University of Pernambuco - Engineering School/ Editorial System Journals
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Um Metamodelo para Plataforma de Software de Múltiplos Lados de Apoio a Ecossistemas de Negócios em Arranjos Produtivos Locais
Os Arranjos Produtivos Locais (APLs) são um conjunto de iniciativas que visam promover o desenvolvimento econômico regional por meio da colaboração e cooperação de empresas, instituições e órgãos governamentais em áreas geográficas adjacentes. Seus participantes incluem fornecedores, produtores e clientes e visam aumentar a competitividade da região e fomentar a inovação (SÁ et al., 2020). Para dar suporte aos APLs, o uso de Plataformas de Software de Múltiplos Lados (PSML) tem se mostrado uma estratégia promissora. Elas facilitam a interação e a troca de informações entre diversos atores de um ecossistema de negócios, coordenando atividades e compartilhamento recursos e criando valor coletivo (CUSUMANO et al., 2019; PARKER et al., 2016). No entanto, desenvolver tais plataformas para Pequenas e Médias Empresas (PMEs) enfrenta desafios em termos de interoperabilidade e adaptação às especificidades dos APLs. Exemplos desses desafios incluem: identificar estratégias de evolução da plataforma, estruturar requisitos de entrada de parceiros, definir estratégias de subsídios para atrair participantes e facilitar efeitos de rede, estruturar interações entre participantes e desenvolver políticas de monetização (PARKER et al., 2016). Diante dos desafios mencionados, surge à necessidade de um metamodelo que forneça uma estrutura conceitual para orientar PME no design e implementação de PSML voltadas para os ecossistemas de negócios considerando características particulares dos APLs como a diversidade de atores, as interdependências entre as empresas e a necessidade de colaboração e compartilhamento de recursos (Li et al., 2020). A pesquisa apresentada tem implicações teóricas e práticas. Do ponto de vista teórico, ajudará a melhorar o conhecimento sobre PSML com foco em APLs. Além disso, o estudo preenche uma lacuna na literatura, pois poucos estudos focaram especificamente na criação modelos que orientem PMEs nesse contexto específico (DE REUVER et al., 2018; TIWANA, 2013). Do ponto de vista prático, este estudo fornecerá diretrizes para o desenvolvimento de uma PSML eficaz para apoiar os ecossistemas de negócios presentes nos APLs. Isso terá um grande impacto nas organizações envolvidas nos arranjos produtivos, aumentando a eficiência, colaboração e competitividade desses ecossistemas (ADNER&KAPOOR, 2010; JACOBIDES et al., 2018). O objetivo desta pesquisa em andamento é desenvolver um metamodelo de criação de PSMLs para apoiar ecossistemas de negócios existentes em APLs formados por PMEs. Os objetivos específicos incluem: revisar a literatura existente sobre PSML e APLs; identificar os requisitos e características exclusivas dos APLs que devem ser considerados ao desenvolver uma PSML; propor um metamodelo que integre conceitos de PSML e as especificidades dos APLs; validar o metamodelo por meio de estudos de caso e avaliações com especialistas na área; fornecer um guia prático para pequenas e médias empresas aplicarem o metamodelo para o desenvolvimento de PSML para APLs. Para conduzir esta pesquisa, uma revisão sistemática da literatura (RSL) será realizada para identificar os conceitos e requisitos relevantes das PSML e dos APLs. Posteriormente, será realizado um estudo exploratório para levantar dados sobre as características e necessidades dos ecossistemas de negócios presentes em APLs específicos. Essas abordagens servirão de base para a proposição do metamodelo que envolverá a definição de seus elementos e relacionamentos. Para validar o metamodelo serão conduzidos estudos de caso em APLs reais e serão solicitadas e avaliadas contribuições de especialistas do setor. O metamodelo será aplicado em uma PMSL chamada Hubconfecções que é voltada para um APL do ramo têxtil localizado no interior pernambucano, Projeto este que é fruto de uma parceria entre o PPGEC e COMEIA, fomentada pela FACEPE uma empresa de desenvolvimento de sistemas localizada na região. Investigações preliminares indicam requisitos específicos para as PSML em APLs, como a necessidade de flexibilidade para acomodar a diversidade de atores, a capacidade de promover a colaboração e a troca de informações entre os participantes do ecossistema. Além disso, apontam a necessidade de explorar e propor ferramentas e recursos que possam auxiliar as PMEs na construção de plataformas multilaterais para APLs. Esta pesquisa em andamento busca desenvolver um metamodelo que oriente o design e a implementação de plataformas de software de múltiplos lados voltadas para os ecossistemas de negócios presentes em Arranjos Produtivos Locais para PMEs. A pesquisa visa preencher uma lacuna na literatura e fornecer diretrizes práticas para apoiar o desenvolvimento de plataformas eficazes para os APLs. Espera-se que os resultados desta pesquisa contribuam para aprimorar a colaboração, a eficiência e a competitividade dos APLs, promovendo o desenvolvimento econômico regional.
Palavras-chave: Arranjos Produtivos Locais. Ecossistemas de Negócios; Colaboração; Plataformas de Software de Múltiplos Lados.
References
ADNER, R.; KAPOOR, R. Value creation in innovation ecosystems: How the structure of technological interdependence affects firm performance in new technology generations. Strategic Management Journal, v. 31, n. 3, p. 306-333, 2010.
CUSUMANO, M.A.; GAWER, A.; YOFFIE, D.B. The Business of Platforms: Strategy in the Age of Digital Competition, Innovation and Power, 1st ed., HarperCollins Publishers Ltd: Toronto, ON, Canada, 2019b.
DE REUVER, M.; SØRENSEN, C.; BASOLE, R. C.; YOO, Y.; & HESS, T. J. The platform ecosystem as a new form of organizing: Implications for innovation management. Journal of Product Innovation Management, v. 35, n. 3, p. 334-360, 2018.
JACOBIDES, M. G.; CICCARELLI, M.; & RANCIANI, F. Embracing digital technology: A new strategic frontier for incumbents. ResearchPolicy, v. 47, n. 9, p. 1679-1690, 2018.
LI, Z.; WANG, Y.; ZHANG, Y.; & ZHANG, J. Evolutionary design of smart manufacturing service systems in an open innovation environment. IEEE Transactions on Industrial Informatics, v. 16, n. 5, p. 3056-3066, 2020.
PARKER, G. G.; ALSTYNE, M. W . V.; CHOUDARY, S. P. Platform Revolution: How Networked Markets Are Transforming the Economy - and How to Make Them Work for You, 1nd ed.; W. W. Norton & Company: New York, NY, USA; London, UK, 2016.
SÁ, M. P.; SILVA, A. L.; & GOMES, R. C. The impact of social capital on the performance of local production arrangements: The case of the furniture sector in Brazil. Journal of Cleaner Production, v. 251, p. 119692, 2020.
TIWANA, A. Platform ecosystems: Aligning architecture, governance, and strategy. Morgan Kaufmann, 2013
Otimização da retificação térmica de diodos térmicos baseados em cristais líquidos nemáticos através de algoritmos genéticos
Neste projeto, estudamos diodos térmicos formados a partir do confinamento geométrico de cristais líquidos nemáticos, que são materiais que exibem propriedades intermediárias entre sólidos cristalinos e líquidos convencionais isotrópicos. Na fase nemática, as moléculas do cristal líquido apresentam alinhamento na direção de um campo diretor. Esta propriedade pode levar a efeitos de anisotropia térmica (OMAR, 1975). Utilizaremos os métodos de elementos finitos (FORTUNA, 2000) para simular o fluxo de calor ao longo das estruturas dos dispositivos. Um diodo térmico construído a partir de cristais líquidos confinados em um cilindro foi proposto e investigado por (MELO, 2016). Uma modificação foi proposta por (SILVA, 2018) que verificou uma otimização na retificação térmica ao realizar uma pequena deformação na geometria em formato de tronco de cone e verificou que a retificação foi inversamente proporcional à razão do raio menor pelo raio maior Rr. Em nosso trabalho, investigamos o regime de grandes deformações (isto é, Rr << 1), obtendo uma solução aproximada para as equações de Euler-Lagrange que definem a orientação do campo diretor de uma molécula na configuração de mínima energia (CLADIS, 1972). Em seguida, é realizada a simulação de elementos finitos para a equação do calor no sistema, o que permite determinar a retificação térmica ao comparar os fluxos de calor nas direções de propagação direta e inversa. Por fim, empregamos algoritmos genéticos (FORREST, 1996) com o intuito de otimizar a retificação térmica em função dos parâmetros geométricos, térmicos e moleculares do dispositivo
Colaborações entre Indústria e Academia no Desenvolvimento Ágil de Software:
Um dos fatores de inserção de novas tecnologias dentro da indústria são as pesquisas-desenvolvimento (P&D) desenvolvidas pelas colaborações entre a indústria e a academia (do inglês, Industry-Academia Collaboration - IAC) dentro de organizações de desenvolvimento de software. Essas práticas colaborativas entre esses ambientes potencializam as trocas de conhecimentos e experiências favorecendo ambas as comunidades envolvidas. Um dos principais processos aplicados dentro do desenvolvimento de software são as metodologias ágeis que apresentam práticas de baixo esforço e redução nas taxas de falhas no desenvolvimento de software (BARNES et al. 2002; JARVINEN et al. 2014). No entanto, a aplicação de projetos colaborativos entre a indústria e academia ainda são considerados baixos, resultando em uma lacuna acerca dos processos de desenvolvimento desse tipo de projeto. Dessa forma, com os números de colaborações entre a indústria-academia em expansão, principalmente visando aspectos de Engenharia de Software e Desenvolvimento Ágil de Software, é importante sintetizar o que está sendo desenvolvido e aplicado na literatura, descrevendo o estado da arte no domínio de pesquisa (KITCHENHAM et Al., 2007; GAROUSI et al., 2016). O artigo tem como fundamento a exposição de resultados da condução de uma RSL, em conjunto com um snowballing, e a construção de uma ontologia sobre o domínio. Tendo como pergunta de pesquisa “identificar e formalizar os conhecimentos em projetos de colaboração indústria-academia, descrevendo a partir de uma ontologia leve as relações entre os desafios e boas práticas relacionadas a execução de projetos colaborativos”. A primeira parte da pesquisa foi a execução da RSL, tendo como pergunta da pesquisa ““Como estão ocorrendo os procedimentos de colaboração entre a indústria e a academia no contexto de Desenvolvimento Ágil de Software? ”. Com as seguintes perguntas de pesquisa: RQ1) Quais os desafios e impedimentos estão ocorrendo nessas colaborações?; RQ2) Quais as práticas foram propostas nessas colaborações?; E RQ3) Que tipo de Modelos de IAC estão sendo propostos? A Construção da String de busca foi realizada através da junção do artigo de Garousi (2016), sobre IAC e de Dingsoyr (2012) sobre agilidade de software. Foram realizadas buscas em bases eletrônicas, como: Springer, IEEE, Scopus, Science Direct e ACM. Consequentemente foi realizado um snowballing partindo dos resultados encontrados na RSL, desenvolvido utilizando o Google Scholar. O processo de codificação e análise dos dados, foram descritas 10 categorias para a RQ1 (como por exemplo, Incompatibilidade entre a indústria e academia – C01, Falta de Treinamento e Experiência – C03, Falta de Interesse e Baixo Comprometimento – C04), 14 categorias para a RQ2 (como por exemplo, Garantir o Engajamento e Gerenciamento dos Projetos – C02, Considerar as necessidades, desafios e metas – C03, Agilidade de Software – C06) e 7 modelos de colaboração entre a indústria e academia (como por exemplo, Technology Transfer Model, Cooperative Method Development – CMD, Dialogical Action Research - DAR). A segunda parte da pesquisa é o desenvolvimento de uma ontologia de domínio e leve, que descreve e apresenta o domínio das Colaborações entre Indústria e Academia, em Desenvolvimento Ágil de Software. Para o desenvolvimento da ontologia foi utilizada o método METHONTOLOGY, que apresentam cinco atividades para a construção de uma ontologia (FERNANDEZ et al., 1997). Diante disso, o objetivo dessa ontologia é inferir um conjunto de boas práticas para mitigação de riscos de projetos, a partir dos desafios descritos pelos participantes de projetos colaborativos (IAC), onde a Questão de Competência (QC) é se “É possível inferir as boas práticas a partir dos desafios apresentados pelos pesquisadores/profissionais?”. A primeira e segunda atividade executadas é a aquisição de conhecimento, formalizada pela RSL e do Snowballing realizado, e a conceitualização em modelos conceituais que descrevem o domínio projetado. Para a Formalização e Implementação da ontologia foi utilizada a ferramenta Protégé e com linguagem OWL. A Verificação é a análise se a ontologia é construída de forma correta e logicamente correta, sendo realizada no próprio Protégé, onde não foram apresentadas inconsistências no desenvolvimento. Já a Validação Ontológico, foram adotados três estudos de caso, descritos por Guillot (2017). A partir das execuções desses estudos de casos, foram descritas boas práticas a partir dos desafios detalhados pelos estudos de caso, como por exemplo, no Caso2 foram relatados 6 desafios na execução de projetos colaborativos e sendo inferidas 12 boas práticas para mitigação desses riscos de projeto. Deste modo, acredita-se que o objetivo geral da pesquisa foi atendido e foram gerados novos objetos para estudo, obtendo artigos aprovados (Marques et al., 2022a e Marques et al., 2022b) e uma ontologia de domínio leve), como também novas hipóteses para trabalhos futuros. A partir desse trabalho, foram descritas evidencias, estratégias e ferramentas que possibilitam a execução de mais projetos colaborativos e que se potencialize as relações entre a indústria e a academia
Aplicação da Energia Solar para Produção de Água Potável Usando o Processo Dessalinização solar por Membrana de Contato Direto: Uma Análise de Transferência de Energia
A escassez de água doce é esperada para ser um dos principais riscos para a sociedade no futuro, uma vez que a demanda global por água está constantemente aumentando devido ao rápido aumento da urbanização, melhoria dos padrões de vida e avanço da globalização. Diante disto, discutem-se os processos de dessalinização de água do mar com base em quantidades substanciais de energia para a produção de água doce (Hedayatizadeh e Sarhaddi, 2021; Ali et al., 2018). A utilização de fontes de energia renováveis, como a energia solar, representa uma solução sustentável para os processos de dessalinização tanto do ponto de vista econômico quanto ambiental (Drioli e Macedonio, 2015; Christie et al., 2020; Cong et al, 2021). Este traballho tem como objetivo investigar o desempenho de um modelo matemático detalhado que inclui a transferência de calor e massa para o módulo de destilação de membrana de contato direto (MCD) movido à energia solar (Drioli et al., 2012; Chamani et al., 2021). Para que este objetivo ser alcançado, um sistema integrado de módulo solar que inclui um sistema de destilação por membrana de contato direto foi modelado. Um sistema de equações foi resolvido usando o método de Runge-Kutta de quarta ordem. Um simulador computacional foi desenvolvido para resolver as equações do modelo proposto. A análise dos resultados obtidos e a validação dos resultados do módulo de destilação por membrana de contato direto foram realizadas. Por outro lado, os perfis de temperatura ótima e a taxa de produção de água potável no sistema de destilação por membrana de contato direto também foram calculadas
Estudo do uso da Termografia Infravermelha para identificação de manifestações patológicas em revestimentos de fachada
As fachadas dos edifícios têm uma função importante. além do aspecto estético, a sua qualidade tem um impacto direto no ambiente interno, podendo afetar a saúde e o conforto dos usuários. Ao longo da sua vida útil, as estruturas passam por um processo de degradação, sendo as fachadas e a coberta os elementos mais expostos às intempéries (SOUZA, 2016). Portanto é necessário que sejam realizadas manutenções regulares com a finalidade de garantir um certo nível de desempenho e vida útil, conforme especifica a NBR 15575 (ABNT, 2013). Neste contexto, a Termografia Infravermelha (IRT) se apresenta como uma Técnica Não Destrutiva (TND’s) que auxilia as inspeções na detecção de manifestações patológicas visíveis na superfície e ocultas, como por exemplo: fissuras, umidade e desplacamento cerâmico. Além disso, a aplicação da IRT nas inspeções de fachadas tem demonstrado resultados positivos em análises tanto qualitativas quanto quantitativas. Posto isto, este trabalho trata-se de uma Revisão Sistemática da Literatura (RSL) com o objetivo de apresentar os resultados do uso dessa técnica aplicada em revestimentos de fachada no Brasil e no mundo, buscando compreender os avanços, as limitações e as lacunas existentes. Isso visa auxiliar a comunidade científica em futuros trabalhos. A RSL foi baseada no fluxograma PRISMA distinta em três etapas, a saber identificação, triagem e inclusão. Os artigos foram extraídos das bases Science Direct, Scopus e no Portal da Capes, utilizando a string a string “[("facade" OR "façade") AND (“infrared" OR "thermography") AND ("damage" OR "defect" OR "problem") NOT ("energy efficiency" OR "thermal comfort")]”. A seleção dos artigos seguiu os seguintes parâmetros: apenas artigos de pesquisa, trabalhos elaborados no período de 2018 até abril de 2023, área de estudo de engenharia civil e linguagem inglês e português. Como ferramenta auxiliar foi usado o software Rayyan, desenvolvido pelo QCRI (Qatar Computing Research Institute), no qual foram incluídos um total de 285 artigos (fase de identificação), 283 a partir da string de busca e 3 adicionados manualmente, considerados importantes para o trabalho. Após a triagem, aplicando os critérios de inclusão e exclusão, a revisão sistemática foi composta por 34 artigos. Observa-se uma diversidade de países que utilizam a termografia para detectar danos em fachadas, com destaque para o Brasil, 23%, o maior número entre os estudos analisados. Em seguida, temos a China com 20%, a Espanha com 14% e a Itália com 11%. A maioria das pesquisas concentra-se nos últimos três anos, com um pico em 2021, evidenciam a relevância e atualidade do tema abordado. As formas mais comuns de uso da termografia são a passiva, em que a estrutura ou o material é aquecido naturalmente pela luz do sol e a ativa, que envolve o aquecimento artificial com lâmpadas para que seja atingida a temperatura adequada à análise. A passiva é a técnica mais amplamente utilizada, representando aproximadamente 94% dos estudos analisados, enquanto a termografia ativa é empregada de forma mais restrita, correspondendo a apenas 6% dos casos. Em relação aos revestimentos inspecionados, a maioria dos estudos concentrou-se em argamassados (37%) e pedra (30%), sendo a maioria dos trabalhos voltados para estudos de caso abordoando o uso da termografia infravermelha para a recuperação e restauração de edifícios históricos. Dentre as manifestações patológicas identificadas estão: fissuras, manchas de umidade (ascendente, acidental, por percolação e da própria edificação), desplacamento cerâmico, destacamento de pintura, mofo e eflorescência. Embora a IRT tenha se mostrado eficiente na detecção das manifestações patológicas, na maioria dos artigos ela foi usada combinada à outras TND’s, de forma a possibilitar uma investigação mais aprofundada que evita interpretações errôneas (ADAMOPOULOS et al., 2021). Algumas das técnicas mais comumente aplicadas foram: inspeção visual, mapa de danos, laser scanner terrestre, radar de penetração em solo, fotogrametria digital aérea (realizado com Veículo Aéreo Não Tripulado – VANT), medição de resistividade, além da elaboração de imagens 2D e 3D elaboradas em software apropriado, sendo realizadas sobreposições entre os resultados das técnicas descritas a fim de melhorar a visualização dos danos. O uso da câmera termográfica acoplada ao VANT tem ampliado a técnica e permitindo a análise de uma área muito maior. No que diz respeito aos pontos negativos, Alexakis et al. (2018), comentam que comparar os dados da termografia é desafiador devido às diferentes condições ambientais de temperatura e umidade relativa em que as medições são realizadas e Donato et al. (2021) observam que a emissividade pode afetar os termogramas devido ao ângulo de disparo. O desenvolvimento de metodologias para detecção automática dos danos em termogramas e fotografias por meio de algoritmos e inteligência artificial tem se mostrado satisfatório. Assim, a IRT se mostra eficaz na identificação de manifestações patológicas, sendo capaz embasar a elaboração de planos para manutenção e recuperação das fachadas. No entanto, como a interpretação dos termogramas ainda depende substancialmente da experiência do operador e seu resultado depende de inúmeras variáveis, como câmera utilizada, emissividade e condições climáticas, por exemplo; se faz necessário a elaboração de diretrizes para potencializar o uso da termografia infravermelha de forma individual, além de um estudo aprofundado sobre cada parâmetro relacionado e suas interferências nos resultados obtidos.
Palavras-chave: Termografia infravermelha; revestimento; manifestações patológicas; revisão sistemática.
Referências
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15575-1: Edificações habitacionais — Desempenho. Parte 1: Requisitos gerais. Rio de Janeiro, 2013. 71 p.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15575-4: Edificações habitacionais — Desempenho. Parte 4: Sistemas de vedações verticais internas e externas - SVVIE. Rio de Janeiro, 2013. 63 p.
ALEXAKIS, Emm. et al. NDT as a monitoring tool of the works progress and the assessment of materials and rehabilitation interventions at the Holy Aedicule of the Holy Sepulchre. Construction and Building Materials, v. 189, p. 512-526, 2018. DOI: https://doi.org/10.1016/j.conbuildmat.2018.09.007.
APOSTOLOPOULOU, M. et al. Study of the historical mortars of the Holy Aedicule as a basis for the design, application and assessment of repair mortars: A multispectral approach applied on the Holy Aedicule. Construction and Building Materials, v. 171, p. 618-637, 2018. DOI: https://doi.org/10.1016/j.conbuildmat.2018.06.016.
DONATO, A. et al. Decay Assessment of Stone-Built Cultural Heritage: The Case Study of the Cosenza Cathedral Façade (South Calabria, Italy). Remote Sensing, v. 13, 3925, 2021. DOI: 10.3390/rs13193925.
SOUZA, J. Evolução da Degradação de Fachadas - Efeito dos agentes de degradação e dos elementos constituintes. Dissertação (Mestrado em Estruturas e Construção Civil) – Universidade de Brasília. Brasília. Brasília, 2016.
 
Avaliação do Desempenho Mecânico e Termoacústico do Compósito Gesso-fibra de Bambu (Bambusa Vulgaris)
Na presente pesquisa foram moldados corpos de prova com as relações água/gesso (a/g) de 0,7 e 0,8, com a adição de fibras de bambu de 2%, 4% e 6% em relação a massa de gesso, sendo avaliados quanto à resistência à compressão axial, resistência à tração na flexão, condutividade térmica, isolamento acústico e a microestrutura da fibra. O maior valor de resistência à compressão axial foi alcançada com 2% de adição de fibras de bambu e relação a/g de 0,7. Na resistência à tração na flexão foi possível observar que a adição de fibra de bambu não contribuiu para o ganho de resistência do compósito. Em relação a condutividade térmica, houve uma diminuição da condutividade com a adição de fibra. Quanto ao isolamento acústico, houve uma maior absorção sonora com a adição de 2% fibras e com a relação a/g de 0,7, para a maioria das frequências. Assim, para as condições descritas na presente pesquisa, o compósito com a adição de 2% de fibras de bambu e a/g 0,7, apresentou, de maneira geral, o melhor comportamento mecânico e acústico. Quanto ao comportamento térmico, a adição de 6% mostrou-se mais efetiva
Desenvolvimento de Um Robô Cartesiano Pick-and- Place Com 4 Graus de Liberdade
This article presents the development of a 4-degree-of-freedom Cartesian pick-and-place robot, designed to perform object movement and positioning tasks in controlled environments. The project is divided into three phases: mechanical, electrical, and software. In the mechanical phase, the robot is physically assembled with claw modeling and printing. The electrical phase involves designing a circuit board and building power and control circuits for the manipulator, along with selecting stepper motors, servo motors, power supply and voltage regulators. In the final phase, is developed the device firmware, that is capable of receiving commands from a smartphone GUI, enabling motion in three Cartesian axes, rotation, and claw closing. The main results demonstrate the feasibility of constructing an accessible, functional robotic manipulator capable of pick-and-place actions.Este artigo apresenta o desenvolvimento de um robô cartesiano pick-and-place com 4 graus de liberdade, destinado a realizar tarefas de movimentação e posicionamento de objetos em ambientes controlados. O projeto é dividido em três fases: mecânica, elétrica e software. Na fase mecânica, o robô é montado fisicamente com a modelagem e impressão da garra. Na fase elétrica, uma placa de circuito é elaborada e os circuitos de potência e controle do manipulador são construídos, além da definição dos motores de passo, servomotores, fontes de alimentação e reguladores de tensão. Na última fase, é desenvolvido o firmware do dispositivo, que é capaz de receber comandos através de um aplicativo para smartphone, permitindo a movimentação nos três eixos cartesianos, rotação e fechamento da garra. Os principais resultados demonstram a viabilidade de construir um manipulador robótico acessível, funcional e capaz de realizar as ações esperadas de um dispositivo pick-and-place