Portal de Periódicos da Faculdade de Letras - UFMG
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Shifting Away from Normative/Hegemonic Language Assessment in Graduate Programs in Brazil and Espousing a Social Justice Agenda: Insights from Assessment Practices with Indigenous and Deaf Students in Two Universities / Afastando-se de uma avaliação normativa/hegemônica de línguas em programas de pós-graduação no Brasil em direção a uma agenda de justiça social: Reflexões a partir de práticas avaliativas com estudantes indígenas e surdos em duas universidades
ABSTRACT: This article analyzes the language ideologies that underpin the assessment of the foreign language proficiency of Indigenous and Deaf graduate students in two federal universities in Brazil. It draws on recent theory-building about language ideologies, academic literacies, language testing and communicative repertoires. The data analyzed include institutional guidelines and reading proficiency tests administered in the past five years at both universities. We show that, while official documents are grounded in a one-nation-one-language ideology, the design and implementation of the tests reflect efforts to value the students’ communicative repertoires and aim for more democratic forms of assessment.KEYWORDS: reading proficiency assessment; academic literacies; language ideologies; affirmative actions.RESUMO: Este artigo analisa as ideologias de linguagem que subjazem à avaliação da proficiência em língua estrangeira de estudantes indígenas e surdos em duas universidades federais no Brasil. O arcabouço teórico mobiliza debates recentes sobre ideologias de linguagem, letramentos acadêmicos, avaliação de linguagem e repertórios comunicativos. Os dados analisados reúnem diretrizes institucionais e testes de proficiência em leitura aplicados nos últimos cinco anos em ambas as universidades. Evidenciamos que, embora os documentos oficiais estejam fundamentados em uma ideologia uma nação-uma língua, o design e a implementação dos testes refletem esforços para valorizar os repertórios comunicativos dos estudantes, buscando formas mais democráticas de avaliação.PALAVRAS-CHAVE: avaliação de proficiência em leitura; letramentos acadêmicos; ideologias de linguagem; ações afirmativas
The Roads We Take – O percurso didático como proposta para construir aulas de inglês por caminhos crítico-decoloniais / The Roads We Take – The Pedagogic Route as a Proposal to Build English Classes Along Critical Decolonial Pathways
RESUMO: Em alternativa ao planejamento de aulas de inglês típico da abordagem comunicativa, conhecido como Presentation, Practice, Production (PPP), proponho o percurso didático. Argumento que praxiologias críticas e decoloniais carecem de uma proposta de construção de aula mais flexível, mais aberta ao debate e que considere o texto (em sua ampla acepção do termo) como ponto de partida para compreender as práticas sociais e os atravessamentos políticos, históricos e identitários que as compõem. Ao longo do artigo, descrevo quatro trieiros que sugiro para a construção de aulas, a saber: talking topic, expanding repertoires, thinking over e bringing to life. Aponto algumas ações que integram o percurso didático como o estudo da construção de sentidos por meio da leitura, de debates e da elaboração de propostas de vivências. Finalizo este texto convidando outras/os professoras/es a apreciar esses trieiros e a propor novos.PALAVRAS-CHAVE: educação linguística crítica; decolonialidade; percurso didático; construção de sentidos; planejamento.ABSTRACT: As an alternative to the popular planning for English classes derived from the communicative approach, known as Presentation, Practice, Production (PPP), I propose the pedagogic route. I argue that critical and decolonial praxiologies lack a proposal that could build up to a more flexible classroom, one more open to discussions. In this line of thought, I support the argument that the text (in a broad sense of the word) should be seen as a starting point for understanding social practices and political, historical, and identity intersections that compose them. Throughout the article, I describe four trails suggested for building classes, namely: talking topic, expanding repertoires, thinking over, and bringing to life. I point out some actions that are part of the pedagogic route, such as the study of the meaning making process through reading, discussions, and the formulation of proposals that bring language to life. I end this piece by inviting other teachers to appreciate these trails and to propose new ones.KEYWORDS: critical language education; decoloniality; pedagogic route; meaning making; planning
Escrever para aprender: proposta de dispositivo pedagógico para o ensino fundamental – anos finais / Writing to Learn: Pedagogical Device Proposal for the Elementary School – Final Years
Resumo: Este trabalho considera as dificuldades de aprendizagem no contexto específico do ensino fundamental – ano finais (6º ao 9º ano), sobretudo no ensino público, decorrentes da nova organização social e didática, da relação com professores especialistas e de novos deveres demandados próprios desse período, quando comparadas com os anos iniciais. Como uma forma de mediação dessas dificuldades, propomos o dispositivo Escrever para Aprender cujo propósito é explorar sistematicamente a função epistêmica da escritura. A ideia é a de que o dispositivo seja integrado como componente curricular à parte diversificada do mapa curricular.Abstract: This paper considers the learning difficulties in the specific context of the elementary school – final years (6th to 9th grade), especially in public schools. These difficulties result from the new social and didactic organization, the relationship with expert teachers, and new homework’s demanded, typical of this period when compared to early years. To mediate these difficulties, we propose the Writing to Learn device whose purpose is to systematically explore the epistemic function of writing. The device would be integrated as a curricular component to the diversified part of the grade curriculum.
Representação do Tambor de Mina pela literatura afro-brasileira de Bruno de Menezes
Este estudo tem o objetivo de investigar o modo pelo qual o literato negro Bruno de Menezes representa a afrorreligião Tambor de Mina em sua poética. Para isso, analisa-se o poema “Toiá Verequête” – presente na obra literária Batuque (1931) –, que narra a incorporação do vodum Toiá Verequête na mãe de santo Ambrosina, em um terreiro. No que concerne aos aportes teórico-críticos, dialoga-se com os estudos de Eduardo de Assis Duarte (2010), Abdias do Nascimento (1978), Mundicarmo Maria Rocha Ferretti (1996), Anaíza Vergolino (2003), Taissa Tavernard de Luca (2010), Naiara Larissa Raiol Valcacio (2022), Aldrin Moura de Figueiredo (2001), Paulo Nunes (2002), Luiz Augusto Pinheiro Leal (2011) e Mariana Janaina dos Santos Alves (2021). Bruno de Menezes, ao colocar em seu poema uma mãe de santo e um vodum como personagens principais e a guma como espaço de um texto poético, contribui para a valorização da afrorreligião Tambor de Mina. O ponto de vista construído pelo poeta em seu poema não folcloriza ou erotiza os personagens negros. Pelo contrário, valoriza o protagonismo destes e de sua cultura ancestral
Collective Subjectivity of Literary Characters as Exemplified by Jorge Amado’s Marginalized Figures
The potential of the use of the concept of collective subjectivity, in literary analyses, has been partially discerned by Mario Vargas Llosa, Gérard Klein, and a group of scholars inspired by Klein’s observations (Bellagamba; Picholle; Tron, 2012). Since none of them have proposed any systematic framework, the paper theorizes the concept, proposes an analysis methodology, and presents the results of a model analysis of the collective subjectivity of Jorge Amado’s marginalized characters and its relation to the hegemonic discourses of Amado’s storyworlds and of Brazil in the 1930s, respectively. The article also presents an evaluation of the concept’s usefulness for narrative scholars. As analyzing a fictional collective subjectivity requires a custom-made framework, it has been elaborated on the basis of Ernesto Laclau and Chantal Mouffe’s (2001) Discourse Theory, Discourse-Theoretical Analysis (both alarmingly absent in literary studies), the psycho-sociological framework for real-world collective subjectivity analysis (Fabris; Puccini; Cambiaso, 2019), and narratological findings related to Possible Worlds Theory and fictional minds (Palmer, 2004). The study confirms that the use of the concept as an analytical tool can shed new light on our understanding of numerous narrative art works, especially regarding such issues as focalization, perspective, ideology, narrative empathy, unreliable narration, and consciousness representation. Moreover, the framework enables us to: 1) describe precisely the particularities of the ideological profile of a fictional collectivity and the narrator’s/implied author’s attitude towards them; 2) relate this profile to the context systematically (both to the storyworld and real-world context)
A vez e a voz decolonial nas escrevivências evaristianas: o (re)tecer da memória ancestral em Poemas da recordação e outros movimentos
O projeto ficcional da escritora Conceição Evaristo, na perspectiva da literatura afro-brasileira, é perpassado pelo tema da decolonialidade ao (re)tecer a memória ancestral sob o ponto de vista do protagonismo de autoria da mulher negra e periférica. Diante disso, a poética evaristiana, bem como a sua obra, em prosa e/ou poesia, faz um resgate das vozes silenciadas que sofreram a tentativa de apagamento pelos mecanismos hegemônicos eurocêntricos colonizadores do poder (Quijano, 2009). Nesse sentido, propomos nesta investigação analisar, por meio das escrevivências, as imagens poéticas presentes em dois poemas da coletânea Poemas da recordação e outros movimentos (2021), a partir do olhar decolonial e memorialístico da escritora. A leitura será analítico-interpretativa, com ênfase na perspectiva da fenomenologia das imagens poéticas de Gaston Bachelard, no percurso antropológico do imaginário preconizado por Gilbert Durand (2012), nas potencialidades do inconsciente coletivo de Carl G. Jung (2000), na memória coletiva de Maurice Halbwachs (2006) e Pollak (1990) e na decolonialidade proposta por Mignolo (2017), Quijano (2009) e Lélia Gonzalez (1984). A poética Evaristiana é perpassada tanto por uma construção simbólica de imagens poéticas vistas como uma desobediência epistêmica (Mignolo, 2017), quanto pela memória coletiva e individual (Halbwachs, 2006) que (re)tece as vivências de um eu-feminino decolonial ao remontar um passado diaspórico ancestral, a partir da percepção do presente sobre as agruras que ficaram como marcas do passado
Eu, mulher negra, resisto: incidências identitárias na poesia de Alzira Rufino
Discutir as incidências identitárias na poesia de Alzira Rufino em alguns poemas da obra: Eu, mulher negra, resisto, como escrita de validação das vozes negras femininas nas lutas e conquistas de gênero e de raça afirmando suas identidades nos diversos espaços para suas representações. Objetivando, assim, por meio da literatura, propor o combate e enfrentamento baseados na escrita que constrói significação e existência para o sujeito negro feminino num contexto social hegemônico, racista excludente. Na perspectiva da análise, este artigo se ancora nos teóricos que estudam o tema, como: Cuti (2010), Duarte (2009), Cândido (2004), bem como nos estudos feministas de Gonzalez (1988), hooks (2019), Ribeiro (2019), e ainda, Munanga (2006), Lugones (2007), debruçando-se nas obras de Rufino (1988, 2010, 2005), dentre outros importantes para as análises que configuram a identidade negra feminina na literatura brasileira
Semiótica de Úrsula, o aberrante
O objetivo desta leitura de Úrsula, obra de Maria Firmina dos Reis publicado originalmente em 1859, primeiro romance a semiotizar o navio negreiro e outras tantas e relevantes primeiridades, é explorar, com base no episódio da Preta Susana, um capítulo estranho e destoante, como ele tensiona o núcleo dominante da trama, no qual, apesar do que tem dito a fortuna crítica da obra, faltam o trabalho escravo e uma produção de subjetividade eminentemente negra. É a irrupção da máquina capitalista da escravidão no capítulo aberrante “A preta Susana”, que a ideologia da forma teima em tentar ocultar, o foco deste artigo. Entende-se que o mérito e a atualidade inescapável do romance devem-se à tensão instaurada pela semiotização destes dois mundos, da ideologia da forma romântica escravista, recorrente em todo o romance, posta em face da irrupção de um lugar de fala contundentemente negro que Susana dá a ver no capítulo IX, analisados à luz dos conceitos de objeto imediato e de objeto dinâmico da Semiótica
Um olhar crítico sobre a presença do negro na literatura: reterritorializando este lugar
A literatura brasileira, de modo geral, sempre apresentou a figura do negro de forma marginalizada e estereotipada, negando a ele a posição de protagonista de suas próprias narrativas. Dessa forma, este trabalho surge da necessidade de visibilização do negro como sujeito do discurso e de sua identidade, não apenas como objeto de observação. Além do mais, propõe uma intervenção didática com vistas a promover a inserção do aluno no espaço literário por meio de textos que estejam próximos de sua realidade. Tendo em vista o contexto patriarcal e estruturalmente racista no qual estamos inseridos, é premente pensar em propostas de ensino que retiram o negro do lugar de invisibilidade, que dão voz aos que estavam relegados ao esquecimento e sofrem até hoje com o apagamento de sua cultura. Promover um letramento literário a partir dessa perspectiva étnico-racial, utilizando um texto popular e regional, com uma linguagem acessível e uma estrutura lúdica, fazendo o aluno se reconhecer e se sentir representado naquela literatura e permitindo aos demais alunos entenderem a importância do deslocamento do protagonismo nos textos literários, surgem como objetivos essenciais para a realização da pesquisa
Movimento de sankofa como estratégia de sobrevivência em Roteiro Para Aïnouz, vol. 2
O objetivo deste artigo é mostrar de que forma o rap, que se estabiliza no Brasil na década de 80, se tornou potente meio de resistência contra a violência destinada a determinadas populações desde o empreendimento colonial. A partir da análise do álbum Roteiro para Aïnouz, vol. 2, do rapper cearense Don L, este ensaio procura examinar a maneira com que as expressões artísticas podem ser tanto plataforma para a denúncia de uma realidade opressora, quanto espaço especulativo para a construção de novos e positivos imaginários. Por fim, é observado de que forma o projeto de nação proposto pela linha conceitual da obra se alia ao princípio africano de sankofa, ao passo que resgata a sabedoria ancestral para delinear um cenário utópico de (re)humanização da população colonizada.