Portal de Periódicos do Centro de Estudos Interdisciplinares (CEEINTER)
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    AYAHUASCA E SAÚDE MENTAL: UMA REVISÃO INTEGRATIVA SOBRE SEUS EFEITOS TERAPÊUTICOS

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    The present study aims to analyze the therapeutic effects of ayahuasca on mental health through an integrative review. For this purpose, articles published in the last ten years were collected from the PubMed, Scopus, and Google Scholar databases, using the descriptors “ayahuasca,” “depression,” “anxiety,” and “mental health.” After examining 96 captured works, 18 empirical studies were selected that investigated the therapeutic potential of ayahuasca in psychiatric disorders. The results indicate that ayahuasca exhibits antidepressant, anxiolytic, and cognitive properties, as well as being associated with improvements in quality of life. Most of the reviewed studies suggest that its effects are related to the modulation of serotonergic receptors and the ritualistic context in which it is used. Despite these promising findings, further research is needed to evaluate the long-term safety and efficacy of the substance, as well as the development of guidelines for its controlled therapeutic use.El presente estudio tiene como objetivo analizar los efectos terapéuticos de la ayahuasca en la salud mental mediante una revisión integradora. Para ello, se recopilaron artículos publicados en los últimos diez años en las bases de datos PubMed, Scopus y Google Académico, utilizando los descriptores “ayahuasca,” “depresión,” “ansiedad” y “salud mental.” Tras examinar 96 trabajos capturados, se seleccionaron 18 estudios empíricos que investigaron el potencial terapéutico de la ayahuasca en trastornos psiquiátricos. Los resultados indican que la ayahuasca presenta propiedades antidepresivas, ansiolíticas y cognitivas, además de estar asociada con mejoras en la calidad de vida. La mayoría de los estudios revisados sugieren que sus efectos están relacionados con la modulación de los receptores serotoninérgicos y el contexto ritual en el que se utiliza. A pesar de estos hallazgos prometedores, se requieren investigaciones adicionales para evaluar la seguridad y eficacia de la sustancia a largo plazo, así como para desarrollar directrices para su uso terapéutico controlado.O presente estudo tem como objetivo analisar os efeitos terapêuticos da ayahuasca na saúde mental por meio de uma revisão integrativa. Para isso, foram levantados artigos publicados nos últimos dez anos nas bases de dados PubMed, Scopus e Google Acadêmico, utilizando os descritores “ayahuasca”, “depressão”, “ansiedade” e “saúde mental”. Após o exame dos 96 trabalhos capturados, 18 estudos empíricos  foram selecionados em pesquisas que investigaram o potencial terapêutico da ayahuasca em transtornos psiquiátricos. Os resultados indicam que a ayahuasca apresenta propriedades antidepressivas, ansiolíticas e cognitivas, além de estar associada a melhorias na qualidade de vida. A maioria dos estudos revisados sugere que seus efeitos estão relacionados à modulação dos receptores serotoninérgicos e ao contexto ritualístico em que é utilizada. Apesar dos achados promissores, são necessárias pesquisas adicionais para avaliar a segurança e a eficácia da substância em longo prazo, bem como o desenvolvimento de diretrizes para seu uso terapêutico controlado

    DO MITO DA AUTONOMIA AO PESO DA SOBREVIVÊNCIA: O PREÇO INVISÍVEL DO EMPREENDEDORISMO CONTEMPORÂNEO

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    Este trabalho analisa os efeitos subjetivos e sociais da uberização do trabalho, destacando como o discurso do empreendedorismo, promovido como solução para o desemprego, encobre práticas de precarização. A partir do documentário Preço Invisível, de Ana Laís Carvalho de Sousa, que acompanha a rotina de um entregador de aplicativo em Tianguá (CE), realiza-se uma reflexão sobre a tensão entre autonomia e submissão algorítmica. O estudo adota uma abordagem qualitativa, descritiva e exploratória, fundamentando-se em contribuições da psicologia social e da psicanálise. São articulados os debates de Ricardo Antunes e Zygmunt Bauman sobre trabalho e empreendedorismo, além das ideias de Freud em Psicologia das Massas e Análise do Eu, para compreender como os sujeitos internalizam o sofrimento em contextos coletivos. As narrativas escutadas revelam a solidão e o adoecimento psíquico provocados por metas inatingíveis, insegurança financeira e responsabilização pessoal. Ao valorizar o esforço individual como via de sucesso, o discurso empreendedor atual produz sujeitos que sofrem de forma solitária, apesar de imersos em uma lógica coletiva de realização. Conclui-se que o modelo de “ser o próprio chefe” reforça formas sutis de exploração e adoecimento emocional, tornando urgente o reconhecimento desse sofrimento como expressão de uma estrutura social desigual

    RPG EM PSICOTERAPIA HUMANISTA EXISTENCIAL COM ADOLESCENTE: RELATO DE CASO

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    This article reports an experience of existential humanistic psychotherapy with a fifteen-year-old adolescent using RPG (Role Playing Game) as a therapeutic tool. The text aims to analyse phenomenologically the work done. The choice of RPG was based on both its playful and adaptive potential and the patient’s personal interest, which strengthened therapeutic engagement. The campaign was conducted over eight sessions and addressed themes such as emotional expression, autonomy and identity through symbolic experiences in the game. The analysis focused on the existential structures proposed by Binswanger: temporality, spatiality, intersubjectivity and corporeality. RPG enabled the patient to explore future possibilities, symbolic spaces as extensions of her lived world, bodily expression linked to identity, and the re-signification of interpersonal relationships. It is concluded that RPG can be an effective tool in updating past experiences and fostering openness to the world, especially valuable in psychotherapy with adolescents. The phenomenological approach proved coherent with the use of RPG, offering a fertile ground for meaning-making and existential appropriation.Este artículo relata una experiencia de psicoterapia humanista existencial con una adolescente de quince años, utilizando el RPG (Role Playing Game) como herramienta terapéutica. El objetivo del texto es investigar fenomenológicamente el trabajo realizado. La elección del RPG se debió tanto a sus potencialidades lúdicas y adaptativas como al interés personal de la paciente, lo que favoreció la adhesión y el vínculo terapéutico. La campaña se desarrolló en ocho sesiones, en las cuales se trabajaron temas como la expresión emocional, la autonomía y la identidad, por medio de la vivencia simbólica en el juego. El análisis de los resultados se basó en las estructuras existenciales propuestas por Binswanger: temporalidad, espacialidad, intersubjetividad y corporeidad. Se observó que el RPG posibilitó el ejercicio de nuevas perspectivas de futuro (protensión), la exploración del espacio simbólico como extensión del mundo vivido, la expresión de la corporeidad vinculada a la identidad y la resignificación de las relaciones interpersonales. Se concluye que el RPG puede ser un recurso eficaz en la actualización de vivencias y en el fortalecimiento de la apertura del paciente hacia el mundo, siendo especialmente valioso en la psicoterapia con adolescentes. El enfoque fenomenológico se mostró coherente con el uso del RPG, promoviendo un campo fértil para la construcción de sentido y la apropiación existencial.Este artigo relata uma experiência de psicoterapia humanista existencial com adolescente de quinze anos utilizando o RPG (Role Playing Game) como ferramenta terapêutica O objetivo do texto é investigar fenomenologicamente o trabalho realizado. A escolha pelo RPG deu-se tanto por suas potencialidades lúdicas e adaptativas quanto pelo interesse pessoal da paciente, favorecendo a adesão e o vínculo terapêutico. A campanha foi conduzida em oito sessões, nas quais temas como expressão emocional, autonomia e identidade foram trabalhados por meio da vivência simbólica no jogo. A análise dos resultados baseou-se nas estruturas existenciais propostas por Binswanger: temporalidade, espacialidade, intersubjetividade e corporeidade. Observou-se que o RPG possibilitou o exercício de novas perspectivas de futuro (protensão), a exploração do espaço simbólico como extensão do mundo vivido, a expressão da corporeidade ligada à identidade e a ressignificação das relações interpessoais. Conclui-se que o RPG pode ser um recurso eficaz na atualização de vivências e no fortalecimento da abertura do paciente para o mundo, sendo especialmente valioso na psicoterapia com adolescentes. A abordagem fenomenológica mostrou-se coerente com o uso do RPG, promovendo um campo fértil para a construção de sentido e apropriação existencial

    REALIDADE AUMENTADA E MODELAGEM MATEMÁTICA NO ENSINO DA GEOMETRIA NA EJA: UM ESTUDO COLABORATIVO

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    Este estudo, vinculado ao Mestrado Profissional em Educação de Jovens e Adultos (MPEJA) da Universidade do Estado da Bahia, está em andamento e investiga o potencial das tecnologias emergentes, como a modelagem matemática e a realidade aumentada, no ensino da geometria para turmas do Ensino Fundamental Anos Finais na modalidade da Educação de Jovens e Adultos (EJA) da Rede Municipal de Santo Estêvão, Bahia. O objetivo é analisar como essas tecnologias podem contribuir para a aprendizagem significativa da geometria, considerando as especificidades dos sujeitos da EJA. Para isso, buscamos responder à seguinte questão: como a integração da realidade aumentada e da modelagem matemática pode tornar o ensino da geometria mais acessível e envolvente para os estudantes da EJA? O estudo adota uma abordagem qualitativa e exploratória, baseada na metodologia colaborativa, envolvendo professores de matemática na construção coletiva de estratégias pedagógicas. O referencial teórico se fundamenta em Freire (2021), que defende uma educação crítica e dialógica, Moran (2003), que discute o papel das tecnologias na inovação educacional, e Arroyo (2005), que destaca a importância das trajetórias dos sujeitos da EJA no processo de ensino-aprendizagem. Os resultados preliminares indicam que o uso da realidade aumentada e da modelagem matemática favorece a visualização de conceitos geométricos abstratos, reduzindo dificuldades históricas no ensino da disciplina. Além disso, os participantes relataram aumento na motivação e no engajamento, evidenciando que a inserção dessas tecnologias pode promover um ensino mais dinâmico e interativo. O envolvimento colaborativo dos professores permitiu a adaptação das práticas pedagógicas ao contexto local, fortalecendo a autonomia docente e ampliando as possibilidades metodológicas. Concluímos que a implementação de tecnologias emergentes no ensino da geometria na EJA não apenas melhora a compreensão dos conceitos matemáticos, mas também contribui para uma abordagem pedagógica mais inclusiva e alinhada às necessidades dos estudantes. O estudo reforça a importância do desenvolvimento de práticas inovadoras, capazes de tornar a aprendizagem mais significativa e de reduzir as desigualdades educacionais

    A NEUROCIÊNCIA E SUA CONTRIBUIÇÃO PARA A APRENDIZAGEM

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    A neurociência cognitiva está se tornando cada vez mais importante para entendermos como a aprendizagem ocorre e como podemos usar esse conhecimento para criar práticas educacionais mais eficazes. O conceito de neuroplasticidade, que é a capacidade do cérebro de se modificar em resposta a novas experiências, é central para a neurociência cognitiva e para a aprendizagem. Este trabalho se baseia em uma revisão da literatura sobre neurociência cognitiva e aprendizagem, com foco em como os insights da neurociência podem ser aplicados na educação. Foram revisados artigos científicos e livros de autores como Relvas (2017), Rotta, Ohlweiler e Riesgo (2016), Guerra (2015) e Kandel (2003). A neurociência cognitiva oferece uma compreensão valiosa sobre como o cérebro aprende, mas é importante reconhecer que ela não dita métodos pedagógicos nem resolve todos os desafios educacionais. Em vez disso, a neurociência fornece insights sobre os processos cognitivos que podem ajudar os educadores a desenvolver estratégias de ensino mais eficazes e personalizadas. As descobertas da neurociência cognitiva podem ser aplicadas na educação de várias maneiras, incluindo o desenvolvimento de ensino personalizado, a melhora do engajamento dos alunos, a otimização da memória e a identificação de dificuldades de aprendizagem. Ao compreender como o cérebro aprende, os educadores podem criar ambientes de aprendizagem mais estimulantes e eficazes. A neurociência cognitiva tem um papel importante a desempenhar na educação, ajudando os educadores a compreender e otimizar o processo de aprendizagem. Ao integrar os conhecimentos da neurociência com a prática educacional, podemos criar uma educação mais eficaz e inclusiva para todos os alunos

    DIVERSIDADE NA CIÊNCIA: REFLEXÕES SOBRE HISTÓRIA, EDUCAÇÃO E FUTURO

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    A ciência, ao longo da história, tem sido marcada por avanços significativos, mas também por desigualdades na representatividade de diferentes grupos sociais. Tradicionalmente, a produção científica esteve majoritariamente nas mãos de homens cisgêneros brancos das classes dominantes, enquanto mulheres, pessoas negras, indígenas e outros grupos minorizados enfrentaram exclusão dos espaços formais de conhecimento (Van Dusen, Nissen & Johnson, 2024).Apesar dessas adversidades, figuras como Hipátia de Alexandria, Marie Curie, Karl Heinrich Ulrichs e Katherine Johnson desafiaram essas barreiras, demonstrando a importância da diversidade para o avanço do conhecimento. No entanto, esses indivíduos representam apenas uma parcela do espectro da diversidade na ciência. Atualmente, a desigualdade de gênero, raça e orientação sexual na ciência persiste. Embora as mulheres constituam 53% dos graduados universitários globalmente, apenas 30% atuam como pesquisadoras, com presença ainda menor em áreas como engenharia e tecnologia da informação (Bondarescu et al., 2018.). Nos Estados Unidos, por exemplo, apenas 9% dos profissionais em STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática) são negros, apesar de representarem 13% da população total (Hofstra et al., 2019). Além disso, há uma carência de dados sobre a participação de outros grupos estigmatizados, o que por si só já indica um cenário preocupante (Kozlowski et al., 2024).Estudos indicam que equipes diversas têm 35% mais chances de alcançar melhores resultados em inovação, reforçando a relevância da inclusão na ciência (Bondarescu et al., 2018). A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do Brasil enfatiza a valorização da diversidade cultural na formação integral dos estudantes, promovendo a construção de uma sociedade mais justa e democrática. Abordar a temática da diversidade científica nas escolas fortalece o pensamento crítico, o respeito às diferenças e a compreensão das interações entre ciência, tecnologia e sociedade, além de evidenciar a dimensão ética e social da ciência e seu impacto sobre diferentes grupos sociais.Nesse contexto, foi desenvolvida uma proposta interdisciplinar para estudantes da 1ª série do Ensino Médio, integrando Química, Física e Biologia. Os alunos foram desafiados a reimaginar a trajetória de cientistas renomados sob a perspectiva de grupos historicamente minorizados. A atividade teve como objetivo estimular o pensamento crítico, a criatividade e a empatia, promovendo debates sobre diversidade, inclusão, equidade e os desafios sociais na produção do conhecimento. Os textos produzidos pelos estudantes foram analisados por meio da Análise Textual Discursiva (ATD), permitindo a identificação de padrões tokenistas, vieses inconscientes e contradições nos discursos.Os resultados evidenciam a importância de abordar a diversidade na ciência desde a educação básica, incentivando a representatividade e o engajamento dos estudantes na construção de um futuro mais inclusivo. A reflexão sobre o impacto da exclusão histórico-social no avanço científico contribui para o desenvolvimento de cidadãos mais conscientes e comprometidos com a equidade na produção do conhecimento

    ANÁLISE DAS PROPAGANDAS GOVERNAMENTAIS SOBRE O NOVO ENSINO MÉDIO BRASILEIRO À LUZ DA PEDAGOGIA HISTÓRICO-CRÍTICA

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    O presente trabalho apresenta os resultados parciais de uma pesquisa doutoral que objetivou analisar criticamente as propagandas televisivas produzidas pelo Governo Federal sobre o Novo Ensino Médio em um recorte temporal de 2016 a 2021 sob a perspectiva da Pedagogia Histórico-Crítica. A metodologia desdobrada trata de uma pesquisa exploratória e bibliográfica sobre as concepções e intencionalidades pedagógicas que alicerçam a BNCC do Ensino Médio (Brasil, 2020) e os modos de operação ideológica em propagandas que, mediaram uma análise documental das propagandas governamentais sobre o Novo Ensino Médio, ambas fundamentadas no Materialismo Histórico-Dialético (Marx, 1978). Como resultado foi observado que a construção midiática e o discurso ideológico contidos nas propagandas governamentais sobre o Novo Ensino Médio reproduzem e chancelam a política desdobrada, suas concepções, contradições e intencionalidades pedagógicas, a partir de uma política educacional neoliberal, neoprodutivista, neoconstrutivista, neoescolanovista e neotecnicista, operacionalizadas e legitimadas ideologicamente por universalização, racionalização e fragmentação por diferenciação. &nbsp

    RITUAIS DE INICIAÇÃO COMO ELEMENTOS ESSENCIAIS DA EDUCAÇÃO AFRICANA (BANTU) : CASO DO ALAMBAMENTO NA CULTURA AMBUNDU

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    África é um continente multicultural, esta multiplicidade faz dela uma geografia rica. Um povo que desconhece e não se preocupa com as suas origens culturais está premeditado a grandes erros. O presente trabalho, com o tema: Rituais de iniciação como elementos essenciais da educação africana (bantu): caso do alambamento na cultura ambundu. Tem como objetivo: Analisar o impacto dos rituais de iniciação dos povos Ambundu na educação da geração mais nova. Os ambundu são um povo, com vários subgrupos, localizados no território angolano, têm os ritos e cerimónias como elementos fundamentais da sua base educativa para preservação do seu manancial cultural. Neste sentido, para elaboração e materialização do trabalho recorremos a uma metodologia com abordagem qualitativa-exploratória, que nos permitiu através de bibliografias e documentos levantar dados relativamente a este povo. Permitiu-nos averiguar que na cultura Ambundo a materialização do alambamento é da responsabilidade de todos membros da família e da comunidade, e não exclusivamente do casal. Esta cerimônia obedece a três fases fundamentais com caraterísticas peculiares: Primeira: as conversações, ocorre entre os dois grupos, familiares dos cônjuges.  Segunda: negociações, nessa etapa, os grupos acordam sobre as prendas a serem ofertadas à família da futura mulher. Terceira:  preparação, refere-se ao momento da organização do matrimónio, estes aspetos fazem do alambamento além da união matrimonial, assumir uma função política, cultural e socioeducativa. Portanto, mais do que um processo colaborativo e coletivo, o alambamento é um ato pedagógico, na medida em que são passadas lições práticas da vida conjugal, tanto para os nubentes bem como para todos participantes

    PESQUISA EM PSICOLOGIA SOCIAL CONTEMPORÂNEA: LACUNAS DE DADOS QUANTO A EXPERIÊNCIAS DE ASSENTADOS DO MOVIMENTO DOS TRABALHADORES SEM TERRA

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    O presente resumo busca dar um panorama sobre a quantidade de publicações científicas contemporâneas, especialmente em universidades federais, sobre a experiência de assentados do movimento dos trabalhadores sem-terra no Brasil. Demonstrando por meio de revisão bibliográfica o indício de uma lacuna no campo científico sobre esta temática, relevante para a Psicologia Social por seu conteúdo que enseja dar voz aos indivíduos, em detrimento de estudos que apenas falam por eles, pois não tornar os estudados parte da pesquisa, implica em defender que estes são objetos do pesquisador (Freire, 1995). Analisar a produção científica contemporânea referente ao cotidiano do movimento dos trabalhadores sem-terra, buscando entender a quantidade de produção nos últimos 5 anos, e hipotetizar suas consequências. Revisão bibliográfica feita em revistas científicas, sendo elas as plataformas: “Scielo” (nesta biblioteca, foram pesquisados apenas artigos publicados na revista “Psicologia e Sociedade”), “Portal de Publicações Eletrônicas da UERJ”, “Repositório Institucional da UFSCar”, “Repositório Institucional da UFPE” e “Repositório institucional UNIFESP”, utilizando como palavras-chave os termos “movimento social” e “MTST” e o período de publicação entre os anos de 2018 e 2024. Encontrados no total 37 artigos sobre a temática deste movimento social, e apenas 10 explicitando a experiência de moradores de assentamentos de forma direta e a partir de relatos dos mesmos construindo e mediando o conhecimento gerado e expondo suas experiências. Os dados encontrados apontam para uma lacuna de pesquisa em campo central de pesquisas em Psicologia Social, a interface sujeito-contexto (Guareschi, 2008) onde diversos estudos envolvem a temática do movimento social, porém uma minoria trata da experiência subjetiva de pessoas participantes destes, e percebe-se a necessidade de trabalhos que tragam reflexões e informações sobre estas vivências citadas. Sendo a fonte desta disparidade ainda incerta, necessitando assim de maiores pesquisas, porém pode-se hipotetizar sobre causas sociais dentro do campo científico, já que a ciência não se produz na realidade como neutra, ainda que geralmente se pense desta maneira (Chalmers, 1994). A partir deste cenário entendesse que há uma baixa produção científica neste campo, e portanto, questões como compreender a constituição subjetiva dos sujeitos assentados, e por quais motivos estes permanecem nestes locais nos dias atuais, estão defasadas no debate científico, e necessitam ser revisitadas, buscando gerar conhecimento sobre quem são estas pessoas e quais seus objetivos dentro destas ocupações, ampliando assim o debate nas ciências sociais, e possíveis benefícios no que tange à produção de políticas públicas relacionadas à esta população

    DESAFIOS SOCIAIS E AMBIENTAIS ENFRENTADOS PELA COMUNIDADE RIBEIRINHA

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    As comunidades ribeirinhas, como um dos povos nativos mais antigos do Brasil, localizam-se à beira dos rios que cercam suas moradias e, consequentemente, todos os seus espaços de vivência, onde se formam vínculos íntimos entre sujeito e natureza e se obtêm recursos naturais para a manutenção da vida. No entanto, enfrentam o desequilíbrio ambiental causado pela ampliação das indústrias, como as usinas hidrelétricas, que retiram o habitat de espécies fluviais, afetando a principal fonte de alimento e renda dos ribeirinhos. Além disso, há dificuldades no acesso aos direitos como cidadãos e uma frequente exclusão social, com obstáculos em áreas como educação, saúde, locomoção, trabalho e conectividade digital. Essas populações também são marcadas por um histórico de negligência social e política, o que acentua suas vulnerabilidades frente às mudanças que ocorrem em seus territórios. Dessa forma, é necessário que psicólogos compreendam os fatores sociais e ambientais presentes no cotidiano dessa população para promover melhor qualidade de vida e prevenir possíveis transtornos mentais decorrentes desses desafios, como depressão, burnout e outros agravos emocionais. Analisar fatores sociais e ambientais que contribuem para o sofrimento psíquico das comunidades ribeirinhas, com base em revisão da literatura atual. Busca-se elencar aspectos que afetam sua saúde mental e incentivar pesquisas que deem visibilidade às condições de vida e aos impactos psicossociais enfrentados por esses povos. Foi realizada uma revisão da literatura que analisou quatro artigos de pesquisa qualitativa, três da base SciELO e um da Rede Unida, publicados entre 2021 e 2024. A busca utilizou palavras-chave como População Ribeirinha, Saúde Mental e Mudanças Socioambientais. Os estudos foram analisados quanto a aspectos sociais, ambientais e de saúde observados nas comunidades ribeirinhas. Observou-se que a maioria da população ribeirinha brasileira pertence às classes socioeconômicas mais baixas, enfrentando obstáculos estruturais no acesso a políticas públicas e serviços básicos. Apesar de alguns programas de políticas públicas afirmativas estarem presentes, ainda há limitações no alcance e na efetividade dessas ações. A pesca, principal fonte de sustento dessas comunidades, vem sendo prejudicada por desequilíbrios ambientais causados por indústrias, especialmente hidrelétricas, que afetam o ciclo reprodutivo dos peixes e a qualidade da água. Essas populações mantêm uma relação afetiva e simbólica com seus territórios, frequentemente ameaçados por deslocamentos forçados e isolamento geográfico. A precariedade na infraestrutura de transporte compromete o acesso à saúde, educação e lazer. Além disso, a ausência de serviços de conectividade digital aprofunda o isolamento e limita a participação desses povos na vida pública e tecnológica atual. Esses fatores evidenciam vulnerabilidades que exigem mais visibilidade e aprofundamento em estudos com foco psicossocial. As comunidades ribeirinhas enfrentam dificuldades sociais e ambientais que afetam sua qualidade de vida, como o acesso limitado a serviços essenciais e a exclusão social. Um modelo assistencial centrado no indivíduo, em vez do biomédico, é necessário para considerar as especificidades culturais e ampliar o acesso à saúde. Integrar soluções adequadas é essencial para melhorar o bem-estar e preservar os vínculos dessas populações com o território

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