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Introdução: hábito, crise e novos media
Wendy Hui Kyong Chun, in Updating to Remain the Same: Habitual New Media (2016), argues that our media become more important when they appear to be of no importance—when they move from the “new” to the “habitual”. The author interprets the integration of social networks in our habits as a defining concept of the present. With the pandemic moment, contemporary modes of existence made such mediations emerge as globally evident. The exposed fragilities of real, organic life now seem to be mediated through the digital existence and technological mediation of the new usual media. In the context of the pandemic, “life on the screen” becomes the canon of contemporary existence. This issue of Revista de Comunicação e Linguagens brings together articles, interviews and visual essays on the mediations of the new usual media, focusing on the individual or the small collective, which relate to this perspective of digital intimacy in the contemporary.Wendy Hui Kyong Chun, em Updating to Remain the Same: Habitual New Media (2016), argumenta que os media se tornam mais importantes quando parecem não ter importância—quando transitam do “novo” para o “habitual”. A autora interpreta a integração das redes sociais nos nossos hábitos como um conceito definidor do presente. Com o momento pandémico, os modos contemporâneos de existência fizeram emergir tais mediações como globalmente evidentes. As fragilidades expostas da vida real, orgânica parecem agora ser mediadas através da existência digital e da mediação tecnológica dos novos media habituais. No contexto da pandemia, “a vida no écran” torna-se o cânone da existência contemporânea. Este número da Revista de Comunicação e Linguagens reúne artigos, entrevistas e ensaios visuais sobre as mediações dos novos media habituais, com foco no individual ou no pequeno coletivo, que se relacionam com esta perspectiva da intimidade digital no contemporâneo
A representatividade da mulher negra na mídia social: o coletivo brasileiro “Pop Afro”
This article has an exploratory character and seeks, through a content analysis, to understand whether the collective Pop Afro, inserted within the Black Money Movement (BMM), increases the representation of Brazilian black women in digital media, as well as the empowerment and valorization of black aesthetics and culture through Afro-entrepreneurship. To this end, the text provides a brief history of the blackening of the feminist movement in Brazil, social networks as a place of speech and political resistance, and the emergence of Afro-entrepreneurship as a social and economic alternative. Based on three clearly defined hypotheses, analysis criteria are established that, as a result, validate the collective appreciation of the representation of black women, black entrepreneurship, within the MBM, and promote the blackening of feminism.Este artigo é de caráter exploratório e busca, através de uma análise de conteúdo, entender se o coletivo Pop Afro, inserido no Movimento Black Money (MBM), aumenta a representatividade da mulher negra brasileira nas mídias digitais e se dissemina o empoderamento e valorização da estética e cultura negra através do afroempreendedorismo. Para tal, o texto traz um breve histórico do enegrecimento do movimento feminista no Brasil, as redes sociais como lugar de fala e resistência política e o surgimento do afroempreendedorismo como alternativa social e econômica. A partir de três hipóteses claramente definidas são estabelecidos critérios de análise que, como resultado, validam a valorização pelo coletivo da representatividade da mulher negra, do empreendedorismo negro, dentro do MBM, e promovem o enegrecimento do feminismo
Tecendo o (pós)colonialismo em Timor-Leste: o tais como objecto de memórias praticadas
The Timorese tais (ikat) emerges from an ancestral textile practice, exclusively feminine, which passes orally and by demonstration from mother to daughter, granddaughter or daughter-in-law, establishing itself in collective and individual experiences. If the technological complexity and the regional stylistic diversity have been analysed in depth in the context of East Timor reconstruction, albeit in a scarce and circumscribed manner, the policies of memory inscribed in and conveyed by the textile in its relationship with contemporary art and curatorship are practically non-existent.
As an object of cultural heritage intrinsic to the history of the territory and as an artistic, sacred, and everyday object subjected to various transformations, the tais conveys many stories: the pre-colonial, the colonial and the neo-colonial. It also conveys women’s stories, materialising, in that sense, as an object of the past, present, and future.
How and when were those stories changed and overlapped? What imaginaries are put into practice? And how can they redeem a past and relate it to the future? In this article, I focus on two curatorial perspectives that deal with the tais as material reference in a different manner: the historical exhibition, Textiles of Timor, Island in the Woven Sea (2014-15) and the contemporary exhibition, Elastic / Borracha / Elastic (2014). Through the concept of practiced memories conducted by tais, in the first exhibition, I expose layers from the colonial and neo-colonial periods that somehow continue the theme of the exhibition, emphasising ambivalent aspects of collective Timorese memory; in the second exhibition, I consider contemporary practices that relocate the imagery and ancestral power of the tais, reinforcing its contemporaneity. This analyses result in compulsory questions for an updated debate around the memories of colonised subjects and objects.O tais (ikat) timorense emerge de uma prática têxtil ancestral, exclusivamente feminina, que passa oralmente e por demonstração de mãe para filha, neta ou nora, firmando-se em experiências colectivas e individuais. Se a complexidade tecnológica e a diversidade estilística regional têm sido analisadas de modo aprofundado no contexto da reconstrução de Timor-Leste, ainda que de forma escassa e circunscrita, as políticas da memória inscritas no e veiculadas pelo têxtil na sua relação com a arte contemporânea e a curadoria são praticamente inexistentes.
Como objecto de herança cultural intrínseco à história do território, e como objecto artístico, sagrado e quotidiano sujeito a diversas transformações, o tais conta muitas histórias: as pré-coloniais, as coloniais e as neocoloniais. Conta ainda histórias no feminino, materializando-se, nesse sentido, como um objecto do passado, presente e futuro.
Como e quando foram essas histórias alteradas e sobrepostas? Que imaginários são colocados em prática? E de que forma podem resgatar um passado e relacioná-lo com o futuro? Neste artigo foco-me em duas perspectivas curatoriais que tratam de maneira distinta o tais como matéria referencial: a exposição histórica, Textiles of Timor, Island in the Woven Sea (2014-15) e a exposição contemporânea, Elastic/Borracha/Elástico (2014). Através do conceito memórias praticadas conduzidas pelo próprio tais, na primeira exposição, exponho camadas dos tempos colonial e neocolonial que dão continuidade à temática da exposição, destacando aspectos ambivalentes da memória colectiva timorense; na segunda exposição, incido em práticas contemporâneas que recentram o poder imagético e ancestral do tais, reforçando a sua contemporaneidade. Destas análises, resultam questões incontornáveis para um debate actualizado em torno das memórias dos sujeitos e objectos colonizados
Novos media habituais
Wendy Hui Kyong Chun, in Updating to Remain the Same: Habitual New Media (2016), argues that our media become more important when they appear to be of no importance—when they move from the “new” to the “habitual”. The author interprets the integration of social networks in our habits as a defining concept of the present. With the pandemic moment, contemporary modes of existence made such mediations emerge as globally evident. The exposed fragilities of real, organic life now seem to be mediated through the digital existence and technological mediation of the new usual media. In the context of the pandemic, “life on the screen” becomes the canon of contemporary existence.
This issue of Revista de Comunicação e Linguagens brings together articles, interviews and visual essays on the mediations of the new usual media, focusing on the individual or the small collective, which relate to this perspective of digital intimacy in the contemporary.Wendy Hui Kyong Chun, em Updating to Remain the Same: Habitual New Media (2016), argumenta que os media se tornam mais importantes quando parecem não ter importância—quando transitam do “novo” para o “habitual”. A autora interpreta a integração das redes sociais nos nossos hábitos como um conceito definidor do presente. Com o momento pandémico, os modos contemporâneos de existência fizeram emergir tais mediações como globalmente evidentes. As fragilidades expostas da vida real, orgânica parecem agora ser mediadas através da existência digital e da mediação tecnológica dos novos media habituais. No contexto da pandemia, “a vida no écran” torna-se o cânone da existência contemporânea.
Este número da Revista de Comunicação e Linguagens reúne artigos, entrevistas e ensaios visuais sobre as mediações dos novos media habituais, com foco no individual ou no pequeno coletivo, que se relacionam com esta perspectiva da intimidade digital no contemporâneo
Os Estylos são Função dos Indivíduos
In this paper, I propose some associations between Pessoa's reflections on style and his definition of freedom and autonomy. According to the described point of view, style becomes a manifestation of a superlative state of access to culture from which the author acquires an expression freed from conventional shackles, allowing a management and adaptation of different cultural vocabularies, represented, for example, by the various mythologies adopted in writing. The problem of style, usually read in terms of aesthetic issues or the constitution of heteronymic individuality and the debate between heteronyms, is thus associated with other relevant issues in Fernando Pessoa's theoretical universe.Neste texto, propõem-se algumas associações entre a discussão de Pessoa em torno do estilo e o modo como o poeta define uma concepção da liberdade e da autonomia. De acordo com o ponto de vista descrito, o estilo converte-se numa manifestação de um superlativo estado de acesso à cultura a partir do qual o artista criador adquire uma expressão liberta de amarras convencionais, permitindo ao indivíduo manejar e adaptar os diferentes vocabulários culturais, representados, por exemplo, pelas várias mitologias adoptadas no decurso da escrita. O problema do estilo, normalmente lido em função de questões estéticas ou da constituição da individualidade heteronímica e do debate entre os heterónimos, é assim associado a outras questões relevantes no universo teórico de Fernando Pessoa
BALDINI, Ugo. 2018. Portugal, a Ciência Jesuíta e a Carreira da Índia (Séculos XVI a XVIII). Coletânea de Ensaios. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 848 pp., ISBN 978-972-31-1612-0
La imagen escultórica del Crucificado en la Galicia del siglo XIV. Tipos, usos y significados.: Tese de Doutoramento em Estudos Medievais apresentada à Universidade de Santiago de Compostela, em Março 2020. Orientação das Professoras Marta Cendón Fernández e María Luz Ríos Rodríguez
El propósito de esta tesis doctoral es estudiar los usos y significados que tuvieron las diversas representaciones escultóricas de Cristo crucificado dentro de la cultura religiosa de la Galicia del siglo XIV1. Para ello, este trabajo se aproximó a la realidad visual, material y cultural de los siglos bajomedievales en Galicia partiendo de una imagen que remite de forma directa al misterio central del cristianismo, sintetizando la esperanza de los fieles cristianos en la posible salvación eterna tras la muerte. Además, esta tesis busca examinar hasta qué punto el caso gallego se adapta a las dinámicas presentes en otros territorios del Occidente medieval cristiano. Esta aproximación no solo permite conocer el papel que las imágenes jugaron dentro de su sistema cultural, sino que también nos ofrece una visión panorámica de las experiencias de quienes vivieron en la Galicia de finales de la Edad Media
Preservando os Mortos: Fotografias Post Mortem e Práticas Funerárias na América do Séc. XIX
The rise of the modern funeral industry in 19th-century America introduced new forms of visual display that were designed to eliminate signs of bodily decay, and these practices were remarkably similar to those of postmortem photographers, who similarly sought to give bodies a lifelike appearance prior to burial. Postmortem photography can thus be understood as a transitional stage toward the modern disappearance of death, yet this practice has not entirely gone away, as postmortem photographs are still used to preserve the dead by creating the illusion of presence rather than confirming the reality of absence. Through a closer examination of the parallels between postmortem photographs and funeral practices, this article will explore the ways in which photography continues to mediate the experience of death and mourning.A ascensão da moderna indústria funerária na América do séc. XIX introduziu novas formas de exibição dos corpos que visavam eliminar sinais de decomposição. Estas práticas eram notoriamente semelhantes às da fotografia post mortem, na qual os corpos eram transformados cosmeticamente e, depois, dispostos perante a câmara de forma a obterem uma aparência de vida. A fotografia post mortem pode, assim, ser entendida como um estágio intermédio no caminho para a moderna desaparição da morte. Porém, esta prática não foi completamente abandonada, dado que as fotografias post mortem ainda são realizadas para preservar os mortos, criando a ilusão da presença ao invés de confirmar a realidade da ausência.Este artigo explora os modos como a fotografia medeia a experiência da morte explorando um paralelismo entre práticas funerárias e fotografias post mortem
“Olhar para si mesmo e o tempo todo não vê nada”: Memória Assombrada e Mediada em Sou a Coisa Que Vive na Casa
This article explores the topic of mediated memory as expressed in the film I Am the Pretty Thing That Lives in the House (2016), chiefly concerned with the challenge of communicating memory from a spectral position. As the film’s narrative is related to audiences through the testimony of the ghost of Lily Saylor, it seems crucial to establish how one might commune with ghosts (or phantoms). In the first section of the article, I compare the richly mined conception of hauntology as imparted by Jacques Derrida and the recently re-examined precursor to his thought in the psychoanalytic tradition, expressed by Nicolas Abraham and Mária Török. Following a comparative analysis, I take up both as methods for interpreting the film, considering how each might speak to various hauntological themes in the film which correspond with their accounts (temporal indeterminacy, the role of memory, testimony and the past, trauma and the nature of ghosts/phantoms). A secondary concern of the film, explored through a feminist reading of the film, is the role of women and their confinement and silencing within the domestic. Finally, I consider the question of what is to be done with the specters in the film: should one follow Derrida’s ethical injunction to make space for the spectral, or ought one exorcize the potentially malevolent influence of the spectral on our lives and break the recurring cycle of transgenerational trauma that it haunts us with?Este artigo se explora o tópico de memória mediada e a perceção como este expressou no filme “Sou a Coisa Gata Que Vive na Casa [I Am the Pretty Thing That Lives in the House](2016)”, principalmente interessado com o desafio falando da saudade desde uma posição espectral. Como o narrativo do filme ficando relacionado com a audiência por meio do testemunho do fantasma da Lily Saylor (personagem no filme), parece crucial para estabelecer os meios por quem poderia estar em comunhão com estes fantasmas. Na primeira seção do artigo, a no extraído puramente que se chama de espectrologia (hauntology em inglês). Espectrologia é uma noção que foi nomeado por Jacques Derrida e recentemente examinado novamente da doutrina chamada de psicanalítica, expressado por Nicholas Abraham and Mária Török. Após a análise comparativa, acho duas formas para interpretando o filme, con siderando qual dos métodos podem falar para os temas de espectrologia no filme que corresponde com as contas delas (indeterminação temporal, a função de memória e o passado, trauma também dos fantasmas). Afinal, temos a questão de que será com os espectros no filme: deve alguma coisa segue a injunção ética criada por Derrida para criar espaço para o espectral, ou também uma coisa para extrair a influência malevolente do espectral nas vidas nossas e quebrando o ciclo recorrente de trauma transgeracional que nos atormenta
Semelhança a Outros Animais:Seres Despojados, Viagens Recontadas e Outras Memórias
Resemblance to Other Animals (16 mins, HD, 2019) is a memory work that considers locational effect and its recollection. Its key elements, images of encased taxidermy and a traveller’s voice, offer different temporal plains and positions. The images were shot in the Horniman Museum’s, London, natural history gallery and the recordings were inspired by work-related travel, time away from home. These combined sensory streams, conjoined by narrative’s reason, suggest temporal and spatial complexity and the partialness of remembrance. The Horniman Museum is a testament to the Victorian mania for collecting, which was also the time of the ‘memory crisis’ when Bergson, Freud, Proust and later Benjamin were proposing a new intuitive, individuated, understanding of memory. A museum collection creates history, a vision of the past, that is in itself a product of history. Resemblance to Other Animals juxtaposes this site with personal recollection, which relates a sense of place to identity and can challenge institutionalised positions, examining how this correlation can be conceptualised and represented. This examination considers whether the artistic engagement with form and content can formulate a place of creative reckoning, were an imaginative exploration can occur and a different past can be discovered, and if these sensory and conceptual elements can create a memorious investigation that generates new readings. Semelhança a Outros Animais (16min, HD, 2019) é um projeto de memória que considera o efeito da localização e a sua recordação. Os seus elementos-chave, imagens de animais empalhados e a voz de um viajante, oferecem diferentes planos e posições temporais. As imagens foram gravadas na galeria de história natural do museu Horniman, em Londres; e as gravações sonoras foram inspiradas em deslocações relacionadas com trabalho, tempo longe de casa. Esta junção de correntes sensoriais, juntamente com a razão narrativa, sugerem complexidade temporal e espacial, e a parcialidade da lembrança. O museu Horniman é um testamento à mania Vitoriana do colecionismo, que foi também a era da “crise de memória” e quando Bergson, Freud, Proust e mais tarde Benjamin propuseram um entendimento novo, intuitivo e individual sobre a memória. Uma coleção de museu cria história, uma visão do passado, que é, em si, um produto da história. Semelhança a Outros Animais justapõe esta ideia com lembranças pessoais, que relacionam um sentido de lugar a identidade e conseguem pôr em causa posições institucionalizadas, examinando como esta correlação pode ser conceptualizada e representada. Esta investigação questiona se o envolvimento artístico com a forma e conteúdo podem formular um lugar de cômputo criativo, onde uma imaginação explorativa possa acontecer e um passado diferente possa ser descoberto, e se estes elementos sensoriais e conceptuais poderão criar uma investigação memorial que poderá gerar novas leituras.