Griot : Revista de Filosofia
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    Os direitos humanos e o mundo multipolar: entre o universalismo e o pluralismo

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    The aim of this article is to examine the relation between the notions of human rights and the democratic politics in the face of its philosophical foundation, in view of the notion called the New World Order. In this perspective, it presents, by the vision of the theory of radical and plural democracy postulated by Chantal Mouffe, the conditions to think about an order based on key concepts of pluralism. Therefore, it is argued the main arguments of the cosmopolitan version on the assumption of universal validity claims, notably in Jürgen Habermas’s thinking as an obstacle to legitimate human rights. This reading helps to understand the possibilities of theoretical advances provided by the multipolar project proposed by Chantal Mouffe and it identifies the main obstacles and possible ways to think a politics of human rights.O presente artigo examina a relação entre as noções de direitos humanos e a política democrática em face de sua fundamentação filosófica, tendo em vista a noção do que se convencionou chamar de Nova Ordem Mundial. Nesta perspectiva, apresenta-se, pelas lentes da teoria da Democracia radical e plural, postulada por Chantal Mouffe, as condições para se pensar uma ordem baseada na concepção chave do pluralismo. Para tanto, problematiza-se os principais argumentos da versão cosmopolita diante do pressuposto de pretensões de validade universal, marcadamente presentes no pensamento de Jürgen Habermas enquanto obstáculo a uma política legítima dos direitos humanos. Esta leitura contribui para compreender as possibilidades dos avanços teóricos proporcionados pelo projeto multipolar proposto por Chantal Mouffe e identifica os principais obstáculos e meios possíveis para pensar uma política dos direitos humanos

    Ética originária: uma reflexão para além de teoria e prática

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    This paper aims to justify that the idea of an originary ethics, as developed by Heidegger, combined with the importance that Gadamer attaches to private experience, may provide a relevant contribution to philosophical reflection on issues concearning ethics, as an attempt to overcome the traditional way of conceiving ethics as such. The way whereby metaphysical tradition has historically addressed ethics enhaces the distinction between theory and practice, and the search of principles or rules universally applicable has shown insufficient to clarify what makes moral experience possible. The generalist conceptual language, as well, has shown inappropriate to address the subject, once it tends to bring ethics close to technique related to science, ignoring the relevance that private experience may bring to ethical debate. In this perspective, originary ethics provides elements to establish a meaning for ethics able to reach the singularity of existence, overcoming the distinction between theory and pratice, and putting in evidence a prior instance, that remained concealed due the limits of metaphysics itself.O presente artigo tem como objetivo justificar que a concepção de ética originária desenvolvida por Heidegger, alinhada à importância que Gadamer atribui à experiência particular, pode trazer uma relevante contribuição para a reflexão filosófica acerca dos temas que envolvem a ética, como tentativa de superação do modo tradicional de se conceber a própria ética enquanto tal. A forma pela qual a tradição metafísica tem historicamente abordado o tema da ética reforça a distinção entre teoria e prática, e a busca de princípios ou normas universalmente aplicáveis tem se mostrado insuficiente para elucidar o que torna possível a experiência moral. A linguagem conceitual generalista, da mesma forma, tem se demonstrado inadequada para tratar do tema, visto que tende a aproximar a ética da técnica própria das ciências, ignorando a relevância que a experiência particular pode trazer para o debate ético. Nesta perspectiva, a ética originária fornece elementos para a construção de um sentido de ética que almeja alcançar a singularidade da existência, superando assim a distinção entre teoria e prática, e colocando em evidência uma instância prévia, que permaneceu oculta em razão dos limites da própria metafísica

    Etnocentrismo liberal-democrático, conhecimento e solidariedade

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     Richard Rorty proposes a conception of knowledge to abandon objectivity pretension understood as a faithful representation of the world in our mind or in language. For him, if the world does not make our true or false beliefs, but they are justified socially (and not just for me alone, but by us), the knowledge cannot be a matter of adapting to reality, but of agreement among the members of a particular community. Thus, Rorty abandons the pretense of a universal character of epistemology and proposes a conception of knowledge that can only be justified locally, opening wings that way for his ethnocentrism, as well as his defense of the idea of knowledge as solidarity and reason as conversation. This article intends point some limits of the Rorty's neopragmatic proposal.Richard Rorty propõe uma concepção de conhecimento que abandone a pretensão de objetividade entendida como uma representação fiel do mundo em nossa mente ou na linguagem. Para ele, se o mundo não torna nossas crenças verdadeiras ou falsas e sim que elas são justificadas socialmente (e não apenas por um eu solitário, mas por nós), o conhecimento não pode ser uma questão de adequação com a realidade, e sim de concordância entre os membros de determinada comunidade. Com isso, Rorty abandona a pretensão de uma epistemologia de caráter universal e propõe uma concepção de conhecimento que só pode ser justificada localmente, abrindo alas dessa forma para o seu etnocentrismo, assim como para sua defesa da ideia do conhecimento como solidariedade e da razão como conversação. Este artigo pretende apontar alguns limites da proposta neopragmática de Rort

    Problemas com o nominalismo de classe

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    In this paper, I discuss the Class Nominalism as a solution to the problem of universals. At first, I attempt a clarification of the problem of universals. Secondly, I provide the definition of Class Nominalism. Later, I discuss the theses of Lewis and Quinton and I analyze how they try to get rid of some classic critiques. I argue that they are not successful and, therefore, their theory has serious problems. Finally, I discuss two critical topics to Class Nominalism: the problem of relations and the problem of ontological economy. I think the class nominalism does not provide an adequate analysis of relations. Finally, I argue that this theory is not economic (from an ontological point of view). There are realistic and nominalists theories more economical than Class Nominalism.Neste artigo, analiso o Nominalismo de Classe como uma solução para o problema dos universais. Inicialmente, apresento a forma como entendo o problema dos universais. Em um segundo momento, caracterizo de maneira geral o Nominalismo de Classe. Neste ponto, indico as características gerais dessa posição. Posteriormente, analiso as posições de Quinton e Lewis. Além de apresentar as suas posições, mostro como eles tentam se livrar de algumas críticas clássicas. Defendo que esses autores não são bem sucedidos e que, portanto, a teoria deles apresenta sérios problemas. Por último, discuto dois tópicos críticos ao Nominalismo de Classe: o problema das relações e a questão da economia ontológica. Apresento razões para essa posição não fornecer uma análise adequada para as relações. Por fim, defendo que, apesar dessa posição ser uma teoria nominalista, ela não é tão econômica de um ponto de vista ontológico como se poderia esperar de uma forma de Nominalimo

    Kant e Heidegger: diálogo sobre a edificação do homem

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    That dialogue our goal was to offer an understanding of man by making explicit the ethical sense of edification. We present the citizenship of the world as a moral purpose man, who was present and hidden in the metaphysical foundation of humanism. Now, if the anthropological strengthens through ethical realization of the world, we argue that the duty of the best is not a moral purpose that is held in a separate infinity of human finitude. The anthropological is a citizen only if it is understood as a finitude without separate infinity, in other words, as an end in itself, as a place of arrival.Através desse diálogo tivemos o objetivo de propor uma compreensão do homem através da explicitação do sentido ético de edificação. Apresentamos a cidadania do mundo como uma finalidade moral do homem, que estava presente e oculta na fundamentação metafísica do humanismo. Agora, se o antropológico se fortalece por meio da realização ética do mundo, defendemos que o dever do melhor não é uma finalidade moral que se realiza em um infinito separado da finitude humana. O antropológico só é cidadão se ele se compreende como uma finitude sem infinito separado, ou seja, como um fim em si, como um lugar de chegada

    Entre o elogio e a suspeita: considerações sobre o iluminismo em Foucault e Kant

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    This paper aims to show the relationships between Foucault’s and Kant’s analyses on Enlightenment. Moreover, this study tries to reveal contemporary philosophy’s ambivalent relation with reason, regarded, on the one hand, responsible for practices of domination, on the other hand, as the foundation of autonomy and liberty. Considering Foucault’s claim, according to which his work should be placed in Kantian critic tradition, it intends to comprehend how both philosophers problematize men’s emergence from minority.O artigo busca evidenciar os pontos de contato entre as análises de Foucault e Kant sobre o Iluminismo. Ademais, cumpre explicitar a relação ambivalente da filosofia contemporânea com a razão esclarecida, ora considerada responsável por práticas de dominação, ora como condição de possibilidade para a autonomia e liberdade.  Partindo da declaração de Foucault sobre seu trabalho situar-se na tradição crítica kantiana, trata-se de compreender como os dois filósofos problematizaram o processo de saída do homem de sua menoridade

    Viventes, dispositivos e os processos de subjetivação segundo Agamben

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    This article discusses the philosophy of Agamben with the focus on the theme of processes of subjectification. The research seeks to answer the following question: which means these processes for Agamben? It is understood that Agamben has a different definition from that used by Foucault. Thus, exposure recovers other elements related to processes of subjectification. These elements are the apparatus and the subject. By analyzing the apparatus, it is shown that Agamben extends the concept, first developed by Foucault, inserting it into the analysis of the capitalist world atual. Through this deepening about the apparatus, we arrive at a definition of the processes of subjectification. In the second part, the results of processes of subjectification, that is, the subject captured forward their political destiny. This allows you to consolidate the explanation of processes of subjectification that has been achieved. The final result shows that the processes of subjectification should not ignored but overcome so that the subject has a life in potency.Este artigo trata sobre a filosofia de Agamben com o enfoque no tema dos processos de subjetivação. A investigação busca responder a seguinte interrogação: o que significam tais processos para Agamben? Compreende-se que Agamben possui uma definição diferente daquela usada por Focault. Assim, a exposição recupera elementos relacionados aos processos de subjetivação. Entre estes elementos estão os dispositivos e o sujeito. Através da análise dos dispositivos, mostra-se que Agamben amplia o conceito, primeiramente elaborado por Focault, inserindo-o na análise do mundo capitalista atual. Através desse aprofundamento a respeito do dispositivo, chega-se a uma definição dos processos de subjetivação. Na segunda parte, os resultados dos processos de subjetivação, isto é, o sujeito capturado frente o seu destino político. Isto permite consolidar a explicação dos processos de subjetivação que foi alcançada. O resultado final mostra que os processos de subjetivação devem ser não ignorados, mas superados para que o sujeito possua uma vida em potência

    Empirismo e observação: uma perspectiva histórica sobre a primazia da observabilidade no empirismo construtivo de Van Fraassen

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    The emphasis on the role of observation, one of the hallmarks of Empiricism, is reaffirmed by the primacy of the distinction between observable and unobservable in Bas van Fraassen’s Constructive Empiricism. In this paper it will be showed that, despite being one the main topics of discussion in contemporary philosophy of science, particularly thanks to van Fraassen, the question of observation and observability is actually so old as philosophy itself and has to do with the willingness, that defines empiricism, to keep ‘within the limits’.A ênfase no papel da observação, uma das características salientes do empirismo, está reafirmada no empirismo construtivo de Bas van Fraassen através da primazia atribuída por esse à distinção entre observável e inobservável. Neste artigo será mostrado que, apesar de sua atualidade em filosofia da ciência, particularmente graças â enfase que van Fraassen lhe atribui, a questão da observação e da observabilidade na verdade é tão antiga quanto a própria filosofia e remete ao desejo, definitório do empirismo, de manter-se ‘dentro dos limites’

    A responsabilidade ético-social do pesquisador no Brasil: impactos dos desvios éticos na condução de pesquisas financiadas com recursos públicos

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    The paper defends the thesis of the need for national normative base in Brazil about the ethical and social conduct rules to researchers. It’s necessary to regulate, prevent and punish the deviations in the implementations of academic productions and the unethical conducts of the researchers. The fundamental idea is which this normative base doesn’t remain dependent only of the Research Support Funds of the federative entities or of isolated institutions.    O artigo defende a tese da necessidade de uma base normativa nacional no Brasil acerca das normas de conduta ético-social do pesquisador objetivando regulamentar, prevenir e punir os desvios na execução de produções acadêmicas e comportamentos antiéticos de docentes e discentes. O ideal é que a base normativa não permaneça dependente dos Fundos de Amparo à Pesquisa apenas dos entes federativos ou de instituições isoladas.   &nbsp

    O conceito de “vontade” na ética de Espinosa

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    Abstract: In this article I intend to present an interpretation of the sense that Spinoza ascribes to the concept of ‘will’, showing how he moved away from the concept that the tradition had this concept, and what is the role that it plays in geometric deductions used in their statements. Finally, taking into account the first two books of his Ethics, I want to clarify to what extent the concept of ‘will’ made it possible both the demonstration of knowledge and freedom.Neste artigo pretendo apresentar uma interpretação do sentido que Espinosa atribuiu ao conceito de “vontade”. Mostrar como ele se afastou da concepção que a tradição tinha desse conceito, e qual é o papel que o mesmo desempenha nas deduções geométricas empregadas em suas demonstrações. Por fim, levando em consideração os dois primeiros livros da sua Ética, pretendo esclarecer em que medida o conceito de “vontade” tornou possível tanto a demonstração do conhecimento quanto da liberdade

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