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Discursos do Preconceito: Prejudice Discourses
Este trabalho retoma o tema dos preconceitos sociais de grupo na filosofia, esclarecendo seu modo de funcionamento a partir das identificações sociais e destacando que os discursos de preconceito – xenophobia, racismo, homofobia etc. – seguem o mesmo paradigma, independentemente de seu conteúdo. Primeiramente procederemos a um breve delineamento histórico do conceito de preconceito na filosofia, a fim de delimitar o escopo do trabalho no preconceito social de grupo. Em seguida, a discussão se dará sobre a constituição da identidade de grupo e a exclusão do outro dela decorrente. Por fim, chegaremos à conclusão de que os diversos tipos de preconceito não só possuem uma estrutura similar como seguem a mesma lógica e funcionam conjuntamente para a hierarquização complexa da sociedade por meio da interseccionalidade
Dal Discours alle Meditationes: From Discours to Meditationes
Questo articolo affronta il problema, largamente discusso dagli studiosi, del rapporto fra la dimostrazione della distinzione reale mente corpo nel Discours de la méthode (1637) e nelle Meditationes de prima philosophia (1641). Il fatto che il Discours affermi, come noto, la dottrina della distinzione reale subito dopo il cogito non fa in alcun modo problema perché non è stata ancora dimostrata la veracità di Dio; ma, non fa problema neppure solamente perché non c’è ancora un concetto chiaro e distinto della mente e del corpo (necessario per l’applicazione della veracità). Fa problema, invece, proprio perché l’affermazione della distinzione è fatta senza che si abbia ancora il concetto stesso di distinzione, cioè di esclusione. In questo modo, è la confusione del concetto di esclusione con quello di astrazione che conduce, nel Discours, all’errore, poi corretto nelle Meditationes, di concludere la distinzione reale senza un concetto chiaro e distinto dell’anima e del corpo.Este artigo enfrenta o problema, largamente discutido pelos estudiosos, da relação entre a demonstração da distinção real mente-corpo no Discurso do Método (1637) e nas Meditações sobre Primeira Filosofia (1641). O fato de que o Discurso afirma, como sabido, a doutrina da distinção real imediatamente depois do cogito não é, em absoluto, problemático em razão de não ter sido ainda demonstrada a veracidade de Deus; e não é problemática somente porque não há ainda um conceito claro e distinto de mente e de corpo (necessário para a aplicação da veracidade). É problemático, ao contrário, precisamente porque a afirmação da distinção é feita sem que se tenha ainda o conceito mesmo de distinção, isto é, o de exclusão. Deste modo, é a confusão do conceito de exclusão com aquele de abstração que, no Discurso, conduz ao erro, depois corrigido nas Meditações, de concluir a distinção real sem um conceito claro e distinto tanto da alma quanto do corpo
O argumento contratualista moderno de Hobbes e a perspectiva contratualista contemporânea de Rawls: Hobbes ‘modern contractualist argument and Rawls’ contemporary contractualist perspective
O objetivo do artigo consiste evidenciar, com base numa análise dos elementos fundamentais do contratualismo clássico e contemporâneo e, portanto, de Hobbes e Rawls, os elementos constitutivos da argumentação contratualista em ambos os filósofos em questão. Em virtude dessa perspectiva, privilegia-se uma discussão que pressupõe um percurso argumentativo pelo qual seja possível ressaltar determinações peculiares que sirvam respectivamente como marco teórico de uma possível comparação entre os modelos de contratualismo
Kant e Goethe, leitores de Rousseau: Kant and Goethe, readers of Rousseau
Rousseau introduz na história do espírito europeu uma nova época, com o novo eu romântico reivindicando os direitos do sentimento, diante do otimismo racional exacerbado do progresso. Abre o caminho para a época da ‘sensibilidade’ (Empfindsamkeit), para o ‘Sturm und Drang’. Provoca um encadeamento de afeições secretas e diferentes, talvez um motivo recôndito, quase que ligações afetivas em dois de seus leitores: Kant e Goethe. As leituras rousseaunianas desembocaram tanto na moral e na filosofia da história de Kant, quanto no primeiro romantismo na Alemanha, do Sturm und Drang com Goethe. Rousseau é um pensador que está entre Kant e Goethe por figurar tanto como um “Filósofo Literato” quanto um “Literato Filósofo”, pois se expressa por várias formas de linguagem: despertando interesse no moralista prussiano e encantando o grande poeta alemão
Une histoire des marges, l’histoire depuis la marge
L’histoire puise dans le passé des réponses à des questionnements actuels, faisant de la comparaison avec des formes d’altérité proche ou lointaines, tant du présent que du passé, un des pivots à partir duquel s’articule la démarche qui lui est propre. Forgé dans un contexte de contestation de l’autorité et de l’arbitraire des normes sociales, le terme marge, mais plus encore sa déclinaison adjectivale marginal, s’inscrivent dans le débat post-68 et gagnent en popularité jusqu’à transformer l’adjectif en nom propre. Aujourd’hui, le phénomène de la valorisation des différences interpersonnelles, dans un contexte caractérisé par des changements sociaux accélérés, donne aux individus et groupes se trouvant aux marges de la société une nouvelle visibilité. La sensibilité accrue face aux différences qui caractérise les sociétés occidentales contemporaines se présente ainsi sous une forme de tension entre individualité et égalité de statut, les enjeux d’intégration se trouvant au centre des interrogations des politiques publiques. L’enseignement d’une histoire des marges est susceptible de promouvoir un questionnement des mécanismes de domination par le caractère révélateur des marges elles-mêmes. Ces dernières deviennent ainsi le point de départ d’un questionnement des structures à la base de la vie en société. La transmission d’une histoire des marges ouvre ainsi une brèche dans le caractère prescriptif de l’institution scolaire, des injonctions à la tolérance de la différence, faisant de cette différence le levier d’un modèle compréhensif.
Mots clés : transmission de l’histoire, marginalité, différences, pensée historienne
Estratégia contra a história: sobre os sentidos da reflexão moral em Adorno
O artigo é uma tentativa de interpretar o sentido da reflexão moral em Adorno fora do campo mais restrito da “filosofia moral” compreendida como uma disciplina autônoma e sim em seu nexo com uma reflexão sobre a política e sobre a história. Trata-se de compreender o vínculo latente entre moral e política e como essa relação é balizada por um veredicto sobre o “curso do mundo”, compreendido como uma ruptura do vínculo entre História e Liberdade, e por uma reflexão sobre a categoria de indivíduo.The article is an attempt to interpret the meaning of Adorno’s moral thought outside the narrower field of "moral philosophy", understood as an autonomous discipline, but rather in its nexus to a reflection on politics and history. We aim to understand the latent link between morality and politics and how this relationship is marked by a verdict on the "way of the world", understood as a rupture of the bond between History and Freedom, and by a reflection on the category of the individual
La temporalidad del capitalismo y la ideología de la modernización: La teoría critica de Kurz a partir de la obra de Postone.
Este artículo trata de comprender como en la teoría crítica del valor desarrollada por el filósofo alemán Robert Kurz (1943-2012) está planteado el vínculo entre la temporalidad abstracta del capitalismo – el tiempo de la producción – y la forma histórica y concreta de desarrollo de la modernización capitalista con su ideología: la filosofía de la historia progresista. El trabajo empieza con la definición del problema de la temporalidad en el contexto de la crítica categorial de Kurz, y de la influencia que en este tema ha tenido Moishe Postone (1942-2018), y sigue exponiendo como según estos autores se constituye una dialéctica entre tiempo abstracto y tiempo concreto en el desarrollo del capitalismo. En la segunda parte se indagan los fundamentos filosóficos que han impedido a la teoría marxista de comprender este proceso, permaneciendo vinculada a una ideología de la modernización (de origen ilustrada y hegeliana) que – según Kurz – no es otra cosa que una proyección real de la metafísica concreta del desarrollo del capitalismo. En conclusión, se plantean algunas críticas a los límites de la idea de acción trasformadora resultante de la crítica categorial del marxismo propuesta por Kurz
Civilidade Radical? : Desobediência civil e a ideologia da não-violência
Tradução feita por Marianna PoyaresTranslation made by Marianna Poyare
Ivan Hadjiyski's Anti-Colonial Marxism: A View from Europe's Semi-Periphery
This text seeks to make a contribution to a more robust conversation between decolonial and critical theory, by exploring the work of one of Eastern Europe's least known yet most creative radical intellectuals, Bulgarian anti-colonial Marxist Ivan Hadjiyski. Killed by Nazis on the Eastern front in 1944, Hadjiyski was a major interlocutor in intellectual and political debates around racism, capitalist accumulation, and the differentia specifica of Bulgaria/the Balkans in the 1930s and early 1940s. After situating Hadjiyski's life and work in its context of the interwar and World War II periods, the article explores in some detail his early and arguably most popular text titled "Optimistichna teoriya za nashia narod" ("An Optimistic Theory About Our People"), first published in 1938. More specifically, the text zones in on two prongs of Hadjiyski's critical argument. The first one examines Hadjiyski's effort to resignify the meaning of the "Bulgarian people," in the context of rising nationalism and fascism. The second places Western capitalist modernity under critical scrutiny, in light of its "underside" of colonial violence and predation, and sets it apart from Eastern European modes of primitive accumulation. The article argues that Hadjiyski's piece represents a genuine contribution to both critical and decolonial thought from the perspective of Eastern Europe, and continues to have important lessons for us in our present moment.This text seeks to make a contribution to a more robust conversation between decolonial and critical theory, by exploring the work of one of Eastern Europe's least known yet most creative radical intellectuals, Bulgarian anti-colonial Marxist Ivan Hadjiyski. Killed by Nazis on the Eastern front in 1944, Hadjiyski was a major interlocutor in intellectual and political debates around racism, capitalist accumulation, and the differentia specifica of Bulgaria/the Balkans in the 1930s and early 1940s. After situating Hadjiyski’s life and work in its context of the interwar and World War II periods, the article explores in some detail his early and arguably most popular text titled "Optimistichna teoriya za nashia narod" ("An Optimistic Theory About Our People"), first published in 1938. More specifically, the text zones in on two prongs of Hadjiyski's critical argument. The first one examines Hadjiyski’s effort to resignify the meaning of the "Bulgarian people," in the context of rising nationalism and fascism. The second places Western capitalist modernity under critical scrutiny, in light of its "underside" of colonial violence and predation, and sets it apart from Eastern European modes of primitive accumulation. The article argues that Hadjiyski's piece represents a genuine contribution to both critical and decolonial thought from the perspective of Eastern Europe, and continues to have important lessons for us in our present moment