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Produção, correção e reescrita textual: resultados de uma pesquisa-ação-crítico-colaborativa
Neste artigo, nosso propósito é de divulgar alguns resultados decorrentes da participação de professoras do ensino fundamental em uma pesquisa-ação-crítico-colaborativa que realizamos no município de Goioerê-PR. Por meio da pesquisa, objetivamos provocar reflexões sobre o ensino da produção escrita na escola, abrangendo o encaminhamento da produção textual, da revisão/correção e da reescrita de textos, na perspectiva de colaborar com a prática docente, de modo a torná-la mais consistente e consoante com a concepção dialógica e interacionista de linguagem, conforme os pressupostos teóricos e metodológicos que regem os atuais referenciais curriculares de Língua Portuguesa. Dados os limites deste texto, nos propomos a analisar um recorte dos dados gerados no contexto da pesquisa, focalizando alguns encaminhamentos docentes de uma das professoras colaboradoras para a produção, correção e reescrita de textos, em aulas ministradas em turmas do ensino fundamental, antes e após as ações colaborativas. Para proceder a esta análise, sustentamo-nos em pressupostos teóricos do Círculo de Bakhtin, nos estudos de Vygotsky (1991), na proposta de Geraldi (2006[1984]), Magalhães (2004), Ruiz (2010), Menegassi (2010,2012), Costa-Hübes (2012), entre outros. Como resultado, destacamos a importância de desenvolvermos uma pesquisa-ação-crítico-colaborativa, tendo em vista as contribuições dessa colaboração com a prática docente.Palavras-chave: Pesquisa-ação-crítico-colaborativa. Formação continuada de professores. Produção textual. Reescrita textual
O ensino de literatura no Brasil: desafios a superar em busca de práticas mais eficientes
O ensino de literatura no Brasil tem enfrentado dificuldades para ocorrer de forma mais eficiente, com vistas não só a alcançar os objetivos do currículo escolar, mas principalmente para formar leitores e difundir o gosto pela leitura. Nesse sentido, este trabalho apresenta e discute alguns desafios mais importantes e frequentes no contexto brasileiro do ensino de literatura, relativos à formação docente, aos equívocos na prática pedagógica, à centralidade do estudante no processo de leitura e à seleção de textos literários, com o escopo de apontar possíveis caminhos para um ensino de literatura que alcance seus objetivos de maneira mais profícua
A gamificação como aliada no processo de produção textual
Neste artigo, apresentamos uma pesquisa em andamento, na qual buscamos analisar as contribuições da gamificação no desenvolvimento de habilidades de escrita de textos narrativos. Embora a narração seja uma tipologia muito abordada nas aulas de língua materna, observamos que persistem dificuldades em relação à estrutura dos textos e, além disso, engajar os estudantes nas atividades propostas tem se constituído um desafio constante para os professores. Defendemos a hipótese de que a gamificação, aplicada ao contexto educacional, é uma estratégia capaz de motivar a participação dos estudantes nas atividades de sala de aula. Como embasamento teórico, adotamos as concepções de texto e produção textual (BRASIL, 1998; MINAS GERAIS, 2008; MARCUSCHI, 2008), sequência narrativa (BRONCKART, 2012), letramento digital (XAVIER, 2005) e gamificação (SCHLEMMER, 2014; VIANNA et al., 2013; FARDO, 2013). Quanto aos procedimentos técnicos, a pesquisa está sendo desenvolvida na perspectiva da pesquisa-ação, buscando a reflexão sobre a prática pedagógica, com o objetivo de intervir, a partir de embasamento teórico, nos problemas identificados, minimizando-os.
O PROFLETRAS (Mestrado Profissional) na UEM: panorama dos trabalhos de conclusão
O programa de Mestrado Profissional (MP) em Letras, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), foi criado nacionalmente em 2013 e tem como público-alvo docentes que lecionam Língua Portuguesa no Ensino Fundamental. Desde sua criação, o programa tem enfrentado várias dificuldades que vão desde uma suposta classificação de um curso de menor prestígio, em relação aos programas acadêmicos, até o fato de supostamente não se desenvolver uma pesquisa. No entanto, o grande diferencial do MP deve-se à sua natureza interventiva, na medida em que o aluno deve apresentar, a partir de uma problematização, uma proposta de intervenção a ser utilizada na escola. Essa proposta pode ser de natureza variada: unidade didática, oficinas, jogos, audiolivros, dentre outras. Este artigo apresenta um panorama dos trabalhos desenvolvidos da primeira turma do MP da UEM. De forma específica, ressaltamos as práticas linguageiras escolhidas, os eixos teóricos, as categorias analíticas utilizadas e a natureza das propostas interventivas construídas. Os resultados evidenciam que os trabalhos, em sua maioria, adotam a transdisciplinaridade própria da Linguística Aplicada; utilizam de forma predominante da Análise Dialógica do Discurso como teoria norteadora dos trabalhos; apresentam propostas de intervenção de natureza variada, priorizando o gênero discursivo como articulador do ensino e da aprendizagem; e se voltam, especialmente, aos problemas enfrentados pelo professor nas salas de aula do Ensino Fundamental
Práticas de leitura em sala de aula e sua relação com as concepções de leitura do SAEB
Esta pesquisa visa analisar, em turmas de 9º ano do Ensino Fundamental de duas escolas públicas do município de Orobó/PE, como e com que frequência são ativadas, pelo aluno, as estratégias de leitura durante as práticas leitoras. O trabalho com leitura em sala de aula tem sido um tema bastante discutido por pesquisadores nas últimas décadas. Esses estudos vêm enfatizar que o ensino da leitura, particularmente, deve assumir uma postura de destaque nas aulas de língua materna, tornando o aluno/leitor sujeito do processo. Para tanto, a pesquisa fundamenta-se à luz das considerações de Antunes (2009), Foucambert (2008), Kleiman (2013a, 2013b), Koch (2009, 2013), Leffa (1996), Liberato e Fulgêncio (2012), Marcuschi (2008), Rojo (2009) e Solé (1998), dentre outros. Esta pesquisa compreende os seguintes momentos: (i) aplicação de um questionário sobre as estratégias de leitura utilizadas pelos alunos; (ii) aplicação de duas avaliações cujas questões foram elaboradas com base nos Descritores da Prova Brasil; (iii) observação de aulas de leitura dos professores colaboradores da pesquisa e (iv) intervenção em sala, pelo professor pesquisador, por meio de uma Sequência Didática, contemplando gêneros textuais previamente selecionados para atividades de leitura. Por último, a análise dos dados compara o desempenho dos alunos nas duas avaliações. Os resultados demonstraram que é possível promover o ensino da leitura a partir das estratégias de leitura com o propósito de tornar os aprendizes usuários proficientes da língua em seu contexto social
Políticas educacionais nas prescrições para o Ensino Médio: dimensões para o ensino de leitura
Este artigo tem o objetivo de mapear as dimensões de linguagem explicitadas em prescrições educacionais brasileiras de Ensino Médio, a fim de compreender quais são os direcionamentos dados aos docentes para a prática de ensino para a compreensão escrita em línguas estrangeiras (LEs) e em língua portuguesa como língua materna (LPLM). A partir deste levantamento analisamos se as propostas para ambas as línguas aproximam-se ou mostram caminhos distintos para o enfoque da compreensão escrita. O caráter documental do estudo tem como corpus seis importantes documentos que regem o currículo escolar para o referido nível nas duas últimas décadas: Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (BRASIL, 2000), Orientações Curriculares para o Ensino Médio (BRASIL, 2006), Diretrizes Curriculares do Estado do Paraná- Língua Portuguesa e Língua Estrangeira Moderna (PARANÁ, 2008), Base Nacional Comum Curricular (BRASIL, 2016), Matriz de Referência do Exame Nacional do Ensino Médio- ENEM (BRASIL, s.d.), Guia de Livros Didáticos: PNLDEM (BRASIL, 2015). A proposta para o trabalho didático com leitura nos documentos ancora-se na concepção de linguagem como fenômeno social e de interação verbal. Classificamos os elementos propostos nos documentos em ordem descendente em cinco dimensões: macro e microcontextual, organizacional, linguístico-enunciativa e cognitiva. Além dessas, duas outras dimensões foram categorizadas como: multimodais e digitais. Observamos que há maior fluidez nas propostas das duas línguas em aspectos microcontextuais e em alguns elementos linguístico-enunciativos. Embora haja interesse em propostas inter- ou transdisciplinares, nas demais dimensões não há maior aproximação nos documentos para facilitar e fortalecer a prática docente e contribuir para aprimorar as capacidades de linguagem discente
Fortalecimento de letramentos de professoras: um estudo no Mestrado Profissional em Letras
Investigamos o fortalecimento de práticas de letramento de uma turma de professoras matriculadas no Mestrado Profissional em Letras (PROFLETRAS), a partir de um trabalho pedagógico orientado pelas abordagens do letramento científico e do professor. Esta pesquisa se caracteriza como um estudo de caso, e os principais dados investigados são relatos escritos de experiências sobre práticas escolares de produção textual escrita, desenvolvidas pelas próprias autoras dos relatos em escolas de ensino básico. Os resultados mostram que as abordagens do letramento assumidas na formação docente provocaram um maior senso crítico das professoras. Isso também as levou a perceber as limitações produzidas pela recontextualização improdutiva de teorias linguísticas para aulas de Língua Portuguesa em escola de ensino básico
A construção da subjetividade surda pela falta/presença da língua: uma análise foucaultiana
Realizando uma incursão nos estudos sobre a surdez, observamos que, ao longo da história da humanidade, os surdos foram colocados em vários lugares sociais, provocando uma definição difusa de sujeito, que ora é deficiente auditivo, ora é componente de um povo, o povo surdo produtor de uma cultura própria, a cultura surda, que em nada se assemelha ao sujeito que a medicina nomeou. Este artigo tem como objetivo analisar como esses dois discursos - de "deficiente auditivo" e de "povo surdo" - são construídos discursivamente, engendrando as (novas) subjetividades surdas. Como metodologia de trabalho, elegemos seis enunciados a respeito das pessoas que têm surdez e que se comunicam através da língua de sinais, procedendo a uma análise desses discursos na perspectiva adotada por Foucault na obra Arqueologia do Saber. O referencial teórico adotado auxiliou a observar o processo de produção de objetos no contexto dessas formações discursivas. Os seis enunciados analisados exemplificam três formações discursivas aparentemente distintas, mas cujo objeto de discurso é o mesmo: o sujeito surdo. Os resultados coletados permitiram perceber que cada formação discursiva sobre a "não-audição" reverbera sobre seus sujeitos, produzindo enunciados que se influenciam mutuamente em relação aos objetos que formam. Sendo assim, pudemos observar que, mesmo parcialmente, os Estudos Surdos atuais estão reivindicando para a Comunidade Surda a construção/implementação de novos saberes a respeito de si, os quais fundamentarão seu próprio discurso, numa tentativa, talvez, de constituição de um sujeito diferente do que é relacionado nos discursos produzidos pelos outros não-surdos