Instituto de Filosofia e Ciências Humanas Open Journals System
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Aux marges du temps : l’éducation comme anticipation du passé : Walter Benjamin face à l’Angelus Novus: On the margins of time: Education as an anticipation of past: Walter Benjamin meditating on Angelus Novus
La modernité se caractérise, selon Koselleck, par la constitution d’une historicité radicale dans laquelle les histoires individuelles sont assujetties au destin du collectif singulier. L’éducation devient le processus d’inscription du sujet dans une Vérité historique qui le surplombe. Elle constitue un homme « améliorable » pour peu qu’il se connecte au réseau complexe des vies biologiquement planifiées et dominées. La pensée de Walter Benjamin permet d’ouvrir les marges de la temporalité moderne, entre le progrès qui ne voit dans le passé que ruines et échecs, et ses adversaires - le fascisme- qui instaurent l’ « état d’exception ». Nous étudions cette pensée éducative à travers ces trois axes fondamentaux : une réflexion pratique sur la pédagogie, une expérience de l’enfance comme processus métamorphique artistique, un projet d’émancipation politique par la formation de soi- même. Ces axes convergent pour promouvoir l’enfance comme « faible promesse messianique ».
Mots-clefs: Éducation métamorphique, historicité, Walter Benjamin, enfance, pédagogie de l’émancipation
Editorial
A Modernos & Contemporâneos dá início ao seu novo formato com a publicação de três números por volume, ou seja, publicará um número especial por ano, que poderá sair no primeiro ou no segundo semestre. Essa nova iniciativa decorre da alta demanda que temos tidos desde a publicação de nosso primeiro número e se justifica, enquanto número especial, pela altíssima qualidade e pela particularidade das propostas de dossiês que recebemos ultimamente. O primeiro número especial da Modernos & Contemporâneos é dedicado à Psicanálise e é nosso primeiro passo nesta nova direção, que promete uma longa caminhada. Agradecemos a todos os nossos colaboradores e ao meticuloso trabalho de nossa equipe editorial. Além dos textos que compõem o dossiê temos também um conjunto de artigos que abordam outras temáticas e duas traduções de importantes textos vinculados ao tema do dossiê.
Mais uma vez agradecemos a todos que participaram do processo de editoração deste número.
Antonio Florentino Neto - Editor Chef
Montaigne e os mundos animais: Montaigne and the animal worlds
Este artigo tem como objetivo principal apresentar, desde uma perspectiva filosófica, uma investigação sobre a animalidade no contexto de uma crítica da máquina antropológica a partir da filosofia de Montaigne. Nesse contexto, o mundo circundante do animal, sua aparência, seu instinto, seu olhar, sua capacidade sensorial, sua vida, são privilegiados como autênticos conceitos. O principal momento deste trabalho teórico consiste numa reflexão sobre a condição dos animais na filosofia, contrapondo as concepções clássicas às idéias contemporâneas já presentes no pensamento de Montaigne sobre seres não-humanos
Editorial
A Modernos & Contemporâneos dá continuidade, assim, ao seu novo formato, assumido desde o número anterior, com a publicação de três números por volume, publicando um número especial por ano. O número especial de 2020 será publicado no fim do primeiro semestre ou início do segundo. Já tivemos como edição especial dois números anteriores dedicados à Filosofia da Psicanálise e teremos, agora, um Dossiê composto por textos sobre Descartes, organizado por César Augusto Battisti, além de quatro textos exteriores ao Dossiê: dois deles bem próximos ao tema e dois que abordam temas referentes ao pensamento oriental. Este número é publicado em tempos de pandemias e pandemônios que nos assolam e nos incentivam ainda mais a continuar com nosso trabalho editorial e com o subversivo ato de publicar textos acadêmicos, de excelente qualidade, como os que compõem mais esse número. Agradecemos a todos os nossos colaboradores e ao meticuloso trabalho de nossa equipe editorial. Mais uma vez agradecemos a todos que participaram do processo de editoração deste número.
Antonio Florentino Neto - Editor Che
Le philosophe et les marges de la pédagogie: The philosopher and the margins of pedagogy
La lecture des pédagogues, longtemps alimentée par les philosophes de l’éducation, s’est construite en France principalement sur une lecture anhistorique et souvent décontextualisée de « grands pédagogues », loin des pratiques concrètes et des réseaux pédagogiques. Cette lecture a pu générer des effets négatifs indirects, en particulier l’affaiblissement du message pédagogique et de la portée critique des pédagogues. Ce texte propose de réfléchir à l’élaboration d’un autre paradigme historiographique et philosophique possible, entre philosophie et histoire, à partir des marges. Cette autre lecture des pédagogues, en « lieues de chien » suppose d’arpenter d’autres terrains, d’investir des zones non investies ou ensevelies chez les pédagogues, modes et philosophies de vie, transmissions spécifiques, et pratiques concrètes.
Mots clés: Pédagogie, philosophie de l’éducation, histoire de l’éducation, pratiques, marge
De la place marginale de la narration dans l’éducation: On the marginal place of narration in education
La forme narrative orale fut jadis le médium même de la transmission culturelle entre générations, le vecteur de la mémoire sociale commune et des événements passés vécus. Elle est devenue dans la société moderne une forme plutôt marginale. Se sont peu à peu effacés à la fois les grands récits historiques et philosophiques fondateurs et les formes de la fable et du récit épique relatés oralement. Cela s’est fait au profit d’une information objective et de formes écrites abordées sans parole subjective directement adressée à un public par leur auteur. Le philosophe W. Benjamin déplore un tel effacement de la fonction narrative orale au profit du roman qui ne s’adresse qu’indirectement à ses lecteurs. Néanmoins, une telle transmission par des fables et récits oralisés est toujours pratiquée dans les écoles, dans le cadre de l’étude du langage et des textes et du développement de la cognition. Pour qu’elle reste un vecteur de transmission du passé entre générations, il faudrait que l’enseignant puisse interpréter par lui-même les récits employés et mobiliser en eux son expérience personnelle afin d’établir avec ses élèves un lien réel au passé.
Mots-clefs: Narrateur, transmission, modernité, récits, fables, romans, mémoire commune, témoignage, subjectivité, oralité
Mímesis, contemplação, autonomia: Experiência (e) estética na releitura de Adorno por certa terceira geração da Escola de Frankfurt
Se a atualidade da Teoria Crítica é marcada pela avaliação do pensamento adorniano feita por Jürgen Habermas e em certa medida assimilada pelos demais pensadores da sua geração (como Albrecht Wellmer, Hans Robert Jauß e Peter Bürger), interessa-nos neste ensaio chamar a atenção para um certo “retorno a Adorno” que estaria em curso no presente. Para tanto, buscaremos apresentar brevemente quatro importantes filósofos alemães em atividade, os quais formariam uma “terceira geração” frankfurtiana: Josef Früchtl, Martin Seel, Christoph Menke e Juliane Rebentisch. A obra desses quatro professores será abordada a partir de suas reinterpretações do conceito de experiência, e sobretudo de experiência estética, na filosofia adorniana
The “standard” definition of civil disobedience: between the fidelity-to-law requirement and the rule-of-law ideal
L’exigence de « fidélité à la loi » est assurément l’un des plus polémiques critères constitutifs de ce qu’on appelle la « définition standard » de la désobéissance civile (formulée notoirement par John Rawls). Cet article vise à clarifier ses limites par le biais d’une comparaison avec la notion d’« État de droit ». Après avoir interprété, dans un premier temps, la fidélité à la loi comme une exigence des aspects communicatifs inhérents à la pratique de la désobéissance civile, nous soutenons, dans un deuxième temps, que, lorsqu’on adopte une interprétation asymétrique de l’État de droit, la promotion de cet idéal ne peut pas être la raison pour laquelle les désobéissants civils doivent être fidèles à la loi – et, donc, la raison pour laquelle ils doivent accepter les conséquences juridiques de leurs actes (ce qui est souvent implicite dans quelques interprétations de la définition standard). Cependant, l’État de droit, conjointement avec l’exigence de la fidélité à la loi, joue un rôle important dans l’établissement d’un « dialogue moral » et dans la réalisation du type particulier de publicité exigé par la définition sous examen. Par conséquent, bien que l’État de droit ne soit pas à la base de l’exigence de la fidélité à loi, il est un présupposé de la désobéissance civile (sous-entendu dans la notion rawlsienne de « société presque juste »).
A exigência de “fidelidade ao direito” é sem dúvidas um dos mais polêmicos critérios que constituem a chamada definição “padrão” da desobediência civil, notoriamente elaborada por John Rawls. Este artigo examina os fundamentos e as implicações de tal exigência em relação à noção de “Estado de Direito”, a fim de fornecer uma interpretação mais sólida de tal definição. Ele argumenta, de um lado, e contrariamente ao que é frequentemente assumido por algumas interpretações, que a fidelidade ao direito não se fundamenta no Estado de Direito. Uma vez que adotemos uma interpretação assimétrica deste último, a promoção do ideal do Estado de Direito não pode de fato servir como a razão pela qual aqueles que desobedecem civilmente devem ser fiéis ao direito – nem, portanto, como a razão pela qual eles devem aceitar as consequências jurídicas de seus atos (punições, inclusive). De outro lado, este artigo propõe que o Estado de Direito e a fidelidade ao direito, tal como compreendida pela definição padrão, estão, sim, de alguma maneira relacionados. Em consideração aos aspectos comunicativos inerentes à prática de desobediência civil, ambos desempenham efetivamente um importante papel na implementação de um “diálogo moral” a fim de efetivar o tipo especial de publicidade requerido pela definição padrão. Assim, embora o Estado de Direito não seja o fundamento da exigência de fidelidade ao direito, ele é de fato, um pressuposto da desobediência civil (implícito na noção rawlsiana de uma “sociedade quase justa”).The “fidelity-to-law” requirement is certainly one of the most debated criteria of the so-called “standard” definition of civil disobedience, most famously developed by John Rawls. This paper examines the grounds and implications of this criterion in relation to the notion of “rule of law” in order to provide a more robust interpretation of that definition. It will be argued, on the one hand, and contrarily to what is often implied by some interpretations, that fidelity to law is not grounded in the rule of law. Once we adopt an asymmetrical interpretation of the latter, the promotion of the rule-of-law ideal cannot indeed be mobilized as the reason why civil disobeyers must be faithful to the law – and, thus, as the reason why they must accept the legal consequences of their acts (punishments included). On the other hand, this paper proposes that the rule of law is not completely unrelated to fidelity to law, as conceived in the standard definition. In regard to the communicative aspects that are inherent to the practice of civil disobedience, both play indeed an important role in implementing a “moral dialogue” for giving effect to the special kind of publicity required by that definition. Therefore, although the rule of law is not at the basis of the fidelity-of-law requirement, it is a presupposition of civil disobedience (implicit in the Rawlsian notion of a “nearly just society”).
 
Adorno's "Natural History" and Anti-Colonial Critique: Critical Theory and Afro-Caribbean Marxism
In spite of the Frankfurt school's emphasis on the "consumer society" and its relative silence on questions of colonialism and imperialism, this paper aims to reconstruct critical resources for the critique of colonialism from the work of Theodor Adorno. Specifically, the paper demonstrates the immanent compatibility of his conception of "natural history" with the analytical focus of Afro-Caribbean Marxism, examining what is shared between this concept and the materialist analyses of anti-colonial critique in the 20th century. The paper distinguishes how "natural history" has, historically, functioned as an ideological rationalization of colonization and how, critically, it echoes some of the basic aspects of the critical work of Franz Fanon, Walter Rodney, and C.L.R. James. Constructing a theoretical encounter between Adorno and thinkers of African and Caribbean decolonization, the paper advocates for a renewed critical conception of natural history which not only identifies the false naturalization of racial and geographical hierarchy, but also grasps the exploitation of natural resources in the colonies and the realities of global inequality and underdevelopment.In spite of the Frankfurt school's emphasis on the "consumer society" and its relative silence on questions of colonialism and imperialism, this paper aims to reconstruct critical resources for the critique of colonialism from the work of Theodor Adorno. Specifically, the paper demonstrates the immanent compatibility of his conception of "natural history" with the analytical focus of Afro-Caribbean Marxism, examining what is shared between this concept and the materialist analyses of anti-colonial critique in the 20th century. The paper distinguishes how "natural history" has, historically, functioned as an ideological rationalization of colonization and how, critically, it echoes some of the basic aspects of the critical work of Franz Fanon, Walter Rodney, and C.L.R. James. Constructing a theoretical encounter between Adorno and thinkers of African and Caribbean decolonization, the paper advocates for a renewed critical conception of natural history which not only identifies the false naturalization of racial and geographical hierarchy, but also grasps the exploitation of natural resources in the colonies and the realities of global inequality and underdevelopment