Federal University of Uberlândia

Revista Letras & Letras (Journal)
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    Os cânticos do quântico - Roberto Corrêa dos Santos

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    Ao abordar a obra poética, teórica e crítica de Roberto Corrêa dos Santos, este artigo tem como propósito não apenas analisar parte de seus textos, como também fazer uma apresentação geral e incisiva sobre a obra desse pensador militante pela causa da vida, da liberdade e da leveza. Livros, textos, poemas, objetos, performances, interpretações são seus meios técnicos de inserir-se, adentrar e fazer avançar a afirmação. Afirmar a vida, eis sua poesia; eis tudo

    O desafio da coragem na constituição do herói: Odisseu e Roseno

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    Se o herói das epopéias homéricas, além de pertencer às castas superiores, não poderia morrer sem demonstrar sua bravura em batalhas e em outros desafios, nem padecer insepulto sob o céu, deixando suas histórias como matéria poética hierarquizada, o herói moderno, tendo por vezes origem socioeconômica desconhecida, atravessa céus e terras, enfrentando agruras cotidianas e misteriosas. Ambos os heróis têm coragem, porém discutimos se ambos a desenvolvem como virtude, isto é, como uma firme disposição para o bem e sem o aguardo de recompensas para fazer o bem, o que não os exime de sentir medo. Ao examinarmos os percursos de Odisseu, de Homero, e de Roseno, em meu Tio Roseno, a Cavalo, de Wilson Bueno, e compará-los, poderemos demonstrar que a coragem do primeiro não é uma virtude e a do segundo o é

    Aspectos teóricos e sequências didáticas para a produção escrita de gêneros discursivos

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    Embora  os construtos teóricos sobre produção escrita de gêneros discursivos já tenham sido amplamente divulgados na última década, o trabalho com escrita nas aulas de Língua Portuguesa ainda impõe um desafio aos professores. Diferentes condições de acesso  às informações sobre o tema geram dúvidas, frequentemente manifestadas em cursos de formação e de atualização docente, tais como: (i) Qual a diferença da antiga redação para a atual proposta de produção escrita de gêneros discursivos? (ii) Que conhecimentos são necessários para a produção escrita de um gênero discursivo? (iii) Como desenvolver projetos de produção escrita de gêneros discursivos em sala de aula?   Por esse motivo, a de abordagem do assunto ainda se justifica.  Assim, os objetivos deste artigo são:  apresentar uma síntese de fundamentos teóricos que respondam às duas primeiras perguntas citadas e apresentar um modelo didático de análise de gêneros e de projeto de leitura e produção escrita, exemplificado por meio de três sequências didáticas  já desenvolvidas com sucesso em salas de aula dos ensinos fundamental e médio. Conclui-se que assim se pode contribuir para práticas pedagógicas teoricamente bem fundamentadas e viáveis para o desenvolvimento da capacidade de produção escrita dos alunos

    Edição Especial - IV SIELP

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    Variação nós e a gente na posição de sujeito na escrita escolar

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    Tendo em vista que, na fala, a gente é a forma pronominal preferida para representar a primeira pessoa do plural, mas, na escrita, devido ao conservadorismo linguístico, nós é o pronome selecionado, descrevemos e analisamos as realizações dos pronomes nós e a gente na posição de sujeito na escrita de alunos dos ensinos fundamental e médio da cidade de Maceió/AL. Para tanto, seguimos os pressupostos teórico-metodológicos da Teoria da Variação e Mudança (LABOV, 2008[1972]), associados a estudos linguísticos sobre a representação da primeira pessoa do plural no português brasileiro (OMENA, 1996; 2003; LOPES, 1998; 2004; 2012; ZILLES, 2007; SILVA, 2010; BRUSTOLIN, 2010) e utilizamos, para a análise estatística dos dados, o programa computacional GOLDVARB X. De acordo com os resultados obtidos, verificamos que, na escrita escolar, o pronome nós apresenta um percentual maior de realização - 86% contra apenas 14% do pronome a gente, sendo essa variação condicionada pelos grupos de fatores paralelismo formal, marca morfêmica, preenchimento do sujeito, escolaridade, sexo e tema da produção textual

    O insólito na literatura e a cosmovisão africana

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    O objetivo deste trabalho é destacar os posicionamentos dos estudiosos africanos Harry Garuba, escritor, poeta e professor da Universidade de Cape Town, na Ãfrica do Sul, e de Wole Soynka, escritor, poeta nigeriano e professor de literatura, sobre a classificação dos textos africanos em categorias literárias europeias e americanas. No presente texto, apresentaremos o realismo animista, de acordo com Harry Garuba (2012), expressão que define a produção literária que advém de um "inconsciente animista". Trata-se de uma expressão que aqui será aproximada à ideia de "cosmovisão africana", defendida por Wole Soynka (1976). Nesse sentido, empreendem-se análises de textos africanos à luz dos conceitos que emanam de estudos teóricos do próprio continente africano, com o objetivo de evidenciar as diferenças e, assim, evitar o silêncio das vozes e o apagamento das narrativas literárias que constituem a memória do continente

    O espaço regional nas cidades imaginadas de Erico Verissimo

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    Analisamos neste artigo a representação literária do espaço regional em Jacarecanga, Santa Fé e Antares, cidades imaginadas dos romances Música ao longe, O tempo e o vento e Incidente em Antares, de Erico Verissimo. Procuramos interpretar como as cidades do "interior" são percebidas pelas personagens e como estas se posicionam em relação ao "centro". Se por um lado existe desconforto e sentimento de exclusão do sujeito que reside nesse ambiente, por outro há também apego à terra e reafirmação da tradição. Como aporte teórico, trabalhamos com o conceito de região sócio-cultural, proposto por Berumen (2005), e de espaço, por Certeau (1994)

    Marcas líricas em "O desempregado", de Fernando Bonassi

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    Este texto investiga traços líricos na narrativa contemporânea tomando como corpus a obra Violência e paixão, de Fernando Bonassi (2007). Tem como objetivo explorar a progressiva aproximação entre a prosa e a lírica em narrativas produzidas nas últimas décadas do século XX e XXI. Partimos do pressuposto que, muitas vezes, a narrativa do século XX aproxima diferentes gêneros e constrói uma prosa impregnada de elementos da lírica. Compreendemos a complexidade da delimitação dos gêneros literários nos últimos trinta anos ao investigar marcas líricas em narrativas curtas como as construídas pelo escritor paulistano. Tomaremos como base teórica as considerações de Octavio Paz (1972, 1994), Adorno (2003), Rosenfeld (1991), Berman (1987), no que se refere ao delineamento da narrativa e, em alguns casos, as considerações de Friedrich (1991), Baudelaire (1999) e Octavio Paz (2012) quanto aos elementos da lírica moderna em diálogo com a prosa de ficção. Nosso intuito é investigar elementos como a subjetividade, o traço individual de expressão e a utilização do ritmo, de imagens e sons próprios à lírica como recursos estilísticos na obra Violência e Paixão, de Bonassi

    O tema da evasão em contos de Luiz Vilela

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    O presente artigo apresenta a análise das diferentes abordagens que o tema da evasão - topos romântico, que reflete ideais utópicos e desejo de escapismo - recebe em alguns contos de Luiz Vilela. Dentre eles, "Vazio", de Tremor de terra (1967), "Os tempos mudaram", de Lindas pernas (1979), "As neves de outrora", "O fim de tudo" e "Não quero nem mais saber", de O fim de tudo (1973) e "Era aqui", de Você verá (2013). Nossa leitura, adotando a proposta de Ricardo Piglia, desenvolve-se a partir do apontamento da primeira e da segunda história desses contos, indicando que em Luiz Vilela o caráter duplo dos contos que tratam do desejo de evasão se estrutura na oposição temporal, tanto entre passado-presente quanto entre presente-futuro

    Manoel Antônio de Almeida, Rubem Fonseca e a Rio de Janeiro dos nossos tempos: picardia, malandragem, miséria e extrema

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    O presente artigo discute com brevidade a relação da literatura brasileira com o urbano. O texto se baseia em ideias e conceitos de Candido no seu já clássico ensaio "Dialética da aprendizagem" (2010), em que ele emite, em primeira instância, algumas impressões sobre o romance Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida (1941). A partir dessa base teórica, o artigo tematiza sobre influências do urbano na ficção realista de Almeida e contemporânea de Fonseca, particularmente no que se vê em contos deste último, enfatizando contrapontos entre as ficções citadas desses dois escritores. A intenção final do texto é ressaltar semelhanças e diferenças de composição ficcional, destacando-se a literatura socialmente mais contundente e vibrante de Rubem Fonseca

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