Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública
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Perfil epidemiológico da mortalidade por queda em idosos no estado da Bahia
SalvadorIntrodução: o envelhecimento populacional é um evento observado em todo o mundo. Nos idosos, as alterações biológicas que surgem gradualmente, como redução da força muscular e da densidade óssea podem favorecer a ocorrência de quedas. Nesse sentido, torna-se fundamental conhecer o perfil epidemiológico dos óbitos por queda em idosos, na tentativa de identificar fatores que influenciem o episódio de queda além de contribuir para políticas de prevenção e redução desse evento. Objetivos: Analisar o perfil epidemiológico da mortalidade por queda em idosos no estado da Bahia, durante os anos 2010 e 2020. Métodos: Trata-se de um estudo descritivo, observacional, com dados secundários do Sistema de Informação
de Mortalidade – SIM, através do Departamento de Informática do SUS (DATASUS). Analisou-se os dados no período de 2010 a 2020, no estado da Bahia. Nesse estudo, foram utilizadas as variáveis: ano do óbito, sexo, faixa etária, escolaridade, estado civil, cor/raça, local de registro e categoria do CID-10. Os dados foram analisados em números absolutos e percentual. Resultados: Foi identificado o universo de 4954 registros de óbitos, sendo que a maior preponderância ocorreu no ano de 2020, com 594 (12%). As maiores prevalências foram de 51% (n=2527) idosos do sexo feminino e na faixa etária de 80 anos ou mais (58%; n=2875). A raça/cor de pele parda foi mais frequente (56,5%; n=2800). Além disso, houve a predominância de indivíduos sem escolarização (29,2%; n=1448) e viúvos (29,9%; n=1479). Quanto ao local do óbito, o ambiente hospitalar foi o mais frequente, representando 76,54% (n=3337) dos óbitos. Ademais, outras quedas de mesmo nível representaram o maior registro, com 53,25% (n=2638) óbitos. Conclusões: o estudo demonstrou o grande acontecimento de óbitos por queda em idosos no estado da Bahia, associando-se a sexo, faixa etária, raça/cor, estado civil, escolaridade, local de óbito e tipo de queda. Assim, mostra-se necessário que sejam fortalecidas medidas de prevenção, identificação e intervenção para evitar a ocorrência de quedas em idosos
Avaliação da associação entre a cobertura vacinal contra covid-19 e as taxas de internações por síndrome respiratória aguda grave pela doença em maiores de 60 anos. Salvador-Bahia. 2021.
SalvadorIntrodução: Em 2019, um novo coronavírus foi identificado e originou a pandemia da Covid-19. Desde então, iniciaram-se pesquisas e análises estatísticas para conhecimento do processo clínico-epidemiológico da doença, para auxílio no monitoramento da sua evolução e planejamento de medidas de controle. Apesar de não existir agente antiviral específico para esse patógeno, o desenvolvimento de imunizantes se configurou como promissor no combate à pandemia e às manifestações graves da doença. Objetivo: Avaliar a associação entre cobertura vacinal contra Covid-19 e taxa de internação por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) pela doença em maiores de 60 anos. Salvador-Bahia. 2021. Metodologia: Trata-se de um estudo descritivo realizado com indivíduos hospitalizados com SRAG com diagnóstico confirmado de Covid-19 e aqueles vacinados contra a doença, com idade igual ou maior do que 60 anos residentes em Salvador. Os dados contidos neste estudo foram secundários do Sistema de Vigilância Epidemiológica da Gripe (SIVEPGripe), Sistema de Vigilância das Síndromes Respiratórias Agudas Graves. Foram analisadas variáveis como: primeiros sintomas, sexo, faixa etária, sinais e sintomas, comorbidades, internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), suporte ventilatório, critério diagnóstico, evolução, cobertura vacinal contra Covid-19 e taxa de internação com SRAG por Covid-19. Os dados foram analisados segundo a sua distribuição absoluta e percentual e as diferenças pelo teste qui quadrado de Pearson e Mann Whitney. A tendência temporal da vacinação e da proporção de internação foi verificada pelo Regressão Linear Simples. A significância estatística foi considerada como p<0,05. O armazenamento e a análise estatística dos dados coletados foram realizados por meio do software Statistical Package for Social Sciences, versão 22.0 para Windows. Resultados: Em 2021, de 6.459 casos notificados de SRAG por Covid-19 na população do estudo, 6.290 foram confirmados. O sexo masculino foi o mais frequente (50,5%), assim como a faixa etária de 60 – 69 anos (43,9%). A sintomatologia mais frequente foi saturação de oxigênio <95% (74,3%), tosse (72,1%), dispneia (68,7%), febre (62,1%) e desconforto respiratório (56,8%). Dos pacientes hospitalizados, 61,1% foram internados na UTI e a maior parte (50,2%) utilizou suporte ventilatório não invasivo. A doença cardiovascular crônica foi a mais frequente (59,8%), seguida de diabetes mellitus (49,8%) e obesidade (15,9%). Quanto ao diagnóstico, 91,5% foi pelo critério laboratorial, onde o exame Reverse Transcription Polymerase Chain Reaction (RT-PCR) foi o mais utilizado (89,4%). Na evolução dos pacientes, 48,3% evoluíram para cura e 40,5% para óbito por Covid-19. A cobertura vacinal apresentou crescimento exponencial com aumento de 3.819,5% da semana epidemiológica 9 até a 29, totalizando 100,6% na semana 52. Na semana 8 atingiuse o maior percentual de taxa de internação (91,1%) e o menor na semana 44 (8,3%). Conclusão: A Covid-19 apresentou grande impacto na saúde pública global e a imunização contra o coronavírus apresentou como estratégia associada a diminuição das taxas de internação e formas graves pela doença. Portanto, o incentivo à vacinação da população e acesso aos serviços de saúde se configuram como medidas importantes no combate à pandemia
O que sabemos sobre a relação entre a infecção pelo htlv1 e as principais doenças reumáticas: uma revisão de escopo
INTRODUÇÃO: Diante do impacto sistêmico causado pela infecção do HTLV-1, e com o desencadeamento de doenças autoimunes nos pacientes, surgiram hipóteses de que o retrovírus em questão estaria associado ao desenvolvimento de doenças reumáticas. Com comprovações de que o HTLV-1 expressa um tropismo
pelos tecidos sinoviais, muitos estudos, nos últimos 30 anos, se propuseram a estudar melhor a relação entre a infecção viral e queixas reumáticas nestes indivíduos. Mesmo que ainda existam lacunas, a atual bibliografia referente à essa associação é ampla, e consegue sugerir e/ou confirmar muitos pontos importantes da repercussão do vírus no curso de doenças reumáticas. OBJETIVO: Entender o estado atual do conhecimento sobre a associação entre a infecção pelo retrovírus HTLV-1 e as principais doenças reumáticas. METODOLOGIA: Revisão sistemática de escopo baseada na referência das diretrizes do PRISMA-ScR (Preferred Report Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses extension for Scoping Reviews), cuja estratégia de busca foi aplicada nas plataformas MEDLINE/Pubmed, EMBASE® e BVS (biblioteca virtual em saúde). Foram incluídos estudos que avaliaram indivíduos infectados com o HTLV-1, abordando a relação da infecção com queixas e/ou doenças reumatológicas em seres humanos, publicados entre os anos 1989 e 2021. Não houve restrições de idioma ou desenho de estudo, inclusive relatos e série de casos. RESULTADOS: Foram analisados 73 trabalhos, dentre os quais 26% associaram o HTLV-1 com a Artrite Reumatoide, 38% discutiram sobre o retrovírus e a Síndrome de Sjogren, e 35% relacionaram a infecção com outras doenças reumáticas. Houve uma prevalência de estudos desenvolvidos no Japão
(59%), e uma maior quantidade de publicações entre os anos 1989 e 1999 (48%). Cerca de 57% dos trabalhos discutiram relação de causalidade entre o retrovírus e as doenças reumáticas, 28% abordaram dados de prevalência e 13% relataram interferências virais no manejo terapêutico reumático dos pacientes soropositivos. Em relação a indicação de associação entre a infecção e a doença reumática, 63 estudos (86,3%) foram classificados como positivos e 10 estudos (13,7%) foram identificados como negativos. CONCLUSÃO: Embora a maioria dos estudos indiquem uma associação entre a infeção pelo HTLV-1 e alterações reumáticas, este trabalho sugere lacunas a serem preenchidas por novos estudos, principalmente no que tange desenhos de maior seguimento temporal, com um número significativo de pacientes, a fim de se entender os possíveis mecanismos fisiopatológicos envolvidos na relação em questão que sustentariam as hipóteses geradas pelos artigos analisados
Ansiedade e depressão em pacientes pós-covid-19 acompanhados em um hospital em Salvador
SalvadorO SARS-CoV-2, agente etiológico da COVID-19 faz parte da mesma família do SARS-CoV e o MERS-CoV. Diversas pesquisas sugerem que pacientes que foram infectados por esses dois vírus, no passado, apresentaram grande número de relatos de sintomas de ansiedade e depressão. Portanto, algumas pesquisas se dedicaram a analisar se o mesmo fenômeno ocorre com pacientes que sobreviveram à infecção pelo vírus causador da atual pandemia. Porém, materiais em relação a esse tema ainda são escassos, ainda mais se considerados os trabalhos realizados com pacientes brasileiros. Dessa forma, objetiva-se avaliar, de forma local, a prevalência de sintomas de depressão e ansiedade em pacientes após terem a COVID-19. Tratase de um estudo transversal que contou com a participação de pacientes de primeira consulta, atendidos no Centro Pós-COVID (CPC) do Hospital Especializado Octávio Mangabeira, em Salvador – BA, e que possuem histórico de hospitalização devido à COVID-19. Com esses pacientes, foi avaliada a prevalência de sintomas de depressão e ansiedade através da Escala Hospitalar de Ansiedade e Depressão (HADS). Testes estatísticos foram utilizados para averiguar a associação entre os sintomas psiquiátricos e as características dos pacientes e de seus quadros clínicos. Dentre os pacientes que tiveram COVID-19, 16,3% foram considerados como tendo diagnóstico possível de depressão, enquanto 9,3% foram classificados como diagnóstico provável. Além disso, a presença de diagnósticos prováveis e possíveis de ansiedade foi encontrada em 14% e 23,3% dos pacientes, respectivamente. Dentre os 43 pacientes incluídos na pesquisa, 48,8% são do sexo feminino e 51,2% do sexo masculino. Em relação à cor/etnia, 74,4% se declararam não-caucasianos. A grande maioria desses pacientes, 55,8%, tinham de 40 a 59 anos. Quando questionados sobre o tempo durante o qual frequentaram a escola, 32,5% relataram ter frequentado por mais de 11 anos. O tempo médio de internação da amostra estudada foi de 20,4 dias. Dentre esses pacientes, 55,8% foram internados em UTI com tempo médio de 8,8 dias. Em relação ao uso de ventilação mecânica 27,9 % dos participantes da pesquisa necessitaram ser intubados. As variáveis cor/etnia e tempo de internação demonstraram associação estatisticamente significativa com os sintomas de depressão, com valores de p=0,01 e p=0,02, respectivamente. A prevalência de diagnósticos prováveis e possíveis de depressão e ansiedade foram maiores nos pacientes pós-COVID-19 do que a prevalência de casos confirmados na população brasileira. Além disso, cor/etnia e tempo de internação podem modificar a probabilidade de sintomas depressivos. Contudo, fazem-se necessárias pesquisas com amostras populacionais mais robustas e variadas a fim de realizar uma avaliação mais acurada e, consequentemente, um planejamento de ações mais eficazes
Guia de bolso automático (gba): teste de usabilidade de um recurso e-learning para revisão de anatomia descritiva
SalvadorIntrodução: A educação médica, modernizada pela inserção da tecnologia na metodologia de ensino, permite a centralização do aluno no aprendizado através de um modelo ativo. Nesse contexto, o método e-learning promove um ensino interativo, através de recursos online, amplamente aceito, principalmente se utilizado de forma complementar com aplicativos de boa usabilidade. Assim, o Guia de Bolso Automático (GBA) surge como uma ferramenta digital interativa para auxiliar no ensino da anatomia. Objetivo: Verificar a usabilidade do Guia de Bolso Automático (GBA) como método de revisão anatômica para alunos do 1º e 2º ano do curso de medicina. Metodologia: O estudo foi realizado com discentes do 1º ao 4º semestre do curso de medicina da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, que utilizaram o GBA como método de revisão de anatomia durante o ano de 2020 e 2021. Para a coleta de dados da pesquisa foram utilizados dois instrumentos no formulário virtual. A System Usability Scale (SUS) foi utilizada para quantificar a percepção do usuário sobre a
usabilidade do GBA. Já a Self-Directed Learning Readiness Scale (SDLRS), consiste em uma escala que objetiva medir a aprendizagem autodirigida do aluno e foi utilizada de forma adaptada. Este trabalho seguiu as premissas éticas da resolução 466/12 do CNS e do ofício circular nº 2/2021/CONEP/SECNS/MS. A pesquisa foi submetida e aprovada pelo Comitê de Ética e Pesquisa (CEP) da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, Salvador- BA (CAAE: 47481621.2.0000.5544). Resultados: O questionário foi respondido por 103 alunos, sendo a maioria dos participantes do sexo feminino (68,9%), com idade entre 18 e 20 anos
(72,9%) distribuídos entre 1º ao 4º semestre, de forma que 67% dos participantes foram do 1º semestre. O resultado do Score SUS evidencia que o GBA é considerado um aplicativo OK - Score SUS 68,4. Ao analisar os resultados da SDLRS, percebe-se que a maioria dos participantes responde com um tipo de perfil de estudante mais ativo, que sabe estudar bem por conta própria (73,8%) e sabe localizar as informações que busca (16,5%). Além disso, apresentam boa familiaridade com recursos digitais (80,5%), porém menos da metade tem preferência por essa modalidade. Conclusão: O GBA apresentou uma boa usabilidade geral
quando avaliado através do Score SUS, com uma pontuação de 68,3. Confirmando ser uma boa ferramenta para revisão do conteúdo de anatomia
EDUCAÇÃO FÍSICA SAÚDE COLETIVA II Plano de Ensino 2022.1
Estudo do campo da Saúde Coletiva, com ênfase na conjuntura política social do país e nas bases legais do SUS. Análise dos modelos de atenção vigentes e das propostas de reorganização da assistência à saúde no âmbito do SUS, com destaque para o modelo de Vigilância à Saúde. Estudo do perfil atual da população brasileira e de políticas norteadoras voltadas ao reconhecimento das necessidades de saúde de populações vulneráveis, considerando os contextos locais. Conhecimento dos principais indicadores e medidas de saúde, fontes de informação e suas aplicações
Evidências científicas e aplicações clínicas dos sistemas adesivos universais: revisão de literatura
SalvadorAs restaurações adesivas aderem à estrutura dentária por meio de sistemas adesivos que são soluções de monômeros de resina em um solvente orgânico com iniciadores de polimerização, o sucesso das restaurações adesivas depende, portanto, da obtenção de uma ligação forte e estável. Os sistemas adesivos convencionais são tradicionalmente os materiais com maior tempo de uso clínico, porém apresentam etapas críticas que podem comprometer a longevidade da restauração. A crescente busca por simplificação do protocolo adesivo, versatilidade de uso e técnica menos sensível, impulsionaram o
surgimento dos adesivos universais. São adesivos de frasco único composto por monômeros de carboxilato e/ou fosfato que produzem ligação química e micromecânica aos substratos dentais. A adesão em esmalte é ineficaz, dessa forma, é necessário realizar o condicionamento seletivo, entretanto, a ligação em dentina é eficaz e durável. O objetivo dessa presente revisão é analisar e relatar a diversidade em aplicações clínicas juntamente com as evidências científicas desse novo sistema de adesão. Artigos em inglês com texto completo foram identificados utilizando as palavras-chaves para realização da busca nas plataformas Scielo, MEDLINE e Pubmed. Dessa forma, concluímos que, a maior vantagem dos adesivos universais é a variedade de indicações para procedimentos restauradores e estratégias de adesão
Percepções dos hematologistas brasileiros sobre o manejo dos pacientes de mieloma múltiplo no SUS
Introdução: Estudos apontam o câncer sanguíneo, mieloma múltiplo, como exemplo emblemático das discrepâncias de acesso ao tratamento farmacológico, quando consideramos as realidades dos setores de saúde público e privado no Brasil. Esses contrastes trazem impacto na qualidade e sobrevida destes pacientes. Entretanto não há estudos de abrangência nacional que abordem essa realidade, nem que caracterizem os profissionais dedicados ao trato destes pacientes. Objetivo: Explorar as percepções de médicos hematologistas sobre sua prática assistencial aos pacientes portadores de mieloma múltiplo no setor público de saúde. Metodologia: Estudo exploratório baseado em narrativas de natureza qualitativa. Dados coletados entre novembro de 2018 e maio de 2019. A população alvo constitui-se de médicos com título de especialista em hematologia que trabalhassem no setor público de saúde atendendo pacientes portadores de mieloma múltiplo. O número de participantes foi determinado a posteriori a partir da saturação das respostas, o recrutamento foi realizado pela técnica não probabilística Snowball, a análise de conteúdo foi baseada na leitura e releitura das entrevistas semiestruturadas, realizadas pelo pesquisador. Resultados: Total de 15 entrevistados, idade média de 46,8 anos, sendo 8 mulheres, com representatividade em todas as regiões geográficas brasileiras, vínculo de trabalho como médico ou professor e a maioria em hospitais públicos federais. Identificadas duas categorias temáticas: 1. Atendimento ao paciente com mieloma múltiplo: Brasil de contrastes; 2. O médico hematologista brasileiro suas escolhas, trajetória e experiência. Conclusão: O estudo confirma a heterogeneidade das realidades assistenciais aos pacientes portadores de mieloma múltiplo no Brasil, que se organiza em um campo de prática a partir de contradições. O Sistema Único de Saúde (SUS) teórico diverge do SUS real e os aspectos negativos e positivos dos setores público e privado são opostos e complementares. O perfil do médico hematologista é de um profissional curioso, estudioso e persistente. Satisfeito com a escolha da carreira, mas crítico as condições de trabalho. A escolha pelo serviço público deu-se por várias justificativas, mas a vida acadêmica foi a justificativa mais comum
Perfil epidemiológico da leptospirose na Bahia, entre 2010 e 2019
SalvadorIntrodução: A leptospirose é uma doença presente em todo território nacional que possui caráter sazonal e endêmico. Ela é transmitida por bactérias do gênero Leptospira, as quais se disseminam através da urina dos animais infectados. Seu principal vetor urbano são os ratos R. norvegicus e R. ratus, enquanto que no meio rural os vetores geralmente são cães e gado. O quadro da infecção humana cursa, geralmente, de maneira assintomática, ou com febre autolimitada associada a sintomas leves. Já o quadro grave, estimado em 10 a 15% das infecções, cursa com envolvimento pulmonar grave, conhecida como Síndrome de Hemorragia
Pulmonar Grave (SHPS), a qual possui uma letalidade muito mais alta. Na Bahia, há 9 macrorregiões onde a Leptospirose se mostra presente em diferentes proporções. No Brasil, do total de notificações da doença durante o período de 2001 a 2009, 19,6% dos casos são originados do Nordeste, sendo portanto, uma região onde a Leptospirose possui forte contaminação. Objetivo: Analisar o perfil epidemiológico da Lpetospirose na Bahia, durante o período de 2010 a 2019. Metodologia: trata-se de um estudo descritivo, de abordagem
quantitativa com dados secundários coletados pelo Sistema de Informação de Agravo de Notificação (SINAN). Foram analisadas as seguintes variáveis: ano, mês de notificação, sexo, faixa etária e macrorregião de residência, analisadas com distribuição percentual. Calculou-se o coeficiente de incidência por ano de notificação, sexo e faixa etária. Resultados: Entre os anos de 2010 e 2019, foram notificados 3219 casos de Leptospirose no estado da Bahia. O número de notificações por macrorregião foi 3186, sendo a região Leste a responsável pela maior quantidade de notificações, com 1857 (55,55%), seguida da região Sul, com 528
(16,57%) e da Centro-Leste, com 275 (14,55%). Em relação à sazonalidade, houve grande concentração de casos nos períodos chuvosos da Bahia, com seu ápice em abril, com 388 notificações (12,05%) e com seu menor número em fevereiro, com 184 notificações (5,71%). O total de casos da Leptospirose demonstrou predominância em homens (72,79%), na faixa etária dos 20 a 49 anos (53,26%), com nível escolar até a 8ª série (26,39%) e negros (67,27%). O critério diagnóstico mais utilizado durante o período foi o clínico-laboratorial feito em 2159 casos (67,07%). Conclusão: Mesmo com um perfil epidemiológico característico, a
suscetibilidade para a contaminação da Leptospirose sempre vai existir enquanto não houver uma infraestrutura urbana que previna a disseminação da doença. É necessário, portanto, que mais estudos sejam feitos para que as políticas públicas possam ter mais eficácia em suas estratégias de combate a essa endemia
ODONTOLOGIA SAÚDE COLETIVA I Plano de Ensino 2022.2
Estudo dos conceitos e da evolução histórica do processo saúde, doença, cuidado, enfatizando seus modelos explicativos e determinantes sociais. Discussão sobre o movimento da Reforma Sanitária, constituição do SUS e redes de atenção à saúde, com ênfase na atenção primária à saúde