Griot : Revista de Filosofia
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    Espacialidade e existência: a motricidade em sua significação fenomênica

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    On analyzing the discussions conducted by Merleau-Ponty about the spatiality and motility of the body itself in the Phenomenology of Perception, the objective of this paper is to circumscribe the main philosophical consequences of the joint between spatiality and existence. Unveiling a expressivity and temporality dimension, the examination of motor function in a sick person can identify an absence that the healthy does not have, ie, a fragmented experience that characterizes the disease and motor disorders. That's where appears the idea of a “intentional arc”, which is nothing more than a mean of significative coordination between the various sectors of the experience.Analisando as discussões conduzidas por Merleau-Ponty sobre a espacialidade e a motricidade do corpo próprio na Fenomenologia da Percepção, o objetivo deste artigo é circunscrever as principais consequências filosóficas da articulação da espacialidade com a existência. Desvelando um viés expressivo e uma temporalidade, o exame da motricidade num sujeito doente permite identificar uma ausência que o normal não possui, ou seja, uma experiência fragmentada que caracteriza a doença e os distúrbios motores. É daí que deriva a ideia dum arco intencional, que nada mais é do que um meio de articulação significativa entre os variados setores da experiência

    Giordano Bruno: entre o geocentrismo e o heliocentrismo

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    In this article we approach the cosmologic theme dominant on the second half of the XVI century. Polarized in two antagonic positions: the geocentrism supporters, who defended the aristotelian-ptolemaic’s descriptive model, and the copernicans who defended the idea of a heliocentric cosmos. To present this debate we base ourselves in PLATO, 2001; ARISTOTLE, 2002; COPERNIC, 2009 and BRUNO, 2012; in an hermeneutic reading of the cosmologic discussion presented by these authors.  In face of this two descriptive views of the cosmos we take interest in investigate which position Giordano Bruno held in this scenario. In his works Bruno presents himself as a contumacious critic of the geocentrism, related directed this description to Aristotle, and as a defender of the copernican heliocentrism. The cosmologic debate of Giordano Bruno is displayed in many works, among them we can mention The Ash Wednesday Supper published in 1584 and L’immenso e gli innumerevoli in 1592. Bruno’s refusal of the aristotelianism is very incisive, but the same strength doesn't seem to be applied to the Copernican cosmological model. With that in mind we wonder what may justify the formulation of Giordano Bruno’s praise, with reservations, to Corpernic. It’s concluded then that, in spite of the proximity with the Copernican heliocentrism, is not possible to characterize Bruno as a Copernican.  Copernic remained attached to the concepts of the last sphere, hierarchical universe, for instance, definititions that are refuted by Bruno. Giordano Bruno’s cosmos is infinity, homogeneous and populated by uncountable worlds. These concepts were not inserted in the Copernican heliocentric cosmos.Neste artigo abordamos a temática cosmológica dominante na segunda metade do século XVI. Polarizada entre duas posições antagônicas: os partidários do geocentrismo, que se apoiavam no modelo descritivo aristotélico-ptolomaico, e os copernicanos que defendiam um cosmo heliocêntrico. Para desenvolver esse debate nos apoiamos em PLATAO, 2001; ARISTÓTELES, 2002 e COPÉRNICO, 2009, BRUNO, 2012; numa leitura hermenêutica da discussão cosmológica apresentada por esses autores. Diante desses dois víeis descritivos do cosmo nos interessava investigar qual a posição adotada por Giordano Bruno diante desse contexto. Bruno, nos seus textos se apresenta como um crítico contumaz do geocentrismo, relacionando diretamente tal descrição a Aristóteles, e como um defensor do heliocentrismo copernicano. O debate cosmológico bruniano é expostos em várias obras, entre elas podemos citar A ceia das Cinzas publicada em 1584 e L’immenso e gli innumerevoli de 1592. O antiaristotelismo de Bruno é bastante contundente, mas o mesmo vigor não aparece ao tratar o modelo cosmológico copernicano. Nos perguntamos, então, o que justificava a elaboração do elogio bruniano, com ressalvas, a Copérnico. Concluímos que, apesar da aproximação com o heliocentrismo copernicano, não é possível caracterizar Bruno como um copernicano. Copérnico permaneceu atrelado aos conceito de última esfera, de universo hierarquizado, por exemplo, definições que são refutadas por Bruno. O cosmo bruniano é infinito, homogêneo e povoado de inumeráveis mundos. Esses conceitos não estão presentes no cosmo heliocêntrico copernicano

    Dois conceitos e dois problemas da consciência

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    Certainly consciousness is something extremely familiar and, at the same time, enigmatic for us. Its phenomenal aspect, called phenomenal consciousness, imposes a number of barriers to reductionists approaches proposed by physicist/functionalist framework. Such are the difficulties raised by phenomenal consciousness to that reductionists approaches that the problems concerning that aspect of consciousness are the “hard problem of consciousness”. Thus, this paper has three aims: first of all, to demonstrate the necessity to distinguish two concepts concerning to two different aspects of consciousness; posteriorly, as consequence of distinction between two concepts of consciousness, will be exposed the problems related to both concepts; finally, we will advocate about the existence of an explanatory gap between explanations derived from reductionists theories and the phenomenal consciousness.Certamente a consciência é algo extremamente familiar e, ao mesmo tempo, enigmático para nós. Seu aspecto fenomenal, denominado de consciência fenomenal, impõe inúmeras barreiras às abordagens reducionistas propostas pelo quadro teórico fisicista/funcionalista. Tamanha são as dificuldades suscitadas pela consciência fenomenal a estas abordagens reducionistas que os problemas referentes a este aspecto da consciência constituem o “problema difícil da consciência”. Desta forma, este artigo possui três objetivos: primeiramente demonstrar a necessidade de distinguir dois conceitos referentes a dois aspectos distintos da consciência; posteriormente, como consequência da diferenciação entre dois conceitos de consciência, serão expostos os problemas relativos a estes dois conceitos; por fim, defenderemos a existência de uma lacuna explicativa entre as explicações provenientes das teorias reducionistas e a consciência fenomenal

    Eudaimonia e o problema das ações virtuosas em Aristóteles

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    From a critical analysis of the Aristotle’s concept of eudaimonia, we aim to understand what is the end to which all our actions tend and how we can achieve it. For this, shall be used as a thread of this research the analysis of the work Nicomachean Ethics of Aristotle, outlining the elements that permeate the problem of virtuous action, such as the concept of virtue, happiness and soul.A partir de uma análise crítica do conceito de eudaimonia aristotélica, almeja-se compreender qual é o fim aos quais todas as nossas ações tendem e como podemos alcançá-lo. Para isso, utilizar-se-á como fio condutor desta pesquisa a analise do livro I da obra Ética a Nicômaco de Aristóteles, delineando os elementos que permeiam o problema da ação virtuosa, tais como o conceito de virtude, felicidade e alma

    “Saber”, “certeza” e “dúvida”: sobre ceticismo e fundacionalismo no Da certeza de Wittgenstein

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    Presente na maioria dos escritos de Wittgenstein, o problema do ceticismo pode ser observado, por exemplo, nas anotações sobre o solipsismo do Tractatus Logico-Philosophicus (1922) ou, ainda, na reivindicação da necessidade de seguir regras publicamente, como afirma o filósofo nas ideias presentes sobre a significação dos termos em sua obra Investigações Filosóficas (1953). Contudo, sua investigação mais nítida sobre o ceticismo se encontra nos escritos que constituem o Da certeza (1969). A análise da argumentação wittgensteiniana presente nesse escrito torna possível revelar a posição original do filósofo a respeito do questionamento sobre os fundamentos do conhecimento e, consequentemente, da iminente possibilidade do ceticismo epistemológico. Nesse sentido, esse artigo tem como objetivo analisar as considerações do filósofo sobre o tema e salientar quais contribuições o mesmo deu para o debate dessa questão tradicional da filosofia. Após isso, pretende-se ainda indicar qual é a possível posição de Wittgenstein frente ao fundacionalismo, uma vez que a leitura da obra permite uma possível aproximação do filósofo com tal corrente epistemológica

    A dissolução da subjetividade na via estética de Nietzsche

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    The objective of this article is to discuss the question of the dissolution of subjectivity as it appears in the masterpiece of Nietzsche, The Birth of Tragedy, or Hellenism and Pessimism, focusing especially in the introductory chapters 3, 4 and 5. Throughout our study we will analyze the argumentative route that enabled Nietzsche to refuse an idea of a subject centered and donor of sense to propose on the contrary its complete undoing through aesthetic contemplation of Dionysian art. We conclude that Nietzsche's thought is given in such a way because it is based in an aesthetic worldview in which the dichotomy between subject and object does not apply completely.Tem-se como objetivo deste artigo problematizar a questão da dissolução da subjetividade tal como aparece na obra-prima de Nietzsche, O Nascimento da Tragédia, ou Helenismo e Pessimismo, focando, sobretudo, nos capítulos introdutórios 3, 4 e 5. Ao longo de nosso estudo será analisado o percurso argumentativo que permitiu a Nietzsche abrir mão do sujeito centrado doador de sentido para propor, na verdade, seu completo desfazimento através da contemplação estética da arte dionisíaca. Conclui-se que o pensamento de Nietzsche se dá de tal maneira porque é enviesado em uma visão estética de mundo na qual a dicotomia sujeito e objeto não se aplica por completo

    Linguagem e poder: contribuições de Deleuze e Fairclough

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    The focus of this paper is on the contribution of Deleuze and Guattari (1995) to theoretical thinking about language and how it articulates with Canetti (2005) and with concepts such as slogans, indirect discourse, assemblage, immanence and ways of knowing. The paper also attempts to explain Fairclough’s view of the relationship between discourse and power (1989, 2001) and the connection the latter has with social structures. The relationship between language and power is thought-out in distinct ways by these authors: while Deleuze and Guattari (1995) are concerned with the immanent power of language, Fairclough (1989 e 2001) studies relations of power exercised in the relations between discourse and social structure.O foco deste artigo é realçar as contribuições de Deleuze e Guattari (1995) sobre a linguagem, e como se articula com o legado de Canetti (2005) e as noções de palavras de ordem, discurso indireto – além dos conceitos mais conhecidos de agenciamento, imanência e a formação de saber. Além disso, explica-se a relação entre o discurso e o poder, tal como é compreendida por Fairclough (1989 e 2001) e a conexão que o poder tem com as estruturas sociais. A aproximação entre a linguagem e o poder foi contemplada por esses autores a partir de uma perspectiva diferente, enquanto Deleuze e Guattari (1995) voltavam-se para o poder imanente da linguagem, Fairclough (1989 e 2001) focou no poder existente a partir da relação entre o discurso e a estrutura social

    Voltaire crítico da teologia da história

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    Theology tries to systematize and list what the revelation and faith bring to the believer about the issue of the meaning of history, pilgrimage through humanity’s time, thought as a whole. It emphasizes not so much the knowledge, but the spiritual state of happiness to which mankind must rise before the end of life on earth. Modern theorists don´t accept the theological proposal and they have the ambition of decentralizing the traditionally ordained history, by a Christocentric worldview. The historian, exempting himself from the faction, assumes rational discourse about human´s trajectory by a new interpretive framework core: the idea of ​​humanity. Voltaire presents himself as the legitimate representative of this perspective. History, under the Voltairean prism, is placed as a problem and not as a dogmatical object, with characteristics of a final acquisition. The historical problem is to understand the current world and mankind inserted therein. The purpose of the present work was to bring, therefore, the theological proposal for history and its critique, developed by Voltaire, in order to highlight the originality of modern approach to the historical phenomenon.A teologia esforça-se por repertoriar e sistematizar o que a revelação e a fé trazem ao crente sobre o problema do sentido da história, da peregrinação através do tempo da humanidade pensada em seu conjunto. Ela enfatiza, não tanto o conhecimento, mas o estado espiritual de felicidade ao qual a humanidade deve ascender antes do fim da vida na terra. Os modernos não aceitam a proposta teológica e têm por ambição descentralizar a história tradicionalmente ordenada por uma visão cristocêntrica do mundo. O historiador, isentando-se da facção, assume o discurso racional sobre a trajetória dos humanos a partir de um novo núcleo referencial interpretativo, a saber, a ideia de humanidade. Voltaire apresenta-se como legítimo representante dessa perspectiva. A história sob o prisma voltairiano é colocada como problema e não como dogmática com características de uma aquisição definitiva. O problema histórico é o de compreender o mundo atual e a humanidade nele inserida. O objetivo, portanto, do trabalho foi apresentar a proposta teológica para a história e a crítica a ela desenvolvida por Voltaire, de forma a evidenciar a originalidade da abordagem moderna do fenômeno histórico

    Tomás de Aquino: o ente e a essência como concebidos primeiro pelo intelecto

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    The purpose of this article is to reflect on the “being and essence” terms as they appear in the text of Thomas Aquinas and explain the meaning of the affirmation "the being and essence are what is first conceived by the intellect”.A proposta deste artigo é refletir sobre os termos “ente e essência” como aparecem no texto de Tomás de Aquino e explicar o sentido da afirmação “o ente e a essência são o que é concebido primeiro pelo intelecto”

    Da mentira, de Gabriel Liiceanu

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