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O ensino de português com base no gênero textual e no caráter interativo e social da língua
Nas últimas décadas, principalmente depois da publicação dos PCNs (1998, 1999), muito se tem pesquisado e refletido sobre os insatisfatórios resultados obtidos a partir do trabalho com a língua no ensino básico, tanto no que diz respeito a práticas de leitura, quanto de produção oral e escrita (MARCUSCHI, 2008, 2010; KOCH; ELIAS, 2010, 2016). Nesse quadro, o presente estudo tem como objetivo problematizar o ensino de língua, na busca de apresentar possibilidades que possam resgatar sua importância e produtividade social (BRONCKART, 2012), na medida em que o texto/gênro textual é assumido como objeto de ensino e de análise (SCHNEUWLY; DOLZ, 2009, 2010), uma vez que definimos a língua como uma prática constante de interação verbal. Com base nos estudos bakhtinianos dos gêneros, vemos o ensino de língua como processo interativo e dialógico (BAKHTIN, 1992), cuja meta é criar possibilidades pelas quais o aluno possa desenvolver sua capacidade de pensar, ora por meio de práticas de leitura e de escuta, ora via atividades de fala e de escrita para um interlocutor real ou imaginário (MENDONÇA, 2012)
A retextualização como prática de produção de textos no Ensino Fundamental: os resultados de uma experiência
Neste artigo, apresentamos a síntese de uma pesquisa que realizamos com uma turma do nono ano do Ensino Fundamental de uma escola pública do interior da Bahia. A partir do tema violência urbana, os alunos realizaram atividades de leitura, assistiram a vídeos, escreveram roteiros e entrevistaram um locutor de rádio local, para, por fim, e como objetivo principal, procederem à retextualização da entrevista da modalidade oral para a modalidade escrita da língua. Neste trabalho, analisamos as operações e estratégias de retextualização de um dos discentes da turma, por considerarmos que este represente as competências e habilidades médias da maioria dos alunos investigados. A análise do corpus, ainda que restrito, permitiu a identificação do emprego de sete das nove operações propostas no modelo. Isso comprovou o amadurecimento linguístico do aluno no que diz respeito à normatização de um texto escrito, pois, foi possível concluir que seu domínio sobre a produção textual escrita foi ampliado, à medida que a proposta pedagógica foi sendo desenvolvida, culminando com o processo de retextualização. O desempenho desse aluno comprovou a viabilidade da retextualização como proposta metodológica para o ensino de língua portuguesa envolvendo o gênero discursivo entrevista nas duas modalidades da língua
As relações entre literatura e pintura nos manuais: Brasil e Portugal depois das novas diretrizes curriculares
Com diferentes ênfases, o diálogo entre literatura e outras artes é referido como estratégia positiva para a formação estética em geral nas diretrizes curriculares de Brasil e Portugal. Diante dessa constatação, neste artigo, minha proposta foi avaliar esse diálogo em livros didáticos de Brasil e Portugal, mas delimitando o objeto apenas na relação entre literatura e pintura. Para isso, recorri a uma amostragem da produção mais recente do gênero, relativa ao Ensino Médio de Brasil e Portugal, disponíveis na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra e na Biblioteca do Instituto Estadual de Educação de Santa Catarina. Verificou-se que, nos manuais consultados, as propostas de diálogo entre essas artes existem, e existem quanto mais os manuais se tornam contemporâneos. Há muito ainda, é claro, do mero uso da pintura ou de pormenor dela para ilustrar textos literários, sem proposta de diálogo e, às vezes, sequer de relação significativa. Todavia, minha avaliação observou exemplos em que a reprodução iconográfica de pinturas é utilizada como recurso para construir sentidos. Nesses casos, isso enriquece a leitura do texto literário, contribuindo para iluminar mutuamente signos e gramáticas dos textos literários e pictóricos
Práticas de leitura no Ensino Fundamental: relato de experiência a partir do trabalho com estratégias de leitura.
Este artigo relata uma experiência de compreensão leitora desenvolvida em contexto escolar, aplicada em uma turma do Ensino Fundamental II da rede pública. O trabalho surgiu a partir de uma proposta da disciplina Aspectos Sociocognitivos e Metacognitivos da Leitura e Escrita, do Mestrado Profissional em Letras (PROFLETRAS UEM-PR), e tem como principal escopo teórico e metodológico as estratégias de leitura de Solé (1998). Seguem-se também pressupostos de Leffa (1996), Geraldi (2012) e Thiollent (2011). Os processos de investigação e aplicação propostos e desenvolvidos por este trabalho possibilitaram um diagnóstico analítico do ensino e da aprendizagem de Língua Portuguesa referente ao planejamento e ao desenvolvimento da leitura em sala de aula. Este artigo relata uma experiência de compreensão leitora desenvolvida em contexto escolar, aplicada em uma turma do Ensino Fundamental II da rede pública. O trabalho surgiu a partir de uma proposta da disciplina Aspectos Sociocognitivos e Metacognitivos da Leitura e Escrita, do Mestrado Profissional em Letras (PROFLETRAS UEM-PR), e tem como principal escopo teórico e metodológico as estratégias de leitura de Solé (1998). Seguem-se também pressupostos de Leffa (1996), Geraldi (2012) e Thiollent (2011). Os processos de investigação e aplicação propostos e desenvolvidos por este trabalho possibilitaram um diagnóstico analítico do ensino e da aprendizagem de Língua Portuguesa referente ao planejamento e ao desenvolvimento da leitura em sala de aula
É possível ensinar Literatura? - Questões para a docência
A EJA, Educação de Jovens e Adultos, é um espaço particular dentro da educação brasileira e se apresenta com características bem peculiares, vinculadas, sobretudo, ao público a que atende, normalmente "exilados" do sistema tradicional de ensino. O trabalho com o texto literário na EJA, por sua vez, adquire também uma singularidade, visto que está inserido num conjunto maior de habilidades integradoras, que fazem o corpo norteador da Educação para Jovens e Adultos. Este trabalho, integrante das reflexões que o Mestrado Profissional em Letras (PROFLETRAS) possibilita, faz uma análise da função do texto literário num sistema de ensino que se quer diferenciado do padrão escolar seriado e apresentar reflexões e sugestões que possam contribuir para um avanço do estudo do texto literário visto como mediador de conhecimento e cidadania
Resultados de pesquisas desenvolvidas no PROFLETRAS: possibilidades de intervenção
Preface.Apresentação
Leitura da canção: uma proposta interativo-discursiva
RESUMO: Este artigo consiste numa proposta de leitura da canção sob o enfoque interativo-discursivo, fundamentada nos estudos sociointeracionistas de Bakhtin (2003, 2014), na abordagem semiótica da canção de Tatit (1997, 2002, 2004) e nos estudos de Costa (2001, 2003) sobre a natureza desse gênero e seu ensino, com o objetivo de contribuir para a formação de leitores críticos do gênero canção na escola. Trata-se de uma proposta de intervenção pedagógica aplicada em dois níveis de ensino da educação pública do estado do Ceará: no Ensino Fundamental II, em Fortaleza, e na graduação, junto a alunos de cursos de licenciatura em Quixadá
Leitura e escrita de cartas pessoais no ensino de Português
O artigo aborda o trabalho com o gênero discursivo carta no ensino de Português, na perspectiva de referenciais da abordagem sociointeracionista da linguagem e de pesquisa inspirada na etnografia educacional. Teve como objetivo analisar a escrita de cartas produzidas por alunos do Ensino Fundamental em escola da rede pública de ensino e em uma instituição de abrigo infantil de um mesmo município do Estado da Bahia. Buscou-se interpretar de que forma o gênero carta contribui na apropriação de elementos discursivos para o aprimoramento da leitura e da escrita de sujeitos participantes e colaboradores da pesquisa. A análise dos resultados, com o aporte da teoria dos gêneros do discurso de Bakhtin em estudos de práticas de letramento por meio de sequências didáticas e nas discussões sobre estudos dos eventos de sala de aula, valoriza a escrita em contextos reais de interação social. Os resultados expõem que os sujeitos participantes envolveram-se afetivamente com o processo de escrita, dominaram elementos linguísticos e discursivos para aperfeiçoamento do gênero carta, o que nos permitiu concluir que as estratégias desenvolvidas com base no instrumento de sequência didática valorizaram o uso da linguagem em situações de efetiva utilização da língua e corroboram para um aprendizado significativo de leitura e escrita enquanto práticas sociais nas aulas de Língua Portuguesa.