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Uma sondagem do imaginário nas imagens de Cecília Meireles e das mitologias aro-brasileiras
Esta pesquisa é dedicada ao imaginário simbólico, voltado para a contemplação das
figurações da vida e seus ciclos, do tempo e da morte, na poesia de Cecília Meireles em
Morena Pena de Amor (2017) e Vaga música (2017) e suas semelhanças com a cosmovisão da
cultura afro-brasileira. Para tanto, analisa-se o simbolismo das águas – como fonte primária,
elemento desagregador e sanador, também como leito de morte – representadas nas músicas
populares brasileiras de influxos afros, buscando imagens similares e simbólicas, dado a
recorrência desse elemento e desses simbolismos na poética de Cecília Meireles e nessas
tradições. Objetiva-se identificar se, conforme apresentado em Batuque, samba e macumba
(2019) e Olhinhos de Gato (1983), a pesquisa e a afetividade da poeta pelos (as) africanos (as)
e afro descentes, sobretudo, Pedrina, ama da escritora, bem como pelo batuque, pelo samba e
pelo carnaval, possam ter influenciado em como a autora percebe o mundo e a existência e,
portanto, o modo como simboliza esses temas nas obras mencionadas. Tem-se como
principais contributos teóricos as reflexões de Gastón Bachelard sobre o elemento como fonte
de vida e pátria da morte em A água e os sonhos: ensaios sobre a imaginação da matéria
(2018); os estudos das águas como representação do sagrado, realizado por Mircea Eliade em
Tratado de las religiones – Vol II (1974); e as teses sobre o Regime Noturno das imagens, de
Gilbert Durand, a respeito da importância, organização e relações de símbolos, arquétipos e
mitos no imaginário e inconsciente da psique humana, organizadas em regimes de imagens e
publicadas na obra Estruturas antropológicas do imaginário (2012). Essas contribuições
auxiliam enquanto, tanto nos poemas quanto nas canções, as águas são valorizadas pelos
instintos primordiais da humanidade, como a busca pela origem da vida, que possibilita o
renascimento diante dos inúmeros desgastes, bem como o combate da angústia diante da
passagem do tempo e da certeza da morte.Esta investigación está dedicada al imaginario simbólico, centrado en contemplar las
figuraciones de la vida y sus ciclos, del tiempo y de la muerte, en la poesía de Cecília
Meireles en Morena Pena de Amor (2017) y Vaga música (2017) y sus similitudes con la
cosmovisión de la cultura afrobrasileña. Analizamos la simbología del agua – como fuente
primaria, elemento desintegrador y curativo, y también como lecho de muerte – representada
en las canciones populares afrobrasileñas, buscando imágenes similares y simbólicas, por la
recurrencia de este elemento y de estos simbolismos en la poética de Cecília Meireles y en
estas tradiciones. El objetivo es identificar si, tal como se presenta en Batuque samba e
macumba (2019) y Olhinhos de Gato (1983), la investigación y el afecto de la poeta por los
africanos y afrodescendientes, especialmente Pedrina, la niñera de la escritora, así como por el
batuque, la samba y el carnaval, pueden haber influido en la forma en que la autora percibe el
mundo y la existencia y, por lo tanto, en la forma que simboliza estos temas en las obras
mencionadas. Las principales contribuciones teóricas son las reflexiones de Gastón Bachelard
sobre el elemento como fuente de vida y patria de la muerte en El agua y los sueños: ensayos
sobre la imaginación de la materia (2018); los estudios de Mircea Eliade sobre el agua como
representación de lo sagrado en Tratado de las religiones – Vol II (1974); y las tesis de Gilbert
Durand sobre el Régimen Nocturno de las imágenes, relativas a la importancia, organización
y relaciones de los símbolos, arquetipos y mitos en el imaginario e inconsciente de la psique
humana, organizados en regímenes de imágenes y publicados en la obra Estructuras
antropológicas de lo imaginario (2012). Estas aportaciones ayudan en la medida en que, tanto
en los poemas como en las canciones, el agua es valorada por los instintos primordiales de la
humanidad, como la búsqueda del origen de la vida, que permite renacer ante el innumerable
desgaste, así como combatir la angustia ante el paso del tiempo y la certeza de la muerte
Variáveis ambientais influenciam na diversidade funcional e taxonômica de microcrustáceos em lagos rasos da região subtropical?
Tese (Doutorado)Os lagos rasos têm sofrido com diversas mudanças nas variáveis ambientais, como por exemplo o incremento de nutrientes que leva a eutrofização e o aumento da turbidez. Uma importante comunidade presente nos lagos rasos, como os microcrustáceos, tem sofrido com estas alterações das variáveis ambientais, sendo assim esta tese tem como objetivo investigar como estas mudanças influenciaram a diversidade de microcrustáceos em um período de 14 anos. Para isso esta tese foi estruturada em dois capítulos, o primeiro com objetivo de avaliar a diversidade funcional de microcrustáceos frente as mudanças de estados alternativos, estado de águas claras com predomínio de macrófitas flutuantes, estado de águas claras com predomínio de macrófitas submersas e estado de águas túrbidas. Encontramos uma maior diversidade funcional em estados de águas claras com predomínio de macrófitas flutuantes em relação aos outros dois estados. A menor diversidade funcional encontrada nestes outros dois estados, pode estar associada a dominância dos traços funcionais encontrados no Ostracoda Cypridopsis, sendo este gênero abundante nestas amostras. Com isso, destacamos a importância da utilização da abordagem taxonômica juntamente com a funcional para melhor explicar os resultados. No segundo capítulo determinamos a diversidade taxonômica e funcional de Cladocera nos diferentes índices de estado trófico, oligotrófico, mesotrófico e eutrófico ao longo do tempo. Observamos uma diferença significativa na diversidade taxonômica entre os estados tróficos, com uma diminuição de espécies nos períodos de estado eutrófico. Já para diversidade funcional não observamos diferença significativa entre os estados tróficos, desta forma podemos observar que a perda de espécies não causou uma perda de características funcionais. Também observamos que em períodos eutrofizados encontramos espécies de maior tamanho corporal, o que está diretamente relacionado com a presença de espécies tolerantes a má qualidade de água. Desta forma, concluímos que as diferentes perturbações ambientais influenciam na comunidade de microcrustáceos, reduzindo sua diversidade taxonômica ou funcional, interferindo nas cadeias tróficas e no funcionamento dos lagos rasos.Shallow lakes have suffered from several changes in environmental variables, such as the increase of nutrients that lead to eutrophication and increased turbidity. An important community present in shallow lakes, such as microcrustaceans, has suffered from these environmental changes, so this thesis aims to investigate how these changes influence the diversity of microcrustaceans over a period of 14 years. For this, this thesis was structured in two chapters, the first one aimed to evaluate the functional diversity of microcrustaceans against the changes of alternative states, state of clear water with a predominance of floating macrophytes, state of clear water with a predominance of submerged macrophytes and state of water turbid. We found greater functional diversity in clear water states with a predominance of floating macrophytes in relation to the other two states. This lower functional diversity found in these other two states may be associated with the dominance of the functional traits found in the Ostracoda Cypridopsis, as this genus is abundant in these samples. With that, we highlight the importance of using the taxonomic approach together with the functional one to better explain the results. In the second chapter we determined the taxonomic and functional diversity of Cladocera in the different indices of trophic, oligotrophic, mesotrophic, and eutrophic state. We observed a significant difference in taxonomic diversity between trophic states, with a decrease in species in eutrophic states. As for functional diversity, we did not observe a significant difference between trophic states, thus we can observe that the loss of species did not cause a loss of characteristics functional. We also observed that in eutrophic periods we found species with larger body size, which is directly related to the presence of species tolerant to poor water quality. In this way, we conclude that the different environmental disturbances influence the microcrustacean community, reducing its taxonomic or functional diversity, interfering in the trophic chains and in the functioning of shallow lakes
Dificuldades da implementação do E-notariado em cartório de notas da região metropolitana de Porto Alegre - RS: um estudo sobre a plataforma e-notariado digital
Trabalho de Conclusão de Curso defendido em 2023.Este trabalho debruça sobre o tema do e-notariado tendo como especificações o uso da
tecnologia dentro dos cartórios brasileiros, visando trazer uma plataforma com tecnologia que
garante a segurança para o setor. O objetivo que esta pesquisa visa atender é o de identificar as
dificuldades enfrentadas na adoção da plataforma e-notariado nos cartórios brasileiros, onde
será possível realizar a análise perante a implementação deste processo, tendo em vista que é
um assunto recente e que visará contribuir para os estudos deste tema junto a academia e ao
mercado em que ela se encontra. Para realização deste estudo será utilizado um estudo de caso
exploratório-descritivo, com a metodologia realizada através de proposições realizadas, assim
como pesquisa qualitativa baseada em Linhares (2022) e Yin (2001). O estudo de caso foi
realizado em um tabelionato de notas, em fase inicial de implementação da plataforma enotariado, na qual através das referências foi possível criar um instrumento de coleta de dados,
onde por meio do questionário utilizado para entrevista, pode-se analisar as informações
necessárias a fim de solucionar a questão de pesquisa. Com isso torna-se possível contribuir
para a implementação da plataforma em cartórios que ainda não adotaram a utilização da
mesma
Um percurso da existência lésbica na literatura brasileira: Cassandra Rios (1980), Vange Leonel (2002) e Natalia Borges Polesso (2015)
Tese (Doutorado)Proponho um percurso da existência lésbica (RICH, 2019) na literatura brasileira a fim de
demonstrar de que forma o amor entre mulheres é retratado no âmbito da crítica literária
feminista e no da história da literatura. Para tanto, analiso e busco demonstrar os sentidos da
feminilidade, da heterossexualidade e as expressões de lesbianidade no romance Eu sou uma
lésbica (1980), de Cassandra Rios (1932-2002), na peça de teatro As sereias da Rive Gauche
(2002), de Vange Leonel (1963-2014), e na coletânea de contos Amora (2015), de Natalia
Borges Polesso (1981-). As três obras perpassam momentos distintos da história, quando ocorre
o avanço dos movimentos feministas e lésbico feministas, percebido inicialmente, entre outras
publicações, com as de Monique Wittig (1935-2003), na França e com as de Adrienne Rich
(1929-2012) e de Audre Lorde (1934-1992), nos Estados Unidos. No Brasil, saliento as
contribuições teóricas de Tania Navarro-Swain, bem como a representatividade de Miriam
Martinho no Grupo de Ação Lésbica-Feminista (GALF, 1979-1990). Explorar o afeto e a
sexualidade entre mulheres nas produções literárias que compõem o corpus auxilia a
compreender a existência lésbica enquanto transgressora dos padrões heterossexistas e
patriarcais e contestadora dos papéis sexuais impostos socialmente. Meu intento é questionar o
apagamento sistemático das narrativas lésbicas das histórias canônicas da literatura brasileira,
enquanto contribuo com uma outra história que está sendo construída.I propose a route of lesbian existence (RICH, 2019) in Brazilian literature in order to
demonstrate how love between women is portrayed in the feminist literary criticism and literary
history. Therefore, I analyze and seek to demonstrate the senses of femininity, heterosexuality
and lesbian expressions in the novel Eu sou uma lésbica (1980), by Cassandra Rios (1932-
2002), in the play As sereias da Rive Gauche (2002), by Vange Leonel (1963-2014), and in the
short story collection Amora (2015), by Natalia Borges Polesso (1981-). The three works
permeate historical moments distinct, when the advance of the feminist and lesbian feminist
movements occurs, initially noticed, among other publications, in those of Monique Wittig
(1935-2003), in France and those of Adrienne Rich (1929-2012) and Audre Lorde (1934-1992),
in the United States. In Brazil, I highlight Tania Navarro-Swain’s theoretical contributions, as
well as the representation of Miriam Martinho in the Grupo de Ação Lésbica-Feminista (GALF,
1979-1990). By exploring affection and sexuality among women in the literary productions that
build the corpus helps to understand the lesbian existence as a transgressor of heterosexist and
patriarchal standards and contestant of socially imposed sexual roles. My intention is to
question the systematic erasure of lesbian narratives from the canonical stories of Brazilian
literature, while contributing to another history under construction
Narrativas da pandemia de Covid-19: Experiências em saúde coletiva
E-bookEm dezembro de 2019, na China, foi detectada a COVID-19, uma doença infecciosa, altamente transmissível, causada por um novo coronavírus (SARS CoV-2). A Organização Mundial da Saúde, em março de 2020, decretou estado de emergência vindo a se configurar numa pandemia, que levou o planeta a uma crise sanitária (WHO, 2020).
Nos anos de 2020 e 2021, em atenção às orientações sanitárias, foi instituída uma série de medidas priorizando o distanciamento e/ou o isolamento social. Com isso, muitas mudanças se fizeram necessárias em atividades diárias e cotidianas, nos nossos modos de se relacionar com nós mesmos e com os outros e, também, nas estratégias de educação e formação em saúde.
A obra “Narrativas da Pandemia de COVID-19: Experiências em Saúde Coletiva” resulta de uma parceria entre o Grupo de Estudos em Saúde Coletiva dos Ecossistemas Costeiros e Marítimos (GESCEM-FURG), o Grupo de Estudos Rotas Críticas: Desigualdades Sociais, Generificadas e Racializadas (UFRGS) e o Núcleo de Estudos do Trabalho e Constituição do Sujeito (NETCOS FURG). E emerge da necessidade de registrar e de compartilhar as narrativas das experiências de professores, estudantes e trabalhadores, durante a pandemia de COVID-19.
Poderíamos nos perguntar com Benjamin (1994a) como transmitir uma experiência diante do empobrecimento das possibilidades de sua transmissão na contemporaneidade? Talvez algumas pistas sejam encontradas no próprio autor quando nos fala da importância de narrar o vivido, refletir sobre o que se passou, compartilhar os efeitos de nossas experiências (BENJAMIN, 1994b). Aqui, tomamos a experiência como produção coletiva (SCOTT, 1998) em sua construção discursiva, histórica e socialmente situada (HARAWAY, 1995).
O ato de narrar, por sua vez, produz um posicionamento político, enlace de um viver que se faz na relação com os outros. O “Registrar para não esquecer, narrar para compartilhar as experiências do viver”, sinaliza um esforço coletivo de dar visibilidade, refletir e
problematizar o que se tem vivido. Narrar para compartilhar as experiências do viver nos auxilia a produzir um rasgo na linearidade e naturalização da vida. Instaura a possibilidade de juntos refletirmos e nos inquietarmos com o que tem se passado. A potencialidade do narrar, já diria Benjamin, está na possibilidade de transmissão da experiência.
Nesse sentido, experiência e narração articulam modos outros de falar, escutar, compartilhar, visibilizar, reverberar saberes periféricos, negligenciados pela história oficial (MACIAZEKI-GOMES e ORTUÑO, 2020). Experiência e narração tomam contornos políticos ao encarnar os fragmentos de uma história que se-faz-sendo, não linear, mas recortada e (re)inventada na arte de narrar e dela fazer arte(sanato) (MACIAZEKI-GOMES, 2017). A contribuição dos textos, apresentados neste livro, constrói-se a partir de fragmentos do cotidiano, num descompasso entre o escrever, o sentir e o viver uma história viva, que se faz a cada dia. Histórias que se compõem em meio aos efeitos da pandemia de COVID 19. O conjunto de textos (re)afirma uma política da narratividade que se faz com os saberes situados (HARAWAY, 2014). A narrativa traz visibilidade a uma gama de experiências em Saúde Coletiva produzida em espaços de atenção e de formação, atravessados pela pandemia. Narrativas que compartilham desassossegos, dúvidas, medos e incertezas, como também, estratégias de reinvenção frente ao distanciamento social ou à ausência da presença física. O uso de tecnologias passou a ser acionado, em larga escala. Os encontros, conversas, grupos de acolhidas e trocas passaram a ser mediados pelas telas dos computadores e celulares. Muitas vezes, evocavam questionamentos como: Seria possível se produzir afeto, contato e proximidade com o outro através das telas? Seria possível a produção de cuidado mediada pelo uso das tecnologias digitais? Como (se) reinventar em meio a uma pandemia?
A construção de estratégias de comunicação, muitas delas inéditas até então, demonstraram a capacidade de trabalhadores, acadêmicos e professores de se reconstruírem a si mesmos e a seus processos de trabalho, frente aos impactos e efeitos devastadores da pandemia de COVID-19, no sistema sanitário brasileiro. Inúmeros fatores precisaram ser levados em consideração nos processos de adaptação e ajustes necessários às novas exigências. A proposta de um grupo online, por exemplo, foi atravessada por requisitos mínimos para sua realização, como o acesso à internet. A questão do acesso, mais uma vez, desnudou nossas fragilidades diante das desigualdades sociais e econômicas históricas em nosso país. Assim, promover mudanças nos modos de cuidar, na gestão e formação em saúde exigiu que fossem levadas em conta, além das questões técnicas, as especificidades socioculturais e econômicas, locais e regionais, na proposição de soluções para os problemas apresentados.
Neste registro, a política de localização das narrativas demarca o fio condutor dos capítulos, aqui apresentados. Registra e compartilha os fragmentos de experiências, em contextos de formação, gestão e atenção em saúde, desde a região sul do estado do Rio Grande do Sul, Brasil. As escritas se passam em diferentes dispositivos das políticas públicas de saúde, educação, assistência social e, até mesmo, dentro de nossas próprias casas. Nesse contexto, o público e o privado se diluem, ao passo que as distâncias geográficas, no meio virtual, também. As experiências registradas, ainda em movimento, dizem de um momento presente, que pede passagem para serem compartilhadas e processadas de modo coletivo. Demarcam um compromisso social ao buscar pensar estratégias de como se (re)inventar, contam de movimentos em prol de um esperançar, da busca por possibilidades em um tempo com tantas limitações e restrições. Dizem da produção de estratégias de cuidado consigo e com o outro que encadeiam um cuidado em rede, de modo coletivo.
Para apresentação das produções, os textos que compõem o livro foram agrupados em duas seções temáticas: “Falando sobre experiências em serviços de saúde em tempos de COVID-19” e
“Compartilhando experiências poético-expressivas em tempos de COVID-19”.
Na seção I “Falando sobre experiências em serviços de saúde em tempos de COVID-19” são apresentados textos escritos por estudantes da graduação, residentes em programas de saúde da família e professores de cursos do campo da saúde. Esses textos autorais mostram o desejo de enfrentar os medos, as angústias e as inseguranças produzidas pela pandemia e agudizadas pela sua má gestão, no Brasil. A seguir, traremos uma breve apresentação de cada um dos textos, contextualizando os cenários onde ocorreram e os aspectos singulares de cada um deles.
O primeiro capítulo, intitulado A saída sempre será coletiva: narrativas de um estágio em Psicologia Social junto ao dispositivo clínico Espaço de Expressão, aborda as transformações nos processos educativos e de formação em Psicologia. As autoras e os autores, Gabriela Viana de Oliveira, Fernanda Pereira Morais, Leonardo Roman Ultramari, Diogo Dias Ramis, Rita de Cássia Maciazeki-Gomes e Jackson Cardoso compartilham um registro das experiências vivenciadas no estágio, durante a pandemia de COVID-19, no ano de 2021. Registra a reorganização das práticas de estágio em Psicologia Social, realizadas, de modo remoto, junto ao dispositivo clínico Espaço de Expressão (EE), vinculado ao laboratório do Grupo de Estudos em Saúde Coletiva dos Ecossistemas Costeiros e Marítimos (GESCEM). Entre as questões levantadas pelo grupo, estão: Que território é esse que se constitui com a ausência da presencialidade? Que tipo de presença existe no modelo virtual e que corpo é esse que se constitui através das telas? E ainda, será possível que esses corpos se afetem?
A fragilização da Estratégia Saúde da Família na Atenção Básica à Saúde e a pandemia de COVID-19: uma narrativa sobre a experiência de estágio em Psicologia Social no Município do Rio Grande/RS compõe o segundo capítulo, de autoria de Fernanda Camilotto Bortoluzzi, Letícia Ferreira Coutinho, Estephani de Almeida Vargas, Bruna Rosa Farias e Ceres Braga Arejano. O registro traz reflexões sobre as experiências de estágio em Psicologia Social, no acompanhamento das Equipes Multiprofissionais, antigo Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica (NASF-AB), durante o período de outubro de 2020 a abril de 2021. O relato enfatiza que o estágio foi atravessado por duas grandes crises: uma ligada à expansão do pensamento neoliberal na gestão das políticas públicas em saúde, expressa na elaboração de um novo financiamento da Atenção Básica no Brasil (Portaria 2.979, DE 12 de novembro de 2019), provocando o desmonte dos princípios e diretrizes do SUS (PAULINO et al, 2021); e outra vinculada à maior crise sanitária deste século: a pandemia da COVID-19.
O texto Percursos de uma (ou mais) escuta(s): relato de bordo apresenta narrativas sobre as experiências de estágio remoto em psicologia clínica. Compartilha um registro sensível sobre os muitos desafios em produzir-se terapeuta, mediado pelas telas e seus temores. Segundo, Ana Paula Moreira Ferreira, Andreli Dalbosco, Flavia de Moraes, Jéssica Aguirre da Silva, Josiane Flores Pinheiro, Juliano Barros Dalmas, Mariana Schuh, Pedro Alves Fagundes, Renata Cecconello Mônego, Renata de Lima Corrêa e Analice de Lima Palombini: “o encontro terapêutico mesmo sendo também um encontro, ele não pode ser despretensioso. A escuta tem propósito. É um esperar, um temer e muitos outros verbos que qualificam a experiência de ser terapeuta”. Entre os desafios “do encontro terapêutico” sobressaem os sentimentos de medo, imprevisibilidade e incerteza a todas as mudanças que a pandemia acarretou.
O quarto capítulo, Entre a Casa e o Estágio: experiências, afetos e narrativas pandêmicas em meio à
prática de estágio na assistência social, traz a perspectiva de estagiárias de Psicologia Social junto aos dispositivos do Centro de Referência Especializado de Assistência Social – Medidas Socioeducativas (CREAS-MS), do Centro de Referência Especializado de Assistência Social – Medidas Protetivas (CREAS-MP) e do Programa Família Acolhedora (PFA), no período 2020 e 2021. As autoras Gabriela Del-Ponte, Sophia Souza e Carine Ortiz Fortes trazem as repercussões cotidianas acionadas pelas experiências do fazer-se estagiária na política de Assistência Social, durante a pandemia de COVID-19. O texto salienta as dificuldades de viabilizar as atividades planejadas, o medo do contágio e de contagiar familiares, as contradições e, por vezes, a vontade de desistir. Mas também assinala as potências, as aprendizagens significativas, os enfrentamentos e o afeto presente em toda a caminhada.
Em Vigilância em Saúde do Trabalhador: relato de estágio em psicologia em meio à pandemia do novo coronavírus, Mattheus Pessano narra o registro da realização do primeiro estágio em Psicologia Social, junto à Vigilância da Saúde do Trabalhador (VISAT). Relata as muitas dificuldades ocorridas durante a realização do estágio, com a passagem do estágio presencial para o remoto. Porém, mesmo com os entraves sofridos, nos mostra a abertura de novos campos de atuação, a importância do olhar e da escuta da psicologia nos ambientes relacionados à vigilância em saúde, no caso a saúde do trabalhador. As discussões atentam para a importância das notificações dos agravos a saúde do trabalhador, que denunciam o mal-estar, o sofrimento físico e psicológico, responsável pelos efeitos deletérios à saúde mental dos trabalhadores, que vão do Burnout ao suicídio. E, ainda, traz visibilidade para o fato de que, na pandemia de COVID-19, os trabalhadores da saúde foram um dos grupos mais afetados, tanto em termos de adoecimento, quanto de mortes.
O Acompanhamento terapêutico como meio de (re)inventar o cuidado em saúde mental em tempos de pandemia: uma análise cartográfica é a temática abordada por Amilton Gonçalves Schir e Douglas Casarotto de Oliveira. O texto apresenta as reflexões das experiências de um acadêmico de psicologia como Acompanhante Terapêutico (AT), junto a um projeto de extensão em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS-II), no interior do Rio Grande do Sul. O texto registra a eclosão de sentimentos como medo, angústia, solidão, insegurança e pânico social, que tomaram conta da comunidade acadêmica, no início da epidemia. Registra, também, o sofrimento psíquico decorrente das situações de desemprego, doença e morte em familiares, a superlotação de hospitais e a escassez de suprimentos. Compartilha reflexões sobre as atividades de cuidado do AT no SUS, como a realização de rodas de conversa, oficinas de rádio, relato de caso, retomada da horta comunitária no CAPS. As narrativas dessas experiências explicitam o cuidado em rede, em sua dimensão coletiva.
O texto seguinte traz reflexões sobre o Sobrevoo, Pouso e Linhas de Fumaça: registros de um diagnóstico comunitário produzido por residentes multiprofissionais em saúde da família (RMSF/FURG). No registro, Aline das Neves Cordeiro, Daniela dos Santos, Lara Irene Leite da Costa e Juliana Cotting Teixeira compartilham reflexões dos resultados advindos do diagnóstico comunitário realizado no território de atuação em saúde, junto à atenção básica. Jovens “desejantes”, como elas mesmas se denominam, produzem mapas, itinerários, cuidados e afetos. Nesse percurso, criaram exercícios de decolagem e sobrevoo e, no trajeto, identificaram questões de gênero e de saúde mental, inventaram estratégias usando “linhas de fumaça”, fazendo uso e abuso da linguagem literária, poética, metafórica. O relato está ancorado no território vivo, geográfico, econômico, cultural e humano, como havia descortinado Milton Santos. Sem medo de ser feliz, o texto encerra acenando com linhas de fumaça, ou estratégias inventadas pelas residentes para driblar a epidemia.
Em Da Graduação à Pós-Graduação: O processo de formação durante a primeira onda da pandemia de COVID-19 pelo olhar de uma residente e uma estagiária de psicologia, as autoras Mariana de Oliveira Garcia, Mariana da Cunha Aires e Mariana Gauterio Tavares apresentam os desafios e potencialidades do processo de formação em nível de graduação e de especialização. A partir de diferentes posições, como residente, estagiária de psicologia social e supervisora e preceptora, compartilham reflexões sobre as mudanças e (im)possibilidades na formação e atuação em saúde, em um hospital universitário, no extremo sul do país. Destacam entre os desafios: a formação deficitária em Psicologia para intervenções nas situações de emergências e desastres, a adaptação aos protocolos, o uso de Equipamentos de Proteção individual (EPI’s), o distanciamento físico de pacientes, equipe e a dificuldade de acesso à internet. Entre as potencialidades ressaltam a flexibilidade da equipe, a adaptação das atividades para o modo remoto, o uso de tecnologias no cuidado e aproximação de pacientes e familiares.
No último capítulo desta seção, Ana Cristina Holszchuh Machado e Tarcis Murilo Sartor compartilham as Intervenções psicológicas em uma Unidade de Terapia Intensiva no contexto da COVID-19: estudo de caso sobre a importância da participação da família no processo saúde doença. O texto contempla reflexões sobre a atuação da Psicologia no cenário de internações hospitalares, em situações de adoecimento grave, de despedida e morte, durante a pandemia da COVID-19. No registro, os autores compartilham as experiências de visitas virtuais a uma paciente internada na Unidade de Terapia Intensiva, que veio a falecer. Na impossibilidade da realização de visitas presenciais, a estratégia adotada contribuiu para a vivência dos rituais de despedidas, auxiliando na elaboração dos processos de luto, trazendo conforto possível para o paciente, sua família e equipe de saúde.
Já na seção II, “Compartilhando experiências poético-expressivas em tempos de COVID-19”, são apresentados textos de autoria de artistas, poetas, estudantes da graduação, pós-graduação e professores. Os textos compartilham experimentações clínicas e educativas, ao mesmo tempo em que registram as reflexões acerca das (im)possibilidades de escuta, encontros e linhas de fuga que dão (an)coragem para seguir adiante, reinventando modos outros de cuidar de si e dos outros, em tempos de pandemia. A seguir, traremos uma breve apresentação de cada um dos textos, contextualizando os cenários onde ocorreram e os aspectos singulares de cada um deles.
O texto de Lilian Ney: 2020, o ano em que reinventamos o contato, constrói um percurso narrativo singular, que evoca cenas, cenários, fragmentos, lembranças das mudanças, transformações e ressignificações ocasionadas pelo advento da COVID-19. O registro aponta a escrita como elo, possibilidade de suspiro e elaboração do vivido: “escrevo memórias, lembranças, desejos, sonhos, vontades, reais e inventadas”. A escrita, por vezes intimista, compartilha sentimentos, memórias, mudanças nas rotinas diárias, transições e adaptações cotidianas na vida pessoal e, também, no mundo do trabalho. Encontramos, aqui, com a escrita como um arquivo vivo, um rasgo no tempo, na
história, deixando marcas para os que virão. Em Portas e janelas, música, trabalho e fotografia: narrativas de um professor em pandemia, Alan Goularte Knuth compartilha seus registros, tendo como eixo transversal a Saúde Coletiva. O texto salienta as mudanças no mundo do trabalho docente, que passou a ser realizado dentro de casa. O registro encadeia as dimensões ético-políticas, ao dar corpo à narrativa de um “professor remoto”, atravessado pelas questões do seu tempo, como dos “links, câmeras e microfones, do desejo de sobrevivência, da lamentação pelas perdas, da repulsa pelo negacionismo como estratégia política até o reconhecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) como um marco de proteção aos brasileiros e o advento da vacina como estratégia para retomadas”. Enfatiza a dimensão coletiva, ao compor estratégias imagéticas, expressivas e sonoras que, de algum modo, entrelaçam as relações de proximidade e de cuidado consigo mesmo e com os outros.
Aline Machado Dorneles escreve Cartas da formação docente em tempos pandêmicos. As cartas são um convite a continuar tecendo reflexões sobre o cotidiano, a vida e o trabalho de professores e professoras, em tempos de pandemia. As cartas acionam um convite para um encontro com a escrita narrativa. As cartas escritas no presente emergem entre os desafios da (con)vivência com o imprevisível, o inesperado e como estratégia de reinvenção. A escrita narrativa torna-se uma estratégia para expressar sentimentos e aprendizagens. A escrita de cartas instiga o registro e o testemunho do vivido no endereçamento da mensagem narrada. A escrita narrativa traz à tona uma escrita sensível, reflexiva, de modo a levar em conta as muitas singularidades e produzir conexões no tempo, no espaço e na relação com os outros. Na docência, a narrativa se associa ao caráter formativo, como potencialidade para produzir práticas investigativas sobre fazer e os efeitos das experiências educativas.
No próximo capítulo, Gicelda Mara F. Silva traz o poema O hospital na pandemia, numa inspiração do poema “A escola” de Paulo Freire. A escrita poética produz um olhar humanizado para o hospital, de modo a integrar todos aqueles atores que, no seu processo de trabalho, estabelecem laços de convivência no dia a dia da instituição hospitalar. A escrita acolhe, estabelece laços e produz visibilidade a todos aqueles que cuidam e que dão de si na linha de frente de uma pandemia. Abre, assim, espaço também para um cuidado daqueles que cuidam.
A proposta de uma conversa-escrita é trazida por Débora Medeiros do Amaral e Aline Dornelles em A importância de dizer a palavra e narrar sobre dias pandêmicos – A escrita como possibilidade de encontro e conversa. As autoras propõem uma escrita ampliada, trazendo possibilidades de encontros em outros tempos, pausas e alentos. A escrita conversa-leitura, com textos escritos por outros, que são encontrados, em outros tempos, por cada um de nós. O texto registra as cenas do cotidiano, as demandas e sobrecargas na vida e no trabalho impostas pelo trabalho remoto. As cartas refletem sobre as experiências acionadas com o(s) tempo(s) e a docência na educação infantil. As cartas evocam memórias de um vivido e movimentos de um vir a ser. As cartas registram memórias e acionam práticas permeadas pelo compromisso social “da memória e a necessidade de dizer a palavra”. As narrativas deixam em aberto uma conversa-escrita inacabada e o convite para continuidade da conversa.
Em seu ensaio poético Realidades Descontinuadas, Andrew Oliveira de Oliveira apresenta as primeiras impressões frente à vivência pandêmica da COVID-19. Acompanhamos com ele um mundo que pára, à medida que os processos inconscientes passam a tomar conta do cenário, da realidade. Existe um sentimento de estranhamento frente à velocidade dos acontecimentos, entre eles, o contágio, o adoecimento que se instala e acomete a população. O texto produz uma sensação onírica de vertigem. Mas, antes do final, surge renovada a esperança da oportunidade do despertar e a possibilidade de capturar novas memórias, novos segredos. O texto aciona imagens e nos convida à imaginação.
No capítulo final, o artista plástico Leandro Machado dos Santos compartilha os registros de sua exposição: “Vilões vilões violam viole
Perfil hematológico de uma população natural de Tartaruga-tigred‘água, Trachemys dorbigni (Duméril & Bibron, 1835) (Testudines: Emydidae) sob condições de urbanização no extremo sul do Brasil
Dissertação (Mestrado)O presente estudo teve como objetivo avaliar a condição hematológica de uma população de Tartaruga-tigre-d’água (Trachemys dorbigni) do extremo sul do Brasil frente à degradação de seu habitat natural em virtude de um processo acelerado de urbanização associado ao despejo irregular de efluentes domésticos. O local de estudo foi um canal urbano localizado no município de Pelotas/RS (latitude: -31.7608741, longitude: - 52.3162444), sendo caracterizado pela presença de empreendimentos urbanos entorno, tais como Shopping, prédios empresariais e condomínios residências. Exemplares de tartarugas capturados randomicamente (n = 16) no canal entre os meses de novembro/2021, janeiro, março e abril/2022, foram analisados quanto a sua biometria e presença de enfermidades externas e, após, tiveram amostras sanguíneas para a determinação do perfil hematológico (eritrograma e leucograma) e análise das alterações genotóxicas (micronúcleo e outras anomalias nucleares). Adicionalmente, foram medidos parâmetros físico-químicos da água do local de coleta, que indicaram baixa quantidade de oxigênio dissolvido e um alto nível de fósforo total, estando ambos os parâmetros em desacordo com a legislação (CONAMA 357/2005). Apesar da observância de animais com ectoparasitas (31,25 %) e com pequenas deformações no casco (56,25 %), o comprimento máximo da carapaça e peso foram consideradas normais para a espécie. Também em comparação com outros exemplares de Trachemys spp., o hematócrito e níveis de hemoglobina plasmática foram baixos, enquanto níveis de leucócitos e eosinófilos estiveram aumentados, caracterizando infecções parasitárias. A frequência de micronúcleos foi baixa, porém, a alta frequência de núcleos blebbed (bolhosos) é um indicativo de danos cromossômicos em estágio inicial. Os dados, portanto, indicam que estado fisiológico de indivíduos selvagens de T. dorbigni está sendo afetada pela urbanização local e alerta para medidas de monitoramento e conservação dessa espécie de quelônio e outras também cujo habitat natural está sendo invadido e deteriorado por ações antrópicas.The present study aimed to evaluate the hematological condition of a population of D'Orbigny Slider Turtle (Trachemys dorbigni) from the extreme south of Brazil in the face of the degradation of its natural habitat due to an accelerated process of urbanization associated with the irregular dumping of domestic effluents. The study site was an urban channel located in the city of Pelotas/RS (latitude: -31.7608741, longitude: -52.3162444), characterized by the presence of surrounding urban developments, such as shopping malls, business buildings and residential condominiums. Specimens of turtles randomly captured (n = 16) in the channel between the months of November/2021, January, March and April/2022, were analyzed for their biometry and presence of external diseases and, afterwards, had blood samples taken to determine the hematological profile (erythrogram and leukogram) and analysis of genotoxic alterations (micronucleus and other nuclear anomalies). Additionally, physical-chemical parameters of the water at the collection site were measured, which indicated a low amount of dissolved oxygen and a high level of total phosphorus, with both parameters not complying with the legislation (CONAMA 357/2005). Despite the observation of animals with ectoparasites (31.25%) and with small hoof deformations (56.25%), the maximum carapace length and weight were considered normal for the species. Also compared to other examples of Trachemys spp., hematocrit and plasma hemoglobin levels were low, while levels of leukocytes and eosinophils were increased, characterizing parasitic infections. The frequency of micronuclei was low, but the high frequency of Blebbed nuclei is indicative of early stage chromosomal damage. The data, therefore, indicate that the health of wild individuals of T. Dorbigni is being affected by local urbanization and alert for monitoring and conservation measures of this species of Chelonia and others also whose natural habitat is being invaded and deteriorated by anthropic actions
Evaluation of Arsenic species in coastal lagoon environments of Rio Grande do Sul.
Tese (Doutorado)Arsênio (As) é um dos elementos potencialmente toxicos mais analisados, estudados e
comentados quando surgem sinais de sua presenca no meio ambiente, principalmente na
água, seja subterrânea ou superficial, estando relacionado em muitos casos de contaminação
no mundo todo. Entretanto, trabalhos relacionados ao As em águas naturais na América do Sul
ainda sao reduzidos comparando com outros temas de estudo do elemento,representando
apenas 4,36% de um total de quase 2 milhões de estudos relativos ao As no restante do
mundo. Conhecendo a importância devido as suas características cancerígenas, buscou-se
resumir a presença de As em águas superficiais e subterrâneas em toda a América do Sul,
avaliando suas fontes tanto naturais como antropicas e estabelecendo seu enfoque em regiões
onde os casos de contaminação ultrapassaram significativamente as diretrizes internacionais
estabelecidas para as águas naturais (Argentina, Chile, Peru, Uruguai, Bolívia e Brasil).
Podemos estabelecer o baixo percentual de estudo se considerarmos a importância do fato de
que esta situação é igualmente crucial em muitos países atingidos com este problema e os
importantes aspectos hidrologicos do continente sul americano quando existem buscas de
soluções internacionais para a questão da escassez de água. Assim podemos considerar a
necessidade de crescimento nos estudos quanto ao As em ambientes lagunares na America do
Sul,como também numa escala regional, no estado do Rio Grande do Sul,principalmante nas
regiões destinadas principalmente ao uso agrícola, pois podem apresentar características
importantes quanto a uma hipotética situação de contaminação nestes ambientes,
principalmente quando vivemos no Brasil desde 2016 um período de aprovação e abertura de
uso permitido e retorno de diversos produtos de uso agroquímico proibido a muitos anos por
parte de setores do poder público sanitário. A técnica escolhida para aplicação e análise nesta
pesquisa dentro de uma realidade de estrutura laboratorial foi a Voltametria de Redissolução
Catódica com Pulso Diferencial (DPCSV). O método apresentou dentro da aplicação das
características analíticas de testagem, validação e recuperação resultados encontrados para
determinação de As total dentro da faixa aceitável da legislação, mas dentro do aspecto
comparativo do tipo de região maiores valores de concentração para regiões de saída de agua
de lavoura principalmente de arroz, com uma faixa de As(III) em torno de 0,017- 1,22 ug /L-1,
As(V) em torno de 0,10 - 1,36 ug /L-1e As Total em torno de 1,28 - 2,58 ug /L-1.Arsenic (As) is one of the most extensively analyzed, studied, and discussed potentially toxic
elements when signs of its presence in the environment, especially in water, whether underground
or surface, emerge. It is associated with many cases of contamination worldwide. However,
research related to As in natural waters in South America is still limited compared to other study
topics related to the element, representing only 4.36% of nearly 2 million studies on As worldwide.
Given its carcinogenic properties, there is a need to summarize the presence of As in both surface
and groundwater throughout South America, evaluating its sources, both natural and
anthropogenic, with a focus on regions where contamination cases have significantly exceeded
international guidelines for natural waters (Argentina, Chile, Peru, Uruguay, Bolivia, and Brazil).
The low percentage of research on this issue is striking when considering its significance,
particularly in many affected countries and the important hydrological aspects of the South
American continent, especially as international solutions are sought for water scarcity issues.
Hence, there is a need for increased research on As in lagoon environments in South America and
at a regional scale, particularly in the state of Rio Grande do Sul, primarily in regions designated
for agricultural use. These areas may possess critical characteristics in the event of contamination,
particularly considering that, since 2016, Brazil has experienced a period of approving and
permitting the use of various agrochemical products previously banned for many years by certain
sectors of public health authorities. The chosen technique for application and analysis in this
study, within a laboratory setting, was Cathodic Stripping Voltammetry with Differential Pulse
(DPCSV). The method, when applied in terms of analytical characteristics like testing, validation,
and recovery, yielded results for total As determination within acceptable legal limits. However, in
a comparative context, higher concentration values were found in regions where water exits from
rice fields, with As(III) concentrations ranging from approximately 0.017-1.22 ug/L,As(V)
concentrations around 0.10-1.36 ug/L, and total As concentrations around 1.28-2.58 ug/L