uma exotoxina – encontravam-se associados com as estirpes stC36 e stC839 (p<0.001). Os testes de suscetibilidade aos antimicrobianos das estirpes SDSE não invasivas isoladas em Portugal mostraram que todas as estirpes eram suscetíveis à penicilina, cefotaxima, vancomicina e quinupristina-dalfopristina. Quase metade (42.8%) das estirpes eram resistentes a pelo menos um dos agentes antimicrobianos testados. A taxa de resistência à eritromicina (23.5%) foi a mais alta e aumentou durante o período do estudo (p<0.05). O fenótipo iMLSB, conferido pelo gene ermA foi o mais comum, tendo sido igualmente detetados os genes ermB, ermT e mefA. A resistência à tetraciclina também foi elevada (20.5%) e principalmente conferida pelo gene tetM, seguido dos genes tetL, teto e tetS. A resistência à levofloxacina foi de 12.3%, mas diminuiu ao longo do período de estudo (p<0.05). Foram ainda detetadas baixas prevalências de resistência à gentamicina (2.9%), estreptomicina (1.5%) e cloranfenicol (0.6%). A resistência aos vários antimicrobianos foi detetada em estirpes de SDSE de vários tipos emm, sugerindo a disseminação dos determinantes de resistência detetados por várias linhagens desta bactéria. Os dados do presente estudo destacam a importância de estudar as estirpes de SDSE isoladas de infeções invasivas e não invasivas em conjunto para se poder avaliar a importância desta bactéria como agente patogénico humano de forma mais abrangente. Os resultados obtidos sugerem que algumas linhagens de SDSE podem estar associados a manifestações clínicas distintas e revelaram algumas diferenças a nível dos genes presentes nessas linhagens, providenciando linhas futuras de investigação para explorar a relevância destas observações. Por outro lado, a caracterização da suscetibilidade aos antimicrobianos das estirpes de SDSE isoladas em Portugal encontrou elevados níveis de resistência, à semelhança de observações anteriores com estirpes de SDSE isoladas de infeções invasivas no país. As alterações observadas nas taxas de resistência a alguns antimicrobianos ao longo do período de estudo, nomeadamente o aumento na resistência à eritromicina e diminuição da resistência à levofloxacina, demonstram a importância de manter uma monitorização da evolução das resistências nesta bactéria.Streptococcus dysgalactiae subsp. equisimilis (SDSE) is a bacterium that belongs to the human microbiota and causes infections in this host. Although SDSE has been regarded as a microorganism with low virulence, an increase in the number of reported infections in recent decades has led to a greater awareness of the pathogenic potential of these streptococci to humans. SDSE can cause non-invasive infections, such as pharyngitis and various skin and soft tissue infections (SSTI), and invasive infections, such as bacteremia or streptococcal toxic shock syndrome (STSS). While SDSE invasive infections have been the subject of several recent studies, SDSE isolates causing non-invasive infections remain poorly characterized. The aim of the present study was to characterize SDSE responsible for non-invasive infections in Portugal. For this purpose, 1079 non-invasive isolates recovered in the country between 2011 and 2018 were characterized and compared with those isolated from invasive infections during the same period. Isolates were characterized by Lancefield grouping, emm typing and antimicrobial susceptibility testing. Resistance genes were detected by PCR. Whole-genome sequencing (WGS) was carried on a small subset of the isolates, allowing to determine multilocus sequence type (MLST) allelic profiles and the detection of virulence factors in these isolates. Non-invasive isolates accounted for 74% of all SDSE isolates recovered in Portugal from 2011 to 2018. A total of 79.9% non-invasive isolates were isolated from SSTI, mostly from patients older than 50 years old, while 16.4% were isolated from respiratory tract infections (RTI), mainly from patients younger than 30 years old. Most non-invasive isolates belonged to Lancefield group G (n=753, 69.8%), followed by group C (n=322, 29.8%) and group A (n=4, 0.4%). Genotypic characterization found 39 different emm types, being stG62647 the most prevalent (23.5%). Comparison of emm types prevalence among isolates recovered from different sources, found out stC36 and stC839 overrepresented among RTI (p<0.001), stG166b among SSTI (p<0.001) and stC74a among invasive infections (p<0.01). WGS of isolates belonging to the two emm types associated with RTI (n=38) showed that they belonged to 15 MLST sequence types (STs), grouped into 6 clonal complexes (CCs) and 3 singletons. These two emm types 2 were associated with distinct CCs, mainly CC49 and CC68 in the case of stC36, and CC3 and CC44 in the case of stC839. In addition, MLST showed that stC36 and stC839 mainly belonged to CCs different from the most prevalent ones among invasive infections. Seven putative virulence genes (fbp54, hasC, lmb, sagA, scpA/scpB, ska and slo) were present in all stC839 and stC36 isolates, as well as in most invasive SDSE isolates previously characterized in Portugal. Two genes, mf3 – encoding a deoxyribonuclease – and speG – encoding a exotoxin – were overrepresented among stC36 and stC839 isolates (p<0.001). Antimicrobial susceptibility testing of SDSE non-invasive isolates recovered in Portugal showed that almost half (42.8%) of the isolates were resistant to at least one of the antimicrobial agents tested. Resistance rate to erythromycin (23.5%) was the most common and increased during the study period (p<0.05). The iMLSB phenotype, conferred by the ermA gene was the most common. Tetracycline resistance was also high (20.5%) and mostly conferred by tetM. Resistance to levofloxacin was 12.3% but decreased over the study period (p<0.05), while low levels of resistance to gentamycin, streptomycin and chloramphenicol were found. Resistance to antimicrobials was found among SDSE isolates from several emm types

    A Constituição da Rede de Colaboradores de J. V. Barbosa du Bocage em Portugal. Um exemplo de Ciência Cidadã no Século XIX

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    Tese de mestrado, História e Filosofia das Ciências, 2024, Universidade de Lisboa, Faculdade de CiênciasA ciência cidadã tornou-se mais popular nas últimas décadas, sendo geralmente encarada como uma prática inovadora do final do século XX. No entanto, práticas semelhantes também se verificaram no passado. Em 1862, José Vicente Barbosa du Bocage (1823–1907), fundador do Museu Nacional de Lisboa e diretor da respetiva Secção de Zoologia, publicou e distribuiu o guia Instrucções praticas sobre o modo de colligir, preparar e remetter productos zoologicos para o Museu de Lisboa. Transmitidas numa linguagem acessível, as suas indicações permitiam a qualquer não-especialista alfabetizado enviar espécimes da fauna portuguesa para o Museu. Em cerca de três anos, Barbosa du Bocage estabeleceu uma rede de 24 colaboradores em Portugal continental, que lhe enviaram espécimes que expandiram o espólio do Museu e lhe permitiram realizar investigação em zoologia. A escrita das Instrucções praticas assemelha-se ao tipo de estratégias utilizadas atualmente em projetos de ciência cidadã. Nesta dissertação, explora-se até que ponto as categorias analíticas da atual ciência cidadã podem ser utilizadas para melhor compreender as práticas científicas do passado em história natural. Através da análise de documentos do Arquivo Histórico do Museu Nacional de História Natural e da Ciência, caracterizamse as regiões onde os colaboradores de Barbosa du Bocage residiam, os estratos sociais a que pertenciam, a sua formação académica, o seu eventual envolvimento em publicações científicas, e as suas motivações. Em particular, analisa-se a relação de Barbosa du Bocage com José Maria Rosa de Carvalho, o seu colaborador mais ativo entre 1862 e 1865. O estudo destes casos do passado também permite reconsiderar práticas de ciência cidadã atuais, podendo contribuir para o seu aperfeiçoamento.Citizen science has gained popularity in recent decades, being generally viewed as an innovative practice of the late 20th century. However, similar practices were also developed in at least the previous century. In 1862, José Vicente Barbosa du Bocage (1823–1907), the founder of the National Museum of Lisbon and the director of its Zoology Section, published and distributed the field guide Instrucções praticas sobre o modo de colligir, preparar e remetter productos zoologicos para o Museu de Lisboa. The instructions were written in an accessible language and allowed non-specialists with basic schooling to send specimens of Portuguese fauna to the Museum. Three years after, Barbosa du Bocage had established a network of 24 collaborators in mainland Portugal, who sent him specimens that expanded the Museum's collection and enabled him to conduct sustained zoological research. The writing and dissemination of the Instrucções praticas resembles the types of strategies currently used in citizen science projects. This dissertation explores the extent to which the analytical categories of contemporary citizen science can be used to better understand past scientific practices in natural history. Taking as reference the documents of the Historical Archive of the National Museum of Natural History and Science, this dissertation characterizes the regions in which Bocage’s collaborators collected, their social class, academic backgrounds, involvement in scientific publications, and motivations. In particular, it examines the relationship between Bocage and José Maria Rosa de Carvalho, his most active collaborator between 1862 and 1865. By studying these cases from the past, the present dissertation can also provide insights that may improve contemporary citizen science strategies

    The role of post-translational modifications in the dimerization between the alpha and beta splicing isoforms of Signal Transducer and Activation of Transcription 3 (STAT3) and RelA

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    Tese de mestrado, Biologia Molecular e Genética, 2024, Universidade de Lisboa, Faculdade de CiênciasSignal Transducer and Activation of Transcription 3 (STAT3) is a pleiotropic transcription factor that plays key roles in cell survival, differentiation, and immune response. STAT3 has over 80 additional post-translational modifications (PTMs) and 4 splicing isoforms with yet unclear stoichiometry and functions. STAT3 interacts directly with the p65 subunit of Nuclear factor kappa B (NF-κB), also known as RelA, and both pathways are closely connected, regulating similar biological phenomena. The aim of this work was to elucidate the putative role of PTMs on the subcellular localization of heterodimers formed by STAT3 proteoforms and RelA, in the absence or presence of stimulating cytokines, leukemia inhibitory factor (LIF) and tumor necrosis factor α. We first confirmed the genomic alterations that prevent STAT3 expression in a HeLa STAT3-/- cell line, recently produced in our laboratory a CRISPR/Cas9 approach. HeLa STAT3-/- cells showed impaired proliferation/migration. We then developed a series of molecular tools to analyze the interaction and dynamics of STAT3α:RelA and STAT3α:STAT3β dimers in living cells, based on Bimolecular Fluorescent Complementation assays. We used these tools as templates to produce STAT3 mutants preventing PTMs on K685, Y705 or S701 or mimicking the phosphorylation on S701. Using these tools, we observed that STAT3α and RelA form a heterodimer that shows the basal subcellular distribution of RelA/NF-κB, but the response to LIF that is typical of STAT3. The subcellular distribution of different combinations of STAT3α:STAT3β and STAT3α dimers in the presence or absence of stimuli did not show major differences. The presence of one modifiable (wild-type) STAT3 monomer was sufficient to accumulate dimers in the nucleus upon LIF stimulation. Our findings enhance our understanding of the interplay between STAT3 proteoforms and between STAT3α and NF-κB signalling and could contribute to the unravel the molecular mechanisms of several pathologies, including cancer

    Functional studies of PCSK9 promotor variants

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    Tese de Mestrado, Bioquímica e Biomedicina, 2024, Universidade de Lisboa, Faculdade de CiênciasA proproteina convertase subtilina/kexina (PCSK9) é uma serina protease expressa principalmente no fígado e codificada pelo gene PCSK9, localizado no braço curto do cromossoma 1 (1p32.3). Este gene é constituído por 11 intrões e 12 exões, resultando numa sequência com 22kb. A subunidade catalítica da PCSK9 liga-se ao complexo formado entre as lipoproteínas de baixa densidade (c-LDL) e o receptor das mesmas (LDLr), formando um novo complexo que é endocitado e encaminhado para a degradação lisossomal na célula. A degradação deste complexo impede que os LDLr sejam reciclados e voltem à superfície celular, diminuindo a remoção de LDL e, consequentemente, aumentando a sua concentração na circulação sanguínea. A existência de variantes hereditárias no gene PCSK9 podem levar a dois fenótipos distintos; se as variantes forem de ganho de função, levará a um fenótipo de hipercolesterolemia já que existe degradação exacerbada de LDLr, resultando num aumento da concentração de c-LDL em circulação. Esta hipercolesterolemia se não for tratada o mais cedo possível, está associada a um risco elevado de doença cardiovascular, com ocorrência de aterosclerose prematura nestes indivíduos. A perda de função da PCSK9 leva a uma diminuição da concentração de c-LDL, levando a casos de hipocolesterolemia, associados com um baixo risco de doença cardiovascular. A descoberta deste gene em 2003 e a sua correlação com a homeostase do colesterol, abriu a porta para um novo alvo terapêutico na regulação do metabolismo lípidico. Quando os níveis intracelulares de esteróis estão diminuídos, o PCSK9 é positivamente regulado por dois fatores de transcrição: a proteína de ligação ao elemento regulador de esterol 2 (SREBP2) e o fator nuclear hepático 1α (HFN1α), enquanto que a transcrição do LDLR é apenas regulada pelo SREBP2. As estatinas são o tratamento de primeira linha em indivídios com hipercolesterolemia, já que induzem a expressão de SREBP2, regulando positivamente a transcrição de LDLR, aumentando a captação de LDL e diminuindo a sua concentração em circulação. Contudo, a transcrição do PCSK9 também é ativada, e a trancrição de LDLR não consegue compensar este efeito, diminuindo os efeitos benéficos em alguns indivíduos. Um dos grandes desafios é compreender a regulação fisiológica da expressão do PCSK9 aos níveis transcricional e pós-transcricional. Em 2020, 17 variantes encontradas na ClinVar e na literatura, foram compiladas e descritas consoante a sua localização na região do promotor ou na 5’UTR do PCSK9. Deste modo, destas 17 variantes, 3 estão na região do promotor, enquanto as restantes 14 encontram-se na 5’UTR, mas todas localizadas 650 pares de bases (pb) a montante da região codificante do PCSK9. A ClinVar é uma base de dados pública que categoriza as variantes genéticas pela sua interpretação clínica para as mais diversas doenças mendelianas, sumarizando a sua informação clínica proveniente de outras bases de dados, facilitando a sua compreensão. Das 17 variantes compiladas, 16 estão submetidas na ClinVar, onde 11 apresentam classificação de “significado clínico incerto” (VUS), existindo a necessidade da realização de estudos funcionais para se poder chegar a uma classificação definitiva para o diagnóstico correto dos indíviduos que tenham estas alterações genéticas. O diagnóstico correto começa pela interpretação correta das variantes por laboratórios certificados sendo estas variantes classificadas como “patogénicas” ou “benignas”. Com a recente introdução de técnicas que permitam sequenciação paralela em massa, como é o caso da sequenciação de nova geração (NGS), mais e novas variantes são identificadas a partir de uma só análise. Desde a descoberta do gene PCSK9, já foram submetidas 985 variantes na base de dados Clinvar, maioritariamente identificadas em indíviduos hipercolesterolémicos. Baseado nesta lacuna na compreensão dos mecanismos subjacentes à regulação da expressão do PCSK9, três variantes na região do promotor do PCSK9, próximas do elemento regulador de esterol (SRE), foram estudadas. Com este objetivo, o promotor e a região 5’ não traduzida (5’UTR) do gene PCSK9 (do nucleótido -650 ao -1) foram clonados no plasmídeo pGL4.10[luc2], contendo a região codificante do gene repórter Firefly luciferase (FLuc). Após efetuar mutagénese dirigida para obter as variantes em estudo, os plasmídeos foram transfetados para dois tipos de células imortalizadas de hepatoma: HepG2 e Huh7. Para a transfeção, 0.75x105 e 1.5x105 de Huh7 e HepG2, respetivamente, foram plaqueadas em poços de 35mm num volume final de 2 mL de meio adequado suplementado com 10% de soro bovino fetal (FBS). A transfeção foi feita imediatamente após o plaqueamento das células com 1500 ng de DNA plasmídico e 500 ng de Renilla Firefly (Rluc). Após 24h de incubação, o meio das células foi alterado para meio adequado ao respetivo tipo celular com apenas 0.1% de FBS, de modo a mimetizar o jejum lípidico nas células. Após 12h a 18h de jejum, as células foram tratadas com 0.1% de dimetilsulfóxido (DMSO), o veículo para o fármaco, ou 10 µg/mL de mevastatina. Após 24h de incubação com a estatina ou o veículo, as células foram lisadas e a atividade da luciferase foi determinada usando um ensaio de gene repórter com luciferase dupla. As 3 variantes na região do promotor, próximas do SRE (c.-337), nomeadamente c.-353G>T, c.- 346G>C e c.-331C>A foram estudadas através dos ensaios de bioluminescência. Como era expectável, em ambas as linhas celulares (HepG2 e Huh7), o tratamento com a mevastatina aumentou a atividade do promotor em todos os plasmídeos com as diferentes variantes. Os resultados para as variantes c.-353G>T e c.-346G>C mostraram um comportamento consistente em ambas as linhas celulares. A variante c.-346G>C diminuiu a atividade do promotor para 26% ou 30% enquanto que a variante c.-353G>T aumentou a atividade para 48% ou 78% em HepG2 e Huh7, respetivamente, quando comparado ao wild-type. Estes resultados podem ser indicativos que a variante c.-346G>C pode estar associada a um fenótipo de hipocolesterolemia enquanto que a variante c.-353G>T pode estar associada a hipercolesterolemia. Enquanto que estas duas variantes mostram associação clara com fenótipos de hiper- ou hipocolesterolemia, a variante c.-331C>A, exibiu um comportamento mais complexo entre as duas linhas celulares, sendo necessário nova investigação. Contudo, em HepG2 houve um aumento da atividade do promotor em relação ao wild-type, que corrabora um outro estudo anterior baseado num sistema repórter e ativação do promotor com uma estatina. A expressão exacerbada do PCSK9 é um dos mecanismos subjacentes no tratamento com estatinas em indivíduos com hipercolesterolemia, consequentemente, levando a uma redução na eficiência deste fármaco. Variantes genéticas que afetam a regulação do PCSK9 através da atividade do promotor podem ser responsáveis pelas diferentes respostas interindividuais na terapia com estatinas. Assim, com base nos resultados obtidos, é possível concluir que indivíduos com a variante c.-346G>C terão uma melhor resposta ao tratamento com estatinas, enquanto que indivíduos com a variante c.- 353C>G vão ter uma pior resposta ao tratamento com estatinas, uma vez que vão ter níveis mais elevados de PCSK9 em circulação. Na última década, a introdução de novos fármacos dirigidos à PCSK9 como alvo terapêutico, como é o caso dos anticorpos monoclonais, possibilitou uma redução de c-LDL em indíviduos com fenótipo de hipercolesterolemia que, até então, seria impossível com só com as estatinas. Ao expandir o nosso conhecimento sobre como estas variantes afetam a síntese da PCSK9, através da ativação dos fatores de transcrição, aumentamos a caracterização de variantes e mecanismos que causam hipercolesterolemia. Esta caracterização também permite que os indivíduos que tenham estas variantes possam vir a receber terapia personalizada, dirigida à via metabólica afetada, alcançando um melhor prognóstico a longo prazo.Proprotein convertase subtilisin/kexin type 9 (PCSK9) is a serine protease that binds to the lowdensity lipoprotein receptor (LDLr), targeting it to lysosomal degradation, limiting LDL clearance. In 2003, after the discovery of variants in the PCSK9 gene in dyslipidemic subjects, revealed it to be a major modulating gene in cholesterol homeostasis. When intracellular levels of sterols decrease, PCSK9 is positively regulated by Sterol Regulatory Element-Binding Proteins 2 (SREBP2) and Hepatic Nuclear Factor 1α (HFN1α), while LDLR transcription is only regulated by SREBP2. Statins induce the expression of SREBP2, which activates PCSK9 transcription, and LDLR transcription cannot compensate for this effect, diminishing the beneficial effects in some patients. The current challenge is to understand the physiological regulation of PCSK9 expression at the transcriptional and post-transcriptional level. Based on the lack of understanding of mechanisms behind the regulation of PCSK9 expression, 3 variants in the PCSK9 promoter region, close to the SRE motif were studied. To this purpose, the promoter and 5’ untranslated region (5’UTR) of PCSK9 (-650 to -1) were cloned into pGL4.10[luc2] plasmid containing the Firefly luciferase (FLuc) reporter gene. After site directed mutagenesis to obtain the variants in the study, they were transfected in HepG2 and Huh7 cell lines, and luciferase activity was determined by a Dual-Luciferase Reporter Assay System. Cells were starved with medium supplemented with 0.1% FBS, followed by treatment with mevastatin, activating transcription. Variant c.-346G>C showed a decrease in promoter activity of the wild-type, while variant c.-353G>T showed an increase compared to the wild-type. These results show that c.-353G>T can possibly lead to a familial hypercholesterolemia phenotype, while c.-346G>C can result in a hypocholesterolemia phenotype. Expanding our understanding of how these variants affect PCSK9 synthesis through the activation of transcription factors could lead to an opportunity for personalized therapy in subjects carrying these variants

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