Portal de Publicações da Faculdade de Medicina de Campos
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    Variação anatômica do nervo isquiático tipo A em cadáver no laboratório de anatomia

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    O músculo piriforme e o nervo isquiático possuem uma estreita relação anatômica, uma vez que, em seu trajeto normal, o nervo passa abaixo desse músculo. O nervo isquiático, ou ciático, corresponde ao maior nervo do corpo humano, tendo origem na região lombossacral. Já o músculo piriforme é plano e se localiza profundamente na região glútea. Devido ao trajeto e relação de proximidade com o músculo piriforme, qualquer alteração anatômica pode resultar em dor no nervo isquiático. Isso ocorre devido à compressões ou pinçamento do nervo pelo músculo. Essas alterações podem ser de origem anatômica ou fisiológica. A passagem do nervo isquiático pelo músculo costuma ser num feixe único, saindo da pelve em direção ao membro inferior. Sua inserção habitualmente ocorre na fossa poplítea, região na qual o nervo isquiático se divide em: tibial e fibular comum. O objetivo deste estudo é documentar e analisar essa variação, destacando suas implicações clínicas e a importância do conhecimento detalhado dessas variações para a prática médica e a educação anatômica. Foi realizada uma dissecção pelos monitores de anatomia no laboratório multidisciplinar de anatomia Professor Maurício Moscovici da Faculdade de Medicina de Campos, em Campos dos Goytacazes. Esse trabalho foi submetido ao CEP para apreciação ética sob número de CAAE 81269724.7.0000.5244. Observou-se que o nervo isquiático se dividia precocemente em ramos tibial e fibular comum antes de sair da pelve, uma característica da variação tipo A. Dados da literatura indicam que essa variação ocorre em aproximadamente 76,2% dos casos, ressaltando sua relevância clínica. Essa configuração pode aumentar o risco de compressões e lesões nervosas durante procedimentos cirúrgicos, por exemplo, artroplastia total do quadril, cirurgias de correção de fraturas pélvicas, liberação do músculo piriforme, cirurgias de reparo de hérnias lombares e procedimentos de descompressão nervosa. O reconhecimento dessa variação é essencial para evitar complicações iatrogênicas e aprimorar abordagens terapêuticas, especialmente em intervenções na região glútea. Finalizando, acredita-se que a execução desse trabalho trouxe contribuições ao assunto em questão, seja através da confirmação de dados anteriormente descritos, seja através do acréscimo de novas observações, visando o conhecimento anátomo-clínico da região glútea

    Onfalocele gigante em recém-nascido: : um relato de caso

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    A onfalocele é um defeito congênito da parede abdominal caracterizado pela ausência dos músculos abdominais, fáscia e pele na inserção do cordão umbilical, resultando na herniação de órgãos abdominais, sendo a onfalocele gigante (OG) uma variação caracterizada pela associação de um grande defeito de parede (>5cm), com saco herniário volumoso, geralmente com a presença do fígado. O objetivo deste estudo é destacar a importância do diagnóstico precoce e do planejamento cirúrgico adequado para melhor manejo e prognóstico de pacientes com OG. Primigesta de 28 anos foi admitida na emergência com idade gestacional de 38 semanas e 4 dias com diagnóstico de onfalocele realizado no segundo trimestre da gestação por meio de ultrassonografia (USG). Ao exame físico, batimentos cardíacos fetais de 140 batimentos por minuto, fundo de útero de 39 centímetros, normotensa, bom estado geral, afebril, eupneica em ar ambiente e normocorada. Optou-se pela realização de cesariana a fim de minimizar o risco de ruptura do saco herniário e cordão umbilical. Na retirada da placenta foi observada a inserção velamentosa do cordão umbilical (IVC), não diagnosticado previamente em USG. O recém-nascido (RN) do sexo feminino chorou ao nascer e ao exame físico constatou-se peso de 2980 g, 47 cm de comprimento, APGAR 8/9, sem necessidade de reanimação e confirmado diagnóstico de OG. A equipe de cirurgia pediátrica realizou intervenção em dois tempos devido a desproporção vísceras-abdominal: no primeiro momento, foi realizada técnica de redução por silo com placas de curativo hidrocoloide; após 12 dias foi realizada correção definitiva, incluindo a redução do conteúdo herniado, descolamento e realocação do fígado à cavidade abdominal, seguido do fechamento da pele em dois planos para correção da onfalocele. O paciente evoluiu com instabilidade clínica, abrindo quadro de hipotermia, taquicardia, taquipnéia com queda de saturação, hiperglicemia, broncoaspiração e aos 02 meses e 02 dias de vida apresentou apnéia e parada cardiorrespiratória com manobras de reanimação cardiopulmonar sem sucesso, vindo a óbito. Dessa forma, o caso demonstra a complexidade do manejo da OG, especialmente quando associada a outras condições adversas como a IVC, fenômeno raro em primigestas que leva ao aumento da morbimortalidade intra-uterina e neonatal. Condutas terapêuticas são descritas na literatura para o tratamento da onfalocele mas nenhuma diretriz foi estabelecida e seu manejo continua sendo um desafio. Ademais, o prognóstico da onfalocele está relacionado ao seu volume e dificuldade de fechamento do defeito, sendo indispensável a detecção precoce e um manejo adequado de patologias associadas para um bom prognóstico pré e pós-natal

    Choque séptico pulmonar por Acinetobacter baumannii multirresistente em imunocomprometido:: relato de caso

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    O aumento da incidência de infecções causadas por Acinetobacter baumannii (A. baumannii) tem se tornado um desafio para os sistemas de saúde devido à sua alta capacidade de resistência a múltiplos antibióticos e pela dificuldade no manejo medicamentoso. Os quadros acometem principalmente os pacientes em terapia intensiva, sendo a pneumonia associada à ventilação mecânica (PAV) a mais comum. As taxas de mortalidade variam entre 40 a 70% na PAV e na corrente sanguínea de 28 a 43%. Apresentamos aqui a descrição e análise da abordagem terapêutica utilizada em um caso de infecção por Acinetobacter baumannii multirresistente em paciente imunossuprimido em uma unidade de terapia intensiva no Norte Fluminense. Paciente masculino, 42 anos, portador de trissomia do cromossomo 21, neuropatia e histórico cirúrgico de hiatoplastia com fundoplicatura gástrica, foi admitido em um serviço de saúde especializado com desconforto respiratório e episódios de febre. Ao exame físico: acordado e lúcido, pupilas isocóricas e fotorreagentes, hidratado, hipocorado (++/4+), eupneico com esforço, febril (38ºC), pressão arterial de 110x80 mmHg, frequência cardíaca de 95 bpm e pulsos simétricos. Aparelho respiratório com murmúrios universalmente audíveis, com roncos de transmissão, saturando 92% em ar ambiente. Os exames complementares realizados demonstraram pequeno derrame pleural bilateral, atelectasia restritiva do parênquima adjacente, pequenos focos de consolidação nos lobos inferiores, espessamento brônquico, pequena hérnia de hiato esofágico e achados compatíveis com infecção do trato urinário. Instituiu-se tratamento empírico com polimixina B e fluconazol, mantido por duas semanas. Fez-se necessária a transferência para UTI e após início da ventilação mecânica, foi iniciado antibioticoterapia empírica com meropenem e linezolida. Os exames de hemocultura e urocultura foram negativos, enquanto a cultura de secreção traqueal confirmou a presença de A. baumannii multirresistente a amicacina, ciprofloxacina, gentamicina, meropenem e piperacilina/tazobactam, sensível à tigeciclina (MIC <=0,5). Após extubação, manteve-se a antibioterapia na enfermaria, acrescido de dieta enteral, dipirona, omeprazol, quetiapina, enoxaparina, fisioterapia motora e respiratória e precaução de contato. A tigeciclina foi considerada como uma opção terapêutica baseada na sensibilidade, porém o tratamento empírico estabelecido foi mantido devido à melhora dos parâmetros avaliados (febre, saturação e desconforto respiratório). A gestão de infecções por A. baumannii multirresistente é desafiadora devido à limitada eficácia dos antibióticos disponíveis. Sendo assim, ressalta-se a necessidade de solicitar o isolamento bacteriano, bem como o teste de sensibilidade para orientar mudanças terapêuticas quando necessário

    O autoexame como estratégia de diminuição da morbidade do câncer de mama

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    O câncer de mama é a neoplasia mais comum entre mulheres e o segundo câncer mais frequente globalmente. No Brasil, estima-se que ocorrerão 73.610 novos casos da doença de 2023 a 2025. As estratégias de detecção precoce visam o diagnóstico em fase inicial, tendo como resultado melhor prognóstico e menor morbidade associada ao tratamento. Em países de média e baixa rendas, os cânceres de mama são diagnosticados tardiamente, reduzindo o prognóstico e aumentando a morbidade relacionada ao tratamento. A prática clínica demonstra que o fato da mulher conseguir palpar nódulos de 2 a 3 cm proporcionará a procura médica mais rápida e em estágios menores, diminuindo a morbidade, posto que é possível fazer cirurgias conservadoras que irão impactar significativamente no desfecho.  O estudo visa apontar de forma explícita e compreensível o real papel do autoexame no diagnóstico precoce do câncer de mama e diminuição da morbidade. Avaliar se as mulheres que frequentam o ambulatório de mastologia no Hospital Escola Álvaro Alvim, diagnosticadas com câncer de mama, praticavam o autoexame de forma correta e rotineira. Estudo do tipo seccional e documental, exploratório, com dados coletados de prontuários e anamnese de pacientes encaminhadas ao ambulatório de mastologia, do Hospital Escola Álvaro Alvim, da cidade de Campos dos Goytacazes no ano de 2024. Dentre 15 pacientes entrevistadas até o momento, 53% encontram-se na faixa etária entre 61 e 65 anos. Apenas 4 pacientes apresentam história familiar positiva para câncer de mama. Ao serem questionadas sobre a menarca, 50% das pacientes apresentaram aos 13 anos, 14,3% aos 12 anos e 7,1% aos 11 anos. 85,7% das pacientes estão na menopausa, sendo a idade de início prevalente entre os 50-55 anos. Em relação ao autoexame das mamas, 60% das pacientes alegaram que não o fazem. Dentre as 40% que realizam, 50% fazem anualmente e a outra metade mensalmente. 12 pacientes afirmam que não sabem a técnica correta da realização do autoexame das mamas e todas as entrevistadas alegam que o realizam em qualquer período do ciclo menstrual. Todavia, 80% das pacientes que alegam fazer o autoexame relatam que já palparam algum nódulo na mama e procuraram um mastologista devido ao achado. Nos resultados das biopsias, 46,2% são carcinoma ductal invasivo. 23,3% são T2N0M0, 23,3% são T2N1M0 e 7,7% T4N1M1. Em relação a classificação molecular, 53,8% correspondem ao tipo luminal A, 30,8% correspondem ao luminal B. Tendo em vista o tratamento, 53,8% das pacientes fizeram quimioterapia e 63,6% fizeram radioterapia. 30,8% das pacientes foram submetidas a Quadrantectomia com Linfadenectomia e 15,4% a mastectomia com linfadenectomia. DISCUSSÃO: Diante dos resultados expostos, observa-se uma quantidade significativa de mulheres que não realizam o autoexame das mamas como estratégia de detecção precoce para o câncer de mama. Visto que mais da metade das pacientes não sabem a técnica correta e realizam o mesmo em qualquer período do ciclo menstrual. 80% das pacientes procuraram um mastologista devido a achados no autoexame. Podemos observar também os altos índices de cirurgias, visto a evolução e o estadiamento da doença. Apenas 7,7% das entrevistadas não foi necessário intervenção cirúrgica. Conclui-se então a necessidade de enfatizar a importância da prática correta do autoexame, uma vez que isso impacta efetivamente no prognostico, tratamento e qualidade de vida das pacientes

    Repercussões da pandemia de Covid-19 sobre a incidência de infecções bacterianas multirresistentes em unidade de terapia intensiva no Norte Fluminense

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    Pacientes em unidades de terapia intensiva (UTI) estão propensos a infecções multirresistentes, especialmente durante a COVID-19, quando o número de leitos aumentou devido aos pacientes graves. O uso empírico e irracional de antibióticosfoi uma das causas do aumento da resistência bacteriana. O objetivo do presente estudo é projetar e estabelecer o impacto do SARS-CoV-2 sobre as infecções  bacterianas multirresistentes em uma UTI no município de Campos dos Goytacazes. Desenvolveu-se um estudo retrospectivo do tipo coorte ambidirecional, em que se modelou a população estudada com base nas culturas protocoladas no centro de controle de infecção hospitalar (CCIH), sendo necessária apenas uma cultura positiva para inclusão. As variáveis utilizadas incluem data do exame, idade, sexo (sem restrições) e material coletado, sendo: hemocultura, urocultura, coprocultura, aspirado traqueal, lavado broncoalveolar, ponta de cateter, secreção ocular, secreção de feridas, secreção de ouvido e orelha, swab nasal, amostra genital, amostra retal e líquor. Confeccionou-se uma planilha com os principais agentes encontrados nos sítios de coleta, bem como os antibióticos utilizados no setor para estabelecer o perfil de resistência. Os dados coletados foram armazenados e analisados na plataforma RedCap com total confidencialidade. Os resultados avaliados foram de Agosto/23 até Junho/24 (n=257 pacientes), por meio de planilhas e estatísticas no programa Excel. Da amostragem, 96 eram mulheres (37,5%) e 160 homens (62,5%). A média de idade foi de 40,48 anos (variando de 3 meses a 98 anos). Dos 322 materiais positivos: aspirado traqueal (144/44,72%), hemocultura (61/18,94%), urocultura (50/15,53%), amostra retal (23/7,14%), lavado broncoalveolar (13/4,04%), swab nasal (16/4,97%), ponta de cateter (7/2,17%), secreção de feridas (5/1,55%), líquor (2/0,62%) e secreção ocular (1/0,31%). No aspirado traqueal, dos 143 agentes, tem-se: Acinetobacter baumannii (66/45,65%), Pseudomonas aeruginosa (24/16,08%), Klebsiella pneumoniae e Staphylococcus aureus (ambos com 11/7,96%). Na hemocultura, dos 63 agentes, obtiveram-se: Staphylococcus aureus (16/25,40%), Acinetobacter baumannii (12/19,05%) e Klebsiella pneumoniae (10/15,87%). Na urocultura, dos 49 agentes, encontrou-se:Acinetobacter baumannii, Pseudomonas sp, Klebsiella sp (todos com 11/22,45%) e Escherichia coli (8/16,33%). No total, foram observadas 173 bactérias, sendo as mais prevalentes: Acinetobacter spp. (66/38,15%), Staphylococcus aureus(27/15,61%) e Klebsiella pneumoniae (11/6,36%). Das 257 culturas, 93,39% (n=240) apresentaram resistência e 6,61% (n=17) sensibilidade, média de 5,36 e moda de resistência a 3 antibióticos por paciente. Dos 36 antibióticos analisados, determinou-se uma frequência absoluta de 1387 resistências, sendo os carbapenêmicos de maior resistência (543/39,15%), dentre eles os mais resistentes foram Imipenem (183/33,70%), Meropenem (182/32,52%) e Ertapenem (178/32,78%). Seguiram-se Aztreonam (119/8,58%) e Cefepima (117/8,44%). Os  óbitos foram de 19 registros. Este estudo foi o primeiro sobre o tema no Norte Fluminense a comparar os efeitos da pandemia sobre infecções bacterianasmultirresistentes em uma UTI. Além de fornecer dados quantitativos e qualitativos sobre o microbioma e os perfis de resistência, demonstrou-se as bactérias multirresistentes prevalentes na instituição avaliada. O estudo tem auxiliado naelaboração de intervenções para reduzir a incidência alarmante dessas infecções

    Rastreamento de reações adversas fármacos de alto risco: : durante projeto de conciliação medicamentosa em um hospital de alta complexidade

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    Reações adversas a medicamentos (RAM) são respostas prejudiciais e não intencionais a medicamentos administrados em doses normais para profilaxia, diagnóstico ou terapia, ultrapassando os efeitos terapêuticos esperados. A farmacovigilância monitora essas reações para garantir a segurança e eficácia dos tratamentos, além de avaliar problemas como qualidade, ineficácia, erros de medicação e interações medicamentosas. Este estudo utiliza rastreadores na conciliação medicamentosa em um hospital complexo para identificar RAM, visando aumentar a segurança e eficácia do tratamento, especialmente para fármacos de alto risco. Variáveis como nome do medicamento, concentração, utilização diária, tempo de uso, gênero e idade dos pacientes foram analisadas, junto ao uso de rastreadores para identificar RAM. Os dados foram obtidos de prontuários eletrônicos, revisões de prescrições, exames laboratoriais e consultas à Farmacovigilância. A análise quantitativa utilizou Excel 2019 para calcular médias, medianas, distribuições de frequência e porcentagens. A maioria dos pacientes apresentou RAM, independentemente do gênero. Flumazenil e naloxona mostraram alto risco de RAM, enquanto ácido tranexâmico e hidrocortisona apresentaram respostas variadas, influenciadas por idade e gênero. Pacientes mais velhos foram mais propensos a RAM com ácido tranexâmico e hidrocortisona. O estudo enfatiza que o rastreamento de RAM é crucial para melhorar a saúde do paciente. A conciliação medicamentosa personalizada, considerando fatores individuais como idade e gênero, é essencial para minimizar RAM, especialmente em hospitais de alta complexidade, destacando a importância contínua da farmacovigilância na segurança dos tratamentos medicamentosos

    Hérnia de Spiegel bilateral em paciente jovem masculino - : um relato de caso

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    Spigelian Hernia accounts for 1-2% of all anterior abdominal wall hernias, being considered a rare condition. The Spigelian zone, the site of abdominal wall defect, is located between the semilunar line and the lateral edge of the rectus abdominis muscle, just below the arcuate line of Douglas and generally above the superior epigastric vessels. The information in this report was obtained through a review of medical records and photographic documentation, with the Informed Consent Form (ICF), containing data from the physical examination and results of complementary exams, documentation of diagnostic methods, and a literature review. This article describes a case of Spigelian Hernia in a 25-year-old male patient, whose only clinical manifestation was pain in the left iliac fossa. With the proposed surgical treatment, an open herniorrhaphy was performed without intestinal resection. The description of this case is justified by the difficult diagnosis due to the nonspecific and scarce symptoms, diversity of differential diagnoses, and possibility of complications.A Hérnia de Spiegel representa 1-2 % dentre todas as hérnias de parede anterior, sendo considerada uma doença rara. Entre a linha semilunar e a borda lateral do músculo reto do abdome, logo abaixo da linha arqueada de Douglas e, geralmente, acima dos vasos epigástricos superiores, é localizada a zona de Spiegel, local de defeito da parede abdominal. As informações contidas neste trabalho foram obtidas por meio de revisão do prontuário e registros fotográficos, com o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, contendo informações do exame físico e resultados de exames complementares, registro dos métodos de diagnóstico e revisão da literatura. O presente artigo descreve um caso de Hérnia de Spiegel em jovem masculino de 25 anos, cuja a única manifestação clínica era dor em fossa ilíaca esquerda. Com o tratamento cirúrgico proposto, foi realizada uma herniorrafia aberta sem ressecção intestinal. A descrição deste caso justifica-se pelo diagnóstico difícil devido à sintomatologia inespecífica e escassa, diversidade de diagnósticos diferenciais e possibilidade de complicações

    Análise da prevalência de neoplasia do aparelho digestivo no estado do Rio de Janeiro

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    O câncer é um dos principais problemas de saúde pública em todo o mundo, sendo o gastrointestinal um dos mais prevalentes e letais, com um a cada três óbitos acometidos pelo câncer, que segue aumentando no decorrer dos anos e por isso merece atenção. Neoplasias do aparelho digestivo são os tumores que acometem os órgãos do aparelho digestivo. Existem vários fatores de risco para o desenvolvimento de neoplasias malignas do tubo digestivo, que incluem tabagismo, alcoolismo, hábitos alimentares pouco saudáveis, uso de certos medicamentos, exposição à radiação e fatores genéticos. Esta pesquisa se propôs a analisar a prevalência de neoplasias do aparelho digestivo em homens e mulheres do estado do Rio de Janeiro, no período de 2020 a 2023. Trata-se de um estudo transversal, descritivo, a partir da verificação de dados provenientes do Sistema de Internação Hospitalar do SUS (DATASUS) correspondentes ao registro de casos por sexo segundo faixa etária. Foi selecionado o diagnóstico detalhado das neoplasias malignas do assoalho da boca, esôfago, estômago, intestino delgado, colón, junção retossigmóide, reto, ânus e canal anal. A pesquisa mostrou que a prevalência no período de 2020 a 2023 de acordo com o sexo foi em homens com um total de 5.094 em 9.842. De acordo com a faixa etária a prevalência foi entre homens e mulheres de 60 a 64 anos com 1.715 casos. Seguido de 65 a 69 anos com 1.673 casos e em terceiro de 55 a 59 anos com 1.481 casos. A menor prevalência foi entre 0 a 19 anos com 18 casos. O estudo apresenta limitações, principalmente por ser um estudo ecológico com dados secundários. É possível analisar que no período avaliado a população masculina foi a mais acometida com 51,76% e a população feminina com 48,24%, desse modo, a dieta dos homens é rica em conservantes e sal e pobre em frutas e vegetais, o que, além da exposição ao fumo e ao álcool, aumenta a probabilidade de desenvolver câncer.  Além disso, também foi possível analisar que cidadãos a partir de 55 anos possuem uma maior prevalência devido aos hábitos que tiveram ao longo da vida e da senilidade celular, que tem mais dificuldade em combater as mutações. Com isso, pode-se ressaltar a importância de políticas de saúde pública voltadas para a prevenção e detecção precoce dessas neoplasias, por terem uma alta prevalência e letalidade

    Relato de caso: : anemia como manifestação clínica inicial da Doença Celíaca em paciente com Tireoidite de Hashimoto

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     A Tireoidite de Hashimoto e a doença celíaca são condições autoimunes que frequentemente coexistem, complicando o manejo clínico de pacientes. A Tireoidite de Hashimoto afeta a tireoide, responsável pela produção dos hormônios T4 e T3, cruciais para o metabolismo e desenvolvimento humano. Por outro lado, a doença celíaca é desencadeada pela ingestão de glúten, afetando principalmente o intestino delgado levando a manifestações clínicas como diarreia crônica, dor e distensão abdominal, além de sintomas extra-intestinais como anemia, fadiga, neuropatia periférica e ataxia. Este relato de caso descreve uma paciente com ambas as condições. Relatar a apresentação clínica, diagnóstico e manejo de uma paciente com Tireoidite de Hashimoto e Doença Celíaca, enfatizando a análise conjunta dessas patologias, visto que, estudos indicam que até 6% dos pacientes podem apresentá-las simultaneamente. Destaca-se a necessidade crucial da adesão ao tratamento da Enteropatia glúten-sensível e a importância de investigar doença celíaca em sintomas extra-intestinais. Mulher, 18 anos, foi admitida na emergência em maio de 2022 com dor abdominal e anemia (Hemoglobina (Hb):6,3g/dL, Hematócrito (Ht):21,4%, ferritina:23,6ng/mL). Recebeu alta com prescrição de levotiroxina 50mcg, sulfato ferroso oral e encaminhamento à hematologia. Após diagnóstico de hipotireoidismo e anemia persistente, foi internada novamente em junho de 2022 devido à anemia grave, onde também foi diagnosticada com doença celíaca (Anti-gliadina IgA 189,8U, Anti-transglutaminase 143,9U), tendo recebido alta com aumento das doses medicamentosas. Em agosto de 2022, retornou para consulta apresentando valores baixos de Hb, ferritina e ferro sérico, indicando recorrência de anemia ferropriva devido à má adesão à dieta sem glúten. Foi encaminhada a nutrição e gastroenterologia, com ajuste dos remédios. A paciente não seguiu adequadamente o tratamento para hipotireoidismo e doença celíaca desde o final de 2022, em decorrência de uma gestação de alto risco. Retornou somente no final de 2023 para consulta com hematologista e mostrou exames realizados em novembro de 2023 (Hb 11,7 g/dL, ferritina 31,5ng/mL, ferro 82ng/mL, TSH 150mU/L, T4 livre 0,31ng/dL). A conduta incluiu esofagogastroduodenoscopia (EDA) com biópsia duodenal, ultrassonografia da tireoide e aumento da levotiroxina para 200 mcg/dia. A biópsia duodenal evidenciou hiperplasia das criptas e redução de amplitude das vilosidades. Exames laboratoriais ratificaram o diagnóstico de tireoidite de Hashimoto e anemia por má absorção de ferro. A conduta incluiu iniciar uma dieta rigorosa sem glúten, acompanhada pela nutrologia, monitoramento das taxas, mantendo levotiroxina 200 mcg/dia e Neutrofer 300 mg/dia. Este caso ilustra a complexidade da gestão de condições autoimunes múltiplas, a importância do seguimento e da adesão ao tratamento. A paciente atualmente está em uso de 4mcg/kg/dia de levotiroxina, bem maior que a dose preconizada para a faixa etária (1,5 a 2,0 mcg/kg/dia) por causa da má absorção intestinal. Foi orientada da importância de seguir uma dieta sem glúten, o que é essencial para reduzir os sintomas e melhorar a absorção de nutrientes e levotiroxina. Portanto, o manejo simultâneo de hipotireoidismo e doença celíaca requer uma abordagem interdisciplinar rigorosa, uma identificação precoce e atenção aos sintomas extra-intestinais, como a anemia ferropriva e correção do distúrbio hormonal, para prevenir complicações graves

    Infecção por Pseudomonas aeruginosa multirresistente em paciente com ventilação mecânica em UTI pública no Norte Fluminense:: relato de caso

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    Nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI), as infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS) traduzem um grave problema de saúde pública. Devido ao uso de dispositivos invasivos, imunossupressores, tempo prolongado de internação e procedimentos de alta complexidade, esses ambientes são propícios ao desenvolvimento de IRAS. Além disso, o crescimento exponencial de bactérias multirresistentes e o uso exacerbado de antibióticos em tratamentos empíricos agravam ainda mais a situação. A Pseudomonas aeruginosa destaca-se nas IRAS, sendo uma das principais causas de pneumonia associada à ventilação mecânica (PAVM), bem como nas infecções urinárias associadas associada a cateter vesical de demora (ITU-CVD). Apresentamos aqui dados e análise de uma infecção bacteriana complicada associada ao ventilador mecânico, causada por Pseudomonas aeruginosa multirresistente. Paciente masculino, 51 anos, trabalhador rural, admitido com insuficiência respiratória e perda de força no braço direito. Transferido para UTI de um hospital público do município de Campos dos Goytacazes, intubado e em ventilação mecânica. Inicialmente, foram levantadas as hipóteses de febre maculosa e doença de Lyme, com sorologias negativas após tratamento empírico com doxiciclina, descartou-se miastenia gravis e síndrome de Guillain-Barré com testes sorológicos e terapêuticos negativos. Realizado traqueostomia e desmame de sedoanalgesia, evoluindo com quadro de tetraplegia e dificuldade no desmame da ventilação mecânica. O paciente abriu quadro de PAVM por Pseudomonas sp., isolado em cultura de secreção traqueal, além de  atelectasias de repetição, resultando em sepse pulmonar tratada empiricamente com meropenem, polimixina B, ampicilina e metronidazol; como também quadro de ITU-CVD por P. aeruginosa multirresistente (identificado em cultura e teste de sensibilidade), evoluindo para orquiepididimite e sepse urinária, tratada com polimixina B e meropenem. Posteriormente, apresentou pseudo-obstrução aguda do cólon (síndrome de Ogilvie) e colite pseudomembranosa, tratada empiricamente com vancomicina por 10 dias via gastrostomia (GTT). No dado momento, o paciente mantém-se na UTI com diagnóstico de polineuropatia flácida difusa, traqueostomizado, dependente de ventilação mecânica, tetraplégico, interagindo com o examinador, recebendo nutrição enteral via GTT, estável hemodinamicamente e aguardando home care. A complexidade deste caso está relacionada à dificuldade em estabelecer uma terapia eficaz para o microrganismo identificado durante a evolução, o que contribuiu para o agravamento do quadro. Embora a hipótese diagnóstica inicial não tenha sido completamente confirmada, o isolamento de agentes infecciosos multirresistentes agrava ainda mais a situação do sistema de saúde

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