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ENSINO DE ARITMÉTICA NO LIVRO DIDÁTICA DA ESCOLA NOVA DE MIGUEL AGUAYO: reverberações do escolanovismo em Santa Catarina
Este artigo é um recorte dos resultados da pesquisa de mestrado desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Educação Científica e Tecnológica (UFSC). De modo particular, analiso a oitava edição do manual didático “Didática da Escola Nova” de Alfredo Miguel Aguayo, evidenciando como os conteúdos de aritmética foram indicados e apresentados aos professores que ensinavam matemática nas escolas primárias. Procuro estudar o manual com base no contexto histórico-pedagógico do Brasil, e particularmente de Santa Catarina, na década de 1940. Os aportes teórico-metodológicos fundamentam-se nas reflexões acerca da história das disciplinas escolares e da cultura escolar. Os resultados sugerem que representações da aritmética escolar circularam em Santa Catarina por meio do manual de Aguayo e que estas foram apropriadas pelos representantes da educação no estado. Para Aguayo, o ensino de aritmética deveria ser sistematizado e racional, visando o cálculo e os problemas práticos
EUCLIDES ROXO: pelos caminhos da Metrologia
O Brasil foi um dos primeiros países no mundo a oficializar o sistema métrico decimal, mas, houve dificuldades para se cumprir a legislação. Em 1862, Dom Pedro II sancionou a Lei 1157; em dez anos, o país deveria substituir os antigos pesos e medidas pelos padrões decimais. Em 1872, pelo Decreto 5169, foi aprovado o Regulamento do Sistema, então adotado. Entre adesões e desligamentos do Brasil do Bureau International des Pois et Mesures, em 1935, teve início a elaboração de um projeto para a normatização dos padrões de medidas no país. Depois de três anos, foram fixadas as normas para a adoção definitiva do sistema de pesos e medidas e, em 1939, foi aprovado um regulamento. Em 1941, foi publicado o livro Unidades e Medidas, de Euclides de Medeiros Guimarães Roxo. O autor se concentra em abordar o sistema legal de pesos e medidas, de forma clara e objetiva, incluindo detalhes técnicos e científicos. Roxo esclarece definições, termos, inclui as medidas inglesas, divulga a legislação, inclui conhecimentos necessários a diversos cursos profissionais e setores industriais. Neste artigo, apresentamos uma descrição e análise desse manual, tomado como fonte, para evidenciar aspectos da Metrologia no Brasil
O aprender e seus modelos institucionais
Esse artigo tem como principal propósito, discutir os modelos do aprender frente à estrutura institucional existente, onde a capacidade do professor compreender, em uma organização lógico – matemática, como se dá a possibilidade de apreensão e principalmente, de organização neurológica os construtos necessários para uma melhor elaboração dos conceitos, e não só dos conteúdos que são trabalhados, usando como principal ferramenta, a linguagem. Ao mesmo tempo, discutir o papel da família e da escola, como desencadeadores desse processo
LIVROS DIDÁTICOS PRODUZIDOS NO RIO GRANDE DO SUL (1960-1978): fontes para um estudo da Matemática Moderna no ensino primário gaúcho
O presente trabalho é resultado de um estudo de doutoramento que privilegiou os livros e textos didáticos como fontes para uma escrita da história da educação matemática gaúcha, desenvolvido a partir da análise dos livros produzidos no RS no período de 1960 a 1978, que compõem as coleções “Estrada Iluminada” e “Nossa Terra Nossa Gente”, escritos pelas professoras Nelly Cunha e Cecy Cordeiro Thofehrn. Usando como principal metodologia a análise documental, foram reunidos 52 exemplares das coleções citadas, os quais, após um processo de análise horizontal, reduziram-se a 17 volumes. Pela análise dos livros, foi possível identificar quais conteúdos da Matemática Moderna foram contemplados na reelaboração de tais coleções, identificando, assim, a influência desse movimento na produção didática
OS JOGOS PARA O ENSINO DE MATEMÁTICA NO MANUAL PEDAGÓGICO PROGRÂMA DE MATEMÁTICA (1934)
Este artigo está inserido no campo da história da educação matemática e utiliza um manual pedagógico como fonte de pesquisa, fonte essa, assim como os livros didáticos, que tinham seu uso negligenciado até a década de 1970, porém que de lá até os dias de hoje vem crescendo expressivamente as pesquisas as utilizam como fontes. Destaca-se que este artigo está em consonância com a pesquisa de mestrado da autora, a qual objetiva-se pesquisar ‘Os jogos para o ensino de aritmética nos livros didáticos em tempos da Escola Nova no Brasil, 1920- 1960’. Especificamente este artigo tem o objetivo de apresentar uma análise do manual “Progrâma de Matemática” (1934) e compreender como são indicados os jogos para o ensino da matemática e quais seus objetivos de acordo com categorizações propostas por Irene de Albuquerque (1958). Nota-se a presença da indicação de jogos para o ensino de matemática no manual em questão, jogos estes que são bem detalhados, evidenciando materiais utilizados, conteúdos trabalhos, bem como o passo a passo de cada jogo. Ainda, a partir da análise dos objetivos dos jogos de acordo com as categorizações de Albuquerque, percebeu-se que todos atendem as três categorias sugeridas – fixação, recreação e motivação
A PRESENÇA DOS SABERES GEOMÉTRICOS NO LIVRO DIDÁTICO O ENSINO DA ARITMÉTICA PELA COMPREENSÃO
Em 1950, a partir da inovação tecnológica, do crescimento industrial e do processo de urbanização em diversos países, fez-se indispensável o emprego de mão de obra especializada. Esses fatores colaboraram para a modernização, em âmbito internacional, do ensino e para o surgimento do Movimento da Matemática Moderna – MMM. Trata-se de um Movimento internacional que buscou aproximar a Matemática ensinada na escola elementar da Matemática ensinada no Ensino Superior, numa tentativa de renovação dos currículos de Matemática, enfatizando a Teoria dos Conjuntos e a Lógica Matemática numa ação de valorização do rigor matemático e utilização da simbologia. O presente artigo tem por objetivo analisar o ensino dos saberes geométricos, nas séries iniciais do ensino primário, presentes no livro didático O ensino da aritmética pela compreensão, escrito por Foster E. Grossnickle e Leo J. Brueckner, em 1965, bem como verificar a apropriação do Movimento da Matemática Moderna (MMM) nessa obra. Para tanto, fundamentou-se nas ideias de Chervel (1990), Chartier (1991) e Chopin (2000). No capítulo do livro analisado, os saberes geométricos estão presentes nas atividades que relacionam as figuras geométricas com as unidades de medida. O que se pode perceber é que esse livro didático traz vestígios das propostas reformistas do MMM, pois apresenta os conceitos geométricos fundamentados na Teoria dos Conjuntos e na estrutura lógica da matemática, de modo informal, intuitivo e concreto, em sala de aula. Ainda, acordado aos princípios do MMM, o referido livro apresenta imagens ilustrativas como exemplos e destaque do rigor na representação dos conceitos de medida
O TERMO AXIOMA DE PLATÃO À MODERNIDADE: reflexões interpretativas fundamentadas no pensamento sobre complementaridade otteano
Este artigo apresenta resultados da pesquisa de doutoramento da autora na Universidade Federal do Mato Grosso que teve como questão norteadora saber por que o termo axioma até o século XIX era tomado como antônimo de hipótese e, nos dias atuais, é considerado como sinônimo, e quais foram as implicações dessa mudança nas relações entre a Filosofia e a Matemática, entre a Linguagem e a Matemática e na Educação Matemática. A pesquisa reflexivo-interpretativa e de caráter teórico-bibliográfico teve como fundamentação teórico-metodológica o Pensamento sobre Complementaridade Otteano, teoria em desenvolvimento por Michael Friedrich Otte, que utiliza abordagens históricas, filosóficas e semióticas. A pesquisa mostrou que quanto mais a Linguagem e a Matemática se aproximaram, mais o termo axioma tendeu a ser interpretado como sinônimo de hipótese, e que tal aproximação se desencadeou a partir do momento em que o pensamento filosófico se aproximou do pensamento matemático. A tese defendida foi que a mudança do significado do termo axioma, evidenciada na relação entre a Linguagem e a Matemática, se deslocou dos aspectos descritivo-contemplativos para os aspectos operativo-instrumentais, de modo que a objetividade da Matemática passou a revelar-se na atividade e nas aplicações futuras e não mais em termos de fundamentos a priori. O novo sentido desse termo passou a ser encontrado nas deduções formais e na teoria desenvolvida como uma entidade em si e o seu significado aparece nas aplicações dessa teoria. Em consequência, uma análise semântica de seus conceitos, como é costume nas Ciências Humanas, passou a não ser suficiente na Matemática e, neste campo, é preciso levar em conta os aspectos pragmáticos das representações. Este estudo, ao mesmo tempo em que oportuniza aos pesquisadores em Educação Matemática ampliarem suas reflexões sobre a gênese e historicidade do conhecimento matemático, apresenta a possibilidade de uma nova forma de abordagem didática: o Pensamento sobre Complementaridade Otteano
COMPLEMENTARITY AND THE ANALOG/DIGITAL DISTINCTION
Niels Bohr, as is well known, introduced the notion of complementarity into physics, as a fundamental principle of quantum mechanics. It holds that objects have complementary properties that cannot be measured accurately at the same time. For example, the particle and wave aspects of physical objects are such complementary phenomena. Both concepts are borrowed from classical mechanics, where it is impossible to be both, a particle and a wave at the same time. Particle and Wave represent the complementarity of the Discrete and the Continuous. Humans reason by means of concepts (meanings) and language, as well as, by means of logical or arithmetic symbolism. Meanings are continua, whereas logic and arithmetic are based on relations of identity and difference
AS TRANSFORMAÇÕES DA MATEMÁTICA OCORRIDAS NA VIRADA DO SÉCULO XVIII PARA O XIX: da epistomologia para a semântica
Existe uma série transformações que ocorreram no início do século XIX na concepção do conhecimento em geral, e do conhecimento matemático em particular, que podem ser sintetizadas na afirmação de que os fundamentos da filosofia mudaram da epistemologia para a semântica, concebida como comunicação social. Esta transformação significou uma mudança da ênfase, na concepção de conhecimento, da intuição para o conceito. Estas transformações ocorreram no mesmo período histórico em que ocorria a Revolução Industrial, quando todas as ciências passaram a ser concebidas em seu aspecto teórico e como algo social e comunicável.Foi nesse contexto que surgiram processos profundos, de um lado, de publicização do conhecimento por meio da reorganização das universidades, do surgimento das grandes Escolas Politécnicas que precisavam formar engenheiros em larga escala, da proliferação de publicações com preocupações educacionais; e de outro de busca por reorganizar o conhecimento surgido nos séculos anteriores de maneira hierarquizada de acordo com princípios, o que levou a uma busca por tratar de maneira teórica o conhecimento até então visto como um conjunto de verdades isoladas. As profundas modificações da relação entre intuição e conceito ocorrida na matemática nesta época resultaram no surgimento do que se chama de Matemática Pura. Para isso discutimos as obras de Kant e de Bolzano, os quais são interessados na lógica, mas com abordagens diferentes. A lógica de Kant, chamada “logica transcendental” é a lógica da interação do sujeito humano com o mundo objetivo, enquanto a lógica de Bolzano, chamada “doutrina da ciência” ou “semântica”, se preocupa com a lógica da comunicação humana e especialmente com o ensino