Portal de Publicações da Faculdade de Medicina de Campos
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Erythrina:: do uso popular aos registros científicos de suas espécies
O gênero Erythrina, pertencente à família Fabaceae, apresenta diversas espécies, dentre as quais destaca-se a E. mulungu. Descrita no Formulário de Fitoterápico, da Farmacopeia Brasileira (FFFB), 2ª edição, a decocção da casca dessa espécie é indicada como auxiliar no alívio de quadros leves de ansiedade e insônia. Morfologicamente, as espécies desse gênero apresentam grande semelhança, o que pode representar um risco para a população que faz uso de plantas sem a devida identificação botânica, visto que a composição química pode ser diferente. O modo de preparo e a parte da planta utilizada também requerem atenção. Com o objetivo de identificar os aspectos relacionados ao uso popular de espécies do gênero Erythrina e contribuir para o uso racional e seguro da fitoterapia, foi aplicado um questionário, via Google Forms, no período de abril a maio de 2025, contendo 13 perguntas relacionadas à utilização de espécies do gênero Erythrina. 162 respondentes de ambos os sexos, com idade superior a 18 anos, que concordaram com o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), por meio de aceite online, participaram da pesquisa, aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa. Os resultados revelaram que 80% (n=130) dos respondentes eram do sexo feminino e que 19% (n=31) já havia feito uso de alguma espécie do gênero Erythrina. A E. mulungu, cuja sinonímia é E. verna, representa a espécie mais utilizada pela população (71%, n=22). As folhas de E. mulungu constituíram a parte da planta mais frequentemente utilizada pelos respondentes (46%, n=10) e a finalidade atribuída às mesmas, se assemelha à indicação do FFFB para a casca do caule. 36% (n=8) fazem uso da casca do caule para mesma finalidade, preparando-a por infusão, método de extração não indicado para partes vegetais duras. Embora o uso da E. mulungu seja contraindicado durante o período de gestação e/ou lactação, 9% (n=2) dos usuários dessa espécie afirmaram tê-la usado nessas circunstâncias e, 23% (n=5) a utilizaram com idade igual ou inferior a 18 anos, o que não é indicado devido à falta de dados adequados quanto a segurança nessa faixa etária. Outras espécies apontadas pelos respondentes foram a E. velutina, utilizada por 10% (n=3) dos respondentes, e a E. speciosa, utilizada por 3% (n=1). 16% não conseguiram identificar, pelas imagens apresentadas, a espécie que utiliza. De forma geral, o uso de espécies do gênero Erythrina teve como finalidade o tratamento de quadros leves de ansiedade e insônia, tal qual é mencionado no FFFB, para a espécie E. mulungu. A prática de comercialização de plantas sem a devida identificação, bem como a semelhança entre espécies do mesmo gênero podem justificar o percentual de respondentes que não identificaram a espécie utilizada. Os resultados evidenciaram concordância com a literatura científica no que diz respeito às indicações terapêuticas para a espécie citada no FFFB, 2ª edição, mas apontaram divergências importantes quanto à parte da planta utilizada, ao modo de preparo e às advertências, apontando para a necessidade de orientação técnica nas práticas de fitoterapia a fim de garantir a eficácia e a segurança desses produtos
Serviço de teleconsulta farmacêutica na alta hospitalar em um hospital de alta complexidade
A alta hospitalar é um momento crítico na continuidade do cuidado em saúde, sendo frequentemente marcada por lacunas na comunicação entre equipe multiprofissional e pacientes, o que pode com- prometer a adesão ao tratamento e a segurança no uso dos medicamentos. Diante disso, este trabalho teve como objetivo identificar as principais dúvidas e queixas relacionadas ao uso de medicamentos apresentadas pelos pacientes durante as teleconsultas farmacêuticas após a alta hospitalar, destacando os fatores que podem interferir na adesão e segurança do tratamento. Trata-se de um estudo observacional transversal, realizado por meio da análise de prontuários de atendimentos farmacêuticos remotos, logo após a alta de um hospital de alta complexidade. Os dados foram coletados entre abril e maio de 2025, organizados em planilhas eletrônicas e analisados estatisticamente. Foram registradas dúvidas em diferentes aspectos do tratamento medicamentoso, com maior número de casos relacionados a cuidados gerais, administração do medicamento e posologia. As queixas mais frequentes foram associadas a efeitos adversos/colaterais, dificuldades de acesso aos medicamentos e ausência de acompanhamento por profissionais de saúde. Observou-se que, mesmo com o avanço das ferramentas digitais, persistem barreiras que dificultam o entendimento e a execução adequada da farmacoterapia, como limitações cognitivas e emocionais dos pacientes, baixa escolaridade, pouco domínio de tecnologias e ausência de suporte familiar. A teleconsulta farmacêutica se mostrou uma alternativa viável para promover a continuidade do cuidado em domicílio, sendo capaz de oferecer orientação técnica e apoio emocional, desde que adaptada às necessidades individuais dos pacientes. Conclui-se que apenas a entrega de informações no momento da alta não garante compreensão e adesão ao tratamento. Estratégias como revisão estruturada da medicação, materiais de apoio acessíveis, linguagem adaptada à realidade do paciente e inclusão de cuidadores ou familiares, além da oferta de canais diretos de contato com o farmacêutico, são essenciais para promover o autocuidado, evitar erros relacionados ao uso de medicamentos e reduzir reinternações. Este estudo reforça o papel do farmacêutico como educador em saúde e agente essencial na transição do cuidado hospitalar para o domiciliar
Práticas no descarte de medicamentos vencidos por pacientes atendidos na Farmácia Municipal de São Fidélis, RJ
O estudo aborda o problema do descarte inadequado de medicamentos vencidos e seus impactos ambientais. Estudos mostram que grande parte da população ainda realiza esse descarte inadequado, geralmente no lixo comum ou rede de esgoto. O município de São Fidélis, RJ, conta com empresas terceirizadas que recolhem os medicamentos vencidos de farmácias e drogarias. E, o município não conta com postos de coleta acessíveis à população, contribuindo para o descarte inadequado. A Lei N° 12.305/2010, que institui sobre a Política Nacional de Resíduos Sólidos, dispõe sobre a responsabilidade compartilhada e o gerenciamento dos resíduos. A pesquisa teve como objetivo identificar as práticas do descarte dos medicamentos vencidos e o conhecimento sobre os riscos advindos dessa prática de pacientes da Farmácia Municipal de uma cidade de pequeno porte. Trata-se de um estudo observacional, transversal e prospectivo, realizado com 265 pacientes da Farmácia Municipal de São Fidélis, RJ, no período de março a abril de 2025. As entrevistas abordaram perfil sociodemográfico, práticas de consumo, descarte de medicamentos e o conhecimento dos pacientes quanto aos riscos advindos do descarte incorreto. A maioria dos entrevistados foram mulheres, a faixa etária que prevaleceu foi entre 51 a 60 anos, com prevalência de pacientes com ensino fundamental incompleto, o local de descarte mais utilizado pelos pacientes foi o lixo comum e quanto ao reconhecimento das consequências do descarte incorreto, observou-se a prevalência dos pacientes com ensino médio completo. No entanto, os pacientes com ensino fundamental incompleto destacaram-se por não reconhecerem as consequências do descarte incorreto. Portanto, a ausência de postos de coleta e a presença do lixão ativo na cidade, contribuem para o descarte incorreto, destacando a necessidade de políticas públicas e ações educativas, visando à conscientização da população e o acesso à informação sobre o tema
A importância da Conciliação Medicamentosa para o serviço de farmácia clínica do Hospital Escola Álvaro Alvim
No Brasil, o conceito de Conciliação Medicamentosa (CM) aborda um processo que permite a elaboração de uma lista dos medicamentos utilizados pelo paciente, organizando-os e realizando comparações de maneira a evitar problemas relacionados aos medicamentos. O projeto da CM da Faculdade de Medicina de Campos (FMC) é constituído por docentes e discentes do curso de Farmácia e Medicina, que compõem grupos para realizar a visita periódica nas respectivas enfermarias. O objetivo desse trabalho é relatar a experiência, como discentes no projeto CM e evidenciar a contribuição desse serviço clínico à proteção, promoção e recuperação da saúde do paciente. Em 2024, os extensionistas do presente trabalho foram aprovados no processo seletivo para integrar a CM. A dinâmica utilizada foi tornar os extensionistas, responsáveis por um grupo, o que auxiliou no desenvolvimento de atividades como liderança, comunicação interpessoal e trabalho em equipe. Além disso, as visitas à beira-leito foram de grande aprendizado para o raciocínio clínico e comunicação com a equipe multidisciplinar. Ao participar do projeto, foi possível integrar os conhecimentos teóricos e práticos, o que enriqueceu todo o processo. Componentes curriculares como Farmacologia, Farmacologia clínica, Farmácia clínica, Imunologia, Hematologia, Parasitologia e Semiologia aplicada à Farmácia, foram matérias que a prática possibilitou um grande desenvolvimento profissional e teórico. A interação com os tutores e equipe multidisciplinar, contribuiu para o trabalho em equipe e, principalmente, um melhor auxílio aos pacientes. O projeto de extensão é uma atividade enriquecedora e, a CM, foi o projeto onde aprendemos que o atendimento humanizado e um olhar para o paciente “como um todo”, se fazem mais que necessários, afinal o paciente também é “o amor de alguém”
Esclerose tuberosa diagnosticada em idade adulta:: um relato de caso
Tuberous sclerosis complex (TSC) or simply tuberous sclerosis (TS), also known as Bourneville-Pringle disease, is an autosomal dominant genetic disease of rare incidence, which modifies cell proliferation mechanisms, generating hamartomas in several organs. Among the main sites that generate symptoms, the central nervous system (CNS) and the skin with its cutaneous appendages, among other organs, can be highlighted. For the definitive diagnosis of this pathology, a genetic test with a mutation in the TSC1 or TSC2 gene is needed; 2 major clinical criteria or 1 major clinical criterion and 2 minor clinical criteria. Treatment is strongly related to the affected site and as it can affect several sites simultaneously, multidisciplinary monitoring is necessary. Still on treatment, currently the use of targeted therapy with mTORC1 inhibitors is a great alternative.O Complexo Esclerose Tuberosa (CET) ou simplesmente Esclerose Tuberosa (ET), também conhecida como doença de Bourneville-Pringle, é uma doença genética autossômica dominante de rara incidência, que modifica os mecanismos de proliferação celular, gerando hamartomas em diversos órgãos. Dentre os sistemas afetados, destacam-se o Sistema Nervoso Central (SNC), pele e anexos cutâneos, renal, respiratório, cardíaco e oftalmológico. O diagnóstico definitivo da esclerose tuberosa requer a identificação de uma mutação patogênica em um dos genes associados à doença, TSC1 ou TSC2, por meio de teste genético molecular; 2 critérios clínicos maiores ou 1 critério clínico maior e 2 critérios clínicos menores. O tratamento da esclerose tuberosa está intimamente relacionado aos sistemas acometidos, considerando-se que a doença pode afetar múltiplos órgãos simultaneamente. Dessa forma, torna-se imprescindível o acompanhamento por uma equipe multidisciplinar, a fim de garantir uma abordagem terapêutica abrangente e individualizada. No que tange às estratégias terapêuticas, destaca-se ainda que, atualmente, o uso de terapia alvo com inibidores da mTORC1 é uma ótima alternativ
Impacto da interação fármaco-alimento na eficácia do tratamento de doenças da comunidade
Drug interactions occur when the effects of a drug are altered by another drug or food, and may be physicochemical, pharmacokinetic or pharmacodynamic. Drug-food interactions involve cytochrome P450 enzymes and P-glycoprotein, impacting the efficacy and safety of the treatment of diseases in the community. Foods such as grapefruit, dairy products and alcohol can modify the effects of antihypertensives, antidepressants, NSAIDs and anticoagulants, among others. Drug-drug interactions (DDIs) account for 26% of adverse events, increasing hospitalizations. Of the 1658 articles found in PubMed, 40 were selected, highlighting that food can interfere with the efficacy and safety of antihypertensives, antidepressants, NSAIDs and anticoagulants, increasing the risk of toxicity and decreasing absorption, demonstrating the importance of considering diet when prescribing medications to optimize treatment efficacy and minimize risks. Training healthcare professionals is crucial to ensuring safe and effective treatment in the community.As interações medicamentosas ocorrem quando os efeitos de um medicamento são alterados por outro fármaco ou alimento, podendo ser físico-químicas, farmacocinéticas ou farmacodinâmicas. Interações fármaco-alimento envolvem enzimas do citocromo P450 e glicoproteína P, impactando a eficácia e segurança do tratamento de doenças da comunidade. Alimentos como toranja, laticínios e álcool podem modificar os efeitos de anti-hipertensivos, antidepressivos, AINEs e anticoagulantes, entre outros. As interações entre medicamentos (drug-drug interactions - DDIs) representam 26% dos eventos adversos, aumentando hospitalizações. Dos 1658 artigos encontrados no PubMed, 40 foram selecionados, destacando que alimentos podem interferir na eficácia e segurança de anti- hipertensivos, antidepressivos, AINEs e anticoagulantes, aumentando riscos de toxicidade e diminuindo absorção, demonstrando a importância de considerar a dieta ao prescrever medicamentos para otimizar a eficácia do tratamento e minimizar riscos. A capacitação dos profissionais de saúde é crucial para garantir um tratamento seguro e eficaz na comunidade
Esporos e impacto clínico de Clostridium botulinum:: uma revisão integrativa
Clostridium botulinum is a pathogen of relevance to public health due to its ability to produce potent neurotoxins and form highly resistant spores. This study consists of an integrative review of strategies for spore inactivation, identification, and control of C. botulinum in food, based on the analysis of 11 articles published between 2022 and 2024. Methods such as UV-C irradiation, supercritical carbon dioxide, qPCR, and the development of non-toxic surrogate strains were addressed. UV-C irradiation proved effective in spore inactivation, although with limitations in liquid foods. Molecular techniques, such as qPCR targeting the 16S rRNA gene, demonstrated high sensitivity in detecting C. botulinum in different food matrices. Additionally, non-toxic surrogate strains facilitated tests without health risks. The clinical impact of botulism was evidenced in outbreaks related to contaminated food, reinforcing the need for effective control methods. It is concluded that the integration of physical, molecular, and genetic techniques, combined with good hygiene practices, is essential to ensure food safety and prevent botulism outbreaks.Clostridium botulinum é um patógeno de relevância para a saúde pública devido à sua capacidade de produzir neurotoxinas potentes e formar esporos altamente resistentes. Este estudo consiste em uma revisão integrativa das estratégias para a inativação de esporos, identificação e controle de C. botulinum em alimentos, com base na análise de 11 artigos publicados entre 2022 e 2024. Foram abordados métodos como irradiação UV-C, dióxido de carbono supercrítico, qPCR e o desenvolvimento de cepas substitutas não tóxicas. A radiação UV-C mostrou-se eficaz na inativação de esporos, porém com limitações em alimentos líquidos. Técnicas moleculares, como a qPCR direcionada ao gene 16S rRNA, demonstraram alta sensibilidade na detecção de C. botulinum em diferentes matrizes alimentares. Além disso, cepas substitutas não tóxicas facilitaram a realização de testes sem riscos à saúde. O impacto clínico do botulismo foi evidenciado em surtos relacionados a alimentos contaminados, reforçando a necessidade de métodos eficazes de controle. Conclui-se que a integração de técnicas físicas, moleculares e genéticas, aliada a boas práticas de higiene, é fundamental para garantir a segurança alimentar e prevenir surtos de botulismo
Interferência de medicamentos em exames laboratoriais:: leucocitose induzida por uso de corticosteróide na clínica médica
A utilização de medicamentos na prática clínica é essencial para alcançar êxitos terapêuticos específicos, conforme a natureza de cada patologia. Os corticosteroides são amplamente empregados no tratamento de doenças alérgicas, autoimunes e inflamatórias, como o lúpus eritematoso sistêmico (LES). No entanto, essa classe farmacológica pode provocar alterações em exames laboratoriais, o que pode resultar em interpretações equivocadas e, consequentemente, em condutas clínicas inadequadas. O presente estudo objetivou avaliar a interferência nos exames laboratoriais do uso prolongado de corticoide em uma paciente com LES. A paciente utilizou o medicamento prednisolona durante 20 dias para LES, diagnosticado durante a hospitalização, sendo observado uma ascendência nos leucócitos, durante alguns exames, até chegar a leucocitose. A equipe de conciliação medicamentosa notou que não havia sintomas de infecção, o médico residente solicitou hemocultura e cultura de urina, ambas negativas. No entanto, por se tratar de uma paciente imunossuprimida, foi prescrito tratamento empírico de antibiótico para a paciente, prolongando seu tempo de internação na unidade hospitalar. Durante o projeto de conciliação medicamentosa, foi apresentado o caso no Round Clínico, juntamente com outros medicamentos que podem interferir nos exames laboratoriais. O conhecimento sobre as interferências medicamentosas em exames laboratoriais é de fundamental importância para a prática clínica, pois contribui para a prevenção de diagnósticos equivocados, otimiza a utilização de recursos e reduz o tempo de hospitalização dos pacientes
Fotoproteção e câncer de pele:: análise dos profissionais da área da pesca da região Norte Fluminense
O câncer de pele representa a neoplasia mais comum no Brasil. A exposição excessiva ao sol, a ausência de medidas protetivas e a cor da pele são fatores que favorecem o início da doença. Embora os fatores de risco sejam conhecidos, certas ocupações, como a pesca, predispõe os indivíduos a um risco maior. Identificar o perfil epidemiológico e os fatores de risco para o câncer de pele nos profissionais da pesca do Norte Fluminense. Estudo transversal, realizado de acordo com as normativas éticas vigentes que avaliou o perfil epidemiológico do câncer de pele em pescadores da região Norte Fluminense no período entre setembro de 2024 a abril de 2025 através de um questionário aplicado para coleta de dados. Para avaliar a associação entre as variáveis foi utilizado Teste do χ². A pesquisa contou com 103 participantes, sendo 43% do sexo masculino e 57% do sexo feminino. Deste total, 47,6% possui idade superior a 55 anos. Sobre a procedência, 20% residem em São João da Barra, 30% em São Francisco e 50% em Campos dos Goytacazes. Observou-se que 68% tinham o fundamental incompleto. Quanto as comorbidades, 49% referiram não apresentar nenhuma, e 28% referiam ter Hipertensão Arterial Sistêmica. Foi observado que os fototipos 2, 3 e 4 foram os mais prevalentes. O tempo de exposição solar diária foi de mais 8 horas em 50% dos participantes e as atividades mais predominantes exercidas na pesca foram a pesca artesanal 33% e a pesca profissional 31%, além disso, 52% alegaram atuar na área por mais de 30 anos. Foi vista história prévia de queimadura solar em 70% dos casos. Também observou-se a presença de fotodano em 89% desses trabalhadores, com maior prevalência da melanose solar 68,1% e 13,2% apresentaram lesão suspeita de neoplasia. Grande parte afirmou não ter história familiar de câncer de pele 84%, porém 9% dos participantes possuíam história pessoal de câncer de pele, sendo o Carcinoma Basocelular o tipo histológico mais comum e com localização predominante na face. A pesquisa também avaliou os conhecimentos e a prática da fotoproteção dos participantes onde 90% afirmaram conhecer a importância da fotoproteção e mais da metade demonstraram fazer uso de alguma medida de fotoproteção regular. Dos que utilizam medidas fotoprotetoras, 31,3% apontaram utilizar chapéu, 17,2% protetor solar e chapéu, 10% protetor solar e camisa de proteção UV, e 17,2% utilizavam apenas o protetor solar. Em relação aos que não fazem uso de nenhuma medida, 45% revelaram não querer, 19% não conhecem as medidas e 19% apontaram o fator financeiro como causa. Ao serem questionados sobre já terem realizado consulta com um dermatologista, 63% responderam que não, sendo o principal motivo não achar que houvesse necessidade. Com base nos resultados estatísticos, não foi encontrado associação entre fazer uso de medidas fotoprotetoras com o sexo (OR= 0.802; IC95% 0,357-1,782; p = 0,687). A respeito dos participantes com história prévia de câncer de pele, foi encontrado que 100% dos participantes que já desenvolveram a neoplasia possuíam fotodano. Os resultados indicam que, apesar do conhecimento sobre a importância da fotoproteção, a adesão à práticas preventivas ainda é baixa, devido à falta de informação e fatores socioeconômicos. O fotodano presente em 89% dos participantes reforça a relação entre exposição solar crônica e seus efeitos. Isso destaca a necessidade de ações educativas que incentivem a prevenção e a detecção precoce de lesões malignas
Perfil clínico de pacientes com neoplasias malignas de tireoide em Hospital Universitário do Norte Fluminense
O câncer de tireoide é a neoplasia endócrina mais comum, com alta incidência entre mulheres. Embora apresente, na maioria dos casos, curso indolente, formas avançadas podem evoluir com metástases e óbito, reforçando a importância do conhecimento do perfil clínico e prognóstico desses pacientes. Este estudo objetivou analisar o perfil clínico de pacientes com neoplasias malignas de tireoide atendidos no Hospital Escola Álvaro Alvim (HEAA), em Campos dos Goytacazes-RJ, entre 2010 e 2023. Trata-se de um estudo observacional, retrospectivo e descritivo, com análise de 161 prontuários médicos de pacientes maiores de 18 anos, com diagnóstico confirmado por exame histopatológico. As análises das variáveis sociodemográficas e clinicopatológicas foram realizadas através de proporções e médias, utilizando gráficos e tabelas com auxílio de programa estatístico. Foram levantados 49 prontuários, onde apresentaremos resultados preliminares da população do estudo. Mulheres (83,7%), não-brancas (59,2%), casadas (55,1%), com idade entre 41 e 59 anos (42,9%), procedentes de Campos dos Goytacazes (93,9%), sem histórico de câncer na família (85,7%), ou de outras neoplasias malignas (89,8%), não tabagistas (89,8%), não etilistas (93,9%), portadoras de comorbidades (59,2%), com carcinoma como subtipo histopatológico (81,6%), sem metástase ao diagnóstico (75,5%), com estadiamento clínico I (46,9%), submetidos a tratamento cirúrgico (85,7%), sem a realização de tratamento adjuvante (75,5%), que não apresentaram recidiva (93,9%) e que não vieram a óbito (91,8%) pela doença foram as mais acometidas. A identificação do perfil epidemiológico dos pacientes portadores de câncer de tireoide contribui para estratégias de prevenção e detecção precoce. Os dados obtidos fornecem subsídios para caracterização da população acometida pela neoplasia maligna, colaborando com políticas públicas voltadas ao rastreamento e controle do câncer de tireoide na região