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“Este foi outro aspecto que sofreu uma avaliação positiva”: as construções conversas fazer-sofrer: “C’est un autre aspect qui a reçu une évaluation positive”: les constructions converses faire-souffrir
Evidenciando uma parte do estudo sobre a transformação sintática da Conversão, este trabalho aborda algumas considerações sobre os predicados nominais construídos com o par de verbos-suporte ‘fazer-sofrer’. Denominada por Gross (1989) como uma operação formal que estabelece uma relação de equivalência parafrástica entre duas construções elementares, a Conversão vem ganhando destaque e menções em trabalhos da área de descrição linguística, dentre os quais se destacam Barros (2014), Rassi (2015), Santos (2015) e Calcia (2016). Com base em uma metodologia de descrição sintático-semântica conhecida como Léxico-Gramática (GROSS, 1975, 1981), nesta nova fase do estudo (CALCIA, 2022), o verbo ‘sofrer’ deixa de ser considerado como uma das variantes conversas do verbo-suporte elementar ‘receber’, trazendo novos aspectos distribucionais para as construções nominais e, consequentemente, enriquecendo a descrição da operação sintática da Conversão em português brasileiro.Palavras-chave: Conversão; verbo-suporte; nome predicativo; Léxico-Gramática
Neurociências e dificuldades de escrita: o contradiscurso da Neurolinguística Discursiva: Neurosciences and writing difficulties: the counter-discourse of Discursive Neurolinguistics
Este artigo apresenta o contradiscurso da Neurolinguística Discursiva sobre um manual de intervenção clínica e pedagógica na escrita de crianças com dificuldades escolares. Este manual é representativo do discurso neurocientífico, tendência teórica dos estudos da educação para a compreensão do processo de alfabetização. Partindo de uma metodologia heurística de análise de dados, apresento o contraste entre a intervenção discursivamente orientada e a intervenção neurocientífica, questionando se ela é, de fato, inovadora, e se ajuda o investigador/alfabetizador a compreender quais são as dificuldades das crianças, bem como seu trabalho linguístico-cognitivo no ato da escrita.Palavras-chave: neurolinguística discursiva; neurociência; dificuldades escolares
O dicionário Caldas Aulete Digital: um produto folk? The Caldas Aulete Digital Dictionary: a folk product?
Neste artigo, inscrito no campo da Linguística Popular numa visada integracionista, objetiva-se analisar a produção de verbetes proposta pelo dicionário Aulete Digital supostamente realizada por meio da colaboração aberta ao público, intermediada pela filtragem e edição lexicográfica. Nessa perspectiva, o dicionário Aulete Digital se aproxima do campo da Folk Linguistic, ou Linguística Popular, no Brasil (BARONAS; COX, 2019), a qual trabalha com os comentários produzidos por diferentes categorias de falantes (PAVEAU, 2018), que podem realizar práticas linguísticas meta enunciativas de caráter descritivo, prescritivo ou intervencionista. A hipótese é a de que a proposta do dicionário em questão se assemelha em parte com a proposta de uma linguística popular pelo seu caráter colaborativo no qual se admitem colaboradores “profanos”.Palavras-chave: Linguística Popular; dicionário; intervencionismo
O conceito de fala no manuscrito “Essência Dupla da Linguagem” e no Curso de Linguística Geral: um estudo comparativo: The concept of parole in the manuscript “De l’essence double du langage” and in the “Cours de Linguistique Générale”: a comparative study
Neste estudo, pretendemos analisar o conceito de fala de forma a comparar o que apresenta o manuscrito “Essência Dupla da linguagem” (EDL) ao que será depois colocado no Curso de Linguística Geral (CLG). Assim, questionamos o que se mantém e o que se distingue do pensamento em construção na edição do CLG. Sabemos da importância da distinção entre língua e fala concretizada no CLG e essa construção teórica terá ênfase neste trabalho. Diante dessa questão, levantamos a hipótese de que, apesar de não conceitualizar a fala no manuscrito EDL, Saussure apresenta termos que remetem a ela e que posteriormente serão observados de forma mais clara e objetiva no CLG. Essa hipótese será apresentada em dois momentos durante o artigo: i) Saussure não conceitualiza o conceito de fala no manuscrito EDL. Ele apresenta termos no manuscrito que remetem ao conceito de fala e ii) é possível verificar no CLG o conceito de fala de forma mais objetiva do que no manuscrito. Dessa forma, o método comparativo entre os materiais favorecerá a emergência das diferenças e a análise contrastiva nos permitirá evidenciar o percurso de elaboração do conceito de fala por Ferdinand de Saussure.Palavras-chave: manuscrito; fala; CLG
Modificadores graduais coloquiais: o caso de ‘pra caralho’: Colloquial scalar modifiers: the case of ‘pra caralho’
O presente texto traz uma análise semântica da expressão ‘pra caralho’, tratando-a como um modificador de grau que atua simultaneamente em duas dimensões do significado, a dimensão veri-condicional e a dimensão uso-condicional. Depois de fazer uma descrição das interpretações possíveis que tal expressão suscita, apresentamos uma análise semântica que aproxima ‘pra caralho’ de ‘muito’, na dimensão veri-condicional, argumentando que ‘pra caralho’ lida com graus mais altos do que ‘muito’; do ponto de vista uso-condicional, ‘pra caralho’ veicula estados emocionais não-neutros do falante, que podem ter relação com surpresa ou quebra de expectativa. Nossa análise toma como base fundamentos da semântica de graus para adjetivos escalares.Palavras-chave: semântica formal; modificadores; semântica de graus
Recepção de evento extensionista on-line: “Cinema ibero-americano: diálogos e reflexões em tempos de pandemia”: Online extension event reception: “Ibero-American cinema: dialogues and reflections during pandemic times”
Neste texto, objetiva-se apresentar os resultados do evento de extensão universitária “Cinema ibero-americano: diálogos e reflexões em tempos de pandemia”, organizado na UFPR. O cronograma das apresentações contou com debates de oito filmes ibero-americanos, disponíveis no YouTube. A ideia era que os filmes fossem assistidos antes dos debates pelos participantes. Os comentários/reflexões foram realizados na plataforma StreamYard – para a qual entram para “a sala” a mediadora – e coordenadora do evento –, e um/a convidado/a – professor ou estudioso da área abordada. Simultaneamente, a conversa foi transmitida para o YouTube, para onde os participantes enviaram perguntas, dúvidas, comentários. Os debates ficaram gravados. Os vídeos dos debates serão, portanto, produtos da extensão.Palavras-chave: cinema ibero-americano; extensão
Emergência do conector "fora que" no português
This paper aims to describe the emergence of the connector [fora que] in Portuguese, an additive construction used in (extra)clausal contexts. This is an investigation carried out in a diachronic perspective, based on data from the 19th, 20th and 21st centuries. As a theoretical basis, we used the assumptions of Cognitive-Functional Linguistics (cf. CUNHA et al, 2013; ROSÁRIO & OLIVEIRA, 2016, among others), with a special focus on constructionalization (TRAUGOTT & TROUSDALE, 2021 [2013]; TRAUGOTT, 2022), an approach designed for studies in linguistic change. We used two databases from Corpus do Português: Historic and Now. Altogether, 462 tokens were analyzed, distributed in the different centuries, through a quali-quantitative method. The results point out to the existence of an analogical process for the emergence of the connector [for a que], in which fora, in the function of a denotative word of exclusion, would have been recruited by the [Xque]connect scheme (cf. CEZARIO, SANTOS & SILVA, 2015).Este artigo tem como objetivo descrever a emergência do conector [fora que] no português, uma construção de valor aditivo empregada em contextos (supra)oracionais. Trata-se de uma investigação realizada em perspectiva diacrônica, com base em dados extraídos dos séculos XIX, XX e XXI. Como fundamentação teórica, recorremos aos pressupostos da Linguística Funcional Centrada no Uso (cf. CUNHA et al., 2013; ROSÁRIO; OLIVEIRA, 2016 etc.), com foco especial na perspectiva da construcionalização (TRAUGOTT; TROUSDALE, 2021 [2013]; TRAUGOTT, 2022), pensada para estudos em mudança linguística. Recorremos a duas bases de dados do Corpus do Português: o Histórico e o Now. Ao todo, foram analisadas 462 ocorrências, distribuídas nos diferentes séculos, por meio de uma metodologia quali-quantitativa. Os resultados apontam para a existência de um processo analógico para a emergência do conector [fora que], em que o elemento fora, na função de palavra denotativa de exclusão, teria sido recrutado pelo esquema [Xque]conect (cf. CEZARIO; SANTOS; SILVA, 2015)
Os tabus de decência na variação corno e chifrudo, eufemizados e disfemizados, na fala cearense, a partir de dados do ALiB
supported by the theoretical and methodological assumptions of Variationist Sociolinguistics (WEINREINCH; LABOV; HERZOG, 2006; LABOV, 2008), we investigated the use of the linguistic taboo horn in the State of Ceará, based on ALiB data. We aimed to identify the most productive variant and analyze the role of extralinguistic and linguistic factors on the realization of the horn variant in the analyzed sample, as well as to investigate whether these factors condition euphemized speech in the studied community. We tested the linguistic factors linguistic resource and number of spoken variants, and the extralinguistic factors gender, age group and location. GoldVarb X selected the variable number of spoken variants as relevant for the horn variant and for the use of euphemistics, and the variable gender as relevant only for the use of euphemistics. We concluded that the horn variant, 61.30%, is more frequent than horned, 38.70%, and that the communities surveyed do not use linguistic resources to euphemize speech (33.30%), preferring to dephemize (66.70 %).Amparados nos pressupostos teórico-metodológicos da Sociolinguística Variacionista (Weinreinch; Labov; Herzog, 2006; Labov, 2008), investigamos o uso do tabu linguístico corno no estado do Ceará, a partir de dados do ALiB. Objetivamos identificar a variante mais produtiva e analisar o papel dos fatores extralinguísticos e linguísticos sobre a realização da variante corno na amostra analisada, bem como investigar se esses fatores condicionam uma fala eufemizada na comunidade estudada. Testamos os fatores linguísticos recurso linguístico e nº de variantes faladas, e os fatores extralinguísticos sexo, faixa etária e localidade. O GoldVarb X selecionou a variável nº de variantes faladas como relevantes para a variante corno e para o uso de eufemísticos, e a variável sexo como relevante apenas para o uso de eufemísticos. Concluímos que a variante corno, 61,30%, é mais frequente que chifrudo, 38,70%, e que as comunidades pesquisadas não fazem uso de recurso linguístico para eufemizar a fala (33,30%), preferindo disfemizar (66,70%)