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Igualdade entre homens e mulheres: Égalité des hommes et des femmes
Marie Le Jars de Gournay (1565-1645) nasce em Paris e passa a adolescênciaem Gournay-sur-Aronde. Autodidata, aprende línguas e se torna leitora dosEnsaios de Montaigne, a quem conhece em 1588 e mantém amizade até a mortedo filósofo em 1592. Em 1594, Gournay publica Le Promenoir de Monssieur deMontaigne, assinando“parsa fille d’alliance”. A partir de 1595, incumbida pela famíliade Montaigne, torna-se editora dos Ensaios III, dedicando-se a revisar, corrigir,traduzir citações e preparar as reedições da obra do filósofo. Ao mesmo tempo,Gournay desenvolve sua vocação literária escrevendo poemas, tratados e traduções.Em 1622, publica Égalité des hommes et des femmes, um discurso da razão, como eladiz, dedicado à rainha Ana da Áustria e reeditado algumas vezes, sendo a últimaem 1641, acrescida de novos parágrafos. A tradução que se segue é extraída doopúsculo de 1622 preservado na Bibliothèque nationale de France e disponível pormeio digital. Sua relevância está no fato de que este opúsculo circulou pela Europae autores contemporâneos à Gournay debatem a questão da mulher a partir destaprimeira edição. Há pelo menos uma autora, Anna Maria van Schurman (1607-1678), com quem Gournay firma uma relação epistolar, tendo seu nome citado nos parágrafos acrescidos à última versão de Égalité des hommes et des femmes, publicada em 1641 como parte da coletânea de textos intitulada: Les advis ou le presens de lademoiselle de Gournay
Qual a ligação entre cogito e sum? Entre falsas soluções e outras propostas.: What is the connection between cogito and sum? Between false solutions and other proposals
This work aims to provide an adequate solution to the problem of therelation between cogito and sum in Descartes’ argumentation. To do so, firstly, wetried to highlight the main defects of the solution proposed by Jaako Hintikka, in hisrenowned article Cogito, Ergo Sum: Inference or Performance?, released in 1962. Weevaluated both the logical interpretation of cogito, ergo sum and the interpretation ofego sum as a performative utterance, either in its technical aspects or in comparisonwith Descartes’ texts. Secondly, we offer an interpretation based on the notion ofpresuppositional inference, inspired by Frege, from which we try to explain in whatsense the distinction between syntax, semantics and pragmatics can solve somecommon confusions that can be found in the literature on cogito.
Keywords: cogito, performative, logic.Este trabalho procura fornecer uma solução adequada para o problema darelação entre cogito e sum na argumentação de Descartes. Para tanto, em primeirolugar, procuramos evidenciar os principais defeitos da solução proposta por JaakoHintikka, em seu renomado artigo Cogito, Ergo Sum: Inference or Performance?,de 1962. Avaliamos tanto a interpretação lógica de cogito, ergo sum quanto ainterpretação de ego sum como um performativo, seja em seus aspectos técnicos,seja em comparação com os textos de Descartes. Em segundo lugar, oferecemosuma interpretação com base na noção de inferência pressuposicional, de inspiraçãofregeana, a partir da qual tentamos explicitar em que sentido a distinção entresintaxe, semântica e pragmática pode resolver algumas confusões comuns presentesna literatura sobre o cogito.
Palavras-chave: cogito; performativo; lógica
Joseph Needham e as contribuições da ciência chinesa para a formação do universo científico: Joseph Needham and the contributions of Chinese science to the formation of the scientific universe
O trabalho de Joseph Needham é de suma importância para o melhorentendimento da China. Foi ele o responsável por demonstrar a relação entre a ciênciaeuropeia e a ciência chinesa no que se refere às inovações desta que permitiram umarevolução científica na Europa. Todavia, seu trabalho é ainda marcado pela noção deuma pretensa superioridade ocidental em relação à China a respeito do que se entendepor uma ciência legítima. Almejamos fornecer uma breve visão dos principais aspectosde sua obra, considerando quatro livros do autor capazes de discutir os intercâmbioscientíficos entre China e Europa, a construção de uma ciência universal, as origense características da ciência chinesa e, por fim, a questão da capacidade geral de seupensamento em conceber (ou não) a China como um projeto de modernidade específico.
Palavras-chave: Needham, China, ciência, modernidade.The works of Joseph Needham are of the utmost importance for betterunderstanding China. He was responsible for demonstrating the relationship betweenEuropean and Chinese science regarding the innovations of the latter that alloweda scientific revolution in Europe. However, his work is still marked by the notion ofan alleged western superiority vis-à-vis China concerning what is understood by alegitimate science. We intend to offer a brief view of the main aspects of Needham’swork, considering four of the author’s books capable of discussing the scientificexchanges between China and Europe, the construction of an universal science, theorigins and features of Chinese science and, finally, the question regarding the generalcapacity of his thought in conceiving (or not) China as a specific modernity project.
Keywords: Needham, China, science, modernit
Montaigne. Ensaios sobre o Novo Mundo (volume 2): Montaigne. Essays on the New World (volume 2)
A presente publicação dá continuidade ao primeiro volume do dossiê Montaigne. Ensaios sobre o Novo Mundo, publicado em 2020. Os onze artigos inéditos apresentados neste segundo volume abordam diversas noções e áreas de pesquisa, incluindo: razão (Carbone, Mondini, Moreira), linguagem (Marcondes), costumes (Foglia), sociabilidade (Desan, Péraud-Puigségur), e tempo (Reguig), assim como história (Souza Filho), direito (Castañeda) e retórica (Masiero). Temos também o prazer de apresentar três traduções em português de textos relativos ao pensamento de Montaigne, a saber: o capítulo “Dos Coxos” do Livro III dos Ensaios, o artigo de Alain Legros intitulado “De um mundo a outro, estranhas similitudes: ensaio de um questionamento missionário”, e por fim o artigo “De Rousseau a Montaigne ou o itinerário da melancolia”, publicado por Emmanuel Désveaux.
Desejando-lhe uma excelente leitura
Os organizadores
Jean-François Dupeyron & Fabien Lin
Martin Luther King Jr. e a desobediência civil como um apelo às emoções políticas do público
O presente trabalho busca tratar do tema da desobediência civil, defendendo uma interpretação, baseada principalmente em uma análise das contribuições filosóficas de Martin Luther King Jr, segundo a qual essa forma de reivindicação política tem como uma de suas características distintivas, quiçá a sua característica central, a reparação de injustiças por meio do suscitamento de certos sentimentos políticos (ou morais) no público a que se endereça, forjando nele uma transformação ou um despertar emocional. Primeiramente, resumo brevemente o desenvolvimento inicial do conceito e da prática da desobediência civil no século XX por Mohandas K. Gandhi e Martin Luther King Jr. Depois, esboço uma comparação entre alguns elementos da abordagem de John Rawls e de King, destacando a ênfase emotiva dada pelo segundo autor na sua defesa dos princípios que devem guiar a desobediência civil. Por fim, à luz dessa interpretação, e para dar maior claridade às consequências da sugerida mudança de foco na compreensão do conceito, faço apontamentos sobre algumas críticas recentes endereçadas por Robin Celikates à desobediência civil liberal de John Rawls.This work aims to write about civil disobedience, defending an interpretation, based chiefly on an analysis of Martin Luther King Jr’s philosophical contributions, whereby this form of political claim has as one of its distinctive features, perhaps its core feature, the repair of injustices through evoking certain political (or moral) emotions in the target public, raising in him an emotional transformation or awakening. First, I resume the early evolution of civil disobedience concept and practice carried out by Mohandas K. Gandhi and Martin Luther King Jr in the XX century. Secondly, I sketch an comparison between some elements of John Rawls’ approach and King’s, detaching the emotional emphasis given by the latter in his defence of the principles which ought to guide civil disobedience. Last, following this interpretation, and to give more clarity for the consequences arising from the suggested focus shift on the understanding of the concept, I make appointments towards some recent critics adressed by Robin Celikates against John Rawls’ liberal civil disobedience
Del neoliberalismo al Buen Vivir/Vivir Bien: Avances y desafíos de América Latina en la construcción de alternativas contra-hegemónicas en un orden mundial neoliberal. Una reflexión a partir de aportes neogramscianos y decoloniales
In this paper, we present an analysis of Buen Vivir/Vivir Bien as counter-hegemonic alternatives to a neoliberal world order, highlighting some of their potentialities and some of their limitations. In this sense, the question that guides our analysis is: What do the recent advances and challenges of Buen Vivir/Vivir Bien mean for their understanding as anti-hegemonic alternatives from Latin America to a neoliberal world order? Through a qualitative methodology, based largely on secondary sources, we establish a dialogue between neo-Gramscian theoretical contributions in International Relations Critical Theory and in Latin American decolonial thought. From this perspective, we understand Buen Vivir/Vivir Bien as the result of anti-neoliberal struggles led by indigenous social forces in Bolivia and Ecuador. As a result of their struggles, the indigenous organizations managed to partially guide the reconfiguration of the state apparatuses and constitutional orders of their respective countries. These changes were also manifested in terms of Bolivian and Ecuadorian foreign policy, which used the principles of Buen Vivir/Vivir Bien to guide counter-hegemonic ideas in international settings. However, the assimilation of indigenous worldviews by governments and state apparatuses results in a series of challenges and contradictions, sometimes reinforcing neo-extractivist and developmental structures that the original approaches to Buen Vivir/Vivir Bien seek to fight.En el artículo, presentamos un análisis del Buen Vivir/Vivir Bien como alternativas contra-hegemónicas a un orden mundial neoliberal, destacando algunas de sus potencialidades y algunas de sus limitaciones. En ese sentido, la pregunta que orienta nuestro análisis es: ¿Qué significan los recientes avances y desafíos del Buen Vivir/ Vivir Bien en términos de su comprensión como alternativas contra hegemónicas desde América Latina a un orden mundial neoliberal? Través de una metodología cualitativa, basada sobremanera en fuentes secundarias, establecemos un diálogo entre aportes teóricos neogramscianos de la Teoría Crítica de las Relaciones Internacionales y del pensamiento decolonial latinoamericano. Desde esa perspectiva, entendemos el Buen Vivir/Vivir Bien como fruto de las luchas antineoliberales protagonizadas por fuerzas sociales indígenas en Bolivia y Ecuador. Como resultado de sus luchas, las organizaciones indígenas lograron orientar parcialmente la reconfiguración de los aparatos estatales y ordenamientos constitucionales de sus respectivos países. Eses cambios se manifestaran también en términos de la política exterior boliviana y ecuatoriana, que se valió de principios del Buen Vivir/Vivir Bien para pautar ideas contrahegemónicas en ámbitos internacionales. Sin embargo, la asimilación de las cosmovisiones indígenas por los gobiernos y aparatos estatales resulta en una serie de desafíos y contradicciones, por veces reforzando estructuras neoliberales, neoextractivistas y desarrollistas que los planteos originales del Buen Vivir/Vivir Bien buscan combatir
Adorno e a dialética da liberdade
This article investigates Adorno's treatment of Kant's moral philosophy in Negative Dialectics and the courses that served as preparation for this work, namely, Probleme der Moralphilosophie and Zur Lehre von der Geschichte und von der Freiheit. Adorno maintains an ambivalent relationship with Kant's moral theory, considering it at the same time as loaded with "internal contradictions" and as the "moral philosophy par excellence". The article takes as its main thread the criticism Adorno addresses to Kant, i.e. the fact that he tried to solve the antinomy of freedom and neglected the dialectics of freedom and non-freedom.After identifying the semantical displacements operated by Adorno, this article shows that it is by standing in relation to Kant that Adorno renews moral reflection.Este artigo investiga o tratamento que Adorno reserva à filosofia moral de Kant na Dialética Negativa e nos cursos que serviram de preparação a essa obra, a saber, Probleme der Moralphilosophie e Zur Lehre von der Geschichte und von der Freiheit. Adorno mantém uma relação ambivalente com a teoria moral de Kant, ao considerá-la ao mesmo tempo como carregada de “contradições internas” e como a “filosofia moral por excelência”. O artigo toma como fio condutor a principal censura que Adorno endereça a Kant, i.e., o fato de este ter tentado resolver a antinomia da liberdade e negligenciado a dialética da liberdade e da não liberdade. Depois de identificar os deslocamentos semânticos operados por Adorno, este artigo mostra que é ao se situar em relação a Kant que Adorno renova a reflexão moral