Griot : Revista de Filosofia
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O estatuto ontológico das intenções sensíveis
At first sight, Avicenna's psychological investigation is not clear about the way by which the soul is related to sensible intentions. From some passages of Kitāb al-nafs in which Avicenna discusses the relation between them and the estimation we can arrive at some conclusions on their ontological status. I am going to analyze the examples used by Avicenna in I.5, II.2 and IV.1 to show the senses in which the term maʻnā is used and if they exist in the world or they result of a particular relation.À primeira vista, a investigação psicológica de Avicenna é pouco precisa quanto ao modo pelo qual a alma se relaciona com as intenções sensíveis. Dadas algumas passagens do Kitāb al-nafs nas quais se discute a relação entre elas e a faculdade estimativa, pode-se chegar a algumas conclusões acerca do estatuto ontológica das intenções. Utilizarei os exemplos fornecidos por Avicena em I.5, II.2 e IV.1 para mostrar em quais sentidos o termo maʻnā é utilizado e se elas existem no mundo ou resultam de uma relação particular
Platão e as aulas de filosofia no ensino médio
The paper presents and discusses two issues: the philosophy classes in Brazilian high school and the philosophy of Plato. The first issue is worked more as a consequence professional practice, however, not refraining from significant theoretical contributions. The second issue, this is, the philosophy of Plato, results from research on the Athenian philosopher, as can be found in its extensive production, and will directly contribute to the teaching practice of philosophy professionals engaged primarily in teaching basic education.O artigo apresenta e desenvolve duas questões: as aulas de filosofia no ensino médio brasileiro e a filosofia de Platão. A primeira questão é trabalhada mais como consequência prática profissional, todavia, não abstendo-se de significativas contribuições teóricas. A segunda questão, ou seja, a filosofia de Platão, resulta de pesquisa acerca do filósofo ateniense, no que pode-se encontrar em sua extensa produção, e que venha diretamente a contribuir com a prática docente de profissionais de filosofia, que atuam, sobretudo, no magistério de educação básica. 
Estado e terror nos tempos de cólera
Este artigo problematiza as categorizações operacionalizadas por políticas públicas de exceção e de contenção da violência, no que tange a construção de certa “identidade do terror”, isto é, um arranjo classificatório e universalizante que desempenha um papel essencial na identificação de grupos, supostamente “perigosos”, com o terror. Nesse sentido, analisaremos três exemplos de diferentes circunstâncias envolvendo atentados [terroristas] e o tratamento oficial recebido por eles quanto à sua natureza. Pretende-se, assim, associar a dimensão das identidades e das representações sociais às políticas públicas de segurança, legitimando a instauração de mecanismos de exceção, dispositivos de segurança e gerenciamento, que se estendem desde a própria população até aquelas espalhadas pelo globo
O noûs aristotélico-tomista
My intention with this article is to draw a general line on the idea of noûs in Aristotle, its adoption and development by Saint Thomas Aquinas, taking the shape which arrived at us, as intellect or intelligence, “way of knowing” that captures the universal. I present firstly the “ways of knowing” thought by Aristotle in his main works, reaching on the idea of noûs, as the proper way of the philosophical knowledge at its search for the being of things. Following that I describe the retaking of this concept by Saint Thomas Aquinas, as intellect, and its development during the controversy against the averroists. My intention is, besides demonstrating the thought of those philosophers on this subject, show it as an extremely relevant subject for the philosophical thought still.Pretendo com este artigo desenhar as linhas gerais da idéia de noûs em Aristóteles, sua adoção e desenvolvimento por Santo Tomás de Aquino, tomando a forma que chegou até nós, como intelecto ou inteligência, “modo de saber” que capta o universal. Apresento primeiramente os “modos de saber” pensados por Aristóteles em suas principais obras, culminando na idéia de noûs como modo próprio do conhecimento filosófico na sua busca pelo ser das coisas. Em seguida passo para a retomada deste conceito em Santo Tomás de Aquino, como intelecto, e o seu desenvolvimento durante a controvérsia contra os averroístas. Minha intenção é, além de demonstrar o pensamento desses filósofos sobre este tema, mostrá-lo como um assunto ainda de extrema relevância para o pensamento filosófico
Sartre e a tese da transcendência do ego
In The transcendence of the Ego, Sartre’s first philosophical essay, the presence of the Ego in the consciousness is refused. Appropriating Husserl’s phenomenology, Sartre criticizes the philosophical and psychological positions that turned the Ego into an inhabitant of the consciousness. This article proposes to examine Sartre’s thesis and delineate the reach of its considerations for psychology and philosophy. This is an important event in Sartre’s trajectory because we can identify the primary concerns of the philosopher, as well as understand the scope of phenomenology in later works.Em A transcendência do Ego, primeiro ensaio filosófico de Sartre, recusa-se a presença do Ego na consciência. Apropriando-se da fenomenologia de Husserl, Sartre critica as posições filosóficas e psicológicas que transformaram o Ego num habitante da consciência. O presente artigo se propõe a examinar a tese de Sartre e delinear o alcance de suas considerações para a psicologia e para a filosofia. Trata-se de momento importante da trajetória de Sartre porque nele podemos identificar as primeiras preocupações do filósofo, assim como compreender o alcance da fenomenologia em obras posteriores
A neutralidade ontológica do aspecto formal da lógica moderna de Quine
The intention is to reconstruct and analyse the introduction of Quine's O sentido da nova lógica to, in light of its historical justifications for the modern corollary logical system, seeking to defend the ontological neutrality that it's formal aspect allows. The distinction between naming and meaning at Quine's new logic, points out the fact that it's not necessary to "admit a kingdom of entities called meanings" (QUINE, 1985. p. 230) and that, therefore the formality of ontological statements assumes no ontological commitment.Pretende-se reconstruir e analisar a introdução de O sentido da nova lógica de Quine para, à luz de suas justificativas históricas para o corolário sistema lógico moderno, procurar defender a neutralidade ontológica que seu aspecto formal possibilita. A distinção entre nomear e significar, na nova lógica de Quine, ressalta o fato de que não é necessário “admitir um reino de entidades chamadas significados” (QUINE, 1985, p. 230), e que, portanto, a formalidade dos enunciados ontológicos não assume compromisso ontológico
A importância da felicidade na filosofia cínica
This article aims to present a cynical view about happiness and the means to achieve it. Contrary to the social customs, the cynics will make severe criticisms of Greek society. The cynical philosophy emerges as an antidote to these social elements, proposing a paradigm shift, denouncing as false to human ambitions and indicating a new path: self-control, indifference to conventional pleasures as the only access road to Happiness.Este artigo pretende apresentar a visão cínica sobre a Felicidade e os meios para atingi-la. Opondo-se aos costumes sociais, os cínicos farão severas críticas à sociedade grega. A Filosofia cínica surge como um antídoto a essas intempéries sociais, propondo uma mudança de paradigma, denunciando como falsas às ambições humanas e indicando um novo caminho: o domínio de si, a indiferença aos prazeres convencionais como única via de acesso à Felicidade
Pensar e estar vivo: sobre o primado da aparência em Hannah Arendt
The scope of this article is to present some considerations that allows us, based on Hannah Arendt’s thoughts, to make the debate deeper about the appearance’s primacy. Although the arguments’ extension that it could be bring into light, we will retain ourselves here to those concerned mostly to the concepts of thinking and being-alive, relating them frequently to the notions of world, reality/realness, understanding and truth. We start from the reflections presents substantially in The life of the mind to compose our proposal evoking in Arendt a phenomenological interpretation that designs the pertinence about what Arendt calls a phenomenical nature of the world, defending, in this way, the value of the surface in front of the metaphysical fallacies that Arendt intents to dismantle.O escopo deste artigo é apresentar algumas considerações que nos permitam aprofundar a discussão acerca do primado da aparência a partir do pensamento de Hannah Arendt. Não obstante a extensão dos argumentos que se poderia evocar acerca deste assunto, deter-nos-emos aqui àqueles que dizem respeito majoritariamente aos conceitos de pensar e de estar vivo, relacionando-os frequentemente às noções de mundo, realidade, compreensão e verdade. Partimos das reflexões presentes substancialmente em A vida do espírito afim de compor nossa proposta de evocar em Arendt uma interpretação fenomenológica que delineia a pertinência do que a própria autora chama de uma natureza fenomênica do mundo, defendendo, deste modo, o valor da superfície frente às falácias metafísicas que Arendt busca desmantelar
Hobbes e o direito de resistência
Thomas Hobbes is a defender of the right of resistance. The positioning of the philosopher appears (implicit or explicit) in several passages of his writings about the political condition of man. Resistance is the same as not determined comply will; is refusing to practice actions even if rightly ordered. As the Hobbesian model, has a sovereign right to order what he wants his subjects. Therefore, the resistance should be analyzed from two main lines: the use of resistance in relation to the sword of justice and for the sword of war. In view of this, in Hobbes takes to ask: how is it possible that the use of the right of resistance of the subject is not set in unrighteousness before the unlimited power of the sovereign?Thomas Hobbes é um defensor do direito de resistência. O posicionamento do filósofo aparece (implícito ou explicito) em diversas passagens de seus escritos em torno da condição política do homem. Resistir é o mesmo que não acatar determinada vontade; é recusar-se a prática ações mesmo que justamente ordenadas. Conforme o modelo hobbesiano, um soberano tem direito de ordenar aquilo que bem entender aos seus súditos. Diante disso, a resistência deve ser analisada a partir de duas linhas principais: o uso da resistência em relação ao gládio da justiça e em relação à espada da guerra. Em vista disso, Hobbes no leva a indagar: como é possível que o uso do direito de resistência do súdito não se configure em injustiça diante do poder ilimitado do soberano
A questão do ateísmo especulativo em Pierre Bayle
When Bayle reflects on the possibility of a speculative atheism, he argues accurately about shows that atheism can make a contribution to several theoretical discussions of order, as the question of free will, providence and evil, for example. If the philosopher Carla pronounced in favor of speculative atheism, he goes further and asserts a natural morality, which, based on common principles to all men, paves solidity and give its fundamental thesis from the Pensées diverses sur la comète: the association between atheism and virtue. Thus, Bayle explains and analyzes the various arguments and points of view regarding the status of speculative philosophical atheism.Quando Bayle reflete sobre a possibilidade de um ateísmo especulativo, ele argumenta acuradamente a respeito, mostra que o ateísmo pode dar sua contribuição a diversas discussões de ordem teórica, como a questão do livre-arbítrio, da providência e do mal, por exemplo. Se o filósofo de Carla se pronuncia a favor do ateísmo especulativo, ele vai mais além e afirma uma moral natural, a qual, apoiada em princípios comuns a todos os homens, permite vislumbrar e dar solidez a sua tese fundamental desde os Pensées diverses sur la comète: a associação entre ateísmo e virtude. Dessa forma, Bayle expõe e analisa os diversos argumentos e pontos de vista a respeito do estatuto filosófico do ateísmo especulativo