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"With Adorno, beyond Adorno": Jessica Benjamin's intersubjectivity in the critical analysis of contemporary authoritarianism
Although several scholars have recently pointed out that the first publications of critical theory offer invaluable resources for understanding the current global authoritarian context, this theoretical production also carries significant impasses. The main ones are related to the patriarchal implications of the model; the nostalgia of the liberal bourgeois individual and the liberal bourgeois family; and the limited belief in the possibility of getting out of the paradoxes of reason. In short, for the first generation of the Frankfurt School, the struggle against authoritarianism would be possible only through its prior individual internalization. The recognition of these problems has led several contemporary theorists to avoid the Freudian orthodox model, seeking other psychoanalytical references to support an alternative critical analysis. However, one of the most important voices in criticizing the first generation's impasses, that of psychoanalyst Jessica Benjamin, is not usually considered as a whole to positively support an alternative model. Suspecting that this is due to her excessive hope in the possibility of harmonization between subject and object, or due to the author's mild consideration about human aggressiveness, we argue that these aspects have been softened throughout her production, finding the closest proximity to Freudian negativity in her late understanding about the fantasy that “only one can live”. Thus, her theory presents an interesting resource for updating critical theory in the current context, maintaining the depth of the Frankfurtian diagnosis, but also going beyond certain theoretical impasses.Embora diversos intelectuais tenham recentemente apontado que as primeiras publicações da teoria crítica oferecem recursos inestimáveis para a compreensão do atual contexto global autoritário, essa produção teórica também carrega impasses significativos. Os principais deles estão relacionados às implicações patriarcais do modelo; à nostalgia da família e do indivíduo liberais burgueses; e à crença limitada na possibilidade de saída dos paradoxos da razão. Em resumo, para os frankfurtianos da primeira geração, o combate ao autoritarismo seria possível somente pela sua internalização individual em primeiro lugar. O reconhecimento desses problemas tem levado diversos teóricos contemporâneos a evitar o modelo ortodoxo freudiano, buscando outras referências psicanalíticas para fundamentar uma análise crítica alternativa. Contudo, uma das vozes mais importantes na crítica aos impasses da primeira geração, a da psicanalista Jessica Benjamin, não costuma ser considerada em seu conjunto para fundamentar positivamente um modelo alternativo. Suspeitando que isso se deva a sua excessiva esperança na possibilidade de harmonização entre sujeito e objeto, ou na consideração branda da autora sobre a agressividade humana, argumentamos que esses aspectos foram suavizados ao longo de sua produção, encontrando a maior proximidade à negatividade freudiana na compreensão tardia acerca da fantasia de que “apenas um pode viver”. Assim, sua teoria apresenta um recurso interessante para a atualização da teoria crítica no contexto atual, mantendo a profundidade do diagnóstico frankfurtiano, mas também indo além de certos impasses teóricos
Anarcodaoísmo: Entre a Anarquia e o 道Dào: Anarchodaoism: Between the Anarchy and the 道Dào
This article proposes to bring Daoism, a Chinese philosophical and religious tradition that dates back more than two thousand years, to anarchism. To achieve this end, at first, a comparative analysis of the basic concepts present in the two systems of thought will be carried out, where some ideas and attitudes will be demonstrated that are shared, to a greater or lesser degree, by both. Then, excerpts from the two classic books of Daoism will be used, namely the 道德經 Dào Dé Jīng by 老子 Lǎozǐ and the 南華經 Nán Huá Jīng by 莊子 Zhuāngzǐ, to point out and exemplify these common concepts, starting from the assumption that Anarchist thoughts were built throughout history, having emerged long before the establishment of anarchism as a socio-political movement, at the end of the 19th century.
Keywords: Daoism; Chinese anarchism; Dao De Jing; Nan Hua JingO presente artigo tem como proposta aproximar o daoísmo, tradição filosófica e religiosa chinesa que data de mais de dois mil anos, ao anarquismo. Para se atingir este fim, em um primeiro momento, será feita uma análise comparativa de conceitos base presentes nos dois sistemas de pensamento, onde procurar-se-á demonstrar algumas ideias e atitudes que são compartilhadas, em maior ou menor grau, por ambos. Em seguida, trechos dos dois livros clássicos do daoísmo serão utilizados, nomeadamente o 道德經 Dào Dé Jīng de 老子 Lǎozǐ e o 南華經 Nán Huá Jīng de 莊子 Zhuāngzǐ, para apontar e exemplificar estes conceitos em comum, partindo do pre-suposto de que os pensamentos anarquistas foram construídos ao longo da história, tendo surgido muito antes do estabelecimento do anarquismo como movimento político-social, no final do séc. XIX.
Palavras-chave: Daoísmo; anarquismo chinês; Dao De Jing; Nan Hua Jin
A ética do habitar finito: The ethics of finite dwell
In this article we attempt to think of the ethics of finite dwell in the context of the serious environmental problems that affect the planet. The proposal is: if we accept the thesis according to which the ethics of duty and responsibility are insufficient in the face of current problems, on one hand, and accept the defunding of ethics as a starting point, on the other hand, the possibility opens up for ethics of finite dwelling which, in turn, presupposes a negative moral experience. To this end, first, we present the concept of dwell by Martin Heidegger and, secondly, the concept of negative moral experience by Humberto Giannini. In this relationship, we develop a second-degree reflection, that is, an ethics of finite dwell. The finitude and essential mortality of man and the earth thought of in its radical nature open up possibilities of meaning to generate a new way of inhabiting the planet.
Keywords: Ethics; Dwell; Martin Heidegger; Humberto Giannini; MortalityNeste artigo tentou-se pensar uma ética do habitar finito no contexto dos graves problemas ambientais que afetam o planeta. A proposta é: se aceitamos a tese segundo a qual as éticas do dever e da responsabilidade são insuficientes frente aos problemas atuais, por um lado, e aceitamos a desfundamentação da ética como ponto de partida, por outro, se abre a possibilidade para uma ética do habitar finito que, por sua vez, pressupõe uma experiência moral negativa. Para esse fim, primeiro apresentamos o conceito de habitar em Martin Heidegger e, em segundo lugar, o conceito de experiência moral negativa de Humberto Giannini, nessa relação, desenvolveu-se uma reflexão de segundo grau, ou seja, uma ética do habitar finito. A finitude e a mortalidade essencial do homem e da terra, pensadas na sua radicalidade, se abrem como possibilidades de sentido para gerar uma nova forma de habitar o planeta.
Palavras-Chave: Ética; habitar; Martin Heidegger; Humberto Giannini; mortalidad
Sem margens, nem moldura: imaginando a escrita impetuosa de Lila, da tetralogia napolitana de Elena Ferrante
Este artigo pretende imaginar a escrita impetuosa da personagem Lila, da tetralogia napolitana da italiana Elena Ferrante. Caracterizada assim pela autora, que a menciona em diversos momentos, mas não a realiza, uma vez que nunca se propôs a ficcionalizar os escritos idealizados dessa personagem. Fruto do diálogo entre dois projetos de pesquisa, de duas amigas, buscamos refletir sobre as dinâmicas de escrita e leitura, tanto na tetralogia quanto nos ensaios de Ferrante, a partir da ideia de mesa de trabalho, do historiador francês Didi-Huberman. Sendo assim, além de dissertar sobre o tema, esse texto também é um ensaio, a exposição de um work in progress; não apenas uma mesa posta, mas sua montagem
A Doutrina do Mel, a condição comunicacional e a verdade: Sobre a requalificação clínica da capacidade de julgar: The Honey Doctrine, communicational condition and truth: on the clinical requalification of one’s capacity to judge
O artigo trata da íntima relação entre alguns dos princípios fundamentais da filosofia indiana, da qual minha obra é altamente tributária, e o que venho desenvolvendo ao longo dos anos sob a denominação de Terceira Estrutura da Verdade: uma abordagem não-metafísica e não-pós-moderna da condição comunicacional do ser humano, que envolve uma predisposição mental para a segurança e proteção, em um movimento incessante de originação co-dependente e solidária e, portanto, de cooperação nãodual entre todos os entes. Nesse contexto, o artigo sustenta a emancipação psicopolítica de psiquismos e de redes de psiquismos, as instituições, o que depende, em última instância, da requalificação terapêutica da capacidade de julgar. Aqui, entro em diálogo com a abordagem de Dilip Loundo da filosofia indiana dos Upaniṣads, apresentada em seu livro Razão com sabor de mel: ensaios de filosofia indiana (Loundo, 2022). Segundo Loundo, enquanto a razão filosófica ocidental moderna é basicamente de caráter instaurativo –isto é, visa produzir um discurso positivo sobre a Realidade, do que ela é ou deveria ser, o que impõe àqueles que assim pensam as aflições mentais de supostamente ter nascido e morrer sem âncora– a razão filosófica indiana dos Upaniṣads é dotada de “sabor de mel” (madhu), ou seja, é basicamente de caráter esclarecedor, instruindo sobre o que a realidade não é, e aproximando-se, consequente e notavelmente, das filosofias pré-socráticas, especialmente da “escuta” amorosa de Heráclito em relação à Verdade (aletheia) -a Verdade como Realidade; e das filosofias dos principais representantes da Escola de Kyoto. Em síntese, a própria essência dos Upaniṣads poderia ser descrita como madhu-vidyā, a “doutrina do mel” (Bṛhadāraṇyaka Upaniṣad).
Palavras-chave: Madhu; Condição comunicacional; Verdade; Escola de Kyoto; Teoria PsicopolíticaThe article deals with the intimate relationship between some of the fundamental tenets of Indian philosophy, of which my work is highly tributary, and what I´ve been developing over the years under the denomination of Third Structure of Truth: a non-metaphysical and non-postmodern approach to the communicational condition of human being, which involves a mental predisposition towards security and protection, in an unremitting movement of co-dependent origination and solidarity, and thus non-dual co-operation among all entities. In this context, the article argues in favour of a psychopolitical emancipation of psyches and networks of psyches and institutions, that ultimately depends on the therapeutic requalification of one’s capacity to judge. Here, I enter into a dialogue with Dilip Loundo’s approach to the Indian philosophy of the Upaniṣads, as presented in his book Reason with Honey Flavour: Essays on Indian Philosophy (Loundo, 2022). According to Loundo, while modern western philosophical reasoning is basically of an instaurative character – i.e., it aims at producing a positive discourse about Reality, of what it is or should be, that imposes on those who think likewise the mental afflictions of supposedly being born and dying anchorless – the Indian philosophical reasoning of the Upaniṣads is endowed with “honey flavour” (madhu), i.e., it’s basically of a clarifying character, instructing one on what reality is not, and coming, as a consequence, remarkable closer to pre-Socratic philosophies, especially Heraclitus’s amorous “listening” to the Truth (aletheia), the Truth as Reality; and the philosophies of the main representatives of the Kyoto School. In synthesis, the very essence of the Upaniṣads could be described as madhu-vidyā, the “honey doctrine” (Bṛhadāraṇyaka Upaniṣad).
Key-words: Madhu; Communicational condition; Truth; Kyoto School; Psychopolitical Theor
A ética ancestral na filosofia de Ailton Krenak: The ancestral ethics in Ailton Krenak’s philosophy
This article aims to present a concept of ethics in Ailton Krenak’s philosophy. I think this ethics in the writings of this philosopher in the paradoxical perspective of an ancestral ethics. I start from your thinking that invites us to rethink the concept of western humanity and their lifestyles. It is perceived that his ethics search in the past to update the ancestral ways of life of the original peoples that still exist and resist in the Americas and in the world. What I call ancestral ethics in Ailton Krenak is his proposal of thought and action based on his criticism of Western values in which merchandise is worth more than life. In exposing this ethics, we seek to present the power of Krenak’s thought and its consequences in the construction of a better world.
Keywords: Ancestral ethics; Nature; Indigenous philosophy.Este artigo objetiva apresentar uma concepção de ética na filosofia de Ailton Krenak. Penso essa ética nos escritos desse filósofo na perspectiva paradoxal de uma ética ancestral. Parto de seu pensamento que nos intima a repensar o conceito de humanidade ocidental e seus modos de vida. Percebe-se que sua ética busca no passado atualizar as formas de vidas ancestrais dos povos originários que ainda existem e resistem nas Américas e no mundo. O que chamo de ética ancestral em Ailton Krenak é sua proposta de pensamento e ação a partir de sua crítica aos valores ocidentais, em que a mercadoria vale mais que a vida. Na exposição dessa ética, busca-se apresentar a potência do pensamento de Krenak e suas consequências na construção de um mundo melhor.
Palavras-chave: Ética ancestral; Natureza; Filosofia indígena
As dinâmicas do tráfico interno sob a perspectiva das companhias mercadoras de escravizados: o caso de Juiz de Fora (MG) durante a segunda metade do século XIX
Este artigo investiga a atuação das companhias mercadoras de escravizados na segunda metade do Oitocentos. Para tal designo, nos atentamos ao contexto do comércio interno no município de Juiz de Fora e suas conexões, entre os anos de 1862 a 1888. Com o objetivo de compreender o papel assumido e as estratégias usadas pelos agentes a frente das companhias, utilizamos, primordialmente, os Livros de Escrituras públicas de compra e venda de escravos de Juiz de Fora, a documentação mais completa para análise deste tipo de comércio. Buscamos, também, compreender como esses homens movimentaram o comércio de escravos na cidade, além de identificar o perfil dos escravizados comercializados
Prelúdios nas Histórias da Arte: amplitudes conceituais e novas descobertas na arte paleolítica
Objetiva-se realizar uma breve exposição através do estudo da Arte Paleolítica acerca das questões, desenvolvimentos e transformações mais recentes no campo disciplinar da História da Arte. Sobretudo a partir da descoberta de novos sítios arqueológicos que evidenciam a difusão de exemplares e novas teorias no que concerne a evolução do humano simbólico e cognitivo