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    Brecht e Benjamin: em torno do caráter insondável da obra de Kafka

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    The paper intends to analyze the discussions between Bertolt Brecht and Walter Benjamin around Kafka in Svendborg-Denmark, showing the importance of tension as a method of building and improving antifascist artistic strategies and art criticism. It is evident that the differences between the authors are almost confused, since what Brecht insinuates to be unforgivable in Kafka - the unfathomable character of his works - also ends up emerging in the most important element of his epic theater: the epic gesture. From the formal point of view of the works, Brecht and Benjamin use the montage strategy that breaks with the hierarchical and linear ordering of artistic production. Kafka disagrees with both in this respect, leaving the reader in charge of constructions beyond his work. His tireless gesture of writing, however, places him as an assembler of processes that hardly adheres to the final form of the work - he wanted his manuscripts to be even destroyed after his death. The dissonances, although tiny, are essential for elaborating the thoughts of these characters who lived under European Nazifascism and tried to respond artistically and intellectually to the horror that prevailed at the time.Trata-se de analisar as discussões entre Bertolt Brecht e Walter Benjamin em torno de Kafka em Svendborg-Dinamarca, mostrando a importância da tensão como método de construção e aprimoramento de estratégias artísticas e da crítica de arte antifascistas. Fica visível que as diferenças entre os autores quase se confundem, já que aquilo que Brecht insinua ser imperdoável em Kafka – o caráter insondável de suas obras – também acaba por emergir no elemento mais importante de seu teatro épico: o gesto épico. Do ponto de vista formal das obras, Brecht e Benjamin utilizam a estratégia da montagem que rompe com a ordenação hierárquica e linear da produção artística. Kafka destoa de ambos nesse aspecto, deixando a cargo do leitor construções para além de sua obra. Seu gesto incansável de escrita, porém, o coloca como um montador de processos que pouco se atém à forma final da obra – ele queria que seus manuscritos fossem até mesmo destruídos após a sua morte. As dissonâncias, embora ínfimas, são essenciais para elaborações dos pensamentos desses personagens que viveram sob o nazifascismo europeu e tentavam responder artística e intelectualmente ao horror que vigorava na época

    As Passagens, de Walter Benjamin – um dispositivo de pesquisas sobre as metrópoles

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    Este artigo foi escrito em 2005, depois de um simpósio realizado em junho daquele ano, em Paris, com o título “Walter Benjamin: topografias da memória”. Naquele evento, achei particularmente relevantes os seguintes enfoques de pesquisa, apresentados por três colegas: “O que é a Obra das Passagens?” (Burkhardt Lindner); “Qual é a relação do livro de Benjamin sobre Baudelaire com a Obra das Passagens?” (Clemens Haerle); e “O que significa a escrita de Benjamin em forma de um amontoado de fichas?” (Erdmut Wizisla). Destas perguntas trata também este ensaio, que visa mostrar, de modo sintético, em que consiste a contribuição metodológica do Trabalho das Passagens para a historiografia

    Apresentação

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    La sensorialidad capitalista en Karl Marx y Georg Simmel:: Claves para el análisis sensible de la sociedad contemporánea

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    Este artículo tiene dos objetivos. Mostrar el diagnóstico sobre la "sensorialidad moderna" en Karl Marx y Georg Simmel, así como algunas convergencias y divergencias en sus enfoques. Y, rescatar la vigencia de estos autores y su revitalización en el campo reciente de los "estudios sensoriales". Respecto a la recuperación de Marx en dicha clave, retomo a David Howes – entre otros autores –, para quien una revisión de su obra permite comprender el "régimen sensorial" de la sociedad capitalista. No obstante, para Howes la perspectiva de Marx tiene un punto ciego, las mercancías también están relacionadas con los deseos y experiencias sensoriales. Es en ese punto donde considero relevante y complementario el aporte de Simmel. Para éste, el capitalismo implica la intensificación de experiencias sensoriales y al mismo tiempo, saturación de los sentidos. Desde mi perspectiva Simmel permite ver cómo, en la sociedad capitalista la relación entre cultura y materialidad se complejiza, pues los objetos adquieren significados afectivos y se inscriben en experiencias sensoriales, a veces en detrimento de las personas. Si bien sus ángulos de lectura son distintos, a la vez resultan complementarios. Mientras Marx está atento a un cuerpo que siente y sufre en el mundo del trabajo, Simmel atestigua la estimulación sensorial de los cuerpos así como su hipersensibilidad y resistencias en ámbito del consumo y las grandes ciudades.Este artículo tiene dos objetivos. Mostrar el diagnóstico sobre la "sensorialidad moderna" en Karl Marx y Georg Simmel, así como algunas convergencias y divergencias en sus enfoques. Y, rescatar la vigencia de estos autores y su revitalización en el campo reciente de los "estudios sensoriales". Respecto a la recuperación de Marx en dicha clave, retomo a David Howes – entre otros autores –, para quien una revisión de su obra permite comprender el "régimen sensorial" de la sociedad capitalista. No obstante, para Howes la perspectiva de Marx tiene un punto ciego, las mercancías también están relacionadas con los deseos y experiencias sensoriales. Es en ese punto donde considero relevante y complementario el aporte de Simmel. Para éste, el capitalismo implica la intensificación de experiencias sensoriales y al mismo tiempo, saturación de los sentidos. Desde mi perspectiva Simmel permite ver cómo, en la sociedad capitalista la relación entre cultura y materialidad se complejiza, pues los objetos adquieren significados afectivos y se inscriben en experiencias sensoriales, a veces en detrimento de las personas. Si bien sus ángulos de lectura son distintos, a la vez resultan complementarios. Mientras Marx está atento a un cuerpo que siente y sufre en el mundo del trabajo, Simmel atestigua la estimulación sensorial de los cuerpos así como su hipersensibilidad y resistencias en ámbito del consumo y las grandes ciudades

    O problema do devir na filosofia hegeliana

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    Tradução, por Mariana Teixeira, de: SIMMEL, G. “Das Problem des Werdens in der Hegelschen Philosophie (1911)”. In: Gesamtausgabe, Band 24: Nachträge, Dokumente, Gesamtbibliographie, Übersichten, Indices (org. O. Rammstedt). Berlin: Suhrkamp, 2016 [1911], p. 11-24.Tradução, por Mariana Teixeira, de: SIMMEL, G. “Das Problem des Werdens in der Hegelschen Philosophie (1911)”. In: Gesamtausgabe, Band 24: Nachträge, Dokumente, Gesamtbibliographie, Übersichten, Indices (org. O. Rammstedt). Berlin: Suhrkamp, 2016 [1911], p. 11-24

    Montaigne. Ensaios sobre o Novo Mundo (vol. 1): Montaigne. Essays on the New World (vol. 1)

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    O título do presente dossiê, “Montaigne. Ensaios sobre o Novo Mundo”,evoca os textos do corpus montaigniano que se referem explicitamente aos indígenase ao continente americano. Os leitores de Montaigne estão cientes de que entre osnumerosos capítulos dos Ensaios, esse tema específico pode desempenhar um papelmais ou menos predominante. Argumento central de “Dos Canibais” (I, 31), assimcomo de “Dos Coches” (III, 6), e de importância notável para os propósitos da extensa“Apologia de Raymond Sebond” (II, 12); Montaigne também evoca o Novo Mundo— ainda que de modo por vezes breve ou anedótico — em diversas outras passagensdos Ensaios, tais como : “Ao leitor”; “Nossas afeições deixam-se levar para além de nós”(I, 3); “Do costume e de não mudar facilmente uma lei aceita” (I, 23);“Da moderação”(I, 30) ; “Que é preciso sobriedade no aventurar-se a julgar as decisões divinas” (I, 32) ;“Do hábito de vestir-se” (I, 36); “Dos corcéis” (I, 48); “Da afeição dos pais pelos filhos”(II, 8); “Do desmentir” (II, 18); “Dos Correios” (II, 22); “Sobre versos de Virgílio” (III,5); “Da arte da conversação” (III, 8); e por fim “Da experiência” (III, 13)

    Le Brésil de Montaigne : une destination philosophique: The Brazil of Montaigne : a philosophical destination

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    The fame of the Amerindian chapters, particularly chapter « DesCannibales », seem to depend paradoxically of two strange philosophical objects –an ignorant knowledge and a travel without displacement – because Montaigne, firsthad never the extravagant idea to travel to the New World, secondly had no reliableinformation on the tupinamba society. This article examines these two objects and,by the way, raises some surprises about the artifact of the humanistic travel, aboutthe meaning of an ignorance which knows itself as ignorant, and about the placeof the knowledge of imagination in the emergence of the luminous philosophicalpower of the perspectivist position of the author of the Essais. Thus, Montaigne’s Brazil was a beautiful philosophical destination. Keywords : Travel ; Imagination ; Ignorance ; KnowledgesLa renommée des essais amérindiens, particulièrement du chapitre « DesCannibales », semble reposer paradoxalement sur deux étranges objets philosophiques– un savoir ignorant et un voyage sans déplacement – puisque Montaigne, nonseulement n’eut jamais l’idée folle de voyager jusqu’au Nouveau Monde, mais encorene disposait guère d’informations fiables sur la société tupinamba. Cet articleexamine ces deux objets et relève au passage quelques surprises quant à l’artefactdu voyage humaniste, au sens d’une ignorance qui se connaît, et à la place des savoirsd’imagination dans la construction de l’étincelante puissance philosophique dupositionnement perspectiviste de l’auteur des Essais. Le Brésil de Montaigne futdonc une belle destination philosophique. Mots-clés : Voyage ; Imagination ; Ignorance ; Savoir

    Montaigne et la sociabilité des Cannibales: Montaigne and the sociability of Cannibals

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    It is striking to see the Cannibals evoked in the “Apologie de Raimond Sebond” (II, 12), more especially after the long development on the “reason” and the “sociability” of animals that the essayist puts in opposition to social political and religious practices of his time. This relationship between the intelligence of animals and what we could call the sociability of Cannibals leads to a few reflections which allows us to better understand what we could define as extreme cases of difference, visible among animals and Cannibals alike. Montaigne strives to rehabilitate animals, but he also discusses differences in the social organization of the Indians in the New World and proposes a social (even socialist) response to the moral and cultural presuppositions and biases in the West. After a long discussion on the sociability of animals, the Cannibals allow Montaigne to continue his investigation of human reason by the angle of a different expression of sociability – animals and cannibals alike – which opposes the individualism and “unsociability” of his time. Keywords: Montaigne, Sociability, Animal, Cannibal.Il est frappant de voir les Cannibales évoqués dans l’« Apologie de Raimond Sebond » (II, 12) dans le long développement effectué par Montaigne sur la raison et la sociabilité des bêtes que l’essayiste met en opposition aux pratiques sociales, politiques et religieuses de son temps. Ce rapport entre l’intelligence des bêtes et ce que l’on pourrait appeler la sociabilité des Cannibales entraîne quelques réflexions qui devraient nous permettre de mieux comprendre l’apparition de ce que l’on pourrait concevoir comme des cas d’« extrême différence » à la fois visibles chez les bêtes, que Montaigne s’évertue à réhabiliter, mais aussi parmi les Indiens du Nouveau Monde que Montaigne érige comme réponse sociale (voire socialiste) aux présupposés moraux et culturels de l’Occident. Le Cannibale permet ainsi à Montaigne de poursuivre son investigation de la raison humaine en abordant ces deux formes de sociabilité, animale et cannibale, qui s’opposent à l’individualisme et à l’insociabilité qui semble marquer son époque. Mots-clés: Montaigne, Sociabilité, Animal, Cannibale

    Montaigne e a figura do canibal como método de discurso indireto: Montaigne and the figure of the cannibal as a method of indirect speech

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    In “On Cannibals” (I, 31), Montaigne reports the supposed meeting with a Brazilian cannibal and the conversation that would have taken place between them. However, several studies point out that the author probably had not been wholly honest when composing his portrait about the savages, and let alone when describing the conversation that he would have had with one of them. The cannibals’ characterization presented by the philosopher had been extracted from literary sources or from his own imagination, besides reproducing certain resources of Renaissance rhetorical traditions. Therefore, we intend to highlight how the rhetoric and literary devices being in the essay constitute a narrative that aims at to transmit indirectly and covertly the social and political thoughts of the author. Keywords: Rhetoric; fictional creation; Montaigne’s Essays; “On Cannibals”; Renaissance philosophy.Em “Dos canibais” (I, 31), Montaigne relata o suposto encontro com um canibal brasileiro e o diálogo que haveria ocorrido entre eles. No entanto, diversos estudos apontam que o autor provavelmente não fora totalmente sincero ao compor seu retrato acerca dos selvagens, e muito menos ao descrever o diálogo que teria tido com um deles. A caracterização apresentada pelo filósofo acerca dos canibais fora extraída de fontes literárias ou de sua própria imaginação, além de reproduzir certos recursos das tradições retóricas renascentistas. Assim, intentamos evidenciar como os artifícios retóricos e literários presentes no ensaio constituem uma narrativa que visa transmitir de forma indireta e dissimulada as reflexões sociais e políticas do autor. Palavras-chave: Retórica; criação ficcional; Ensaios de Montaigne; “Dos canibais”; filosofia renascentista

    critique of free time in Adorno

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    O presente artigo tem como objetivo analisar a conferência-ensaio Freizeit (tempo livre) de Theodor Adorno à luz das problemáticas sociológicas trazidas pelo processo de consolidação do capitalismo como formação social hegemônica nas décadas que se seguiram ao fim da Segunda Guerra. Pretende-se demonstrar as tensões dialéticas inscritas na constelação de conceitos que gravitam em torno da crítica do tempo livre, relacionando-as não só às preocupações teóricas mais amplas de Adorno, como também ao contexto específico em que a conferência-ensaio foi concebida.The present article aims to analyze the conference-essay Freizeit (free time) of Theodor Adorno in the light of sociological problems brought about by the consolidation process of capitalism as a hegemonic social formation in the decades following the end of World War II. The aim is to demonstrate the dialectical tensions inscribed in the constellation of concepts that gravitate around the critique of free time, relating them not only to Adorno's broader theoretical concerns, but also to the specific context in which the conference-essay was conceived

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