Portal de Periódicos do Centro de Estudos Interdisciplinares (CEEINTER)
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INTERSECÇÃO ENTRE GÊNERO E SAÚDE MENTAL DA MULHER
O presente trabalho busca analisar a intersecção entre gênero e saúde mental, e em como as normas sociais e as expectativas impostas às mulheres afetam a sua saúde mental. A análise tem como base as obras de autores como Franca Basaglia, Valeska Zanello, Sigmund Freud, Monica Lagarde e Raewyn Connell, oferecendo diferentes perspectivas sobre a construção social da mulher e implicações sobre a saúde mental. Através dessas contribuições, é perceptivel como as normas de gênero limitam frequentemente a ação de mulheres, intensificando pressões sociais, gerando sofrimento psiquico, impactando negativamente a qualidade de vida. A metodologia que utilizada, consiste na revisão da literatura, que permite o entendimento abrangente das dinâmicas sociais que influenciam a saúde mental das mulheres. Elementos críticos como a violência doméstica, desigualdades socioeconômicas, culturais e o estigma associado aos transtornos mentais são identificados como barreiras significativas que dificultam o acesso a serviços de saúde. Franca Basaglia, autora italiana, apresenta a saúde mental feminina como um fenômeno social e histórico, resultado do descaso institucional que impacta a vida das mulheres. Basaglia argumenta que as mulheres frequentemente enfrentam condições adversas, incluindo violência de gênero e discriminação no ambiente de trabalho, fatores esses que contribuem para a deterioração de sua saúde mental. Essa perspectiva ressalta a ideia de que a "loucura" ou os problemas de saúde mental não são fenômenos isolados, mas sim influenciados por contextos sociais e culturais em que as mulheres estão inseridas. Monica Lagarde, autora mexicana, complementa esta análise ao propor uma crítica das estruturas de gênero que relegam as mulheres a papéis de cuidadoras, levando frequentemente à repressão de suas próprias necessidades e à internalização de padrões de comportamento limitantes. A psicanálise freudiana, por sua vez, oferece uma abordagem sobre a psicologia feminina que, embora pertinente, é frequentemente criticada por não considerar suficientemente as influências sociais nas questões de saúde mental das mulheres. Essa crítica é corroborada por Raewyn Connell, que discute como as normas de gênero e as relações de poder afetam tanto mulheres quanto homens, perpetuando um ciclo de opressão resultando sofrimento emocional generalizado. Valeska Zanello enriquece ainda mais a discussão ao enfatizar a diversidade das experiências femininas. Argumentando que as causas sociais e culturais do adoecimento mental são fundamentais para uma abordagem eficaz em saúde mental. A necessidade de intervenções sensíveis ao gênero é clara, já que mulheres de diferentes origens e contextos culturais vivenciam a saúde mental de maneiras distintas. Reconhecer essa diversidade é essencial para o desenvolvimento de políticas de saúde mental que realmente atendam às necessidades específicas das mulheres. Por fim, a análise conclui que a intersecção entre gênero e saúde mental é complexa e multifacetada, exigindo um olhar crítico e inclusivo para promover um cuidado mais equitativo e eficaz. As perspectivas de Basaglia, Lagarde, Freud, Connell e Zanello oferecem um entendimento abrangente das vivências femininas, ressaltando a importância de superar as normas sociais limitantes e estigmas que continuam a existir
DA SALA DE AULA AO EXAME: A PRODUÇÃO TEXTUAL NAS ETECS COM FOCO NO ENEM E NOS VESTIBULARES
O objetivo desta pesquisa é examinar práticas do ensino de produção textual com foco no ENEM e nos vestibulares nas unidades da Escola Técnica Estadual de São Paulo localizadas no Alto Tietê (Arujá, Itaquaquecetuba, Ferraz de Vasconcelos, Guarulhos, Mogi das Cruzes, Poá, Santa Isabel e Suzano), a fim de entender como o sucesso em nas produções textuais pode ser uma ferramenta de empoderamento e inclusão em relação às desigualdades educativas
O LIVRO DIDÁTICO DE GEOGRAFIA E AS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DA ÁFRICA E DOS NEGROS AFRICANOS NO 7° E 8° ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL II
Este trabalho apresenta parte dos resultados de uma pesquisa de Mestrado que investiga as Representações Sociais dos negros africanos e da África em livros didáticos de Geografia do Ensino Fundamental II, aprovados no Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD) de 2014 e 2020. A Lei 10.639/2003, considerada um marco no combate ao racismo no âmbito educacional, visa valorizar a história e cultura afro-brasileira e africana, promovendo a educação das relações étnico-raciais. Os livros didáticos, compreendidos como portadores de valores ideológicos, ainda figuram entre os materiais pedagógicos mais utilizados, especialmente em escolas públicas. Contudo, muitos desses materiais perpetuam representações negativas e estereótipos que generalizam e inferiorizam o negro africano, além de imagens distorcidas da África. A metodologia da pesquisa baseia-se na análise de livros didáticos do sétimo e oitavo ano do Ensino Fundamental II, que abordam a formação do espaço brasileiro e o continente africano, respectivamente. A Teoria das Representações Sociais, de Serge Moscovici (2003), e as Imagens de Controle, de Patrícia Hill Collins (2019), fundamentam o referencial teórico. Os resultados da pesquisa revelam discrepâncias na representatividade da população negra em relação à branca, reiterando um discurso colonial e eurocêntrico. As imagens analisadas frequentemente retratam negros africanos em posições de subalternidade e menor prestígio, enquanto o continente africano é apresentado como primitivo, selvagem e pobre. Essa análise crítica dos livros didáticos busca evidenciar a necessidade de materiais pedagógicos que promovam a valorização da diversidade cultural e histórica africana, combatendo estereótipos e representações negativas que contribuem para a perpetuação do racismo e da desigualdade
EDUCAÇÃO PARA A PAZ NO ENSINO FORMAL: DA RESOLUÇÃO PARA A TRANSFORMAÇÃO E TRANSCENDÊNCIA DE CONFLITOS
O artigo contém um resumo de pesquisa desenvolvida em Curso de Doutorado de Educação[1], aborda a inserção da Educação para a paz na educação formal. Objetiva compreender como as políticas públicas de educação e as Diretrizes Curriculares dos Cursos de Graduação promovem uma Educação para a paz que envolva transformação ou transcendência de conflitos. Os objetivos específicos incluem identificar a relação os conceitos e conteudos abordados; avaliar as políticas educacionais em vigor; e propor a inserção da Educação para a paz no ensino formal, e no ensino superior. A abordagem qualitativa utiliza pesquisa bibliográfica e análise de conteúdo de documentos e normas em vigor, incluindo as recomendações da Unesco (2010, 2015), a Constituição Federal de 1988 e o Plano Nacional de Educação (PNE). Teoricamente, fundamenta-se em autores como Bobbio, Galtung, Jares, Salles Filho e Guimarães, com Galtung e Lederach apoiando a transformação de conflitos. A relevância da pesquisa está em incentivar a reflexão sobre a Educação para a paz, propor sua inserção em todo o sistema educacional, revisar o PNE atual e redigir um Plano Nacional de Educação para a Paz (PNEEP), como disciplina eixo, transversal e uniforme, com o fim de dar efetividade a Educação para a Cidadania Global (ECG) da Unesco, juntamente com a educação em direitos humanos, com o fim de efetivar a cultura de paz por meio da educação
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS: DESAFIOS E PERSPECTIVAS PARA A EDUCAÇÃO CONTEMPORÂNEA
A inserção da Inteligência Artificial (IA) na educação tem promovido uma transformação significativa nas práticas pedagógicas, redefinindo a relação entre professores, estudantes e conhecimento. Este resumo expandido discute as potencialidades e os desafios da IA como ferramenta educacional, a partir da análise de dois estudos recentes e outras contribuições relevantes da literatura nacional. Observa-se que, embora a IA ofereça possibilidades de personalização do ensino, automação de tarefas e ampliação do acesso à informação, ainda existem barreiras estruturais, epistemológicas e éticas que dificultam sua implementação plena nas escolas brasileiras. A partir de uma abordagem crítica e reflexiva, o texto propõe caminhos para uma educação mais inovadora, inclusiva e alinhada às exigências da sociedade digital
PNE: CONSIDERAÇÕES A PARTIR DE UMA REALIDADE MINEIRA
Este trabalho procura configurar-se como uma pesquisa de cunho qualitativo que tem por objetivo estabelecer relações entre algumas metas propostas pelo Plano Nacional de Educação (PNE) e as considerações apresentadas pelo relatório realizado pelo município de Madre de Deus de Minas. Portanto, estas relações oscilam entre alcances e debilidades que surgiram ao longo do estabelecimento das políticas públicas voltadas para a educação. A metodologia baseia-se numa pesquisa bibliográfica e numa documental. Este trabalho permite entrever que parte das metas educacionais ainda não foram consideradas e que outras exigem um trabalho de mobilização e redirecionamento, sobretudo daqueles que são os envolvidos diretamente com a educação: pais, alunos e professores
A QUESTÃO DA DIDÁTICA ESPECÍFICA PARA O ENSINO DE FILOSOFIA: APORTES TEÓRICOS
O ensino da Filosofia na educação básica apresenta diversos desafios, tanto em sua organização curricular enquanto disciplina quanto em aspectos metodológicos sobre como ensinar o filosofar de forma significativa aos(às) adolescentes. Para a busca de caminhos que se pautem em uma reflexão que inclua a teoria e a prática de forma inter-relacional, a didática mostra-se como possibilidade. Surge então o questionamento sobre o desenvolvimento da didática específica para o ensino filosófico nas escolas. Para investigar essa problemática foi realizada uma revisão bibliográfica, buscando aportes teóricos de autores(as) nacionais e internacionais que abordam essa temática. Como um estudo preliminar que demanda maiores investigações futuras, identificamos perspectivas que defendem uma profunda relação histórica e ontológica entre filosofia, educação e didática, o que pode se tornar a base para abordagens que partam da problematização filosófica sobre o ensino e a aprendizagem, abarcando elementos da pedagogia e áreas afins, para promoção de um ensino significativo do filosofar
AS POLÍTICAS EDUCACIONAIS PARA PESSOAS PRIVADAS DE LIBERDADE: A REALIDADE DA EDUCAÇÃO NAS PRISÕES
No Brasil existem 670.265 pessoas que estão cumprindo penas de privação de liberdade nos sistemas prisionais. Quando se trata de pessoas privadas de liberdade, a Lei de Execução Penal (LEP) restringe o direito de ir e vir, ou seja, os demais direitos devem ser assegurados, dentre eles o acesso à educação. Contudo, na prática o que se observa é uma violação desse direito. Embora a população prisional se caracterize por ter baixo nível de escolaridade – cerca de 44,7% e 17,8% dessas pessoas possuem ensinos fundamental e médio incompletos, respectivamente – somente 26,9% delas estão inseridas em atividades da educação básica. O campo da política educacional para pessoas privadas de liberdade ganhou visibilidade com a publicação das Diretrizes Nacionais para a Oferta de Educação nas Prisões (Resoluções nº 03/2009 e nº 2/2010), que além de tornar obrigatório a oferta de educação por parte dos governantes, também orienta as condições necessárias para garantir a oferta de educação nos diferentes níveis de ensino nos estabelecimentos prisionais. Outro importante instrumento normativo é o Plano Estratégico de Educação no âmbito do Sistema Prisional (Decreto nº 7.626/2011), que incentiva os Estados a construírem, a partir de suas realidades, os planos estaduais de educação nas prisões. Isto posto, esta pesquisa busca compreender como se efetiva o direito à educação para pessoas privadas de liberdade, considerando as recomendações dispostas nas políticas educacionais para este público. Esta é uma pesquisa de abordagem qualitativa e documental, cujo corpus de análise são as políticas educacionais conjuntamente com os dados oficiais sobre a população prisional disponibilizado no Relatório de Informações Penais (RELIPEN). Os resultados evidenciam que existe um arcabouço normativo sólido e, por isso, fortalece o reconhecimento do direito à educação das pessoas privadas de liberdade, porém, na prática a efetivação desse direito é atravessada por diversos fatores – como a falta de espaço físico, poucas vagas, ausência de orçamento, resistência dos policiais penais em liberar as pessoas para as aulas – que impedem o acesso e, consequentemente, o alcance por um número maior de pessoas que deveriam estudar e não conseguem. Assim, conclui-se que não basta apenas o reconhecimento legal da educação como um direito também das pessoas que estão cerceadas de liberdade, é necessário implementar ações para que a oferta desse direito realmente se torne uma realidade alcançável aos detentores, rompendo, assim, com essas “grades” da exclusão
A CURADORIA DIGITAL DE CONTEÚDO NA PRÁXIS DOCENTE: DA INFORMAÇÃO AO CONHECIMENTO, UMA EXPERIÊNCIA COM ALUNOS DO ENSINO MÉDIO.
Este trabalho busca compreender a curadoria digital de conteúdo como prática docente – pois o professor/pesquisador intermedeia uma quantidade massiva de informação e a transforma em conhecimento por meio da identificação, filtragem, contextualização, compartilhamento e aprimoramento de informações pertinente ao componente curricular. Tendo em vista as múltiplas fontes de pesquisa da contemporaneidade, a utilização do processamento de dados pela Inteligência Artificial (IA) em relação a síntese analítica e leitura dos discentes, o quantitativo de informações em rede, as ferramentas tecnológicas no campo educacional e considerando a premissa que ter acesso à informação não significa ter o conhecimento. Nesse cenário, surge as seguintes indagações: Por qual razão muitos alunos não detém o conhecimento básico nos componentes curriculares? Será que o fato de ter acesso à informação seja em livros ou plataformas digitais significa ter o conhecimento? Será que os discentes sabem realizar uma pesquisa na internet? Qual a relevância da curadoria digital de conteúdo para fomentar o processo de ensino e aprendizagem? Nessa conjuntura, a pesquisa objetivou identificar os desafios e dificuldades dos discentes em relação ao acesso à informação sobre conteúdo da língua portuguesa em meios digitais; incentivar e orientar os discentes à prática da pesquisa tendo em vista as etapas da curadoria digital – induzindo-os à busca de informações para transformá-las em conhecimento por meio da pesquisa, contextualização, análise crítica e síntese; compreender a relevância da prática docente no processo de curadoria de conteúdo para impulsionar a aprendizagem. Trata-se de uma pesquisa ação de cunho qualitativo com 150 alunos do ensino médio de uma escola da rede pública de Manaus/AM, deu-se por meio da observação participante, escolha dos assuntos da disciplina, pesquisa e curadoria, divulgação de conteúdos por diferentes objetos de aprendizagem. Durante três meses os alunos realizaram pesquisas em grupos sobre os seguintes temas: Tipologia textual; gênero textual; funções da linguagem; figuras de linguagem; classe de palavras. Com relação ao estado da arte: Antunes (2011), Cortella (2015), Fenner (2017), Lopes et al. (2014), Rocha et al. (2021). Identificou-se que muitos alunos não sabem delimitar a pesquisa em site de busca, o que torna a pesquisa menos profunda, além disso a utilização da IA tem comprometido o processo de curadoria, pois o aprendiz se abstém da leitura, contextualização, raciocínio lógico e síntese, fatores essenciais para a aquisição de conhecimento; como orientação foi apresentado aos educandos as etapas da curadoria de conteúdos – identificar, filtrar, contextualizar, compartilhar e aprimorar as informações encontradas; cada equipe ficou responsável por um tema no processo de curadoria; ficou a critério das equipes utilizar diferentes ferramentas tecnológicas; com a ação os alunos perceberam a relevância do processo de curadoria. Como resultado foram utilizados - mapas mentais, vídeos, resumos e infográficos. Nesse sentido, a estratégia de leitura, contextualização e partilha de conhecimentos em rede resultou em aprendizagem, sendo um processo de construção do saber, partindo do acesso à informação até a aquisição do conhecimento, tal intervenção permitiu aos discentes desenvolver a autonomia, a crítica, a análise, a importância do trabalho em equipe, foco e estratégia para obtenção de conhecimentos
COMPARATIVO ENTRE O PNE 2001-2010 E O PNE 2014-2024: ANÁLISE DAS METAS PARA EDUCAÇÃO INFANTIL E ENSINO FUNDAMENTAL
Este trabalho analisa as diretrizes do Plano Nacional de Educação (PNE) nos períodos de 2001-2010 e 2014-2024, focando nas categorias e metas estabelecidas para a educação infantil e o ensino fundamental. A metodologia empregada inclui uma revisão de literatura e análise documental, permitindo um comparativo das propostas e avanços em cada ciclo. Os resultados indicam que, enquanto o PNE de 2001-2010 priorizou a universalização do acesso e a qualidade do ensino, o PNE de 2014-2024 busca aprofundar a inclusão e a equidade, refletindo mudanças socioculturais e políticas. A discussão revela que, apesar dos avanços, ainda existem desafios significativos, como a formação de professores e a adequação das escolas às necessidades de todos os alunos. Conclui-se que, para garantir o sucesso das metas estabelecidas, é essencial um compromisso contínuo com a formação e a infraestrutura educacional