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A intrahistoria de Manuel Rivas e as luzes da literatura sobre as sombras do passado
Spanish writer Manuel Rivas in the light of the author’s own reflection on his style as an intrahistory which, being literary, transfigures the shadows of the past into art. We argue that his style, contemporary but not postmodern, reveals a belief in the edifying role of literature.El presente artículo analiza aspectos de la obra¿Qué me quieres, amor?del escritor gallego-español Manuel Rivas a la luz de la reflexión del propio autor sobre su estilo como una intrahistoria que, por ser literaria, transfigura las sombras del pasado en arte. Defendemos que su estilo, contemporáneo pero no postmoderno, revela una creencia en el papel edificante de la literatura.O presente artigo analisa alguns aspectos da obra ¿Qué me quieres, amor? do escritor galego-espanhol Manuel Rivas à luz da reflexão do próprio autor sobre seu estilo como uma intrahistoria que, por ser literária, transfigura as sombras do passado em arte. Defendemos que seu estilo, contemporâneo, mas não pós-moderno, revela uma crença no papel edificante da literatura
Protagonismo local e crítico no translinguajar de quatro moradoras de Alter do Chão: Uma etnografia na turística vila no Pará
This article is an extract of a PhD dissertation that discussed daily language practices of four inhabitants of Alter do Chão village, a touristic village situated in Western Pará, Brazil. We address how language is used and appropriated by the participants who live in the village, a multilingual and multicultural scenario, but where the Portuguese language holds the status of official language. As a study within Applied Linguistics, it depicts, through ethnography, how the four participants constitute themselves through locally situated discourses in relation to their multilingual interactions, negotiating and making meaning in specific communications. The data analysis, generated mainly through participant observation, interviews and informal talks, points to how the participants use all their linguistic and semiotic resources in order to carry on an effective communication, merging languages and highlighting creativity and protagonism.Este artigo apresenta um recorte de uma tese que discutiu práticas de linguagem cotidianas dos habitantes de Alter do Chão, uma vila balneária localizada no oeste do estado do Pará, Brasil. No presente trabalho, focamos o modo como a língua inglesa é usada e apropriada pelas participantes na pequena vila turística, cenário essencialmente multilíngue e multicultural, mas onde a língua portuguesa mantém o status de língua oficial. Situado na área de Linguística Aplicada, este estudo mostra, a partir da etnografia, como quatro participantes se constituem através de falas localmente situadas em relação às suas interações multilíngues, negociando a comunicação e construindo significados situados em comunicações específicas e emergenciais. A análise dos dados, gerados principalmente pela observação participante, entrevistas e conversas informais, aponta para o modo como as participantes usam todos os seus recursos linguísticos e semióticos para manter uma comunicação efetiva, mesclando línguas e evidenciando criatividade, crítica e protagonismo
A Need of language politics for the teaching of English in higher education in Brazil: A brief reflection under the light of logistic factors
This paper is about the need to rethink the English language teaching in higher education. The objective is to show how the difficulty to learn this language may be diagnosed through educational research. Under the light of Applied Linguistics and Critical Pedagogy, it develops reasoning to understand that the offer of the English language per se, with the mere presumption of inclusion, may not bring the desired results. To offer the English language it is necessary to plan it, taking into account the logistic factors. When they are disregarded, learners react with negative attitudes, which may hinder learning. This, somehow, signals the need of language politics which redirect the English teaching/learning logistic. This paper aims at making a reflection in this sense, presenting outcomes of an ethnographic research, developed with some undergraduate students, in Brazil, whose data showed negative attitudes toward some logistic factors, in the English language classroom. Thus, this text is aligned with the tenets of language politics, taking into account the logistic factors to reach better results in the English language classroom.
Este texto versa sobre a necessidade de se repensar o ensino da língua inglesa na educação superior. O objetivo é mostrar como a dificuldade de aprendizagem dessa língua pode ser diagnosticada através de pesquisa educacional. À luz da Linguística Aplicada e da Pedagogia Crítica, este artigo desenvolve raciocínio no sentido de compreender que a simples oferta da língua inglesa, com a mera presunção de inclusão, pode não trazer os resultados desejados. Para ofertar a língua inglesa é preciso planejar, levando em consideração os fatores logísticos. Quando esses fatores não são levados em consideração, os aprendizes reagem por meio de atitudes negativas, que podem impedir a aprendizagem. Isso, de algum modo, sinaliza a necessidade de políticas linguísticas que reorientem a logística de ensinar/aprender inglês. Este artigo pretende fazer reflexão nesse sentido, apresentando resultados de uma pesquisa de cunho etnográfico, desenvolvida com alguns estudantes universitários, no Brasil, cujos dados evidenciaram atitudes negativas em relação a alguns fatores logísticos, no contexto de aprendizagem da língua inglesa. Assim, este texto está alinhado com os princípios da política linguística, levando em consideração os fatores logísticos para alcançar resultados melhores na sala de aula de língua inglesa.
 
Transculturalidade no ensino de língua inglesa: Metade de um sol amarelo na sala de aula da licenciatura
This article reports on a pedagogical work developed in an undergraduate class of Portuguese/English at a public university in Rio de Janeiro with the purpose of including non-hegemonic anglophone cultures in the curriculum. The theoretical bases were Transculturality and Complexity, characterized by a movement between cultures with a dialogical purpose. The main texts were the book Half of a yellow Sun, published by the Nigerian writer Chimamanda Adichie in 2006, and the 2013 British-Nigerian film production based on the original literary work. The results pointed to a change in the students\u27 perspectives on the Anglophone cultures of non-hegemonic countries, in a movement toward expanding their human condition and therefore producing attitudes embedded in the transcultural view that we are complexly linked to other cultures of several peoples.Este artigo relata trabalho pedagógico realizado em turma de licenciatura em Letras – Português/Inglês de uma Universidade pública do Rio de Janeiro com proposta de incluir no currículo culturas anglófonas não hegemônicas. As bases teóricas foram a Transculturalidade e a Complexidade, marcadas pelo movimento entre culturas com proposta dialógica. No trabalho desenvolvido, os textos básicos foram o livro Half of a yellow Sun, publicado em 2006 pela escritora nigeriana Chimamanda Adichie, e a produção cinematográfica britânico-nigeriana, de 2013, adaptação da obra literária original. Dentre os resultados, pude perceber mudança de perspectivas dos alunos quanto às culturas anglófonas de países não hegemônicos, em um movimento de ampliação de sua condição humana, para gerar atitudes revestidas pelo olhar transcultural de entender que estamos complexamente ligados às outras culturas dos diversos povos
Por uma educação multimodal e pluralista: Estratégias de ensino de Língua Inglesa para disléxicos com base em recursos visuais
We live in a graphocentric world, where teaching is based on reading. Therefore, dyslexic students may be deprived of learning, since they face reading difficulties. This study proposes the use of visual aids as a complement to assist dyslexics in the English language learning process focusing on oral language. We provide examples of activities aiming at teaching the verb to be, based on the concept of multiliteracy (COPE; KALANTZIS, 2009). We also present the results achieved, which show that a multiliteracy pedagogy comprising different types of language has proven to be promising to students who struggle to read, but also to those who can do it.Vivemos numa sociedade grafocêntrica, onde o ensino é calcado na leitura. Isso acaba por privar alunos disléxicos do conhecimento, já que eles enfrentam dificuldades para ler. Este trabalho propõe a utilização de imagens como complemento no ensino de inglês para disléxicos com foco na oralidade. Serão expostos exemplos de atividades voltadas para o ensino do verb to be aplicadas junto a alunos com dislexia, com base na noção de multiletramentos (COPE; KALANTZIS, 2009), além dos resultados alcançados por eles nos instrumentos de avaliação. Tais resultados demonstraram que uma pedagogia dos multiletramentos, que lance luz para além da escrita, é promissora para alunos cuja habilidade da leitura é prejudicada, mas também para os que leem fluentemente
Clampeando o cordão: A maternidade como um espaço multissemiótico de (des)construção de sentidos
In line with the proposal of the thematic issue of this journal – what does it mean to think and do research in another way, in the context of studies and teaching regarding the functioning of language and the processes of meaning making? – in this article, we seek to present an initial dialogue as an exercise of displacement of two researchers, one within an applied linguistic background and the other within a medical background in order to discuss the role of language and humanization in medical education. From the perspective of duetnography (NORRIS; SAWYER, 2012; BREAULT, 2016; MORGAN; MARTIN; MACIEL, 2019), we aim at discussing aspects of meaning construction based on social semiotic studies (BEZEMER; KRESS, 2016), in health literacies (RUDD; ANDERSON, 2006) and Literacies (LEMKE, 2006, among others). To this end, we revisit the discussion about meaning making in three scenarios - school, museum and hospital. To address the researchers\u27 perceptions, the maternity hospital as a multi-semiotic space of meaning making was analysed, with emphasis on the surgery room and delivery room.Em consonância com a proposta do número temático desta revista – o que significa pensar e fazer pesquisa de outro modo, no âmbito dos estudos e do ensino sobre o funcionamento da língua(gem) e dos processos de produção de sentidos? -, buscamos, no presente artigo, apresentar um diálogo inicial que se traduz em um exercício de deslocamento de olhares de dois pesquisadores, um com formação em Línguística Aplicada e outro em Medicina com o propósito de problematizar a interface papel da linguagem com o aspecto de humanização na formação médica. A partir da perspectiva da duetnografia (NORRIS; SAWYER, 2012; BREAULT, 2016; MORGAN; MARTI; MACIEL, 2019), objetivamos discutir os aspectos de construção de sentidos pautados nos estudos de semiótica social (BEZEMER; KRESS, 2016), de letramento em saúde (RUDD; ANDERSON, 2006) e de Letramentos (LEMKE, 2006, entre outros). Para tanto, revistamos a discussão acerca de construção de sentidos em três cenários - escola, museu e hospital. Para abordarmos as percepções dos pesquisadores, analisamos um centro cirúrgico e uma sala de parto de uma maternidade como espaços multissemióticos de construção de sentidos
O uso da autoavaliação no desenvolvimento da expertise em interpretação
Adopting a model based on developing expertise and the ability to engage in autonomous learning and continuing education creates the need for students to be able to self-assess in order to determine which elements to invest in. The use of the self-assessment form proposed by the PUC-Rio Interpreter Training is presented and its effects are discussed, after a theoretical discussion. The self-assessment tool proved to be effective not only in terms of the assessment itself, but in consolidating a clear and objective common language that structures the relationship between students and teachers and between students themselves and offers other benefits.A adoção de um modelo baseado no desenvolvimento da expertise e na capacitação para a aprendizagem autônoma e a educação continuada geram a necessidade de os alunos serem capazes de se autoavaliar, de forma a determinar em que elementos investir. O uso de ficha de autoavaliação proposto pela Formação de Intérpretes da PUC-Rio é apresentado, após uma reflexão teórica, e seus efeitos são discutidos. A ferramenta de autoavaliação mostrou-se eficaz não somente no tocante à avaliação em si, mas na consolidação de uma linguagem comum clara e objetiva que estrutura a relação entre alunos e professores e entre os próprios alunos, além de oferecer outros benefícios
La utilidad de la ficción en la poesía: Un recorrido inútil
In this article,I take a journey through poetry from Middle Ages to Contemporary times by describing particular cases of fiction inpoetry. With a pragmatic reading focused onenunciation, I demonstrate that fiction in poetry allow us to interpret and sometimes create reality. For example, I point out how fiction in troubadour poetry was capable to create cultural knowledge that is still useful in our era. Also from Middle Ages, I draw attention toa cantiga by Portugal’s King, Don Dinis, as a meansto describe a cultural and economic development of the region. Further on,I analyze the use of the lyric persona in Sor Juana’s Primero sueñoas a strategy to incorporate a feminine subject in the socially closed Spanish viceroyalty. Finally, I stop the journey with Leopoldo María Panero’s poetry showing the evanescence of the lyric persona as a way to deal with the fear of death. This argument allows me to conclude that fiction is tied to poetry in a different way than it is in other literary genres but we have scarcely studied and reflected on this.En este artículo realizo un recorrido por la poesía desde la Edad Media hasta la época contemporánea revisando casos singulares donde se manifiesta la ficción. A partir de una lectura pragmática de estos poemas, en específico la enunciación, demuestro cómo la ficción más que una característica del lenguaje literario ha sido un medio que nos ha permitido interpretar y hasta crear la realidad desde nuevas experiencias. En la poesía trovadoresca, por ejemplo, es destacable cómo su ficción permitió la creación de saberes culturales que subsisten y han determinado nuestra época. También en la Edad Media, una cantiga del rey de Portugal, Don Dinis, pone en perspectiva el desarrollo cultural y económico de su reino. Posteriormente destaco al enunciador del célebre Primero sueño de Sor Juana Inés de la Cruz como experiencia posible de un sujeto femenino no contemplado en los cerrados esquemas sociales del virreinato. Concluyo el recorrido con un análisis sobre la evanescencia del sujeto poético en la poesía de Leopoldo María Panero como posibilidad para encarar el temor a la muerte. Este recorrido argumental me permite concluir que la poesía ha hecho uso de la ficción de una manera distinta a otros géneros literarios pero poco hemos reflexionado y caracterizado su procedimiento
“Home gesture is not part of the deaf culture": The curtailment of homesign languages in bi/multilingual education
Recentemente a língua brasileira de sinais (Libras) obteve o reconhecimento do seu estatuto linguístico e, a partir de uma visão sócio-antropológica da surdez, alguns estudos têm distanciado o surdo das concepções patologizadas baseadas na deficiência auditiva e inserido o mesmo em discussões sobre educação bilíngue em contextos de minorias. Contudo, há ainda grande resistência em admitir o surdo como bilíngue, principalmente quando ele não apresenta o domínio esperado na língua majoritária do país ou em uma língua de sinais convencional, ou seja, se a comunicação ocorrer por meio de línguas de sinais caseiras. Assim, o objetivo da presente pesquisa qualitativa de cunho etnográfico, inserida no campo da Linguística Aplicada, foi discutir o cerceamento do uso das línguas de sinais caseiras na educação bi/multilíngue de surdos, a partir das representações de familiares de surdos e seus profissionais e estagiários surdos e ouvintes que frequentam um programa de apoio escolar. A análise das representações dos participantes demonstrou o processo de descaracterização linguística dessa comunicação familiar, sendo as línguas de sinais caseiras descritas como um sistema linguístico restrito, prejudicial ao aprendizado das línguas já estabelecidas (português e Libras) e uma ameaça para a inclusão da pessoa surda em sua comunidade. Acreditamos que essas representações estão calcadas em um conceito estático de língua e precisam ser revistas, pois desconsideram a diversidade linguística e cultural da surdez e dificultam ainda mais a comunicação entre familiares ouvintes e seus filhos surdos, além de reforçar a marginalização do surdo dentro da escola e da sua própria comunidade.Recentemente a língua brasileira de sinais (Libras) obteve o reconhecimento do seu estatuto linguístico e, a partir de uma visão sócio-antropológica da surdez, alguns estudos têm distanciado o surdo das concepções patologizadas baseadas na deficiência auditiva e inserido o mesmo em discussões sobre educação bilíngue em contextos de minorias. Contudo, há ainda grande resistência em admitir o surdo como bilíngue, principalmente quando ele não apresenta o domínio esperado na língua majoritária do país ou em uma língua de sinais convencional, ou seja, se a comunicação ocorrer por meio de línguas de sinais caseiras. Assim, o objetivo da presente pesquisa qualitativa de cunho etnográfico, inserida no campo da Linguística Aplicada, foi discutir o cerceamento do uso das línguas de sinais caseiras na educação bi/multilíngue de surdos, a partir das representações de familiares de surdos e seus profissionais e estagiários surdos e ouvintes que frequentam um programa de apoio escolar. A análise das representações dos participantes demonstrou o processo de descaracterização linguística dessa comunicação familiar, sendo as línguas de sinais caseiras descritas como um sistema linguístico restrito, prejudicial ao aprendizado das línguas já estabelecidas (português e Libras) e uma ameaça para a inclusão da pessoa surda em sua comunidade. Acreditamos que essas representações estão calcadas em um conceito estático de língua e precisam ser revistas, pois desconsideram a diversidade linguística e cultural da surdez e dificultam ainda mais a comunicação entre familiares ouvintes e seus filhos surdos, além de reforçar a marginalização do surdo dentro da escola e da sua própria comunidade
O que aprendemos com Alice: Considerações sobre a leitura de literatura
This article addresses the question of how the reading of fiction can be a learning experience for the reader – a kind of learning that is neither instructional nor should be confused with self-help. The hypothesis is that, in contact with “verbal art” (LOPES, 2012, p. 1), readers may broaden their mind (SPOLSKY, 2015a), acquire new knowledge (GREEN, 2010), and learn about emotions (KÜMMERLING-MEIBAUER, 2012; NIKOLAJEVA, 2014; SUIHKONEN, 2016). The argument is mainly based on recent cognitive literary studies, which approach mental processes that may emerge from the reading of fiction. Excerpts from Alice’s Adventures in Wonderland and Alice Through the Looking Glass and what she found there, by Lewis Carroll, in translation by Sebastião Uchoa Leite (1980), are theoretically examined in order to illustrate possible learning processes.O presente artigo trata de como a leitura de literatura de ficção pode constituir uma experiência de aprendizado para o leitor – um aprendizado que nem é instrucional, nem deve ser confundido com autoajuda. Parte-se da hipótese de que, no contato com a “arte verbal” (LOPES, 2012, p. 1), o leitor pode expandir a mente (SPOLSKY, 2015a), adquirir novos conhecimentos (GREEN, 2010) e aprender sobre emoções (KÜMMERLING-MEIBAUER, 2012; NIKOLAJEVA, 2014; SUIHKONEN, 2016). Baseia-se, principalmente, nos recentes estudos cognitivos da literatura, que abordam o texto literário de ficção do ponto de vista dos processos mentais que podem se desdobrar a partir de sua leitura. Para ilustrar esses possíveis processos de aprendizado, são examinados teoricamente trechos dos contos Aventuras de Alice no país das maravilhas e Através do espelho e o que Alice encontrou lá, de Lewis Carroll, em tradução de Sebastião Uchoa Leite (1980)