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Formatos jornalísticos ou promoção da marca FC Porto: a programação do Porto Canal, um estudo de caso
Sports are part of multiple dimensions of society, which leads them to cross borders and overcome divergences so as to reach more and more people in different social dynamics. Specialized sports journalism reaches the highest audiences, but it has to coexist with other realities, such us brand promotion. Sports channels have emerged as part of this trend implemented by top clubs, which seized the role of broadcasters, and club channels became part of their strategic communication. This case-study debates the appropriation of sports journalism formats in the promotion of the branding Universo Porto – Jornal. A categorization and analysis of the content is the methodology used to tackle the Porto Canal broadcast. It aims to establish a relationship between the analyzed contents and the characteristics of specialized journalism, in order to realize how these formats are part of the brand promotion strategies.O desporto faz parte de múltiplas dimensões da sociedade, o que o leva a atravessar fronteiras e a ultrapassar divergências, alcançando amplas camadas sociais. O jornalismo desportivo é uma das especialidades que mais audiência junta, porém coexiste com outras realidades, como é o caso da promoção de marca. Os canais desportivos emergiram como parte desta tendência implementada pelos grandes clubes, que acabam por assumir o papel de transmissores de conteúdos entendidos como estratégicos na sua comunicação. O presente estudo de caso debate os aspetos de apropriação dos formatos do jornalismo desportivo na promoção de marca do FC Porto no Universo Porto – Jornal. A metodologia usada permite a categorização e a análise dos conteúdos transmitidos pelo programa do Porto Canal. Procura ainda estabelecer uma relação entre os conteúdos da amostra e as características do jornalismo especializado, aferindo como os formatos identificados fazem parte das estratégias de promoção de marca.
 
Como as leis estão a definir (e a criminalizar) as fake news
Legislative initiatives to combat misinformation and fake news from Germany, Brazil, France, Malaysia or Singapore have generated considerable controversy, and not just in these countries. As these are pioneering initiatives, they have received much attention across borders. In this paper, we analyse how each of these five legislative initiatives frames the fake news issue to conclude that the vast majority focus on the falseness of documents or statements made online. The different legislative proposals are minimalist and little explanatory, seeming to function as experiments or tests, with more deterrent than criminalizing aims.As iniciativas legislativas para combater a desinformação e as fake news da Alemanha, do Brasil, da França, da Malásia ou de Singapura têm gerado bastante polémica, e não apenas nestes países. Tratando-se de iniciativas pioneiras, têm merecido muita atenção além-fronteiras. Neste trabalho, analisamos de que forma cada uma destas cinco iniciativas legislativas enquadra a questão das fake news para concluir que a grande maioria centra o seu objeto na falsidade dos documentos ou das afirmações feitas online. As diferentes propostas legislativas são minimalistas e pouco ‘explicativas’, parecendo funcionar como experiências ou testes, com objetivos mais dissuasores do que de criminalização.
 
Introdução
O cidadão, para atuar em democracia, precisa de ter acesso a informação relevante, verídica e plural. A responsabilidade social da imprensa – um conceito introduzido em 1947 pela Comissão Hutchins – assenta no direito fundamental a informar e a ser informado. O jornalista desempenha um papel socialmente reconhecido de construção da realidade. Trata-se de um “poder simbólico”: um poder “invisível”, “quase mágico”, “de fazer ver e fazer crer, de confirmar ou de transformar a visão do mundo e, deste modo, a ação sobre o mundo, portanto o mundo” (Bourdieu, 1989). Nos anos 90, Bourdieu (1997) criticava os jornalistas por deterem o monopólio de facto dos instrumentos de difusão da informação a grande escala, contra o qual se defrontavam os produtores culturais. Apesar de os produtos media gerarem “enormes” externalidades (Baker, 2004), o campo jornalístico está submetido às exigências dos mercados do leitor e do anunciante. Todavia, a baixa autonomia do campo jornalístico, denunciada por Bourdieu (1997) nos anos 90, acentuou-se no século XXI; uma tendência que está a ser acompanhada pela perda crescente do poder de gatekeeper (controlador do fluxo de informação) dos jornalistas.For a citizen to participate in democracy, they must have access to relevant, truthful, and plural information. The social responsibility of the press—a concept introduced in 1947 by the Hutchins Commission—rests on the fundamental right to inform and to be informed. The journalist plays a socially recognized role in the construction of reality. This is a form of “symbolic power”: an “invisible,” “almost magical” power, one that “makes people see and believe, that confirms or transforms the vision of the world and, in this way, action upon the world, and thus the world itself” (Bourdieu, 1989). In the 1990s, Bourdieu (1997) criticized journalists for holding the de facto monopoly over the instruments of large-scale information dissemination, against which cultural producers struggled. Although media products generate “enormous” externalities (Baker, 2004), the journalistic field is subject to the demands of reader and advertiser markets. However, the low autonomy of the journalistic field, denounced by Bourdieu (1997) in the 1990s, has become even more pronounced in the 21st century—a trend accompanied by the growing loss of journalists’ gatekeeping power (control over the flow of information)
“Free to Play“: a comunicação de marketing dos videojogos gratuitos
This article intends to appreciate how free-to-play online video games can benefit from marketing communication to attract gamers. Digital content analysis from producer websites and online video game forums, as well as semi-structured interviews with gamers, were undertaken. We concluded that, although video game producers use a variety of communication techniques, mostly digital ones, they mainly resort to communicational phenomena generated amongst the gamer community, such as electronic-word-of-mouth and user-generated-content, in which online opinion leaders take a leading role. Further investigation of these phenomena is suggested for potential application to other business areas.Neste artigo, pretende-se compreender como os videojogos online gratuitos podem beneficiar da comunicação de marketing para atrair gamers. Recorreu-se à análise de conteúdos digitais de websites de produtoras e de fóruns online de videojogos, bem como a entrevistas semiestruturadas a gamers. Conclui-se que, embora as produtoras de videojogos utilizem uma variedade de técnicas de comunicação, sobretudo digitais, tiram principalmente partido de fenómenos comunicacionais gerados na própria comunidade gamer, como o electronic-word-of-mouth e o user-generated-content, nos quais os líderes de opinião online adquirem um papel preponderante. Sugere-se maior investigação destes fenómenos para potencial aplicação a outras áreas de negócio
Fisham, J. M. (2018). Death makes the news. How the media censor and display the dead. Nova Iorque: New York University Press. (278 páginas)
O livro de Jessica M. Fisham reflete a sua prática interdisciplinar: é investigadora na Escola de Medicina Perelman e na Escola de Comunicação Annenberg, ambas da Universidade da Pensilvânia, e a sua formação em psicologia social torna o seu olhar sobre os media particularmente integrador e inovador. Neste caso, trata-se de compreender a ecologia da representação jornalística da morte, ou seja, pensar as dinâmicas da morte enquanto fenómeno social e rotina editorial. A representação pictórica da morte reflete valores políticos e profissionais que a transformam numa das práticas mais controversas do jornalismo. E também numa das menos conhecidas, já que o livro revela assumpções surpreendentes e desafiadoras das ideias feitas. Por exemplo, apesar do incontestável valor noticioso da morte, as imagens de corpos mortos não abundam nos jornais e são, pelo contrário, quase sempre precedidas de decisões cautelosas. Os critérios que decidem pela seleção e até sobrevalorização de algumas imagens e pelo descarte de outras permanecem ambíguos.Jessica M. Fishman’s book reflects her interdisciplinary practice: she is a researcher at the Perelman School of Medicine and the Annenberg School for Communication, both at the University of Pennsylvania, and her background in social psychology makes her perspective on the media particularly integrative and innovative. In this case, the aim is to understand the ecology of journalistic representation of death—that is, to reflect on the dynamics of death as both a social phenomenon and an editorial routine. The pictorial representation of death reflects political and professional values that turn it into one of journalism’s most controversial practices. It is also one of the least understood, as the book unveils surprising assumptions that challenge conventional wisdom. For instance, despite the unquestionable news value of death, images of dead bodies are not common in newspapers and are, in fact, almost always preceded by cautious decision-making. The criteria that lead to the selection—and even overvaluation—of certain images and the discarding of others remain ambiguous
Matos, José Nuno, Baptista, Carla e Subtil, Filipa (orgs.) (2017). A Crise do Jornalismo em Portugal. Lisboa: Le Monde Diplomatique e Deriva Editores.(192 páginas). ISBN 978-989-9701-26-8
A edição portuguesa do Le Monde Diplomatique tem vindo a trazer à estampa livros sobre a atualidade política, económica e social. A Crise do Jornalismo em Portugal reúne um conjunto de artigos de profissionais e académicos da área do jornalismo e dos media e, a alguns previamente publicados no periódico, acrescenta uns quantos inéditos. Mas, mais do que a maior ou menor novidade dos textos, é de destacar a franca atualidade dos mesmos. O livro anuncia-se, nas primeiras linhas da introdução, como “um conjunto plural de olhares que tem em comum a reflexão sobre a crise atual do jornalismo” (p. 9). E a crise do jornalismo – já anunciada, convém lembrar, nos anos 20 do século passado, por Walter Lippmann – é um tópico que, apesar de recorrente na academia e na opinião pública na última década, permanece como fulcral para a discussão sobre a atualidade dos media
A comunicação organizacional enquanto conceito e processo: perceções dos peritos
The organizational communication (OC) is important for organizational dynamics, playing a key role in the dissemination of information and, consequently, in the coordination and completion of tasks, in decision-making and in conflict resolution (Ayub, Manaf & Hamzah, 2014). In spite of its relevance, the OC study has been fragmented, since it assumes different perspectives that must be considered, both academically and in practical terms (Deetz, 2001; Oliveira & Ruão, 2014). In this way, there is a need to perceive how it is that experts - university teachers, trainers and communication managers - understand, define and concretize OC, with a qualitative exploratory study, through semistructured interviews with a sample of 33 experts.The most strongly mentioned aspects of OC as a concept were its centrality, its evolution and its relationship with adjacent areas. The centrality because the idea that communication constitutes the organization itself still remains. In turn, evolution refers to the paradigms (positivist, interpretative, critical and dialogical) that are inherent to the CO, although this aspect has been mentioned only by university professors. Finally, the relationship with other adjacent areas, since the definition of OC has been fragmented, being associated to other areas such as Sociology, Psychology and Human Resources Management.Regarding OC as a process, the aspects most strongly mentioned were the adequacy of OC to the context and the interlocutor, as well as the relevance of planning and the need for training. This is because, increasingly, the need to adapt the style of communication to the structure of the organization and its stakeholders, as well as the pertinence of training the stakeholders regarding the objectives, instruments and tools needed for this process is assumed.A comunicação organizacional (CO) assume relevância relativamente à dinâmica organizacional, desempenhando um papel determinante na disseminação de informação e, consequentemente, na coordenação e conclusão de tarefas, na tomada de decisões e na resolução de conflitos (Ayub, Manaf & Hamzah, 2014). Apesar desta relevância, o estudo da CO tem sido fragmentado, uma vez que esta considera diferentes perspetivas que importa ter em conta, seja em termos académicos, seja em termos práticos (Deetz, 2001; Oliveira & Ruão, 2014). Desta forma, emerge a necessidade de se perceber como é que experts - docentes universitários, formadores e gestores de comunicação - entendem, definem e concretizam a CO, realizando-se um estudo de cariz qualitativo exploratório, com entrevistas semiestruturadas a uma amostra de 33 peritos.Os aspetos mais fortemente mencionados em relação à CO como conceito foram a sua centralidade, a sua evolução e a sua relação com áreas adjacentes. A centralidade porque a ideia de que a comunicação constitui a própria organização ainda se mantém. A sua evolução refere-se aos paradigmas (positivista, interpretativo, crítico e dialógico) que são inerentes à CO, embora este aspeto tenha sido mencionado somente pelos docentes universitários. Finalmente, a relação com outras áreas adjacentes, uma vez que a definição de CO tem vindo a ser fragmentada, estando associada a outras áreas, como a Sociologia, a Psicologia e a Gestão de Recursos Humanos.Relativamente à CO enquanto processo, os aspetos mais fortemente apontados foram a adequação da CO ao contexto e ao interlocutor, bem como a relevância do planeamento e a necessidade de formação. Isto porque cada vez mais se assume a necessidade de adaptar o estilo de comunicação à estrutura da organização e aos seus stakeholders, bem como a pertinência de formar os envolvidos relativamente aos objetivos, aos instrumentos e às ferramentas de que necessitam para este processo
Casetti, Francesco (2015). The Lumière Galaxy: Seven Key Words for the Cinema to Come. Nova Iorque: Columbia University Press. (293 páginas). ISBN 978-0-231-17243-1
Importará começar por justificar a pertinência de recensear um livro publicado em 2015, ou seja, que conta já com três anos de existência. O facto de não existir uma reflexão elaborada ou traduzida em Portugal sobre o tema a que se dedica Francesco Casetti em The Lumière Galaxy (à exceção do meu próprio trabalho1) legitima esta recensão. Havendo trabalho internacional que elege o assunto como relevante, este livro é a mais recente obra que opta por abordá-lo. Casetti, teórico do cinema, dera já contributos vários em textos anteriores para esta discussão. Aqui consegue fazê-lo de forma mais completa e sistemática, enunciando em detalhe, e com recurso a vasta ilustração recolhida no cenário cinemático contemporâneo, os argumentos que fundamentam a sua análise e as suas conclusões
A comunicação interna em contextos organizacionais e a criação de cenas de dissenso
In this text we argue that the critical perspective of organizational communication is fundamental and promising to understand the interactions and tensions of power in the internal organizational environment and in its relationship with society. Our approach highlights the complex web of relationships and passages among individual, collective, intersubjective relationships and the cultural context in which they develop, in the balance between arrangements and strategic disarrangements of the logics and rationalities that define interactional episodes of resistance in scenes of dissensus. We reflect on how the meanings built up in organizational interactions are always political and created from sufficiently porous power relations for the insurgency of contestation infrapolitics. Thus, internal communication can be both a mechanism for controlling and maintaining dominant interests and a way of reconfiguring and re-signifying spaces, temporalities and codes in plural practices of resistance and insistence.Neste texto, argumentamos que a perspectiva crítica da comunicação organizacional é fundamental e promissora para entender as interações e tensões de poder no ambiente organizacional interno e na sua relação com a sociedade. Nossa visão destaca a complexa teia de relacionamentos e passagens entre relações individuais, coletivas, intersubjetivas e o contexto cultural em que elas se desenvolvem, no equilíbrio entre arranjos e desarranjos estratégicos das lógicas e racionalidades que definem episódios interacionais de resistência. Refletimos acerca de como os significados construídos nas interações organizacionais são sempre políticos e criados a partir de relações de poder suficientemente porosas para a insurgência de infrapolíticas de contestação em cenas de dissenso. Assim, a comunicação interna pode tanto ser um mecanismo de controle e manutenção de interesses dominantes, quanto forma de reconfigurar e ressignificar espaços, temporalidades e códigos em práticas plurais de resistência e insistência
Comunicação interna e ativismo cidadão: estudo de caso da campanha “Essa Coca é Fanta, e Daí?”
This article aims to analyze citizen activism in the context of internal communication, with Coca-Cola Brazil as its object, with its action on the day of LGBT pride, which had resonance in social networks from the postings of the employees themselves. As a methodology, a case study of the internal campaign and the analysis of posts and comments on the social network Twitter were carried out, seeking to identify positive and negative aspects of the reception of the campaign by the users of the chosen social network. As a result it was possible to verify the resonance of said campaign, its engagement and receptivity to Twitter users.O presente artigo tem como objetivo analisar o ativismo cidadão no contexto da comunicação interna, tendo como objeto a Coca-Cola Brasil com sua ação no dia do orgulho LGBT, que teve ressonâncias nas redes sociais a partir de postagens dos próprios funcionários. Como metodologia utilizada, foi realizado o estudo de caso da campanha e a análise de postagens e comentários na rede social Twitter, buscando identificar pontos positivos e negativos da recepção da campanha por parte dos usuários da rede social escolhida. Como resultado foi possível verificar a ressonância da referida campanha, seu engajamento e receptividade para os usuários do Twitter