Instituto de Filosofia e Ciências Humanas Open Journals System
Not a member yet
1115 research outputs found
Sort by
Fausto Castilho e a teoria da sensibilidade inscrita no Manual dos Cursos de Lógica Geral de Kant. Fausto Castilho and the theory of the sensibility inscribed in the Manual of the Courses of General Logic of Kant.
Este texto parte de um problema inusitado: o de que haveria uma teoria da sensibilidade subjacente a diversos problemas explorados na longa parte introdutória do Manual dos Cursos de Lógica Geral de Kant. Embora a sensibilidade seja a contrapartida de toda exposição teórica da Crítica da razão pura, ela em geral fica obliterada em todos os comentários sobre os cursos de lógica de Kant. Mas esses cursos foram a base da longa trajetória de Kant como professor. Recorrendo então à tradução do Manual dos cursos de lógica geral feita por Fausto Castilho e às aulas desse mesmo professor sobre o referido texto, procuramos mostrar que essa lógica, enquanto “concluída e acabada”, segundo a descrição de Kant, precisa dar suporte a uma tarefa cognoscitiva não analítica, que pressupõe o incontornável contato do intelecto com a sensibilidade
What does Lacanian theorizing of discourses teach us about the contemporary bond? What does Lacanian theorizing of discourses teach us about the contemporary bond?
O texto analisa o laço contemporâneo, a partir da teoria dos discursos de Jacques Lacan, com destaque para o discurso do capitalista. Discurso foi definido como laço social e Lacan, inicialmente, estabeleceu que haveria quatro formas. Todavia, ele subverteu sua própria tese agregando outro discurso: o discurso do capitalista. A introdução de mais um discurso evidencia que precisamos nos debruçar sobre os possíveis efeitos discursivos desse novo modo contemporâneo de se relacionar com os infindáveis objetos criados pela tecnociência. Conclui-se que a noção de discurso proposta por Lacan constitui um dispositivo que permite não apenas analisar diversos contextos, mas também intervir no campo social.
Palavras-chave: Lacan; discursos; tecnociência
Drive theory in Freud and Spielrein: Drive theory in Freud and Spielrein
Em A destruição como origem do devir (2014b), Sabina Spielrein elabora uma teoria bastante original sobre as pulsões. Algumas de suas hipóteses se aproximam de ideias fundamentais da teoria que Freud elabora a partir de 1920; no entanto, há diferenças importantes que distanciam o pensamento dos dois autores. Nesse artigo, retomamos alguns dos principais aspectos da teoria freudiana sobre as pulsões e, em seguida, apresentamos e discutimos as hipóteses que Spielrein formula sobre o tema em seu texto sobre a destruição, de 1912. Procuramos mostrar que a teoria de Spielrein agrega elementos do primeiro e do segundo dualismo pulsional freudiano, mas apresenta uma autenticidade que nos permite dizer que ela foi além de Freud e intuiu características essenciais do psiquismo, que Freud ainda levaria anos para perceber.
Palavra-chave: Psicanálise; pulsão; instinto de morte; Freud; Sabina Spielrein
Freud and his Bahnung (facilitation) in the history of dynamic memory theories: Freud and his Bahnung (facilitation) in the history of dynamic memory theories
Em seu Projeto de uma psicologia (1895), Freud adota o conceito de facilitação (Bahnung) proposto por Sigmund Exner em 1882 e o utiliza como uma noção central em sua teoria da memória. O percurso desse termo e dessa ideia na história da ciência e da filosofia é reconstruído a fim de contextualizar a teoria freudiana e evidenciar sua ênfase numa concepção dinâmica e integrativa da memória, ao contrário do que afirmam certas interpretações. Essa reconstrução abarca tanto o período anterior quanto posterior o final do século XIX e se estende até os desenvolvimentos neurocientíficos mais recentes. Assim, é possível também argumentar pela atualidade e relevância científica de certos aspectos da teoria freudiana.
Palavras-chave: história da psicanálise; história das neurociências; Freud; Exner; Bahnung; teoria da memória
This is not a subject: This is not a subject
Para Freud (1915), la hipótesis del inconsciente es necesaria y legítima. Intenta así dar cuenta de las manifestaciones – fallidos, sueños, chistes, síntomas - que hasta ese momento eran “vana espuma”. Lacan (1961) introduce una nueva suposición: sujeto supuesto saber, como pivote de la transferencia. Tres nociones que se enraízan en los desarrollos freudianos: (A) Sujeto- Ich spaltung - escisión del Yo; (B) Supuesto- amor de transferencia; (C) Saber- ignora (el soñante) que sabe. ¿Por qué ha sido necesario suponer un sujeto al inconsciente? ¿No era acaso suficiente con la hipótesis freudiana para dar cuenta de la práctica analítica? Lacan jamás pensó en sustituir al inconsciente freudiano, por su “monstruo”: el sujeto. Palabras clave: psicoanalisis; sujeto; inconcient
Da dignidade dos mortos-vivos: psicanálise e política nas representações dos zumbis
A figura dos zumbis apareceu no imaginário social do ocidente já na primeira metade do século XX. Nesse momento, tratava-se de uma espécie de feitiçaria que “ressuscitava” os mortos haitianos, que saíam de seus caixões e se punham a trabalhar de maneira mecânica, como autômatos - efeito de entorpecentes usados em rituais vodu. Contudo, com o sucesso que alguns livros tiveram em torno dessa narrativa (com destaque para “Ilha da magia: fatos e ficção”, de William Seabrook, 1929), logo a cultura americana tratou de notabilizar essa imagem de um corpo autômato para junto dos outros seres sobrenaturais, transformando essa estranha experiência haitiana numa espécie de fórmula pronta de sucesso no entretenimento. No livro, encontramos uma análise tanto psicanalítica quanto política dessa categoria dos zumbis, entre outras figuras sobrenaturais, não apenas de modo a explicar nosso fascínio pelos mortos-vivos, mas com uma ideia muito mais interessante de dar uma dignidade outra a isso que aparece como uma espécie do que há de mais abjeto entre todos os seres
Resenha do livro Lacan, leitor de Joyce
Publicado na França em 2015, Lacan, leitor de Joyce, último livro de Colette Soler, é agora lançado no Brasil pela Editora Aller, em cuidadosa tradução de Cícero de Oliveira. No estilo que lhe é característico, o de indagar afirmações por vezes enigmáticas de Lacan, para oferecer-lhes logo em seguida uma ou duas respostas, Colette Soler nos faz ver, em Lacan, leitor de Joyce, que a influência deste último sobre o conjunto da obra de Lacan é maior do que se poderia pensar à primeira vista, e está longe de restringir-se ao Seminário 23
O Príncipe e o Leviatã: ciência, política e modernidade no contratualismo mecanicista de Thomas Hobbes. The Prince and the Leviathan: science, politics and modernity in the mechanistic contractualism of Thomas Hobbes.
O presente artigo tem por objetivo central apresentar alguns pontos fundamentais do contratualismo mecanicista de Hobbes, bem como algumas diferenças entre a República de Maquiavel e o Estado civil hobbesiano. Sob esse prisma das diferenças entre Maquiavel e Hobbes, o presente artigo se propõe a explicitar as razões porque (ao contrário de interpretações como as de Leo Strauss e de David Gauthier) o moderno método geométrico e os termos do contrato constituinte do Estado civil em Hobbes impedem qualquer aproximação simpática entre o seu Leviatã e o Príncipe de Maquiavel. Não obstante, o artigo procura também problematizar as leituras de um suposto individualismo possessivo em Hobbes, que se utilizam do contratualismo moderno para tentar resolver os impasses das atuais relações de competitividade econômica do mundo capitalista
Forgetting to Say: Effects on Reading: Forgetting to Say: Effects on Reading
O artigo visa levantar uma discussão importante quanto ao modo de leitura que os psicanalistas colocam em operação tanto no que respeita aos textos da teoria quanto aos produzidos por seus pacientes na clínica. O ponto fundamental da argumentação centra-se na distinção entre dizer e dito mobilizada por Lacan, em diferença com o modo como tal distinção é trabalhada em outros campos, como a Linguística. Para além de tomar o dizer como da ordem da enunciação, o dizer em jogo na psicanálise não se reduz a nenhum dito, embora deles dependa. Trata-se de um processo de inferência a partir da lógica do inconsciente.
Palavras-chave: dizer; dito; esquecimento
Gifting fantasies: a critical reflection about the notion of narrative in psychoanalytic theory: Gifting fantasies: a critical reflection about the notion of narrative in psychoanalytic theory
O presente trabalho pretende examinar alguns alicerces epistemológicos e filosóficos da noção de narrativa na teoria psicanalítica, e discutir seu valor à luz da psicanálise de orientação lacaniana. Para isso, examino suas funções em termos de dispositivo analítico e a partir de trabalhos de alguns autores para quem ela constitui uma noção chave. Mostro por que esses posicionamentos me parecem dificilmente conciliáveis com as exigências éticas da psicanálise, e como a própria noção de narrativa pode chegar a fazer obstáculo a elaborações realmente marcadas pelo selo do inconsciente. Sustento, em suma, uma clínica do ato analítico que pressupõe, para operar, o fracasso da narrativa entendida não somente como modo de defesa (segurar o fio); como busca fantasmática de uma subjetividade significável (identidade narrativa); mas também como resíduo, sintomatizando na teoria um fazer clínico incerto da sua causa.
Palavras-chave: narrativa; Paul Ricœur; Jacques Lacan; ato psicanalítico; clínica psicanalítica