Portal de Periódicos do GEL
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Do material ao arquivo: a constituição do corpus de pesquisa em perspectiva discursiva e a polêmica tradição x novidade
Este é um trabalho piloto, que privilegia a teoria de base ao mesmo tempo em que analisa um exemplar de um conjunto de 60 textos publicados em formato digital de 2019 a 2021, no “Blog dos Colégios”, no jornal O Estado de São Paulo e que faz parte de investigação maior em nível de doutorado. Assumindo uma perspectiva discursiva em Linguística Aplicada, volta-se para a constituição do material como parte do “arquivo” (Guilhaumou; Maldidier, 2016). O objetivo é distinguir o centro polêmico organizador do discurso que autoriza os anúncios publicitários, publicados no Blog com o tom de artigos de opinião. Buscamos, para tanto, regularidades pragmático-discursivas entre língua (“tradições retóricas” – Guilhaumou; Maldidier, 2016) e história (paráfrases que retomam o processo discursivo). Os resultados atestam a polêmica tradição x novidade como organizadora desse discurso
A canção e o ensino de gêneros orais: reflexões didáticas a partir de “Geni e o Zepelim”, de Chico Buarque de Hollanda
O objetivo deste estudo é o de apresentar uma proposta didática para o trabalho com o gênero textual canção na sala de aula a partir de canções de Chico Buarque de Hollanda, nome de referência da Música Popular Brasileira (MPB). Foram analisadas três canções do compositor sob o quadro teórico-metodológico do interacionismo sociodiscursivo (Bronckart, 1999/2009; Machado; Bronckart, 2009; Schneuwly; Dolz, 2004), à luz de autores que se debruçam sobre a canção visando o ensino (Conforte; Dolz, 2023). As dimensões ensináveis, delimitadas em “Geni e o Zepelim” (1979), apontam a importância de aliar os elementos sonoros aos linguísticos e discursivos para uma abordagem holística do gênero, em propostas didáticas sensíveis às potencialidades da canção (e não apenas da letra) para o ensino de gêneros orais
Africanos e suas línguas na história social do Brasil: notas de um percurso teórico-metodológico
Esse artigo tem como objetivo compartilhar parte da discussão travada pela instigante mesa “Línguas africanas e língua portuguesa no Brasil, em Angola e Moçambique – uma interface entre a história social, a literatura e a linguística”, no 69º Seminário do GEL, que ocorreu no Departamento de Linguística da USP, em julho de 2023. Coordenada por Márcia de Oliveira, e formada também por Rita Chaves e Alexander Cobbinah, tratou-se de uma rara e preciosa oportunidade de reunião de pesquisadores de áreas distintas em torno de um interesse comum, que de minha parte chamaria de uma visada sobre a experiência de africanos no processo de colonização e escravização articulado pela língua portuguesa. A minha apresentação, aqui sintetizada, retoma alguns artigos já publicados, nos quais as referências bibliográficas e documentais detalhadas estão disponíveis. Procurando apontar o percurso da pesquisa, focalizo inicialmente o problema da língua nacional no Brasil oitocentista e em seguida discuto a questão das línguas africanas no contexto colonial. Um olhar para a história social do Brasil sensível aos africanos e suas línguas permite aprofundar o conhecimento da história dos povos africanos em diáspor
“Arthur: um autista no século XIX”: um convite a refletir sobre a importância da linguagem escrita terapêutica
Is it possible to live without love, without shared pleasure and without the value of the enchantment of words? These and other questions will lead our discussion about the path of Cristina Kupfer, who, based on her characters, reinvents ways of making us look and listen to autism in its traces, idiosyncrasies, subjective manifestations and in its writing. Thanks to Marguerite, Arthur was able to experience the taste of the written word, and this didn’t just shape his thinking, but created it. After all, the reader will discover that Arthur’s writing allowed him to put into words what he experienced, as well as translating the logic of his autism.Será possível vivermos sem amor, sem o prazer compartilhado e sem o valor do encantamento das palavras? Estas são algumas das questões que conduzirão nossa discussão sobre o percurso da Cristina Kupfer que, a partir dos seus personagens, reinventa modos de nos fazer olhar e escutar o autismo nos seus traços, idiossincrasias, manifestações subjetivas e na sua escrita. Metodologicamente, realizamos uma discussão teórica sobre a importância terapêutica da escrita na clínica do autismo a partir de recortes ilustrativos do romance Arthur: um autista no século XIX. Mais do que explorar a riqueza poética e a sensibilidade da obra, a autora nos permite ver que, graças a Marguerite, Arthur pôde viver o gosto da palavra escrita e essa não apenas deu forma ao seu pensamento, mas o criou. O leitor descobrirá que a escrita de Arthur lhe permitiu colocar em palavras o que vivenciava, traduzir a lógica de seu autismo e ressaltar a relevância do processo de alfabetização, que permite o exercício de uma linguagem com significação para a transmissão de uma experiência, de uma vivência pessoal, que inclui o corpo e inclui o outro como interlocutor
Intercâmbio virtual em tempos pandêmicos: perspectivas de Teletandem autônomo
The practices enabled by the virtual exchange (O'DOWD, 2018) have provided fruitful contexts with regard to the teaching and learning of foreign languages. Within the scope of telecollaborative studies, we work specifically with Teletandem practices (TELLES, 2006, 2009, 2015), an online and bilingual interaction environment that promotes linguistic and cultural exchange between two people from different countries. The present paper, under a qualitative methodology (LÜDKE and ANDRÉ, 2013), focuses on the reports of Brazilian interactants about their experiences with online interactions and their effects in pandemic times, during the year 2020. The collected data showed another positive side of telecollaborative practices, since, in addition to maximizing the teaching/learning process, the interactants were able to promote intercultural exchanges and also to establish affective contact, even virtually, during social isolation.As práticas oportunizadas por intercâmbios virtuais (O’Dowd, 2018) têm proporcionado contextos profícuos no que diz respeito ao ensino e aprendizagem de línguas estrangeiras. No âmbito dos estudos telecolaborativos, atuamos, especificamente, com as práticas de Teletandem (Telles; Vassallo, 2006, 2009, 2015), um ambiente de interações on-line e bilíngues que promove a troca linguística e cultural entre duas pessoas de países distintos. O presente trabalho, por meio de uma análise interpretativa de base qualitativa (Lüdke; André, 2013), enfoca relatos de participantes brasileiros sobre suas experiências com as interações on-line e seus efeitos em tempos pandêmicos, durante o primeiro semestre de 2020. Os dados coletados evidenciaram que as práticas telecolaborativas, além de maximizar o processo de ensino/aprendizagem e promover trocas interculturais, possibilitaram aos interagentes estabelecer contato afetivo, pelo fato de ocorrerem virtualmente, durante o isolamento social
For a discursive-linguistic approach to junction: analysis of linking mechanisms in narrative and argumentative discursive traditions: Para uma abordagem linguístico-discursiva da junção: análise dos mecanismos de junção nas tradições discursivas narrativa e argumentativa
This paper presents the results of a quantitative-qualitative analysis of linking mechanisms (LMs) in narrative and argumentative discursive traditions (DTs), focusing on the relation between subject and language based on (their) image of the written mode of enunciation. The study is based on the concept of constitutively heterogeneous writing (Corrêa, 1997), on the textual-dialogical view, grounded on the concept of DTs (Kabatek, 2006), and the functionalist model of junction (Raible, 2001). LMs are therefore considered to be traces of the subject’s circulation through writing, within a linguistic-discursive approach. The results of this approach show that parataxis prevails in both DTs, according to the meaning of addition, cause, later time and contrast. This takes place in junction spaces which indicate, with a higher frequency in these traditions, the subject’s circulation within the sphere of the genesis of writing, in junction traces marked with higher repeatability by juxtapositions and the use of the conjunction and, as gestures which point towards the context of enunciation
Propriedades da ordenação de sintagmas adverbiais imperfectivos empilhados no inglês britânico: habitualidade, continuatividade e prospecção: Properties of the ordering of stacked imperfective adverbial phrases in british english: habituality, continuity, and prospectiveness
O objetivo deste trabalho é investigar a derivação de sentenças com advérbios empilhados especificadores dos sintagmas aspectuais funcionais de AsphabitualP, AspcontinuativoP, AspprospectivoP por meio da sua ordem de realização. A metodologia adotada consiste na aplicação de um Teste de Julgamento de Aceitabilidade a falantes nativos de inglês britânico. Neste teste, empregam-se a variável dependente Julgamentos (positivos/negativos) e a variável independente Ordenamento (“cinqueniano”/“não cinqueniano”). A predição adotada é a de que os ordenamentos Usually Still, Still Almost e Usually Almost receberão mais julgamentos positivos do que os ordenamentos Still Usually, Almost Still e Almost Usually. Os resultados apontam que, embora os ordenamentos Almost Still e Almost Usually recebam ligeiramente mais julgamentos negativos do que Still Almost e Usually Almost, o mesmo não ocorre com o ordenamento Still Usually, que é mais bem aceito do que Usually Still. Observou-se que o único contexto relevante em que o tipo de ordenamento parece influenciar os julgamentos atribuídos são os de emprego de Still Almost e Almost Still (p-valor = 0,002). Propõe-se que os julgamentos positivos a ordenamentos “não cinquenianos” possam ser explicados à luz de estruturas de modificação direta, de movimento remanescente e de diferentes relações de escopo
Formação continuada em contexto pandêmico: dos gestos fundamentais do formador ao gesto específico de regulação de conflito
The aim of this article is to analyze a meeting that makes up an in-service teacher education training session on teaching text production, which took place in 2020 during the COVID-19 pandemic. This session was developed with the participation of 1st-5th grade teachers at Elementary School, during the Collective Pedagogical Work Hour (HTPC). The specific objective is to identify which dimensions of the session (referring to the socio-historical context, the didactic scope, referring to the teacher educator’s gestures) give rise to conflicts faced by the participants in the meeting (two teachers and a teacher educator). As a theoretical reference, to discuss teaching work, we base ourselves on Machado (2007, 2010), on Machado and Bronckart (2009) and (AMIGUES, 2004). To discuss work, conflict, and development, we resorted to the Clinic of Activity (CLOT 2006, 2010, 2016). For the purposes of analyzing the teacher trainer's gestures, we resorted to Gagnon et al (2018). The results show that the conflicts experienced by teachers emerge from the gesture of mobilizing the practice of teaching text production during remote teaching. This issue triggers conflicts in the axis of social context, prescriptions, and interpersonal interactions. Thus, it appears that the participants' conflicts are a dimension of the trainer's activity, and, in this sense, the identification of the conflict regulation gesture is necessary, as the tensions can re-signify the relationship of those involved in the training process.O objetivo deste artigo é apresentar o gesto do formador de regulação de conflitos a partir de resultados de uma tese de doutorado que analisa um encontro de uma formação docente em serviço sobre o ensino de produção de texto, que ocorreu em 2020 durante a pandemia de COVID-19. Participaram dessa formação professores do Ensino Fundamental Anos Iniciais, durante a Hora de Trabalho Pedagógico Coletivo (HTPC). Os objetivos específicos são analisar os gestos de formação mobilizados pela formadora e identificar quais dimensões da formação (contexto sócio-histórico, didático, gestos da formadora) fazem emergir conflitos enfrentados pelos participantes. A fim de discutir o trabalho docente, embasamo-nos em Machado (2007, 2010), em Machado e Bronckart (2009) e na Ergonomia da Atividade dos Profissionais da Educação (Amigues, 2004). Para discutir a relação trabalho, conflito e desenvolvimento, amparamo-nos na Clínica da Atividade (Clot, 2006, 2010, 2016). Para analisar os gestos da formadora, recorremos a Gagnon et al. (2018). Os resultados apresentam que os conflitos dos participantes constituem a atividade do formador e, portanto, a identificação do gesto de regulação de conflitos se faz necessária, pois as tensões podem ressignificar a relação dos envolvidos no processo formativo, apontando caminhos também para uma formação em contexto pós-pandêmico