Instituto de Filosofia e Ciências Humanas Open Journals System
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O Sujeito: Entre a renúncia e a recusa: The Subject: Between renunciation and refusal
O presente trabalho pretende abordar possíveis desdobramentos do último mecanismo de defesa apresentado por Freud, em um texto inacabado do final de sua vida, a Cisão do Eu como mecanismo de Defesa (1938). No início desse escrito existe uma vaga alusão à possibilidade de que o mecanismo seja “há muito conhecido e óbvio”, porém, apesar de tal indicação, Freud não segue por essa via. Acreditamos poder ler os fenômenos da vida psíquica, em diversos âmbitos, como consequências dessa divisão fundamental. Para isso, percorremos alguns importantes textos freudianos na tentativa de entrever como a Divisão do Eu poderia se configurar
El pueblo, un nuevo agente politico: The people, a new political agent
La masa es el correlato social del neoliberalismo. En este contexto, surgela pregunta acerca de si es posible otro modo de construir lo común que no sefundamente en la identificación y la uniformidad características de la masa. Estetrabajo plantea una serie de reflexiones y proposiciones alrededor de este interrogante,a la luz de los desarrollos del concepto de populismo de Ernesto Laclau. Basado enuna experiencia de radicalización democrática, el populismo renueva la apuesta enuna construcción hegemónica y popular distinta a la masa
La correspondance Clerselier-Fermat à la lumière des polémiques sur la Dioptrique: Clerselier-Fermat correspondence in the light of controversies over the Diopter
Suite à la publication de la Dioptrique (1637), René Descartes dut faire face à une série de controverses parmi lesquelles la polémique avec le mathématicien Pierre de Fermat. En 1667, Claude Clerselier, qui était sur le point de publier le troisième volume de la Correspondance de Descartes, qui aurait dû contenir les lettres mathématique, s’adressa à Fermat pour obtenir des éclaircissements sur la vieille querelle l’opposant à Descartes. Cet article retrace les moments saillants de cette histoire.Following the publication of the Dioptrique (1637), René Descartes had to face a series of controversies, among which the controversy with the mathematician Pierre de Fermat. In 1667, Claude Clerselier, who was about to publish the third volume of Descartes’ Correspondence, which should have contained the mathematical letters, addressed Fermat in order to obtain some explanations on his old quarrel with Descartes. This essay reconstructs the most imprortant events of this debate
O Discurso do Método e a Recherche de la Vérité: Uma análise da possível proximidade temporal entre as duas obras: The Discourse of the Method and the Recherche de la Vérité: An analysis of the possible temporal proximity between the two works
A Recherche de la Vérité é uma das mais complexas dentre as obras de Descartes e se insere em uma série de controvérsias, sobretudo no que diz respeito a sua desconhecida datação. Há no diálogo elementos contraditórios que remetem tanto à juventude, quanto à maturidade do filósofo. Uma saída para solucionar tais incoerências está em situa-lo em um momento intermediário, aproximando-o do Discurso do Método. Partindo da interpretação proposta por Ettore Lojacono, este artigo visa analisar a possibilidade de que o Discurso seja de fato determinante para a datação da Recherche. Para tanto, é feito um exame da validade e do peso dos argumentos a favor da hipótese intermediária, buscando determinar se os pontos de convergência entre as duas obras são suficientes para estabelecer a proximidade entre elas e solucionar o problema da datação
As Inconsistências da Natureza Humana: Misoginia e Colonialismo na Antropologia de Kant: The Inconsistencies of Human Nature: Sexism and Colonialism in Kant’s Anthropology
Há uma inconsistência na teoria antropológica erigida por Kant entre o que o autor pensa sobre o ser humano em geral e o que pensa sobre alguns grupos específicos, isto é, uma inadequação entre raça/gênero (feminino) e a ideia de humanidade em geral (civilizada). Isto ocorre por conta de o ser humano não poder ser conhecido de maneira última, uma vez que este é livre em sua vontade; assim, propósitos cosmopolitas em um sentido civilizatório (como finalidade) seriam a solução encontrada para adequar a humanidade a um estado civil regido por uma constituição; mas, paradoxalmente, mulheres, negros e indígenas, humanos em sua natureza, não parecem, aos olhos de Kant, terem aptidão e talento para o cosmopolitismo
Alguns aspectos estéticos da construção dos Ensaios: A “maniera” de Montaigne: Some aesthetic aspects of the Essays construction: Montaigne’s “maniera”
Pretendo com o presente texto apontar a simbiose entre arte e filosofia nos Ensaios de Michel de Montaigne, contextualizando a obra a partir do Maneirismo, movimento artístico europeu do século XVI, na chamada Renascença tardia. Destacarei similaridades entre características fundamentais do Maneirismo e dos Ensaios, ressaltando a importância do conceito de “maniera” na elaboração e constituição do ensaio como forma filosófica em Montaigne
A Filosofia de Leibniz como Base da Sinologia: Leibniz’s Philosophy as the Basis of Sinology
O filósofo alemão Leibniz (1646-1716), como um dos maiores correspondentes na Europa sobre as missões na China, reuniu variadas informações sobre a civilização chinesa, em um período bastante conturbado para os estudos sobre a China principalmente pela chamada querela dos ritos, mas propício para possíveis intercâmbios interculturais. A partir da coleta de dados Leibniz elabora uma análise inédita para a sua época em relação à suposta Teologia Natural dos chineses, contrária ao materialismo chinês defendido pelo pensamento escolástico e cartesiano. Leibniz é precursor da proto-sinologia, conforme é concebida, por ser um dos primeiros acadêmicos fora da China que estuda esse país, mas, pelo fato de focar suas pesquisas no pensamento chinês, ele se aproxima tanto do modelo chinês de sinologia, conforme Wang Li (1981), quanto o modelo de sinologia moderna concebido por Granet. No contexto da origem da filosofia e da sinologia ocorre um fato inusitado que foi a exclusão do pensamento chinês da formação da filosofia como área científica, o que requer um estudo mais criterioso sobre a questão, para compreendermos o papel de Leibniz para a sinologia
La pensée éducative de l’art : entre marges et hétérotopies: The educational Thought of Art :between Margins and Heterotopias
L’interdit platonicien a pesé lourdement sur ce qu’on appellera ici la pensée éducative de l’art. Centrale dans l’éducation, la culture esthétique a été dès lors longuement rejetée dans ses marges. Elle est aujourd’hui en voie de réhabilitation. Nombreuses sont les voix qui demandent que l’éducation artistique pour tous se «généralise » et prenne place au centre des programmes éducatifs. Mais qu’est-ce que « généraliser » ? Cette question relève de la philosophie politique : elle interroge la démocratie et la démocratisation. Est-on bien sûr qu’en tirant l’éducation artistique de ses marges on ne la privera pas d’une dimension constitutive de sa spécificité éducative ? La puissance éducative et émancipatrice de l’art n’est-elle pas tributaire d’une forme particulière de marginalité ? Les lieux et les temps d’une éducation artistique pleinement émancipatrice doivent alors répondre à cette exigence en apparence paradoxale : rester « dans les marges », et néanmoins agir « sur le centre ». De tels espace-temps existent : Michel Foucault leur avait donné un nom : hérérotopies.
Mots-clés : Art, Esthétique, Éducation, Émancipation, Hérérotopi
Théoriser l’extra-légalité: Désobéissance, anti-obéissance, alter-obéissance
La désobéissance civile est conçue par les théoriciens politiques libéraux (Rawls et Habermas mais également Bobbio et Dworkin) comme une forme d’illégalité. Ces théories aboutissent toutes, par des voies différentes, à vider la désobéissance de sa consistance politique. Recouvrer la dimension proprement politique des actions de désobéissance suppose de les concevoir comme extra-légalité.Mon article part d’un constat : la France connaît depuis trois décennies un processus d’extralégalisation de la conflictualité sociale. Les formes de contestation légale – vote protestation, syndicalisme, grève, manifestation – sont progressivement supplantées par des actions extralégales – désobéissance civile, zones à défendre, hackers, lanceurs d’alerte et manifestations interdites. Partant de cette actualité, je propose de montrer en quoi ces actions invitent à déplacer les catégories dominantes de la théorie politique contemporaine et à opérer un geste conceptuel inédit, qui sera le cœur de cet article : théoriser l’extra-légalité.Contrairement à la quasi-totalité des définitions en vigueur, je considère la désobéissance comme une action extra-légale plutôt qu’illégale, car l’illégalité désigne une opposition à la loi. Or la désobéissance, quelle que soit sa vigueur et sa modalité, ne s’oppose pas à la législation mais au légalisme. Elle est illégaliste et non illégale. Elle est moins contre la loi qu’en dehors ou à côté de la loi. Ce dehors n’est pas au dessus puisque la désobéissance n’émet pas de jugement surplombant à l’encontre de la loi. L’extra-légalité est hors du droit mais, paradoxalement, elle le travaille de l’intérieur afin de lui révéler sa non-identité et d’indiquer à chaque loi sa part de contingence. Les désobéissants ne sont pas contre les lois (illégalité) ni au-dessus d’elles (méta-légalité). Ainsi, ils sont hors-de-la-loi plutôt qu’hors-la-loi.Comprise comme extra-légalité, la désobéissance s’oppose à la figure de l’obéissance servile, qui désigne l’obéissance aveugle aux lois étatiques. Mais la désobéissance n’est pas pour autant identique à l’anti-obéissance, qui ordonne de désobéir à toutes les lois. Car l’anti-obéissance est en réalité une obéissance qui s’ignore. En opposant à l’obéissance systématique aux lois étatiques un refus systématique d’obéissance, l’anti-obéissance se soumet férocement, sans s’en apercevoir, à une loi encore plus implacable que les lois étatiques, à savoir la loi dont le contenu prescrit de « désobéir partout et tout le temps ». Bien qu’elle se présente sous la forme d’une désobéissance, l’anti-obéissance est donc en vérité une soumission absolue à la loi auto-réfutante du « toujours désobéir ».La désobéissance ne doit pas non plus être confondue avec l’alter-obéissance. Cette dernière consiste à désobéir aux lois étatiques afin d’obéir encore mieux et encore plus à un autre régime de lois. L’alter-obéissance critique les lois en vigueur dans le but de se soumettre aveuglément à la « volonté divine », aux « impératifs économiques », au « règne de la science », à la « nature humaine » ou aux « lois de l’histoire ». En ce sens, l’alter-obéissance est une fausse désobéissance : elle ne cherche qu’à remplacer l’obéissance servile aux lois étatiques par une autre obéissance, encore plus intense.Finalement, obéissance servile, anti-obéissance et alter-obéissance procèdent toutes à une fétichisation de certaines lois, auxquelles elles se soumettent inconditionnellement. Seule la désobéissance parvient à désacraliser les lois et, ce faisant, à instaurer un rapport autonome entre les citoyens et les lois qui régissent leur existence. Cette conception de la désobéissance comme extra-légalité jette un éclairage inédit sur le rapport qu’une société démocratique entretient avec ses institutions.Une telle société s’efforce de tenir ensemble ces deux affirmations : aucune société ne saurait exister sans institutions, mais toute institution est en droit contestable. Autrement dit : nécessité d’institutions mais contingence de toute institution particulière. Cette double exigence équivaut à un double refus. D’abord, la démocratie n’est pas identifiable à un assemblage institutionnel définitivement figé. Elle n’existe qu’en se renouvelant. Cependant, la démocratie n’est pas non plus une frénésie destructrice qui abolirait immédiatement tout germe d’institutionnalisation. Elle se donne provisoirement des institutions, car elle ne peut exister qu’avec un minimum de stabilité. La démocratie est donc prisonnière d’une tension irréductible et féconde entre sa dimension instituante et sa dimension instituée