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Resenha do livro "Uma temporada com Montaigne", de Antoine Compagnon
Antoine Compagnon (Bruxelas, 1950) já havia deixado sua marca nabibliografia especializada sobre os Ensaios com dois livros (Nous, Michel deMontaigne, 1980; Chat en Poche. Montaigne et l’allégorie, 1993) e vários artigos.Seus trabalhos equilibram a meticulosidade do pesquisador, a vocação ensaística ea clareza do professor. Esta combinação reaparece nesse pequeno livro que tem omérito não negligenciável de se dirigir agora ao “leitor comum” sem reduzir nossoautor à condição de “guia de perplexos”, um sábio pacato que poderia nos ensinar“como viver”
O avanço tecnológico no pensamento ocidental: A noção de liberdade em The Age of Surveillance Capitalism: Resenha de The Age of Surveillance Capitalism, de Shoshana Zuboff
Resenha de The Age of Surveillance Capitalism, de Shoshana Zuboff (Nova York, Profile Books, 2019, 705 páginas)
Objetification and Alienation in Marx and Hegel
Trata-se de uma tradução de um artigo seminal de Chris Arthur. Este artigo busca demonstrar criticamente a avaliação que Marx faz do papel dos conceitos de alienação e estranhamento presentes na Fenomenologia do Espírito. Em seus Manuscritos de 1844, Marx critica Hegel por identificar ambos conceitos com aquilo que chama de 'objetivação'. Nesse sentido, Chris Arthur endossa a tese interpretativa de György Lukács - O Jovem Hegel - a respeito desses temas, mas dá um passo além e amplia o entendimento crítico dessa tese. No final, compara essa interpretação com a de outros estudiosos da relação Marx-Hegel como Herbert Marcuse, Ernest Mandel e Alexandre Kojève. O resultado final é o de que, em Marx, alienação e estranhamento são conceitos historicamente específicos do modo de produção capitalista.It is a translation of a seminal paper by Chris Arthur. Its objective is to demonstrate Marx's assessment of the role of concepts such as alienation and estrangement in the Phenomenology of Spirit. In his Manuscripts of 1844, Marx complains against Hegel since the latter identifies both concepts with what Marx calls 'objectification'. Arthur endorses the interpretative claim of György Lukács' The Young Hegel, but goes further and expands the critical purpose of Lukács' claim. Finally, Arthur compares his interpretation with other scholars on the relation between Marx and Hegel, like Marcuse, Mandel, and Kojève. The central outcome of Arthur's investigation is that for Marx both alienation and estrangement are specifically historical concepts of capitalism
Budismo, Vedismo e Hinduísmo: Raízes, Continuidade e Ruptura: Buddhism, Vedism and Hinduism: Roots, Continuity and Rupture
The eminent initiatory character of Buddhism leaves no doubt asto the fact that, in its origins, it flourished as one of the many other schools ofphilosophical-meditative inquiry into the deeper levels of secular and popularHinduism, dominated at the time by the Vedic matrices. Whether or not thenature of this in-depth investigation implies a break with Vedic tradition as awhole and, if so, whether this break implies the constitution of a distinct Buddhistreligiosity, is one of the central issues of this article. Finally, living up to an ancestralbrotherhood, we analyze the convergences between the traditions of MahāyānaBuddhism and Vedic Advaita Vedānta, as soteriological approaches that equallyreject metaphysical reifications and nihilistic (anti) reifications, affirm the worldand involve a deconstruction/ resignification of ātman (“I”).
Key-Words: Buddhism; hinduism; vedism; mahāyāna; vedānta.O carácter eminentemente iniciático do budismo não deixa dúvidas quanto aofato de que se trata, em sua genealogia, de uma escola de aprofundamento, entre tantasoutras, do hinduísmo laico e popular, dominado à época pelas matrizes védicas. Se anatureza desse aprofundamento implica ou não uma ruptura com a tradição védica comoum todo e, em caso afirmativo, se essa ruptura implica a constituição de uma religiosidadebudista distinta, é uma das questões centrais deste artigo. Finalmente, fazendo jus a umairmandade ancestral, analisamos as convergências entre tradições budista do Mahāyānae védica do Advaita Vedānta, enquanto encaminhamentos soteriológicos que rechaçamigualmente as reificações metafísicas e as (anti)-reificações niilistas, afirmam o mundo eenvolvem processos de desconstrução/ressignificação do ātman (“eu”).
Palavras-chave: Budismo; hinduísmo; vedismo; mahāyāna; vedānta
Mobilismo e relacionalismo no Des Cannibales de Montaigne: Mobilism and relationalism in Of Cannibals by Montaigne
The essay, as created by Montaigne, is a method capable of examiningand correcting itself. However, the French thinker avoids – for several reasons – tobring the discussion about the definition of his concepts to the forefront of his text.This is what we intend to do here from the analysis of fundamental notions forthe structuring and development of essayistic philosophy, which are linked in theEssays to the representation of the New World and the Renaissance Amerindianpeoples. Following this path, the present article aims at displaying the Montaigniancannibal’s image as an important element in the exposition and development offundamental notions for the essayistic philosophy, and conversely to show howthese notions inform and shape that image.
Keywords: Montaigne, Essays, CannibalO ensaio, tal como criado por Montaigne, é um método capaz de examinara si mesmo e se corrigir. No entanto, o pensador francês evita – por diversas razões– trazer a discussão acerca da definição de seus conceitos ao primeiro plano de seutexto. É o que se pretende fazer aqui a partir da análise de noções fundamentais para aestruturação e desenvolvimento da filosofia ensaística, as quais se encontram ligadasnos Ensaios à representação do Novo Mundo e dos povos ameríndios renascentistas.Desse modo, o presente artigo almeja indicar, tanto como a imagem montaignianado canibal é um elemento importante na exposição e desenvolvimento de ideiascentrais para a obra como um todo, quanto como tais ideias informam e enformamaquela imagem.
Palavras-chave: Montaigne, Ensaios, Caniba
“Dos Coxos” (III, 11) de Michel de Montaigne
O ensaio “Dos Coxos”, de Michel de Montaigne, foi selecionado após a constatação da necessidade de textos para o trabalho com epistemologia. Nesse texto, Montaigne destaca a emergência do ceticismo para combater a vaidade dogmática que colocava em risco a vida humana em decorrência da pretensa “caça às bruxas” feita pela Inquisição. “Para matar as pessoas é preciso uma clareza luminosa e limpa sobre seus atos; e nossa vida é demasiadamente real e essencial para servir de garantia a esses acontecimentos sobrenaturais e fantásticos”, disse o filósofo. Para acompanhar toda a argumentação do humanista, convidamos o leitor à leitura integral do texto
De Rousseau a Montaigne ou o itinerário da melancolia
No momento em que publicava Histoire de Lynx, Lévi-Strauss declarou que aí se tratava de sua última obra consagrada à mitologia americana e, igualmente, às questões especificamente etnológicas. O livro situa-se, então, nos arredores de La Potière jalouse com o título de suplemento à grande tetralogia lévi-straussiana que são as Mythologiques… Todavia, ironia das coisas, essa segunda e última parte aparece, à primeira vista, como que tomando o contra-pé do primeiro em cada um de seus registros comuns. No que concerne à revelação estrutural (o evidenciar de estruturas míticas que - recordemos aqui, se preciso - são objetos puramente abstratos, consequentemente, virtualmente incaptáveis), La Potière atrelava-se principalmente a uma só dentre elas, a ocorrência daquela que, à escala da América, remete à imagem de um mundo em camadas. Histoire de Lynx, contrariamente, interessa-se acima de tudo à mitologia de uma região restrita, a costa Noroeste e seu interior. Todo o argumento procede de um encaixe de estruturas míticas distintas cuja única mais englobante, que concerne à impossível gemeralidade, possui uma indiscutível dimensão pan-americana
Os sentidos do reconhecimento: Reforçando antigas certezas: Resenha de Anerkennung: Eine europäische Ideengeschichte, de Axel Honneth
Resenha de Anerkennung – Eine europäische Ideengeschischte, de Axel Honneth (Berlin: Suhrkamp, 2018, 238 páginas)
Atmosfera alegórica na filosofia de Walter Benjamin
This article seeks interpretation of the importance and use of imagery writing for Walter Benjamin´s philosophy (1892-1940). Therefore, we highlight the use of allegorical expressiveness within its repertoire and image archive. The assumptions for taking this investigation guided by the way, in which this philosophical attitude participates in the deconstruction of one of the solidified bases in the philosophical tradition: the logic of continuity. Thus, when using images and allegories, Benjamin seems to bequeath to us other possible directions for reflective thinking. This is because the allegories protect a rich example of images that provide breaks with the horizontal writing pertinent to that logical form questioned. Our script will go through an indication of the plan from witch allegories arise for Benjamin´s thought and finally, we collect from Benjamin´s work the foundations of allegorical thinking.Este artigo busca uma interpretação da importância e uso da forma da escrita para a filosofia de Walter Benjamin (1892-1940). Neste sentido, destacamos o recurso à expressividade alegórica dentro do seu repertório e arquivo de imagens. Os pressupostos para tomarmos esta investigação estão pautados pela forma como esta atitude filosófica participa da desconstrução de uma das bases solidificadas na tradição filosófica: a lógica monolítica da continuidade. Assim, ao utilizar de imagens e alegorias, Benjamin parece nos legar outros rumos possíveis para o pensamento reflexivo. Isto porque as alegorias resguardam um rico exemplar de imagens que proporcionam rupturas com a escrita horizontal pertinente àquela forma lógica a ser questionada. Nosso roteiro passará por uma indicação do plano de onde as alegorias surgem para o pensamento de Benjamin, seguido de uma apresentação dos fundamentos do pensamento alegórico na obra do autor