Griot : Revista de Filosofia
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A dança na filosofia: uma análise a partir do pensamento de Nietzsche e da obra O lobo da estepe de Hermann Hesse
This article seeks to analyze how the phenomenon of dance presents itself in philosophy, especially from the reflections of the German philosopher F. Nietzsche. To enhance our hypotheses, we will resort to the literary work The Steppenwolf by the German writer Hermann Hesse. We know that dance as a metaphor for thought is presented both throughout Nietzsche's work and in the aforementioned book by Hermann Hesse. Therefore, our analysis seeks to demonstrate how dance involves a situation of surrender and acceptance of Life. It is about dance as a thought of overcoming oneself. This overcoming takes place in the instant. The instant when we understand Life as a movement towards its infinite possibilities. Based on the philosophical investigation, in this work, we will start by presenting the concept of dance in Nietzsche's philosophy, then we will exemplify this concept in the work of Hesse and, finally, we will demonstrate the relationship between dance, thought and affirmation of life.O presente artigo busca analisar como o fenômeno da dança se apresenta na filosofia, sobretudo, a partir das reflexões do filósofo alemão F. Nietzsche. Para realçarmos nossas hipóteses recorreremos à obra literária O Lobo da Estepe do escritor alemão Hermann Hesse. Sabemos que a dança enquanto metáfora do pensamento é apresentada tanto ao longo da obra nietzschiana quanto no supracitado livro de Hermann Hesse. Assim sendo, nossa análise busca demonstrar como a dança envolve uma situação de entrega e aceitação da vida. Trata-se da dança como um pensamento de superação de si mesmo. Tal superação se dá no instante. O instante em que compreendemos a vida como um movimento em direção às suas infinitas possibilidades. Levando como base a investigação filosófica, nesse trabalho, iniciaremos apresentando o conceito de dança na filosofia de Nietzsche, em seguida exemplificaremos este conceito na obra de Hesse e, por fim, demonstraremos a relação entre dança, pensamento e afirmação da vida
Notas sobre o misticismo racional de Erwin Schrödinger
Often referred to as one of the “founding fathers of quantum mechanics”, Erwin Schrödinger’s thoughts were popularized by his contributions to contemporary physics. However, this thinker contributed to the discussion about the limits of philosophical thought and the ultimate foundation of reality, especially in his later writings. This article addresses such discussions, having as a guideline the Schrödingerian notion of ‘consciousness’ and the ethical implications of such a conception.Frequentemente referido como um dos “pais da mecânica quântica”, o pensamento de Erwin Schrödinger foi popularizado pelas suas contribuições na física contemporânea. No entanto, tal pensador contribuiu para a discussão acerca dos limites do pensamento filosófico e da fundamentação última da realidade, principalmente nos seus escritos tardios. O presente artigo aborda tais discussões, tendo como fio condutor a noção schrödingeriana de ‘consciência’ e as implicações éticas de tal concepção
Filosofía y verdad en la obra de Richard Rorty
This text proposes a conception of Richard Rorty’s philosophy from the distinction between systematic philosophy and edifying philosophy, proposing this distinction as a key to reading his neo-pragmatism and his political-ethical proposal of the 90s, whose consequence main will be his conception of liberal democracy, ironic citizen and post-philosophical culture.En este texto se propone una lectura de la filosofía de Richard Rorty a partir de la distinción entre filosofía sistemática y filosofía edificante, proponiendo esta distinción como clave de lectura de su neo-pragmatismo y de su propuesta político-ética de los años 90, cuya consecuencia principal será su concepción de democracia liberal, de ciudadano irónico y de cultura post-filosóficaEn este texto se propone una lectura de la filosofía de Richard Rorty a partir de la distinción entre filosofía sistemática y filosofía edificante, proponiendo esta distinción como clave de lectura de su neo-pragmatismo y de su propuesta político-ética de los años 90, cuya consecuencia principal será su concepción de democracia liberal, de ciudadano irónico y de cultura post-filosófic
Transhumanismo e Inteligencia Artificial: el problema de un límite ontológico
The problem of the ontological limit of Artificial Intelligence and transhumanism in contrast with the ontology of Homo sapiens is discussed. Beyond the so-called exogenous or endogenous integration (with their respective prototypes, the android and the cyborg), the scenario of a technological singularity seems to materialize in entities that synthesize biology and technology, for example, by means of a download or transbiomorphosis that translates the neural networks of our mind into the memory of a computer. This is a hybridization that warns us about the advent of new species that could leave Homo sapiens behind. If the human/machine synthesis is the limit desired by the transhumanist program, this limit seems to have crossed, in turn, the very ontological limit of the human, on which science, philosophy and religion had so far more or less agreed –each presenting their own cards.Se discute el problema del límite ontológico de la Inteligencia Artificial y del transhumanismo en contrastación con la ontología del Homo sapiens. Más allá de la llamada integración exógena o endógena (con sus prototipos respectivos, el androide y el ciborg), el escenario de una singularidad tecnológica parece materializarse en entidades que sintetizan biología y tecnología, por ejemplo, mediante una descarga o transbiomorfosis que traduzca las redes neuronales de nuestra mente a la memoria de un ordenador. Se trata de una hibridez que nos avisa sobre el advenimiento de nuevas especies que podrían dejar atrás al Homo sapiens. Si la síntesis ser humano/máquina es el límite deseado por el programa transhumanista, dicho límite parece haber cruzado, a su vez, el propio límite ontológico de lo humano, sobre el que hasta ahora se habían puesto más o menos de acuerdo –cada una presentando sus propias cartas- la ciencia, la filosofía y la religión.Se discute el problema del límite ontológico de la Inteligencia Artificial y del transhumanismo en contrastación con la ontología del Homo sapiens. Más allá de la llamada integración exógena o endógena (con sus prototipos respectivos, el androide y el ciborg), el escenario de una singularidad tecnológica parece materializarse en entidades que sintetizan biología y tecnología, por ejemplo, mediante una descarga o transbiomorfosis que traduzca las redes neuronales de nuestra mente a la memoria de un ordenador. Se trata de una hibridez que nos avisa sobre el advenimiento de nuevas especies que podrían dejar atrás al Homo sapiens. Si la síntesis ser humano/máquina es el límite deseado por el programa transhumanista, dicho límite parece haber cruzado, a su vez, el propio límite ontológico de lo humano, sobre el que hasta ahora se habían puesto más o menos de acuerdo –cada una presentando sus propias cartas- la ciencia, la filosofía y la religión
As três fases do problema da demarcação
This article seeks to achieve two goals. First, to present a panoramic analysis of the three main contemporary conceptions about the demarcation problem. Traditionally, the demarcation problem has intended to conceptually delimit the boundaries between “science”, “non-science” and/or “pseudoscience” via criteria and definitions of science or scientificity. This issue – mainly in the 20th century, but not only – was present as one of the great intellectual challenges of the philosophy of science and in related areas. Indeed, our analysis has produced a division that selects three main phases, namely, optimistic perspectives, pessimistic perspectives, and, so to speak, hybrid perspectives. In light of this context, and in order to support the general architecture of the article, two authors from each phase were chosen for a schematic analysis. Second, this article seeks, in the end, to argue that the problem of demarcation is better understood and answered if characterized as more than an exclusively methodological and epistemological problem, that is, in this sense it would also be a value-added problem with political, social and therefore, practical. We termed it the dual dimension of the demarcation problem. Furthermore, we highlight that our emphasis on this interpretation is essentially in accordance with the defense made by the third approach analyzed in this paper. In the end, we defend that the third conception outlined here is a comparatively better alternative than the others.Este artigo busca alcançar dois objetivos. Primeiro, apresentar uma análise panorâmica das três principais concepções contemporâneas sobre o problema da demarcação. Tradicionalmente, o problema da demarcação pretendeu delimitar conceitualmente as fronteiras entre “ciência”, “não-ciência” e/ou “pseudociência” via critérios e definições de ciência ou de cientificidade. Tal problemática – principalmente no século XX, mas não só – fez-se presente como um dos grandes desafios intelectuais da filosofia da ciência e em áreas afins. Com efeito, nossa análise produziu uma divisão que recorta três fases principais, a saber, perspectivas otimistas, pessimistas e, por assim dizer, perspectivas híbridas. À luz desse contexto, e a fim de apoiar a arquitetura geral do artigo, selecionamos dois autores de cada uma dessas fases para uma análise esquemática. Segundo, buscamos, ao final, argumentar que o problema da demarcação é melhor compreendido e respondido se caracterizado como mais do que um problema exclusivamente metodológico e epistemológico, isto é, nessa acepção ele seria também um problema valorativo com contornos políticos, sociais e, portanto, prático. Chamamos isso de: dimensão dual do problema da demarcação. Ademais, destacamos que nossa ênfase nesta interpretação está de acordo, essencialmente, ao que defende a terceira abordagem analisada neste trabalho. Ao final, defendemos que a terceira concepção aqui esboçada é uma alternativa comparativamente melhor do que as demais
O papel do filósofo: uma perspectiva africana
The desire to understand what, after all, it is up to philosophy to accomplish and, as a consequence, what role is reserved for the philosopher, in the game of life and knowledge, although quite old (in the Phaedo, Plato had already to define what a philosopher is supposed to do), having received a lot of attention throughout the 20th century, continues to be very current. So, in this exhibition, we will also deal with that, however, making a cut, the African continent. Thus, our main objective here is to discuss philosophical praxis, based on the principle that this type of intellectual, despite its own connections with the theoretical environment, is inseparable from the concrete life experienced by man in his daily life. In this debate, we will dialogue with African thinkers (such as Kwasi Wiredu who highlights the importance of philosophical knowledge for the modernization of Africa) and Western thinkers.O desejo de compreender o que, afinal de contas, cabe à filosofia realizar e, como consequência disso, qual papel está reservado ao filósofo, no jogo da vida e do conhecimento, embora bastante antigo (no Fédon, Platão já havia se esforçado para definir o que compete ao filósofo fazer), tendo recebido muita atenção ao longo do século XX, continua se mantendo bem atual. Assim, nesta exposição, nós também trataremos disso, entretanto, fazendo um recorte, o continente africano. Desse modo, o nosso objetivo principal aqui é discutir a práxis filosófica, partindo do princípio de que esse tipo de intelectual, apesar de suas ligações próprias com o ambiente teórico, é indissociável da vida concreta, experimentada pelo homem em seu cotidiano. Nesse debate, dialogaremos com pensadores africanos (como Kwasi Wiredu, que destaca a importância do conhecimento filosófico para a modernização da África) e ocidentais
“Por quê olhar os animais?” Ética da alteridade e animalidade em John Berger
This paper propose a reading and application of the homo sacer metaphysical concept, central to the Giorgio Agamben In his text Why Look at Animals? John Berger comments on how the animal metaphor was an indispensable resource for revealing a closeness between species, and that without the example of animals it would be unlikely, for example, to describe events such as those narrated by Homer in The Iliad. The correlation between similar and heterogeneous lives allowed human beings, inspired by animals, to provide answers to the first questions. It is reasonable to say that the first metaphor was that of the animal, as a way of sharing the world that was both common and different to them. But our relationship with non-human animals also contains contradictions; the creation of the zoo represented the raising of a monument to the impossibility of any reunion with animality. Instead of being liberated, animals were captured by other political categories. For John Berger the ambiguities remain "They are the objects of our ever-increasing knowledge. What we know about them is an index of our power, and so is an index of what separates us from them. The more we know, the more distant they become."
Em seu texto Por quê olhar os animais?, John Berger comenta como a metáfora animal foi um recurso indispensável para revelar uma proximidade entre as espécies, e que sem o exemplo de animais seria improvável, por exemplo, descrever eventos como aqueles narrados por Homero n’A Iíada. A correlação entre vidas semelhantes e heterogêneas permitiram aos seres humanos, inspirados pelos animais, darem respostas às primeiras perguntas. É razoável afirmar que a primeira metáfora tenha sido a do animal, como um modo de partilhar o mundo que lhes era comum e diferente. Mas nossa relação com os animais não-humanos também contém contradições; a criação do zoológico representou a elevação de um monumento à impossibilidade de qualquer reencontro com a animalidade. Em vez de liberados, os animais foram capturados por outras categorias políticas. Para John Berger as ambiguidades permanecem “Eles são os objetos de nosso conhecimento sempre crescente. O que sabemos sobre eles é um índice de nosso poder, e assim é um índice do que nos separa deles. Quanto mais sabemos, mais distante eles ficam.”
A arqueologia do presente e a questão do sujeito no pensamento de Giorgio Agamben
This article proposes to show how the Agambenian archaeology takes place through a double movement that, at one and the same time, displays tradition from an exceptional paradigm. It is possible to think here of a play on words, since the word paradigm is usually used as a synonym for model and, in this sense, the exception is what models that which tradition has transmitted and, equally, repressed. However, with his characteristic gesture, Agamben takes the word paradigm back to its etymological sense, as "that which is shown alongside", and gives it a strategic meaning in his archaeology. Like the example, the paradigm displays the functioning and belonging of something without belonging to that which is displayed, showing itself alongside, subtracting its belonging to a rule. What it displays is the exceptional structure of tradition, also referring the word exception to its etymological sense, "caught outside". This sense, which defines the exception as such, is used to characterise the way in which tradition operated by presupposing an origin. This presupposition of an originary dimension, prior to all supposition, destined as an underlying foundation, the sub iectum, that is, the problem of the subject.Este artigo propõe mostrar como a arqueologia agambeniana se realiza por meio de um movimento duplo que, a um só tempo, exibe a tradição a partir de um paradigma excepcional. É possível pensar aqui em um jogo de palavras, já que, habitualmente, a palavra paradigma é usada como sinônimo de modelo e, nesse sentido, a exceção foi o que modelou aquilo que a tradição transmitiu e, igualmente, recalcou. No entanto, com seu gesto característico, Agamben remete a palavra paradigma ao seu sentido etimológico, como “aquilo que se mostra ao lado”, e confere a ela um sentido estratégico na sua arqueologia. Como o exemplo, o paradigma exibe o funcionamento e o pertencimento de algo sem que pertença a isso que é exibido, mostrando-se ao lado, subtraindo o seu pertencimento a uma regra. Isso que ele exibe é a estrutura excepcional da tradição, remetendo também a palavra exceção ao seu sentido etimológico, “capturada fora”. Esse sentido, que define a exceção enquanto tal, é usado para caracterizar a maneira como a tradição operou pressupondo uma origem. Essa pressuposição de uma dimensão originária, anterior a toda suposição, destinou como um fundamento subjacente, o sub iectum, isto é, o problema do sujeito
Primo Levi, Simone de Beauvoir e Wittgenstein: uma apologia da comunicação
In this paper, aims to indicate, following the horizon proposed by Primo Levi in The drowned and the saved [1986], that it is possible to communicate or decrease the distance between expressing and comprehending. As a hypothesis, we will argue that although we are not allowed to feel in the other's place, it is possible for us to understand their expression; this understanding would be based on a conversion of the gaze, founded on a desire to communicate. For this, we will use – in the horizon of Levi's problematic – some elements of Simone de Beauvoir's philosophy, especially her notion of situation, and of Ludwig Wittgenstein, with emphasis on his notion of panoramic presentation. Both notions mentioned suggest, in our view, methodical atitudes which Levi approached.Neste texto, o nosso objetivo é indicar, seguindo o horizonte proposto por Primo Levi em Os afogados e os sobreviventes [1986], que é possível comunicar ou diminuir a distância entre o expressar e o compreender. Como hipótese, argumentaremos que embora não nos seja permitido sentir no lugar do outro, é-nos possível compreender a sua expressão; essa compreensão se daria a partir de uma conversão do olhar, fundamentada em uma vontade de comunicar. Para isso, utilizaremos – no horizonte da problemática de Levi – alguns elementos da filosofia de Simone de Beauvoir, em especial a sua noção de situação, e de Ludwig Wittgenstein, com ênfase em sua noção de apresentação panorâmica. Ambas as noções mencionadas sugerem, a nosso ver, atitudes metódicas, das quais Levi se aproximou
"É para o seu próprio bem": a dimensão ética das ferramentas de detecção de risco de suicídio e da intervenção paternalista
The impediment of individuals affected by mental illness at risk of suicide is well justified. But the impediment to rational suicide is complicated by the conflict between defending life and defending autonomy, as illustrated by the various philosophical approaches to the ethical dimension of suicide. In this article we argue that, insofar as punctual in nature and limited in scope, paternalistic intervention of the autonomous individual is also justified. To do so, we will use the distinction between shallow and deep autonomy, as well as complicating factors from recent medical literature: the question of ambivalence and the cry for help model. We will also pay special attention to the ethical implications of new strategies for risk detection that use artificial intelligence applied to social network databases like Facebook. Although preliminary evidence suggests these are effective tools, their lack of transparency, regulation and consent puts civil liberties and rights at risk.O impedimento de indivíduos acometidos por enfermidade psíquica em risco de suicídio é bem justificado. Mas o impedimento do suicida racional é complicado pelo conflito entre defendermos a vida e defendermos a autonomia, como ilustrado pelas diversas abordagens filosóficas quanto à dimensão ética do suicídio. Argumentaremos que a intervenção paternalista sobre o indivíduo autônomo, desde que de natureza pontual e escopo limitado, é também justificada. Para tanto iremos nos valer da distinção entre autonomia superficial (shallow) e profunda (deep), bem como de fatores complicadores oriundos de literatura médica recente: a questão da ambivalência e o cry for help model. Dedicaremos especial atenção também às implicações éticas de novas estratégias de detecção de risco que utilizam inteligência artificial aplicada a bases de dados de redes sociais como o Facebook. Embora os dados preliminares sugiram ser ferramentas eficazes, a falta de transparência, regulamentação e consentimento coloca em risco liberdades e direitos civis.