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Razão prática e Religião em Kant: Practical Reason and Religion in Kant
Pretendemos no presente artigo examinar, de modo breve, como Kant trata a problemática da moralidade dividida em duas etapas. Na primeira etapa, o filósofo se preocupa, prioritariamente, em demonstrar como a razão prática pura determina por si só o arbítrio humano; com a segunda tem de se investigado como Kant formula uma teoria prático-moral que elucide como do arbítrio humano resultaria a efetivação do sumo bem possível no mundo. Defendemos em nosso estudo que, na segunda etapa analisada sob a perspectiva da Crítica da razão prática (1788) e da Religião nos limites da razão (1793), existem duas concepções diferentes no que se refere à mencionada efetivação
Sob o signo de Jano e de Hermes: A educação nova e os equívocos de uma filosofia dos extremos: Under the sign of Janus and Hermes: The new education and the misconceptions of a philosophy of extremes
Diversos autores, nomeadamente Israel Scheffler (1970), Olivier Reboul (1984), Daniel Hameline (1986) e Nanine Charbonnel (1991-1993), mostram que a linguagem da educação é fundamentalmente uma linguagem metafórica. Por isso, se compreende, sem muito esforço, que a ideia de educação se diz e se manifesta de múltiplas formas: pelas suas margens, como viagem por terra ou náutica, através das figuras do educador-pedagogo como jardineiro ou oleiro, o aluno comparado com um recipiente ora vazio ora cheio, entre outras metáforas que poderíamos enunciar. A própria metáfora de margem, que serve de lema ao Colóquio L’Education et ses Marges (Porto, 14-15-16, maio, 2018), é de per se uma imagem produtiva e instigadora de sentidos múltiplos que, de entre vários modos, assim se podem exprimir: utopia, algures, esquecimento, ocultação, periferia, loucura, marginalização voluntária ou imposta, afastamento, distanciamento, limiar… Aliás, esta imagem serve bem para ilustrar o próprio espírito da Educação Nova que, à sua maneira, afirma-se como um movimento educativo de margem por contraposição à Escola Tradicional que representa supostamente o centro. O movimento da Educação Nova interessou-se por temas e ideias pedagógicas que, por sua vez, estavam marginalizadas, esquecidas (pelo menos aparentemente) pelos pedagogos e educadores da Escola Tradicional. Por outras palavras, trouxe para o centro do debate educativo e das práticas pedagógicas toda uma libido educandi que se pretendia alternativa, inovadora que, de uma forma ou de outra, almejava irrigar os pensamentos, as formas e as práticas em educação e em pedagogia. Este estudo foca-se nas ideias-chave da Educação Nova, independentemente das designações preferidas pelos seus autores mais significativos, 1 Centro de Investigação em Educação, Instituto de Educação, Universidade do Minho 2 Centro de Estudos em Desenvolvimento Humano, Faculdade de Educação e Psicologia, Universidade Católica Portuguesa Sob o signo de Jano e de Hermes: A educação nova e os equívocos... 58 Modernos & Contemporâneos, Campinas, v. 3, n. 9., jul./dez., 2020. identifica alguns equívocos que derivam da circunstância da sua afirmação em contraposição à Escola Tradicional e, distanciando-se da filosofia dos extremos que inspiram alguns dos seus textos, afirma a necessidade de uma filosofia que integre o princípio da contradição e do terceiro incluído, como mais adequada seja para analisar a novidade trazida pela Educação Nova seja para identificar a congruência entre os processos implementados na prática pedagógica e os princípios de que ela se reivindica. Assim, nesta comunicação, primeiro explicitamos os fundamentos que inspiram a hermenêutica que empreendemos sob o signo de Jano e de Hermes e, depois, acompanhamos a demanda da Educação Nova sobre o centro da ação pedagógica e a alteração de perspectiva sobre as “marginalidades” que surgem no próprio âmbito da educação escolar. Por fim, identificamos a necessidade já sentida no interior do próprio movimento de uma nova teoria e prática de educação que, embora distinga os planos dos princípios e o plano das práticas, sustente a sua unidade e o exame crítico das concretizações conseguidas em determinado momento socio histórico.
Palavras-chave: Educação Nova; Educação Tradicional; Centro; Margem; Simbolismo mític
Editorial
A Modernos & Contemporâneos apresenta aos seus leitores o primeiro número especial deste ano, com o dossiê dedicado ao tema Filosofia da Educação, ou, de forma bem mais provocativa, Filosofia e Educação. O dossiê é composto por um conjunto de textos referentes ao Colóquio de Filosofia da Educação ocorrido na cidade do Porto em 2018 e traz também uma excelente apresentação de seus organizadores Alain Kerlan e Adalberto Diaz de Carvalho, a quem agradecemos imensamente por essa colaboraçã
The rational looked at the real, the real looked back: Book review: "Hegel e o Haiti" (Susan Buck-Morss)
Resenha de Hegel e o Haiti, de Susan Buck-Morss (Trad. Sebastião Nascimento. 1a ed. São Paulo: n-1 edições, 2017 [2000], 128p.)
The Spell of Authority: On Adorno's Political Philosophy of the Bann
This paper presents an interpretation of the concept of Bann (commonly translated as “spell”) in Theodor W. Adorno’s work. Although rarely discussed, the concept of Bann is central for Adorno’s philosophy and appears in all his major writings. Through the inquiry of the origins of the concept, the paper presents how the word Bann articulates the “legal” and the “magical” dimensions of authority (not only political, but also epistemological authority). The constellation of political meanings of Bann enables an interpretation of Adorno that contests the usual de-politicized reading of his work. Finally, the paper shows how Adorno’s aesthetic theory is an attempt of providing how it is possible to escape the Bann.O presente trabalho apresenta uma interpretação do conceito de Bann (geralmente traduzido como “encanto” ou “feitiço”) na obra de Theodor W. Adorno. Apesar de raramente discutido, o conceito de Bann é central para a filosofia de Adorno e aparece em todos os seus principais escritos. Por meio da investigação das origens do conceito, este trabalho apresenta como a palavra Bann articula as dimensões “jurídica” e “mágica” da autoridade (não somente a autoridade política, mas também a epistemológica). A constelação de sentidos políticos de Bann permite uma interpretação de Adorno que contesta a leitura usual de sua obra como despolitizada. Por fim, o trabalho mostra como a teoria estética de Adorno é uma tentativa de oferecer uma teoria de como é possível escapar do Bann
Integração como desintegração: A dialética negativa de Adorno como lógica do colapso do sistema
The essay seeks to present the constitutive moments of Adorno’s negative dialectics as a “logic of disintegration”. More than a philosophical conception, it corresponds to a determined diagnosis of a ruinous social time, a time of permanent catastrophe. Because what disintegrates in such a logic is not only the reified concepts of traditional philosophy, but a world that is torn to pieces, redetermining the conditions of experience in all fields of knowledge and praxis. While this experience becomes impoverished, it frees the negativity of the whole and raises the questioning of the social order. Emerging from the foundations of the process of production of capital, this logic of intertwined disintegrations resumes the inner workings of Hegelian and Marxist dialectical thought, subordinating it to the new circumstances of a hyper enlightened society, which radicalizes socialization through the mediation of abstract labor, entailing widespread fracture, alienation, and antagonism. In this measure, it integrates, while disintegrating, forms of life, action, and thought. In the second part of the text, its relationship with Hegel's dialectics is developed, and in the third, the question of its actuality. Such a logic thus becomes the critical description of the collapse of contemporary civilization.
Keywords: Negative dialectics, Logic of disintegration, Hegel, Marx, Adorno. O ensaio procura apresentar os momentos constitutivos da dialética negativa de Adorno como uma “lógica da desintegração”. Mais que uma concepção filosófica, ela corresponde a um determinado diagnóstico de um tempo social ruinoso, um tempo de catástrofe permanente. Porque o que se desintegra em tal lógica não são apenas os conceitos reificados da filosofia tradicional, mas um mundo histórico-natural caduco, que se faz em pedaços, redeterminando as condições da experiência em todos os campos do saber e da práxis. Ao mesmo tempo que esta experiência se empobrece, liberta a negatividade do todo e suscita o questionamento da ordem social. Emergindo do fundo do processo de produção do capital, essa lógica de desintegrações encadeadas retoma as molas principais do pensamento dialético hegeliano e marxista, subordinando-o às novas circunstâncias de uma sociedade hiperesclarecida, que radicaliza a socialização através da mediação do trabalho abstrato, implicando em cisão, alienação e antagonismo social generalizados. Nessa medida, integra desintegrando formas de vida, ação e pensamento. Na segunda parte do texto, desenvolve-se sua relação com a dialética de Hegel e na terceira a pergunta por sua atualidade. Tal lógica torna-se assim a descrição crítica do colapso da civilização contemporânea.
Palavras-chave: Dialética negativa, lógica da desintegração, Hegel, Marx, Adorno
Introdução ao populismo de esquerda
Publicação original: “Introduction to Left Populism”, Praxis 13/13 blog, organizado pelo Centro para Pensamento Crítico Contemporâneo da Universidade Columbia (CCCCT). Original disponível em: http://blogs.law.columbia.edu/praxis1313/bernard-e-harcourt-introduction-to-left-populism/.
A tradução para o português foi feita com a autorização expressa do autor
Neither decal, neither copy: Approximations between Marxism and Decoloniality
A partir de uma visão crítica este artigo busca uma aproximação entre a teoria marxista e a teoria decolonial do grupo Modernidade/Colonialidade. Almejando analisar a crítica do grupo latino-americano ao marxismo, segundo a qual este seria mais um fruto negativo do eurocentrismo e inadequado para o nosso continente, faremos mediante a recuperação das obras de José Carlos Mariátegui e Antonio Gramsci, bem como de conceitos como imperialismo e subalternidade, a defesa de que estas contribuições são essenciais mesmo que advindas de uma tradição teórica eurocentrada. Assim logra-se um entendimento holístico e adequado para compreender nosso continente, buscando soluções possíveis para a ruptura com a colonialidade subjacente à imperialidade e identificando limites e avanços dessa aproximação teórica aparentemente conflitante.From a critical view this article seeks an approximation between Marxism and the decolonial theory of the Modernity/Coloniality group. Aiming to analyse the criticism of the Latin American group to Marxism as another negative product of Eurocentrism and thus inadequate for our continent, we will, with recourse to the works of Mariátegui and Gramsci, as well as to concepts such as imperialism and subalternity, argue that these contributions are essential even if they come from a Eurocentric theoretical tradition. We aim at a holistic and adequate understanding of our continent, seeking possible solutions to break with the coloniality underlying imperiality and identifying limits and advances of this apparently conflicting theoretical entanglement
Lingua e politica in Vico: Language and policy in Vico
L’articolo è diviso in due parti. Nella prima si ricostruiscono le interpretazioni del nesso lingua-politica in Vico prevalenti nel Novecento: dalla negazione crociana di uno spessore significativo di queste due dimensioni, alle varie letture della seconda metà del secolo, che tra Nouvelle rhétorique ed Hermeneutik ne portano al contrario in primo piano la rilevanza, senza tuttavia cogliere la “radicalità politica” della riflessione di Vico sulla lingua. Nella seconda parte si compie un sondaggio sulla teoria vichiana dei “caratteri doppi”, teoria che si completa solo nell’ultima redazione della Scienza Nuova, a saldare definitivamente l’evoluzione delle forme espressive simboliche al conflitto sociale e politico tra i padri e i plebei. Un andamento che indica il carattere “genetico” della riflessione del filosofo napoletano sulla politica. Vico, in questo senso, è prima di tutto un filosofo della politica, e solo dopo, più lentamente e faticosamente, un filosofo della storia: un filosofo delle regolarità, delle costanze, delle leggi che reggono la “storia ideale eterna”. È il suo tentativo di portare ad “evidenza di genesi” il fuoco intrattabile, l’irriducibile magma costituente della politica che fa di Vico una figura eccentrica, sia rispetto alle logiche di fondamento della classicità (la naturalità dell’ethos), sia rispetto alle istanze, costruttivistico-funzionali o dialettiche, della ragione moderna
Dal linguaggio per immagini all’immagine come linguaggio: From language for images to image as language
Gli studi sulla filosofia del linguaggio di Vico sono strettamente connessi all’interpretazione filosofica della sua filosofia. A partire dal 1902 – anno in cui Benedetto Croce, elegge Vico padre fondatore dell’ Estetica – si è aperto un intero corso di studi che, spaziando dalla filosofia, all’ermeneutica e alla semiotica, si è concentrato tutto sul linguaggio. Scopo di questo studio è di andare umilmente oltre le autorevoli interpretazioni sulla “lingua” in Vico, al fine di sottolineare il passaggio da quello che potrebbe essere definito un “linguaggio per immagini” nel De Antiquissama del 1710 all’“immagine come linguaggio” della Dipintura apparsa per la prima volta a corredo dell’Idea della Scienza nuova del 1730. Di particolare interesse per l’economia del mio studio risulta l’interpretazione ermeneutica di Karl Otto Apel che ha avuto il merito di sottolineare la funzione cognitiva e comunicativa dell’idea di lingua nel pensiero moderno e lavoro di Marcel Danesi, Lingua, metafora, concetto. Vico e la linguistica cognitiva (2001) in cui l’autore teorizza la “svolta vichiana” che ha preso la linguistica oggi