Griot : Revista de Filosofia
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Hannah Arendt e a educação dos recém-chegados
In this paper, we will seek to reflect on how Hannah Arendt conceives a certain type of education that is both conservative and revolutionary. This will be, as well as the indication that thinking on the educational issue of children and young people is related to a general crisis in modernity, a point of tension towards the hypothesis according to which it is possible to reflect on how to insert immigrants, refugees or stateless people in a place to which they went and which is strange to them. Therefore, the guiding principle of this argument will be the concept of natality, as we consider it to be from it that Arendt evokes the radicality that all human beings are bearers of, that is, the potential to start something new. Thus, the intentions are articulated between conserving a world that precedes those who are newcomers, both children and migrants, at the same time that they add somenthing of themselves to this world for those who are yet to come.Neste artigo, buscaremos refletir sobre como Hannah Arendt concebe um certo tipo de educação ao mesmo tempo conservadora e revolucionária. Este será, assim como a indicação de que pensar sobre a questão educacional das crianças e jovens diz respeito a uma crise mais geral na modernidade, um ponto de tensionamento rumo à hipótese segundo a qual é possível refletir sobre como inserir os imigrantes, refugiados ou apátridas em um local ao qual se dirigiram e que lhes é estranho. Para tanto, o fio condutor desta argumentação será o conceito de natalidade, pois consideramos ser a partir dele que Arendt evoca a radicalidade da qual todos os seres humanos são portadores, isto é, a potencialidade de começar algo novo. Assim, articulam-se os tensionamentos entre conservar um mundo que é precedente aos que lhe são recém-chegados, tanto as crianças como os migrantes, ao mesmo tempo em que estes adicionam algo de si mesmo neste mundo para os que ainda estão por vir
O negativo do reconhecimento: do progresso ao irreconhecimento do progresso
The following text is divided in four articulated moments beyond a dialogue within the theory of social recognition. In the first moment, I pursuit a revision of Kantian political texts with the objective to re-discuss some of the beacon concepts of it will be the theory of social recognition. Concepts as Nature, unsociable sociability, the notion of freedom in Kant, will be central to rethink the cradle of recognition’s theory and its theoretical justifications that ends to tie the utopian view of perpetual peace. In the second movement, I tried to restore the critique of Frankfurt School’s first generation on German idealism, centering the analysis on Adorno and Horkheimer’s Dialectic of Enlightenment. It is crucial, the comprehension of Iluminism as a systemic totalitarism and our investigation will circle that theretic point, recovering the work and the discussion’s retrospect between critical theory and the enlightenment project. In the third moment of the text, I punctuate the main elements of Honnethian writes, more specifically his review of Hegelian writes of Jena period, demonstrating how the fight for recognition is heir of Kantian images of pure-practical reason. Finally, we elaborate an interpretation of Amy Allen’s The End of Progress, that lay down a solid critical terrain to the theory of social recognition, imagining theoretical mechanisms for the outcome of epistemic problems intertwined in this so celebrated analysis on humanities.El siguiente texto se divide en cuatro momentos articulados más allá de un diálogo dentro de la teoría del reconocimiento social. En un primer momento, persigo una revisión de los textos políticos kantianos con el objetivo de volver a discutir algunos de los conceptos sobre la que se apresenta por la teoría del reconocimiento social. Conceptos como Naturaleza, sociabilidad insociable, la noción de libertad en Kant, serán centrales para repensar la teoría cuna del reconocimiento y sus justificaciones teóricas que terminan por amarrar la visión utópica de la paz perpetua. En el segundo movimiento, traté de restaurar la crítica de la primera generación de la Escuela de Frankfurt al idealismo alemán, centrando el análisis en la Dialéctica de la Ilustración de Adorno y Horkheimer. Aquí, es crucial la comprensión del iluminismo como un totalitarismo sistémico y nuestra investigación circundará ese punto teético, recuperando el trabajo y la retrospectiva de la discusión entre la teoría crítica y el proyecto de la ilustración. En el tercer momento del texto, puntualizo los principales elementos de los escritos de Honnethian, más específicamente su revisión de los escritos hegelianos del período de Jena, demostrando cómo la lucha por el reconocimiento es heredera de las imágenes kantianas de la razón pura-práctica. Finalmente, elaboramos una interpretación de The End of Progress de Amy Allen, que sienta un sólido terreno crítico a la teoría del reconocimiento social, imaginando mecanismos teóricos para el desenlace de problemas epistémicos entrelazados en este tan célebre análisis de las humanidades.Le texte suivant est divisé en quatre moments articulés au-delà d’un dialogue au sein de la théorie de la reconnaissance sociale. Dans un premier temps, je poursuis une revue des textes politiques kantiens dans le but de rediscuter certains concepts sur ce que présente la théorie de la reconnaissance sociale. Des concepts comme la Nature, la sociabilité insociable, la notion de liberté chez Kant, seront centraux pour repenser la théorie du berceau de la reconnaissance et ses justifications théoriques qui finissent par nouer la vision utopique de la paix perpétuelle. Dans le deuxième mouvement, j'ai tenté de restituer à l'idéalisme allemand la critique de première génération de l'École de Francfort, en concentrant l'analyse sur la Dialectique des Lumières d'Adorno et Horkheimer. Ici, la compréhension des Lumières comme un totalitarisme systémique est cruciale, et notre recherche s'articulera autour de ce point théorique, récupérant le travail et la rétrospective de la discussion entre la théorie critique et le projet des Lumières. Dans le troisième moment du texte, je rappelle les principaux éléments des écrits de Honnethian, plus précisément sa révision des écrits hégéliens de la période d'Iéna, démontrant comment la lutte pour la reconnaissance est héritière des images kantiennes de la raison purement pratique. Enfin, nous élaborons une interprétation de The End of Progress d'Amy Allen, qui établit une base critique solide pour la théorie de la reconnaissance sociale, en imaginant des mécanismes théoriques pour le résultat de problèmes épistémiques entrelacés dans cette célèbre analyse des sciences humaines.O texto a seguir está dividido em quatro momentos articulados em torno de um diálogo com a teoria do reconhecimento social. No primeiro momento, procuro revisar os textos políticos de Kant com o objetivo de rediscutir alguns conceitos balizadores do que virá a ser a teoria do reconhecimento social. Conceitos como Natureza, sociabilidade insociável, a noção de liberdade em Kant, serão centrais para repensar o berço da teoria do reconhecimento e as justificações teóricas que amarram a utopia da paz perpétua. No segundo movimento, restauro a crítica da primeira geração da Escola de Frankfurt ao idealismo iluminista, centrando as análises na Dialética do Esclarecimento de Adorno e Horkheimer. É central, a compreensão do iluminismo como totalitarismo sistêmico, e, nossa investigação circulará esse ponto teórico recobrindo a obra e o retrospecto da discussão entre teoria crítica e projeto iluminista. No terceiro momento do texto, pontuo os principais elementos da escrita honnethiana, mais especificamente sua releitura dos escritos hegelianos de Jena, demonstrando como a luta por reconhecimento é herdeira das imagens kantianas da razão pura-prática. Finalmente, elaboramos uma interpretação de The End of Progress de Amy Allen, que estabelece sólido terreno crítico à teoria do reconhecimento social, imaginando mecanismos teóricos para o desenlace dos problemas contidos nessa análise já tão celebradas pelas humanidades
Freud e a ética do fragmento
The theme of the fragment and what is fragmentary runs through Freud’s work: pieces of memories, vestiges of the past, scraps of texts are some of the elements that figure in his empirical practice and in his theoretical work. Not only does the past reappear, in the present, through fragments, but also the truth or meaning (of a dream, of a symptom) can emerge, in the interpretive and therapeutic activity, in a fragmented state. In this text, we seek to understand the role of the fragment within the Freudian theory; to do so, we focused our attention on the case of the Wolfman, in which the fragments are massively present. We noted that they act in three distinct and complementary dimensions: a) in the very content of the analysed neurosis; b) in the course of the analytical treatment, or rather, in the Freudian method; c) in the writing of the clinical case, that is, in the passage of the treatment to the field of written words. Studying the relationships between these three fields, a Freudian ethics of the fragment emerges, in which we, as readers, are always involved.O tema do fragmento e do que é fragmentário perpassa a obra de Freud: pedaços de memórias, vestígios do passado, retalhos de textos são alguns dos elementos que figuram em sua prática empírica e em seu afazer teórico. Não somente o passado reaparece, no presente, por meio de fragmentos, mas também a verdade ou o significado (de um sonho, de um sintoma) pode emergir, na atividade interpretativa e terapêutica, em estado fragmentário. Neste texto, buscamos compreender o papel do fragmento dentro da teoria freudiana; para tanto, focamos nossa atenção no caso do Homem dos Lobos, no qual os fragmentos marcam presença de forma maciça. Nota-se que eles atuam em três dimensões distintas e complementares: a) no próprio conteúdo da neurose analisada; b) no decorrer do tratamento analítico, ou melhor, no método freudiano; c) na redação do caso clínico, isto é, na passagem do tratamento para o campo das palavras escritas. Estudando as relações entre esses três campos, vê-se emergir uma ética do fragmento freudiana, na qual nós, enquanto leitores, estamos sempre implicados
Contribuições de Cioran ao pensamento antidogmático
The work of Romanian philosopher Emil Cioran presents significant challenges to researchers, due to his non-systematic model of expression and refusal to define clear theoretical horizons. This fact contributes to the difficulty of securely associating him with a specific tradition of thought. This article aims to foster discussion on how, despite significant limitations, Cioran contributed to antidogmatic thinking. To achieve this introductory objective, the study proposes to (a) investigate the changes undergone by the philosopher between his early and mature works; (b) gradually present the antidogmatic characteristics of Cioran's thinking; and (c) identify the idiosyncrasies of this supposed antidogmatism. The underlying hypothesis of this inquiry is that Cioran, through his peculiar antidogmatism, perfected a "method" that allowed him to engage in philosophical discussions while persisting in the self-imposed "task" of proposing nothing. Within this scope, it is considered possible to sufficiently clarify obscure or previously unacknowledged aspects of his work.A obra do filósofo romeno Emil Cioran oferece importantes desafios aos seus investigadores, graças, entre outras coisas, ao seu modelo assistemático de expressão e sua recusa em definir horizontes teóricos claros. Este fato contribui para a dificuldade de associá-lo seguramente a uma tradição de pensamento. O presente artigo pretende fomentar a discussão de como, mesmo com significativas interdições, Cioran contribuiu para o pensamento antidogmático. Para alcançar esse objetivo exordial, o trabalho propõe-se a (a) investigar as mudanças sofridas pelo filósofo entre as obras de juventude e maturidade; (b) apresentar paulatinamente as características antidogmáticas do pensamento cioraniano; além de (c) identificar as idiossincrasias deste suposto antidogmatismo. A hipótese que subjaz à perscrutação é a de que Cioran teria, através de seu peculiar antidogmatismo, aperfeiçoado um “método” que lhe permitia discutir filosoficamente, ainda que persistindo na “tarefa” assumida de nada propor. A partir deste escopo, considera-se possível esclarecer suficientemente pontos obscuros ou ainda não recepcionados daquela obra
Qual regime socioeconômico é mais adequado à realização da justiça como equidade?
This paper aims to discuss the socio-economic regimes that allow the realization of justice as fairness, focusing in particular on the two regimes pointed out by Rawls as capable of constituting a well-ordered society, the property-owning democracy (POD) on the one hand and liberal socialism on the other. To this end, we will first consider Rawls' arguments regarding socio-economic regimes within A theory of justice. Then, based on Justice as fairness: a restatement, the arguments in favor of POD and liberal socialism and against the other three options: laissez-faire capitalism, one-party state socialism, and the welfare state will be discussed. Next, the arguments in favor of either POD or liberal socialism will be considered, largely seeking to draw what the distinctions between the two regimes are, from those authors who seek to go beyond Rawls. At the end, it is concluded that within the limits of a theory of justice Rawls is correct in not defining who is the winning regime, the POD or liberal socialism, but in the current advance of liberal capitalism and its movement away from liberal democracies it shows necessary to discuss which is the most adequate regime from the bases provided by justice as fairness.O presente artigo tem o objetivo de discutir os regimes socioeconômicos que permitem a realização da justiça como equidade, focando em especial nos dois regimes apontados por Rawls como capazes de constituir uma sociedade bem ordenada, a democracia de cidadãos proprietários (property-owning democracy ou POD) de um lado e o socialismo liberal do outro. Para tanto, em um primeiro momento serão considerados os argumentos de Rawls a respeito dos regimes socioeconômicos dentro da Uma teoria da justiça. Em seguida, com base em Justiça como equidade: uma reafirmação, serão discutidos os argumentos em favor da POD e do socialismo liberal e contra as outras três opções: capitalismo de laissez-faire, socialismo de Estado dirigido por um partido único e o Estado de bem-estar social. Em seguida, serão considerados os argumentos a favor da POD ou do socialismo liberal, procurando em grande medida traçar quais são as distinções entre ambos os regimes, a partir dos autores que buscam ir além de Rawls. Ao final, conclui-se que nos limites de uma teoria da justiça Rawls está correto ao não definir quem é o regime vencedor, a POD ou o socialismo liberal, mas no avanço atual do capitalismo liberal e no seu movimento de distanciamento das democracias liberais mostra-se necessário discutir qual é o regime mais adequado a partir das bases fornecidas pela justiça como equidade
A efemeridade dos entes e a eternidade de Deus na terceira via tomásica
The fugacity is characteristic of every being, because it receives or being and has no case for its existence. Eternity is the unique attribute of Being, of God, which is necessary in itself. In this sense, this article aims to reflect on the ephemerality of corruptible and incorruptible beings, as well as on the eternity of God in the third way of Thomas. In this way, in the first place, the aforementioned proof of the existence of God will be presented. In a second moment, a note will be made about the ephemerality of corruptible entities, which suffer the effects of the dynamics of generation and corruption. Afterwards, it will be seen that incorruptible beings also have an ephemeral existence, as they can be annihilated by God. Finally, it will be elucidated that God is the Being necessary in itself and therefore eternal. In view of the fact that God grants and maintains the existence of all beings.La fugacidad es característica de todo ser, porque recibe o es y no tiene caso para su existencia. La eternidad es el único atributo del Ser, de Dios, que es necesario en sí mismo. En ese sentido, este artículo pretende reflexionar sobre la efímera de los seres corruptibles e incorruptibles, así como sobre la eternidad de Dios en el tercer camino de Tomás. De esta forma, en primer lugar, se presentará la mencionada prueba de la existencia de Dios. En un segundo momento, se hará un apunte sobre la efímera de las entidades corruptibles, que sufren los efectos de las dinámicas de generación y corrupción. Después se verá que los seres incorruptibles también tienen una existencia efímera, ya que pueden ser aniquilados por Dios. Finalmente, se dilucidará que Dios es el Ser necesario en sí mismo y por tanto eterno. En vista de que Dios concede y mantiene la existencia de todos los seres.L'éphémère est le propre de tout être, puisqu'il reçoit l'être et n'a pas son existence pour soi. L'éternité, au contraire, est l'unique attribut de l'Etre, de Dieu, parce qu'elle est nécessaire en soi. En ce sens, cet article vise à réfléchir sur l'éphémère des êtres corruptibles et incorruptibles, ainsi que sur l'éternité de Dieu dans la troisième voie de Thomas. De cette manière, en premier lieu, la preuve susmentionnée de l'existence de Dieu sera présentée. Dans un second temps, un constat sera fait sur l'éphémérité des entités corruptibles, qui subissent les effets de la dynamique de génération et de corruption. Ensuite, on verra que les êtres incorruptibles ont aussi une existence éphémère, car ils peuvent être anéantis par Dieu. Enfin, il sera élucidé que Dieu est l'Être nécessaire en soi et donc éternel. Compte tenu du fait que Dieu accorde et maintient l'existence de tous les êtres.A fugacidade é própria de todo o ente, pois esse recebe o ser e não tem por si a sua existência. Já a eternidade é atributo único do Ser, de Deus, pois é o necessário por si. Nesse sentido, o presente artigo visa refletir sobre a efemeridade dos entes corruptíveis e dos entes incorruptíveis, bem como acerca da eternidade de Deus na terceira via tomásica. Deste modo, em primeiro lugar, apresentar-se-á a referida prova acerca da existência de Deus. Num segundo momento, será tecido um apontamento acerca da efemeridade dos entes corruptíveis, os quais sofrem os efeitos da dinâmica da geração e corrupção. Depois, verificar-se-á que os entes incorruptíveis também possuem uma existência efêmera, pois podem ser aniquilados por Deus. Por fim, será elucidado que Deus é o Ser necessário por si e por isso é eterno. Haja vista que Deus concede e mantém a existência de todo o ente
Sartre leitor de Hegel: avaliação da história nos Cadernos para uma moral
Sartre, in the work Notebooks for an Ethics (1947-1948), presents notes on the dimension of history that begins to develop initially within his moral reflection. Sartre, however, does not have a finalized version of his theory of history, linking his reflection to a comparison and critique of Hegel's philosophy of history and Marxian historical materialism. The aim of this article is to analyze Sartre's critique of Hegel in the Notebooks for an Ethics about history, showing an outline of Sartre's initial views on history. Sartre makes extensive use of a critique of the possibility of Hegelian dialectics, questioning the dimension of this movement of the real as true. It analyzes the idealization of this movement in the dialectic of the master and the slave in works such as Phenomenology of the Spirit (1807) and discusses the notion of the totality of history. Sartre suggests, based on this critique, his own notion of history linked to a de-totalized totality and a historical becoming centered on freedom.
Sartre, na obra os Cadernos para uma moral (1947-1948), apresenta apontamentos sobre a dimensão da história que começa a se desenvolver inicialmente no interior de sua reflexão moral. Sartre, entretanto, não tem uma versão finalizada de sua teoria da história, vinculando sua reflexão a uma comparação e crítica da filosofia da história hegeliana e do materialismo histórico marxiano. Objetivamos neste artigo analisar a crítica sartriana à Hegel nos Cadernos para uma moral sobre a história, mostrando um esboço das noções iniciais de Sartre sobre a história. Sartre se utiliza amplamente de uma crítica à possibilidade de dialética hegeliana, questionando a dimensão desse movimento do real como verdadeiro. É analisada a idealização desse movimento na dialética do senhor e do escravo em obras como Fenomenologia do Espírito (1807) e se tematiza sobre a noção de totalidade da história. Sartre indicia a partir dessa crítica uma noção própria de história vinculada a uma totalidade destotalizada e um devir histórica centralizado na liberdade.
Cidade e modernidade em Benjamin e Virilio
The present essay looks at the complex modern web that makes up the city and how it impacts daily life, using the works of Walter Benjamin (1892-1840) and Paul Virilio (1932-2018). The city is the center of gravity in the reflections of both authors, who examine the consequences of rapid industrialization and urbanization, the development of new technologies and the emergence of mass culture. The first part examines, through Benjamin, the transformation of the modern city into a commodity that hides its capitalist backstory. The second part presents Viriolio’s provocative thesis of how the increasing acceleration and expansion of communication and information technologies have transformed the experience of daily life, which leads to the disappearance of the classical idea of the city.Este ensaio aborda, a partir das obras de Walter Benjamin (1892-1840) e Paul Virilio (1932-2018), o sistema complexo que configura a cidade e como este molda a vida cotidiana. A cidade é o centro de gravidade na reflexão de ambos os autores, que examinam as consequências da rápida industrialização e urbanização, do desenvolvimento de novas tecnologias e da emergência de uma cultura de massas. A primeira parte examina, a partir de Benjamin, a transformação da cidade moderna em uma mercadoria que esconde sua trama capitalista. A segunda parte apresenta a tese provocativa de Virilio sobre como a crescente aceleração e expansão dos meios tecnológicos de comunicação e informação transformou a experiência da vida cotidiana, que leva ao desaparecimento da ideia clássica da cidade
O drama da existência: a ontologia de Sartre
This article aims to analyze the principles of Sartre's ontology. Starting from the discussion about the foundation and the separation between being and nothingness, and being and phenomenon, we try to emphasize the synthetic unity of such principles from the finitude and the individual. This movement allows us to understand the practical character of this philosophy and the proper form of Sartre's ontology, namely as an existential anthropology.Este artigo tem por objetivo analisar os princípios da ontologia de Sartre. Partindo da discussão acerca do fundamento e da separação entre ser e nada, e ser e fenômeno, procuramos ressaltar a unidade sintética de tais princípios a partir da finitude e do indivíduo. Este movimento permite compreender o caráter prático desta filosofia e a forma própria da ontologia de Sartre, a saber, como uma antropologia existencial
Intencionalidade coletiva: a linhagem interacionista
In this paper, I intend to present an introduction to the research field of Collective Intentionality. However, I will concentrate the exposition on one particular branch of explanation of this phenomenon. In the first section, I present the problems that prompt the development of Collective Intentionality theories for the Philosophy of Action. In the second section, I determine the origin of the theoretical lineage discussed with the explanation of shared intentions, the reflexive linkage of mental states maintained by the individuals engaged in collective action, developed by Michael Bratman. In the third section, I present Deborah Tollefsen’s adjustments to Bratman’s proposal in order to reduce its cognitive demands and make it possible for small children to satisfy them. Finally, in the fourth section, I discuss Olle Blomberg’s proposal of a socially extended intention-in-action that aims at explaining how it would be possible to embed results of other individuals’ actions in the content of an individual’s intention-in-action.Neste artigo pretendo apresentar de forma introdutória o campo de investigação da Intencionalidade Coletiva. Entretanto, optei por concentrar a exposição em um tipo particular de explicação do fenômeno. Na primeira seção, apresento as dificuldades que motivam o desenvolvimento de teorias no campo da Intencionalidade Coletiva dentro da Filosofia da Ação. Na segunda seção, identifico a origem da linhagem teórica tratada com a explicação da noção de intenção compartilhada, uma interligação reflexiva dos estados mentais dos indivíduos envolvidos em uma ação coletiva, desenvolvida por Michael Bratman. Na terceira seção, apresento a reforma proposta por Deborah Tollefsen para diminuir as demandas cognitivas exigidas pela proposta Bratman, tornando possível que crianças pequenas possam satisfazer as condições da teoria. Por fim, na quarta seção discuto a proposta de Olle Blomberg de uma intenção em ação socialmente estendida que objetiva explicar como seria possível incluir resultados das ações de outros indivíduos no conteúdo de uma intenção em ação individual.