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Crise da filosofia messiânica: A antropofagia matriarcal devora a Modernidade
Based on some aspects of Oswald de Andrade’s thesis A crise da filosofia messiânica (“The crisis of messianic philosophy”), this essay will try to show certain affinities between his deviant method and that of the German philosopher Walter Benjamin. Some of elements developed here will be the resource of both to the transhistorical perspective of the Swiss writer J. J. Bachofen (in his major work Mother Right), their contrasting relation with the idea of messianism, the orientation of their philosophies of history towards the past and some of their contemporary consequences, such as the synthesis figure of the cyborg as developed by Donna Haraway.Este ensaio tentará mostrar, a partir de alguns pontos da tese A crise da filosofia messiânica de Oswald de Andrade, certas afinidades entre seu método desviante e aquele do filósofo alemão Walter Benjamin. Alguns dos elementos desenvolvidos aqui serão o recurso de ambos ao olhar transhistórico do escritor suíço J. J. Bachofen (em sua obra maior O direito materno), a relação díspar de ambos com a ideia de messianismo, a orientação para o passado de suas filosofias da história e algumas de suas consequências contemporâneas como, por exemplo, a figura síntese da ciborgue como desenvolvida por Donna Haraway
Weiterdenken. Theodor W. Adorno e as conferências de 1949-1968: Uma entrevista com Michael Schwarz
An Interview with Michael Schwarz, by Bruna Della Torre and Fernando BeeUma entrevista com Michael Schwarz, por Bruna Della Torre e Fernando Be
Consenso e crise: Adorno e a ideologia da integração no pós-guerra alemão
Since his return from the exile, Adorno remained sceptical about the social consensus around the “restorative” reconstruction of Germany. The integration of the proletariat into bourgeois society was, also in the post-war period, part of the basis for the stabilization of capitalism in Europe and the United States: workers had been definitively included in the system, social conflicts had been institutionalized, and the disruptive elements of order had been neutralized. This totally administered society had substantially altered labour relations, the link between economy and politics, as well as the relations of individuals with themselves. According to Adorno, on the one hand, integration is an objective phenomenon – inasmuch as the society had become a totality, fully mediated by the commodity form – and, on the other, it is a socially necessary appearance, insofar that it represents social antagonisms as pacified. This paper addresses Adorno’s critique on the ideology of integration in his time and aims to understand conceptions implicated in terms like “social partnership” and “pluralism”, as well as in doctrines such as the theory of social conflict. Furthermore, this article confronts the critical notion of integration, in Adorno, and the apologetic formulation of “healthy integration”, advocated by the ordoliberal doctrine, in particular by Alexander RüstowDesde seu retorno do exílio, Adorno permaneceu cético em relação ao consenso social forjado em torno da reconstrução “restauradora” da Alemanha. A integração do proletariado à sociedade burguesa constituía, também no pós-guerra alemão, a base para a estabilização do capitalismo nos países centrais: os trabalhadores se haviam incorporado de uma vez por todas ao sistema, os conflitos sociais haviam sido institucionalizados e os elementos disruptivos da ordem estavam neutralizados. Essa sociedade totalmente administrada havia alterado de maneira substantiva as relações laborais, o nexo entre economia e política e as relações dos indivíduos consigo mesmos. Mas se, por um lado, a integração tem uma dimensão objetiva – na medida em que a sociedade se tornara uma totalidade plenamente mediada pela forma mercadoria –, por outro, Adorno a considera como aparência socialmente necessária, dado que representa os antagonismos sociais como já pacificados. O presente artigo aborda a crítica de Adorno à ideologia da integração veiculada em sua época e visa compreender o ideário implicado em termos tais como “parceria social” e “pluralismo”, assim como em doutrinas que então emergiam, a exemplo da teoria do conflito social. Ao mesmo tempo, contrapõe a noção crítica de integração, em Adorno, à formulação apologética da “integração saudável”, preconizada pela doutrina ordoliberal, em particular, por Alexander Rüstow
Breves reflexões sobre o populismo (de esquerda ou de direita)
Tradução de "Brief Reflections on Populism (Left or Right)", Praxis 13/13 blog, organizado pelo Centro para Pensamento Crítico Contemporâneo da Universidade Columbia (CCCCT). Original disponível em: http://blogs.law.columbia.edu/praxis1313/seyla-benhabib-brief-reflections-on-populism-left-or-right/. Tradução para o português com a autorização expressa da autora
A (des)construção histórico-filosófica de Enrique Dussel: Resenha: "Política da libertação 1: História mundial e crítica" (Enrique Dussel)
Book Review of the book Política da libertação 1: História mundial e crítica, by Enrique Dussel (translation into Portuguese by Paulo César Carbonari et al. 1st ed. Passo Fundo: IFIBE, 2014, 595p.).Resenha do livro Política da libertação 1: História mundial e crítica, de Enrique Dussel (tradução de Paulo César Carbonari et al. 1ª ed. Passo Fundo: IFIBE, 2014, 595p.)
Karl Marx: Crítica como prática emancipatória
O presente artigo argumenta que a noção de crítica de Marx pode ser definida a partir de três características, unificados por seu entendimento como prática, não como ciência. Para tanto, em primeiro defendo que em Marx a crítica é crítica das formas de conhecimento e das formas de prática à elas subjacentes. Em segundo, há um intuito de uma transformação já em curso do mundo social. Em terceiro, Marx procede de forma imamente por meio das contradições na sociedade capitalista moderna. Defenderei esses aspectos por meio da apresentação das premissas metodológicas de Marx, depois a partir de sua crítica à política e a religião.
Tradução, por Felipe Gretschischkin e Lutti Mira, de:
CELIKATES, R. "Karl Marx: Critique as Emancipatory Practice". In: K. de Boer, R. Sonderegger (orgs.). Conceptions of Critique in Modern and Contemporary Philosophy. London/New York: Palgrave Macmillan, 2012, p. 101–118.Translation into Portuguese, by Felipe Gretschischkin e Lutti Mira, of:
CELIKATES, R. "Karl Marx: Critique as Emancipatory Practice". In: K. de Boer, R. Sonderegger (eds.). Conceptions of Critique in Modern and Contemporary Philosophy. London/New York: Palgrave Macmillan, 2012, p. 101–118
As metamorfoses do conceito de inconsciente na metapsicologia freudiana: The metamorphoses of the concept of the unconscious in Freudian metapsychology
O inconsciente é uma noção que se reveste de diversos significados no contexto da obra freudiana. Esses significados derivam das articulações internas estabelecidas com outras noções metapsicológicas, cuja reformulação constante baliza o desenvolvimento de sua teoria. Freud define, inicialmente, o conceito de inconsciente em sentido dinâmico e, em seguida, o complementa com a noção de inconsciente em sentido sistemático. Contudo, na etapa final da obra, ele percebe as limitações dessa última noção e reformula sua teoria, mantendo apenas a acepção dinâmica. Esse aspecto, por sua vez, é pensado em um contexto diferente daquele em que fora formulado inicialmente. Esse artigo tem como objetivo acompanhar a evolução e as metamorfoses do conceito de inconsciente ao longo do percurso da reflexão metapsicológica freudiana, com o intuito de obter uma visão mais precisa de seu sentido
O corpo da ausência em Moisés e Arão de Schoenberg: Uma leitura freudiana: The body of absence in Moses and Aaron by Schoenberg: A Freudian reading
O que está em jogo na interdição teológico-judaica da imagem? Talvez a melhor obra de arte para expressar a tensão entre a adesão imediata à imagem e a recusa inegociável de fazê-lo seja Moses und Aron, de Arnold Schoenberg. O embate entre os personagens bíblicos coloca intrincadas questões ao lugar reservado à dimensão simbólica da psicanálise freudiana. Na terceira parte do ensaio Moisés e o Monoteísmo, Freud resgata seu Totem e tabu, reafirmando a lógica da ausência do pai - um lugar vazio e negativo - como guia da lei que ordena a cultura. Lá, Freud divide a ordem patriarcal da matriarcal. A primeira seria, segundo ele, superior por sua disposição à abstração, sublimação e pensamento. Em contraste, o matriarcado estaria ligado ao corpo, instinto e sensorialidade. A lei anexada ao pai é um lugar de ausência, intensificada pelo Deus inominável e desprovido de imagem: YHVH. No entanto, com a evidência ostensiva dos limites da ordem simbólica patriarcal, talvez seja necessário repensar se o espaço reservado para a articulação simbólica deve ser desprovido de qualquer tipo de corporeidade. Sem recorrer a uma resposta rápida, que simplesmente apontaria para a defesa do polo oposto - uma defesa dos elementos do matriarcado, negada por Freud – este trabalho procurará rearticular o espaço reservado à dimensão simbólica da psicanálise freudiana no lugar de tensão dialética que se desdobra no conflito entre Moisés e Arão, tal como apresentado na ópera de Schoenberg. Uma análise do libreto de Shoenberg e da parte III do Moisés de Freud colocará a verdade - ou sua força simbólica - ainda como um espaço indeterminado, mas de modo algum privado de corpo, vozes e materialidade. Neste horizonte, é pertinente recuperar o texto O Seminário Não-Existente, de Jean Jacques Miller, em que ele trata da multiplicidade em lugar da lei paterna. Por meio de um pequeno deslocamento, veremos que nem esta solução parece ser a melhor
Significação da memória e do testemunho em Primo Levi : Significance of memory and testimony in Primo Levi
Visamos apresentar neste artigo uma análise acerca da literatura de testemunho. Tal literatura trata dos testemunhos sobre o massacre nazista e se constitui a partir das memórias dos sobreviventes da Shoah, ou popularmente conhecido como holocausto, massacre do povo judeu perpetrado pela Alemanha nazista nos infames campos de concentração (Lager). Nosso trabalho buscará seguir a ambiguidade quanto à categoria fundante nos testemunhos de Primo Levi (1919 – 1987), isto é, a memória. Para trabalhar os problemas encontrados, precisaremos recorrer à teoria psicanalítica de Freud e posteriormente buscar o sentido do método de decantação (decantazione) de Levi contido no último livro da Trilogia de Auschwitz, Os afogados e os sobreviventes. Teremos como resultado dessa investigação o significado do testemunho e da memória como categorias políticas.We aim to present in this article an analysis about the testimonial literature. Such literature deals with the testimonies about the Nazi massacre and is constituted from the memories of the survivors of the Shoah, popularly known as holocaust, which was the massacre of the Jewish people perpetrated by Nazi Germany in the infamous concentration camps (Lager). Our paper will seek to follow the ambiguity regarding the founding category in the testimonies of Primo Levi (1919 – 1987), that is, the memory. In order to work on the problems encountered we will need to resort on Freud’s psychoanalytic theory, and later seek the meaning of Levi’s decantation (decantazione) method contained in the last book of the Auschwitz Trilogy: The Drowned and the Saved. We will have as a result of this investigation the meaning of testimony and memory as essential political categories
Kant e a natureza antinômica da moral: Kant and the antinomic nature of morals
Os problemas morais costumam ser analisados de modo semelhante aos problemas teóricos, em que resolvemos a discussão verificando se os conflitos têm ou não contradição. Kant, na Dialética Transcendental, nos mostra que essa solução não nos satisfaz quando falamos de moral, pois vivemos sob duas condições distintas como seres humanos. Somos animais e também seres sociais, sem poder escolher entre uma coisa e outra. Assim, por meio de um conflito lógico e dialético, Kant nos fornece uma excelente chave de leitura para diferença entre causa natural e causalidade livre, ponto de partida em todo mal-entendido acerca dos fundamentos da moral