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Sofrimento estudantil na universidade: interlocução entre psicanálise, neoliberalismo e colonialidade: Student suffering in the university: dialogue between psychoanalysis, neoliberalism and coloniality
This article examines university’s discontents at the intersection of psychoanalysis, neoliberalism, and the coloniality of knowledge, based on the account of a student from a public university. The research, conducted through listening groups, allows for an understanding of suffering not merely as an individual experience but as a social symptom. It discusses how the neoliberal logic of productivity and individual accountability, intertwined with Eurocentric epistemic hierarchies, generates anxiety, guilt, and helplessness. Psychoanalytic listening reveals the effects of these structural contradictions, showing that performance pressures and the medicalization of suffering reinforce individualization and conceal social and racial determinants, while simultaneously fostering the creation of collective spaces for resistance and emancipation.
Key-words: University; Psychoanalysis; Social Symptom; Neoliberalism; Coloniality.Este artigo analisa o mal-estar universitário a partir da interseção entre psicanálise, neoliberalismo e colonialidade do saber, com base no relato de um estudante de uma universidade pública. A pesquisa, realizada por meio de grupos de escuta, permite compreender o sofrimento não apenas como experiência individual, mas como sintoma social. Discute-se como a lógica neoliberal de produtividade e responsabilização individual, articulada a hierarquias epistêmicas eurocêntricas, produz angústia, culpa e desamparo. A escuta psicanalítica evidencia os efeitos dessas contradições estruturais, mostrando que as pressões por desempenho e a medicalização do sofrimento reforçam a individualização e ocultam determinantes sociais e raciais, ao mesmo tempo em que favorecem a criação de espaços coletivos de resistência e emancipação.
Palavras-chave: Universidade; Psicanálise; Sintoma Social; Neoliberalismo; Colonialidade
A verdade em Lacan: uma leitura de “A carta roubada”: Truth in Lacan: a reading of “The purloined letter”
This article proposes a reading of Jacques Lacan’s text “Seminar on ‘The Purloined Letter’” (Le séminaire sur “La lettre volée”, 1956) in light of the problem of truth. The aim is to examine how, in this inaugural text of the Écrits, truth is articulated to the structure of the signifier, the position of the subject, and the logic of deception, establishing a decisive shift from the classical conception of truth as correspondence. By demonstrating that truth emerges only as an effect of language, Lacan establishes a new regime of thought within psychoanalysis, in which knowledge is crossed by lack and the subject is constituted in relation to the symbolic Other.
Keywords: Truth; Subject; Signifier; Psychoanalysis; Jacques Lacan.O presente artigo propõe uma leitura do texto “Seminário sobre a carta roubada” (Le séminaire sur “La lettre volée”, 1956), de Jacques Lacan, à luz da problemática da verdade. Trata-se de examinar como, nesse texto inaugural dos Escritos, a verdade se articula à estrutura do significante, à posição do sujeito e à lógica do engano, constituindo um deslocamento decisivo em relação à concepção clássica de verdade como correspondência. Ao demonstrar que a verdade emerge apenas como efeito de linguagem, Lacan funda um novo regime de pensamento no campo da psicanálise, no qual o saber é atravessado pela falta e o sujeito se constitui na relação com o Outro simbólico.
Palavras‑chave: Verdade; Sujeito; Significante; Psicanálise; Jacques Lacan
Psicanálise na Ditadura (1964-1985): História, Clínica e Política
A história da psicanálise no Brasil é marcada por uma trajetória complexa e multifacetada, mas poucos períodos são tão cruciais e reveladores quanto os anos da ditadura civil-militar (1964-1985). Em um contexto de repressão política, censura e violência de Estado, o campo “psi” não apenas sobreviveu, mas também se expandiu de maneira notável. No entanto, essa expansão não foi isenta de ambiguidades e contradições. Como a psicanálise, um campo de saber dedicado à escuta do sujeito e à exploração do inconsciente, navegou em um cenário que buscava silenciar a dissidência e impor uma ordem autoritária? Quais foram as estratégias de sobrevivência, acomodação e resistência adotadas por psicanalistas e instituições? É para responder a essas e outras perguntas que a obra de Rafael Alves Lima, “Psicanálise na Ditadura (1964-1985): História, Clínica e Política”, se torna uma leitura indispensável. O livro de Lima se insere em um movimento crescente de revisão crítica da história da psicanálise, que busca ir além das narrativas hagiográficas e das genealogias institucionais. Ao colocar o arquivo no centro de sua investigação, o autor nos oferece uma perspectiva renovada e rigorosamente fundamentada sobre as relações entre a psicanálise, a política e a sociedade brasileira. A obra não se limita a denunciar as cumplicidades ou a celebrar as resistências, mas se propõe a compreender as nuances e as complexidades de um campo em constante tensão. Nesse sentido, o livro é um convite a um trabalho de memória coletiva, um exercício de reflexão sobre o papel da psicanálise em um dos períodos mais sombrios da nossa história
O Monstro por meio dos impressos efêmeros: o que a representação desses seres tem a dizer na Inglaterra do século XVII?
Os materiais oriundos da imprensa instigaram e ainda instigam uma expressiva atenção no que diz respeito aos estudos históricos. A partir desse repertório de fontes, o presente artigo se debruça sobre os textos de caráter efêmero que foram publicados na Inglaterra do século XVII. Por meio deles, almeja-se traçar em que medida tais produções permitiam um espaço para se ponderar sobre a cultura, a política, a religião e a sociedade inglesa da Primeira Modernidade. Ancorando-se nos trabalhos de Roger Chartier (1991; 2011) acerca das representações, busca-se entender como a circulação de textos, imbuídas de suas particularidades de construção e leitura, fomentou um dado repertório acerca dos monstros, alocando-os como seres inseridos dentro de um esquema representacional coletivo, capazes de exteriorizar críticas, anseios e crenças daquela época
Greve geral de 1917: consolidação e construção do movimento operário dentro da cidade de São Paulo – através do prisma do jornal A Plebe
O presente artigo tem por finalidade a análise e compreensão da forma como o processo da Greve Geral de 1917 foi abordado nas páginas de um dos principais jornais anarquistas do período, A Plebe. O movimento grevista dentro da cidade de São Paulo promoveu o fortalecimento do operariado enquanto grupo sindical, principalmente na luta por direitos e melhorias sociais. Entretanto, a luta sindical apresentou também a preocupação pelo ensino de seus pensamentos e diretrizes. Por fim, o artigo tem o objetivo de compreender o papel do jornal perante os fatos que aconteciam na cidade, dentro do recorte temporal de 1917, e, como essas informações foram apresentadas aos leitores
Disputas comunicacionais: imprensa e conflitos políticos no governo de Salvador Allende
O movimento contrarrevolucionário chileno, que destituiu o governo da Unidade Popular (UP) em seus mil dias e instaurou a ditadura militar pinochetista neoliberal, se tornou um dos grandes símbolos do Terrorismo de Estado na América Latina. Tendo isso em vista, a historiografia produzida sobre esse período é muito conflituosa e possui muitos embates, levando a diferentes correntes de análises e interpretações
Entre a autonomia e o alinhamento: o trabalhismo e o PTB nas páginas do Ultima Hora (1951-1954)
O presente artigo examina como o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e o trabalhismo foram representados pelo jornal carioca "Ultima Hora" entre 1951 e 1954 (durante o segundo governo Vargas). O objetivo é questionar a premissa de que o periódico servia como um mero instrumento de reprodução dos discursos getulistas. Para isso, utilizou-se a Análise de Conteúdo como metodologia, observando ocorrências de estratégias específicas na construção das representações sociais sobre o partido e a doutrina. Ao final do artigo, conclui-se que o jornal apresentava uma autonomia relativa em relação aos elementos analisados
"O crime ensanguenta o papel": os faits divers e as narrativas criminais na Belle Époque
Na obra “A tinta e o sangue: narrativas sobre crimes e sociedade na Belle Époque” (que teve sua primeira edição publicada no Brasil no ano de 2019, por meio da editora Unesp, ligada à Universidade Estadual Paulista), Dominique Kalifa, historiador francês e importante pensador da história social, se debruça sobre a atuação da mídia impressa parisiense no recorte que ficou conhecido como Belle Époque. A obra, produto da tese doutoral de 1994 de Dominique Kalifa, discute e aprofunda a historicidade dos faits divers e as possibilidades de uso destes como objeto de reflexão a análise histórica, reforçando a voltagem do olhar científico histórico para a história do cotidiano
Apresentação
Este dossiê reúne um conjunto plural de reflexões críticas em resposta ao artigo de Marco Aurélio Werle, intitulado A especificidade da filosofia ocidental europeia diante da filosofia oriental ou africana, no qual se sustenta que apenas a tradição ocidental europeia teria desenvolvido uma filosofia em sentido pleno. Essa tese, ao postular como critério definidor a inserção numa história crítica e conceitual contínua — conforme o modelo da Wirkungsgeschichte hegeliano-gadameriana —, termina por excluir de forma sistemática as expressões filosóficas de outros contextos culturais e históricos. O dossiê parte da premissa de que essa visão não apenas reduz a filosofia a um cânone autolegitimador, mas também reproduz uma lógica colonial de exclusão epistêmica, ao desautorizar como filosóficos os pensamentos que emergem fora dos moldes e tradições europeias.As contribuições aqui reunidas propõem, em contraposição, uma ampliação crítica da noção de filosofia, que reconheça sua historicidade múltipla, seus modos diversos de constituição e suas articulações possíveis com tradições religiosas, espirituais, poéticas e práticas. Recusando a oposição simplista entre universalidade e particularismo, os textos demonstram que o pensamento sistemático, o rigor conceitual e a crítica reflexiva não são prerrogativas de um único espaço-tempo, mas aparecem sob formas variadas em diferentes culturas e cosmovisões. Em lugar de uma identidade filosófica fixa e normativa, propõe-se pensar a filosofia como campo em disputa, permeado por múltiplas racionalidades e vocações críticas, sempre situado e, ao mesmo tempo, potencialmente universalizante
A rãzinha do poço e o debate sobre a filosofia na China: The frog in the well and the debate on philosophy in China
A recurring debate in contemporary times discusses whether there is Philosophy outside the Western Eurocentric world. Despite numerous historical and epistemological considerations that demonstrate the contrary, several authors insist on the philosophical absence of other civilizations, revealing that racism, xenophobia and prejudice still dominate many studies on history and philosophical theories. In our brief article, we want to offer the views of some Chinese authors on the issue.
Keywords: Chinese Philosophies; Epistemology; Intercultural Philosophy; Sinology.Um debate reincidente na contemporaneidade discute se há Filosofia fora do mundo eurocêntrico ocidental. Apesar das inúmeras considerações históricas e epistemológicas que demonstram o contrário, vários autores insistem na ausência filosófica de outras civilizações, revelando que o racismo, a xenofobia e o preconceito ainda dominam muitos estudos sobre a história e as teorias filosóficas. Em nosso breve artigo, queremos oferecer as visões de alguns autores chineses sobre a questão.
Palavras-chave: Filosofias Chinesas; Epistemologia; Filosofia Intercultural; Sinologia