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Growing presence of the IEM at the International Congress on Medieval Studies (Kalamazoo, Michigan)
The International Congress on Medieval Studies, which takes place every year at the Western Michigan University (Kalamazoo, MI, USA), is hosted by the Medieval Institute and brings together around 3,000 researchers and experts in Medieval Studies. This is by far the oldest annual scientific meeting devoted to the study of the Middle Ages and, along with the International Medieval Congress of the University of Leeds (UK) and the International Medieval Meeting of the University of Lleida (Spain), a worldwide reference for any scholar, research center, academic institution or publishing house with any kind of relationship or interest on medieval studies. The 53th edition of this conference took place on May 10-13, 2018 and reached the number of 552 sessions and 232 sponsoring organizations
Staging deaths: King Sverre or a usurper’s path to the throne
The present study explores how the Norwegian usurper, King Sverre (1184-1202) exploited three princely burials to overthrow the ruling king and establish his dynasty. Both in 1179 and 1184, King Sverre took full advantage of his military victories to gain popular support for his claims to the throne, in transforming the burial of his most prominent enemies felt on the battlefield into a rostrum for his political propaganda, through speeches and ritual staging. Sverre’s own agony and funerals were also meticulously staged in order to defend his rule from accusations of excommunication and pave the way for his succession. The study provides insights on the challenges met by a usurper on his way to royal power and, in particular, on the concomitant relationship between military combat and the work of political persuasion.O presente estudo explora o modo como o usurpador norueguês, o rei Sverre (1184-1202), fez uso do enterro de três príncipes para provocar a queda do monarca reinante e estabelecer a sua dinastia. Em 1179 e 1184 o rei Sverre aproveitou as suas vitórias militares para conquistar o apoio popular às suas pretensões ao trono, transformando o funeral dos seus mais destacados inimigos, mortos nos campos de batalha, no palco da sua propaganda política, através de discursos e de encenações rituais. A própria agonia de Sverre, bem como os seus funerais, foram meticulosamente encenados com o objetivo de alinhar a sua sucessão e defender os seus direitos perante as acusações de excomunhão. Este estudo analisa os desafios enfrentados por um usurpador no seu caminho ao poder régio e, em particular, a coexistência do combate militar com o esforço de persuasão política
O complexo religioso e os batistérios de Mértola na Antiguidade Tardia
The theme of the present work is part of an archaeological research that I have been developing since 1990 in Mértola’s Archaeological Centre. The results are the outcome of several archaeological excavation I have carried out as co-responsible, integrated into the institution’s team, and that has greatly contributed, on a continuous basis, to the knowledge of the material culture and historical topography of the city of Myrtilis city and its territory in Late Antiquity.O presente trabalho inscreve-se numa linha de investigação arqueológica que tenho vindo a desenvolver, desde 1990, no Campo Arqueológico de Mértola. Os resultados são fruto de diversas campanhas de escavação que tenho levado a cabo como corresponsável, integrado na equipa da instituição e que, de uma forma ininterrupta, em muito têm contribuído para o conhecimento da cultura material e da topografia histórica da cidade de Myrtilis e do seu território na Antiguidade Tardia
MONGELLI, Lênia Márcia; FERNANDES, Raúl Cérsar G.; MAUÉS, Fernando (Eds.) – Francisco de Moraes, Palmeirim de Inglaterra. São Paulo: Ateliê Editorial / Unicamp, 2016 (744 pp.)
Os editores da obra, inédita no Brasil, Palmeirim de Inglaterra informam que custaram-lhes onze anos para a edição definitiva desta novela de cavalaria portuguesa, pertencente ao “ciclo dos Palmeirins” – expressão que designa uma série de novelas que tem origem em Espanha com o primeiro do ciclo, Palmeirín de Oliva, de 1511, provavelmente de Francisco Vásquez, de Salamanca. Deste nasceram outras seis continuações, três delas portuguesas, as outras espanholas. O Palmeirim recentemente editado é da autoria de Francisco de Moraes e aparece pela primeira vez em 1547. Diferente das novelas de cavalaria primevas, que tinham uma forte conotação religiosa e eram permeadas por ensinamentos cristãos implícitos no enredo das histórias, refletindo o culto à vida espiritual, a busca pela perfeição moral, e a valorização de qualidades morais, as novelas quinhentistas, à parte algumas influências em itens como a honra, bravura, castidade, lealdade, generosidade e justiça, que prevalecem, primam pelo teor profano. Isso, é claro, não impede que os textos sejam permeados por uma certa religiosidade, mas muito mais contida – haja vista essas novelas surgirem na ascensão das ideias renascentistas do século XVI
Modelos: entre teoria e adequação
The notion of model, like that of symbol, is generic enough: "from a naked blonde to a quadratic equation" (N. Goodman). We will see that there is a proliferation of meanings of the term model, not as original but as abstract and hypothetical construct that proliferate both in the exact sciences and in the human sciences.La nozione di modello, come quella di simbolo, è generica quanto vasta: “from a naked blonde to a quadratic equation” (N. Goodman). Le accezioni di modello, non come originale ma come costrutto astratto ed ipotetico -rigidamente definite in logica - proliferano nelle scienze esatte (v. la doppia elica del DNA o l’atomo di Bohr, ecc.) e in quelle dell’uomo.A noção de modelo, como a de símbolo, é genérica quanto basta: “from a naked blonde to a quadratic equation” (N. Goodman). Há uma proliferação de acepções do termo modelo, não como original mas como constructo abstracto e hipotético que proliferam tanto nas ciências exactas como nas ciências humanas, como veremos
O Fim da Natureza: Paradoxos e Incertezas na Era e o Antropoceno e do Geo-Construtivismo
A disconcerting paradox haunts the present situation of Man on Earth: the moment when it is perceived that human action on the planet has become its main force of artificial constitution and opened a new geological epoch - the Anthropocene - it is also the moment when one realizes that - although our anthropocentric position in the control of the planet seems strengthened to us - is faced with a circumstance of an extreme ecological precariousness of the world.
Not only are the conditions of sustainability of the natural environment concerned, but also a rethinking of the concept of nature, which has been predicted to an early end. On the one hand, we declare the end of nature because, as if losing its own causality, it will no longer be the background, the surrounding and autonomous environment against which we carry out our activity as humans. On the other hand, the end of nature means entering into a historical phase in which, as if the modernization process was complete, a second nature can be established, a hybrid, humanized, artificial nature. Faced with the alarm of the planet's collapse, a geo-constructivist mythology answers: the Earth as a new post-natural planet that can be reconstructed and piloted through the potentials of an absolute engineering.
In sum, the invoked end of nature does not mean its disappearance, but the awareness that in the geological age of the Anthropocene, nature, in a sort of a vicious cycle, can no longer be seen without be in collapsing and/or be in reconstituting.
By reducing the planetary phenomenon to an urban scale, the movement of smart cities exemplifies the ambivalent crisis. As a complex of solutions optimized for the management of natural resources or for reducing the pollution effects, the new ecological cities are proposed as the main stronghold to reverse the tendency of natural degradation of the Earth. At the same time - and especially if we take into account urban complexes built from scratch, such as Songdo (South Korea), Dongtan (China) or Masdar (Abu Dhabi) - smart cities reflect the realization of fully computerized, interconnected environments and synthetically controlled, from transit to vegetation or meteorology. Regimented by ubiquitous technical planning, smart cities are spaces of isolation and limits that de-naturalize relationships, perpetuating and intensifying the modern scientific project that, since Galileo or Descartes, proposed to rationalize, dominate and possess nature. Um desconcertante paradoxo assombra a situação actual do Homem na Terra: o momento em que se percebe que a acção humana sobre o planeta e sobre os seus ecossistemas se transformou na sua principal força de constituição – artificial – e inaugurou uma nova época geológica – o Antropoceno – é também o momento em que se percebe que – apesar de nos parecer reforçada a nossa posição antropocêntrica no controlo do planeta – se está perante uma circunstância de extrema precariedade ecológica do mundo.
Em causa estão não apenas as condições de sustentabilidade do meio natural, como também um repensar do conceito de natureza, a qual, ora eufórica ora tragicamente, tem sido vaticinada a um fim precoce. Por um lado, declara-se o fim da natureza porque, como que perdendo a sua causalidade própria, terá deixado de ser o plano de fundo, o meio envolvente e autónomo contra o qual exercemos a nossa actividade enquanto humanos. Por outro, o fim da natureza significa a entrada numa fase histórica em que, como se o processo de modernização estivesse completo, se pode instaurar uma segunda natureza, uma natureza híbrida, humanizada, artificializada. Perante o alarme da falência do planeta, responde uma mitologia geo-construtivista: a Terra como um novo planeta pós-natural que pode ser reconstruído e pilotado através dos potenciais de uma engenharia absoluta.
Em suma, o invocado fim da natureza não significa o seu desaparecimento, mas a consciência de que na era geológica do Antropoceno, a natureza, numa espécie de ciclo vicioso, não pode mais ser vista sem que seja em colapso e/ou em reconstituição.
Reduzindo à escala urbana o fenómeno planetário, o movimento das cidades inteligentes exemplifica crise ambivalente. Enquanto complexos de soluções optimizadas para a gestão dos recursos naturais ou para a redução dos efeitos de poluição, as novas cidades ecológicas propõem-se como o principal reduto para inverter a tendência de degradação natural da Terra. Ao mesmo tempo – e sobretudo se tivermos em conta os complexos urbanos construídos de raiz, como Songdo (Coreia do Sul), Dongtan (China) ou Masdar (Abu Dhabi) – as cidades inteligentes reflectem por excelência a concretização de ambientes totalmente computarizados, interligados e sinteticamente controlados, do trânsito à vegetação ou à meteorologia. Regidos por um planeamento técnico ubíquo, são espaços de isolamento e de limites que des-naturalizam as relações, perpetuando e intensificando o projecto moderno científico que, desde Galileu ou Descartes, propunha racionalizar, dominar e possuir a natureza. 
Weiss e Géricault: A história como parte da memória ativa para servir o futuro
The castaways of the royal frigate Medusa and the testimonies of Auschwitz converge in an "aesthetics of resistance". They propose a sort of trial of history, by exposing the forces behind it, or reinstating events that the official hegemony wanted to forget. The reality, whatever the obscurity in which it masks itself, can be explained in minute detail, argues Weiss, while the "repellent pile of corpses" celebrated Géricault but “flattered neither Crown nor cloth, represented an affront to authority, a denial of official piety and popular taste, and did nothing to contribute to the nation’s honour" (Hagen 2003, 375).In the painting-document – the fall of Napoleon Bonaparte reinstalled the Bourbon dynasty, in the figure of Louis XVIII - and the theater-document – the "unhappy aberration" in the political discourse on the Holocaust began to be investigated in Germany more of a decade after the end of World War II - “throb a sense of discovery, of searching for and attempting to fix a meaning, and of elusiveness of meaning and truth: a sense of journey rather than of arrival” (Favorini 2008, 79).Géricault's visual precision and historical obsession, and Weiss's non-fictional political theater, are a perpetual challenge to individual conscience and collective citizenship.Os náufragos do Medusa e os testemunhos de Auschwitz convergem numa “estética da resistência”. Propõem uma espécie de julgamento da História, iluminando as forças que a impelem, ou recuperando acontecimentos que a hegemonia oficial quis esquecer. A realidade, por mais mascarada, pode ser explicada ao mínimo pormenor, escreve Weiss, enquanto a “pilha repelente de corpos” celebriza Géricault, apesar da “afronta à autoridade, a negação da piedade oficial e do gosto popular, e em nada contribuir para o orgulho pátrio” (Hagen 2003, 375). Na pintura-documento – a queda de Napoleão Bonaparte reinstalou no poder a dinastia dos Bourbons, na pessoa de Luis XVIII – e no teatro-documento – a “aberração infeliz”, no discurso político sobre o Holocausto, começou a ser investigada na Alemanha mais de uma década após o final da II Guerra Mundial – pulsa “um senso de descoberta, a procura de uma explicação, e a natureza elusiva do significado e da verdade: muito mais a ideia de um caminho a percorrer do que a de um ponto de chegada” (Favorini 2008, 79). A precisão visual e obsessão histórica de Géricault e o teatro político, não-ficcional, de Weiss, são um desafio persistente à consciência individual e à cidadania coletiva
As Cidades Inteligentes e as Narrativas de Futuro
It has been a while since we have come from a polis to a technopolis. The evolution of digital media has rendered cities into a machine 2.0. Now citizens trust in the images of the future and in sustainability proposals as well, just as in renewable energies and improved urban mobility. While the automobile is reconfigured in this new concept of city, the smartphone, in its turn, becomes the remote control to provide access to the city of bits (digital information). In the smart city our digital trail is embraced by the city’s technical framework. These days we also consume narratives of futurity, we want to believe that we can actively intervene in smart cities. And once the computer is out of the box, the future promises access granted to an information society in which the city is the new futuristic stage to access data, capital, trends and new and promising culture industries. More than just being an archive of the past, the new smart cities are getting ready to welcome new and more active and creative citizens. What is left to know is wether or not reality itself will be consolidated in an utopia, a dystopia or a protopia (which is the most likely), due to the expansion of digital media, even if one respects each city and its narrative of futurity. De algum tempo a esta parte, temos vindo a passar da polis para a technopolis. A evolução dos digital media tem tornado as cidades numa máquina 2.0. Os cidadãos agora confiam nas imagens do futuro e nas propostas de sustentabilidade, energias renováveis e melhor mobilidade urbana. Enquanto o automóvel é reconfigurado neste novo conceito de cidade, já o telemóvel, o smartphone, torna-se o controlo remoto para se aceder à cidade dos bits (de informação digital). Na cidade inteligente, o nosso rasto digital é compreendido pela moldura técnica da cidade. Hoje em dia, consumimos também narrativas de futuridade, queremos acreditar que podemos ativamente intervir em cidades inteligentes e que, uma vez tendo o computador saído da caixa, o futuro promete acesso a uma sociedade de informação em que a cidade é o novo palco futurista de acesso a dados, capital, tendências e promissoras indústrias culturais. Mais do que um acervo do passado, as novas cidades inteligentes preparam-se para receber novos cidadãos mais ativos e criativos. Resta saber, respeitando cada cidade a sua narrativa de futuridade, se a realidade se consolidará numa utopia, numa distopia ou numa protopia (que é o mais provável), devido à expansão dos meios digitais. 
Pólis, Política e Protesto
This essay proposes a digression from the periphery to the center, from the limit to the body, from the horizon to the politics; a digression in which words - and literature - guide and shape and comment on the entire argument. It is a text about certain words, or uncertain concepts, that form an idea of the city - flat, possible, simultaneous - from which politics erupts. Este ensaio propõe uma digressão que vai da periferia ao centro, do limite ao corpo, do horizonte à política; uma digressão na qual as palavras – e a literatura – direccionam, condicionam e comentam toda a argumentação. Trata-se de um texto sobre determinadas palavras, ou conceitos incertos, que enformam uma certa ideia de cidade – plana, possível, simultânea – e a partir dos quais eclode a política.