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A escolaridade e a variação de concordância verbal na língua usada por menores carentes de Maceió
Este artigo tem como objetivo principal observar o comportamento variável da concordância verbal na língua usada por menores carentes de entidades filantrópicas de Maceió. Procuramos alcançar, à luz da Sociolinguística Variacionista, de Labov (2008 [1972]), os seguintes objetivos: (i) verificar qual é a variante mais usada na escrita da comunidade de fala em estudo; (ii) verificar quais as variáveis linguísticas e extralinguísticas que condicionam essa variação; (iii) observar se a escolaridade é uma variável significativa para o uso dessa variação; e (iv) verificar se há mais semelhanças ou diferenças no uso dessa variação entre os dados de fala e os de escrita dessa comunidade. O corpus deste trabalho é constituído por produções escritas por dezesseis informantes. A análise dos dados foi realizada através do programa computacional GoldvarbX. Ao realizarmos o presente estudo, verificamos que (i) a variante mais usada é [-conc]; (ii) a variação em estudo é motivada pelos grupos de fatores: escolaridade, distância entre sujeito e verbo, natureza do sujeito e paralelismo formal; (iii) a variável extralinguística \u27escolaridade\u27 é relevante para o uso da variação em estudo; e que (iv) há mais semelhanças do que diferenças no uso dessa variação entre os dados de fala e os de escrita
Lorde, de João Gilberto Noll: sob um olhar da teoria do imaginário
O foco do estudo é fazer uma leitura do romance Lorde (2004), de Noll, partindo da teoria do imaginário, por isso toma-se como base o teórico Gilbert Durand e, também, Gaston Bachelard. Nessa leitura duas temáticas são destacadas, o espelho e a degradação humana e, ao final, percebe-se como ambas estão ligadas para dar significado ao romance intimista de Noll
O Bildungsroman e as várias faces das mulheres de Moçambique: feminismo e multiculturalismo
O presente artigo pretende avaliar a possibilidade de que a obra Niketche de Paulina Chiziane possa se configurar como um Bildungsroman feminino. Aventa-se a hipótese de que a trajetória da personagem principal Rami possa ser um caminho de aprendizagem, a busca por um novo EU, camuflada em sua tentativa alucinada de salvar um casamento perdido.A despeito de se tratar de uma narrativa em primeira pessoa, desenvolve-se a hipótese de que a voz de Rami poderia recompor, não somente a sua história, mas a saga de várias mulheres possíveis de se encontrar em Moçambique. Um romance-relato que poderia educar tanto mulheres quanto homens
Neruda e Drummond: um olhar sobre Stalingrado
Este artigo tem por objetivo promover uma aproximação entre dois expoentes da lírica latino-americana do século XX, a saber: Pablo Neruda e Carlos Drummond de Andrade, a partir da análise dos poemas Canto a Stalingrado (1942) e Carta a Stalingrado (1943). Apresentaremos a visão histórica desses poetas sobre a Batalha de Stalingrado, considerada um dos principais eventos da Segunda Guerra Mundial. Ademais, será abordada a questão do engajamento político, que envolve a produção poética dos referidos autores
Cavalgando no dorso do tempo: a constituição da narrativa e o aspecto contemporâneo no romance de Mariana Lage
Este artigo apresenta uma reflexão sobre o livro No dorso do leão (2013), primeiro romance da escritora mineira Mariana Lage. A partir da problematização dos estudos de teóricos como Theodor Adorno e Walter Benjamin, assim como dos brasileiros Jaime Ginzburg e Silviano Santiago, entre outros, trata dos principais elementos presentes na obra referentes à constituição da narrativa na contemporaneidade. A narrativa se desenvolve por meio de cartas e notas, as quais transmitem ideias e sentimentos das personagens, explorando a busca por uma identidade e um sentido para a existência, a fuga e a procura de si mesmo, o caos interior como reflexo do caótico com que se lida externamente. O artigo, atento a tais aspectos, procura refletir sobre a relação da obra com a produção literária contemporânea
Estamos formando professores que conhecem a variação linguística? Uma análise acerca da importância dos dados e das teorias para o ensino de língua
Os trabalhos sobre variação do português brasileiro (PB) avançaram no sentido de documentar e explicar a língua. Percebe-se, contudo, um abismo separando ensino e pesquisa, pois o conhecimento científico não tem extrapolado, em todas as suas potencialidades, as fronteiras dos muros acadêmicos. Observa-se, paradoxalmente, que o mercado editorial sobre ensino de língua materna cresce com vigor, porém, privilegia aspectos pedagógicos e metodológicos, como que normatizando a conduta do professor, pouco explorando a apresentação dos fenômenos variáveis. Nesse sentido, se já não formamos mais professores voltados para a defesa do purismo linguístico, como há alguns anos atrás, hoje formamos profissionais muito bem treinados para o discurso acerca da variação, mas com pouco conhecimento dos fenômenos variáveis. Isso se evidencia no modo como alguns desses profissionais classificam certas variantes estigmatizadas: "diferente", "não quer dizer que é errada", "apenas inadequada" - o que deixa entrever o predomínio de um tom valorativo (com o cuidado de ser politicamente correto) no modo como descrevem tais variantes. O papel da sociolingüística, no entanto, consiste não apenas em promover a tolerância à variação, mas levar à compreensão de seus mecanismos. Neste artigo, buscamos reunir algumas das contribuições da sociolingüística para o ensino de língua e discutir se essa disciplina tem cumprido a tarefa de mostrar ao professor a pluralidade linguística (o que é necessário para que ele perceba como legítimas as variedades com as quais vai se deparar em sala de aula) ou tem se limitado a normatizar comportamentos desejáveis ao professor, constituindo, assim, mais uma fonte reguladora da prática docente
Gloriosos pois fingidos: o esvaimento dos deuses e o consílio marítimo D\u27os Lusíadas
Um dos aspectos mais importantes d\u27Os Lusíadas é a função desempenhada pelos deuses, especialmente Baco e Vênus, agentes centrais da ação em diversos momentos. Como o poema não é um épico clássico, insere-se num tempo histórico no qual, assim como nossa contemporaneidade, os deuses já não eram pertencentes ao sagrado, mas a um imaginário ficcional. Entender o poder dos deuses a partir de sua esvaziamento religioso é tarefa deste ensaio, que dialoga com dois textos recentes para afirmar não apenas a contemporaneidade de Camões, mas sua capacidade crítica: um verbete de Luís de Oliveira e Silva e um estudo de Luiza Nóbrega, ambos sobre o Consílio Marítimo do Canto VI, momento decisivo para as destinações de sentido de Baco e dos demais seres divinos de poema
O corte na voz lírica de Carlos Felipe Moisés
No contraste de dois poemas praticamente iguais de Carlos Felipe Moisés, tentar-se-á mostrar o corte como uma das possibilidades de compreensão de uma alguma poesia do presente