Revista da ABEM
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O MODELO COGNITIVO DE BECK COMO FERRAMENTA DE IDENTIFICAÇÃO DE CRENÇAS RELACIONADAS À INIBIÇÃO CRIATIVA EM MÚSICA
Neste artigo apresentamos o modelo cognitivo de Beck como uma ferramenta que poderá auxiliar o educador a identificar crenças consideradas inibidoras à ação criativa em música. Através da realização de uma pesquisa baseada na prática (practice-based research), coletou-se os depoimentos de um dos participantes voluntários com vistas a exemplificar os procedimentos adotados por essa abordagem no contexto da prática musical. Como resultado, o modelo se mostrou eficaz, uma vez que permitiu o rastreamento de pensamentos automáticos, crenças centrais e subjacentes consideradas disfuncionais à ação criativa, sendo estas associadas a princípios axiológicos capazes de inibir a livre manifestação musical
PLANEJAMENTO DA PRÁTICA PIANÍSTICA DE CANHOTO DE RADAMÉS GNATTALI: UM ESTUDO DE CASO
O planejamento, a organização e a gestão da prática músico-instrumental têm sido foco de investigações artísticas, orientadas por amplos e variados processos. Neste artigo é descrita uma proposta de planejamento da prática pianística, aplicada ao processo de construção da execução da peça Canhoto para piano solo de Radamés Gnattali. A peça foi previamente analisada, seccionada em unidades de trabalho (UTrs) e organizada em planilhas de treinamento (PTr1 e PTr2) segundo o sistema Rodízio, que agrega distribuição e variabilidade da prática (Póvoas, 2017). O processo descrito caracteriza-se como estudo de caso e permitiu adaptar o sistema a uma proposta particular de organização do treinamento, além de levantar aspectos relacionados à potencialização da autorregulação e da prática deliberada, abrindo espaço para adequá-la a propostas experienciais equivalentes
EU SABO PORQUE SABO: A POÉTICA DA IMPROVISAÇÃO NA EDUCAÇÃO MUSICAL
O artigo apresenta o movimento provocado pela prática criativa da improvisação na formação de professores. Como abordagem metodológica qualitativa da pesquisa de campo “Educação Musical na formação de professores dos cursos de Graduação em Pedagogia gaúchos”, o Ateliê Poético é espaço propositivo de viver a improvisação para colher as práticas experimentadas na universidade em educação musical. Espaço de articulação da potência lúdica de tocar nossos sentidos de habitar a linguagem, colocando a música em estado de encontro. Os resultados destacam a relevância da improvisação no fluxo inato de sentir e dar sentido à experiência de brincar com sons. A improvisação ensina o corpo a aprender de ouvido e inventar modos de tocar no coletivo, porque prepara e ensaia o inesperado: ação fundante do saber docente. A poética da improvisação na educação musical pode aproximar e intensificar os processos lúdicos de escuta e criação para interrogar a docência de música com crianças
AURIS KEYBOARD: FERRAMENTA DE AUXÍLIO AO TREINAMENTO DE PERCEPÇÃO MUSICAL PARA PESSOAS SURDAS
A presente pesquisa trata do processo de inclusão de indivíduos surdos ao ensino formal de música, por meio da tradução da informação sonora em vibração tátil. A partir da compreensão das ferramentas e metodologias já utilizadas para dar suporte ao ensino de música para pessoas surdas, foi possível o desenvolvimento de uma nova ferramenta contendo algumas das principais características exitosas nos estudos anteriores. Realizou-se, então, uma pesquisa quantitativa, com base em experimentos realizados com grupos de indivíduos surdos e ouvintes, que utilizaram o protótipo construído, e geraram informações para sustentar uma análise da capacidade da percepção tátil de elementos rítmicos e melódicos. O uso da ferramenta foi avaliado como positivo para os casos abordados, o que sugere que a tradução do som para vibrações táteis é possível e pode ser utilizada para atividades relacionadas ao ensino formal de música
A APRENDIZAGEM INSTRUMENTAL SOB A PERSPECTIVA DA AUTORREGULAÇÃO: CONTRIBUIÇÕES DE UM ESTUDO DE CASO
O escopo deste artigo é apresentar parte dos resultados de uma pesquisa que abordou a autorregulação da aprendizagem instrumental sob a perspectiva sociocognitiva. Nesta abordagem, a autorregulação consiste em intervir de forma consciente, intencional e autorreflexiva no próprio desenvolvimento, considerando os aspectos comportamentais, motivacionais, cognitivos e metacognitivos da aprendizagem musical. O objetivo desta pesquisa foi investigar – por meio de um estudo de caso – elementos da autorregulação na conduta de uma percussionista durante o aprendizado de uma nova obra musical. Os resultados apontaram a ocorrência de eventos relativos ao planejamento (delineamento das metas; pensamento antecipatório; planificação das tarefas), monitoramento (experiências metacognitivas; observação e interpretação dos desafios; revisão de metas e estratégias) e avaliação da aprendizagem (atribuições causais; inferências autoavaliativas e autorreativas). Esperamos que as considerações aqui apresentadas favoreçam o aprimoramento de condutas que orientem a prática musical de estudantes em direção ao desenvolvimento musical reflexivo e autônomo
PEDAGOGIA E MÚSICA: UM MAPEAMENTO NOS ANAIS DOS ENCONTROS NACIONAIS DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO MUSICAL E NAS REVISTAS DA ABEM ENTRE 2008 E 2017
Este artigo decorre de um mapeamento bibliográfico em publicações da Revista da ABEM e dos Anais dos Encontros Anuais, no período de 2008 a 2017, que teve como objetivo analisar a música e as suas relações com a formação acadêmico-profissional no contexto dos cursos de Pedagogia. No texto, não só são apresentadas as publicações mapeadas, mas também são produzidas reflexões sobre as pesquisas que têm centralidade na referida temática. A pesquisa, considerando o tempo de 10 anos, destaca uma diminuição de trabalhos publicados. A despeito da redução, o objeto de estudo manteve-se na formação acadêmico-profissional de pedagogos. Diante das lacunas e potencialidades encontradas nas publicações, evidencia-se que se orienta a formação acadêmico-profissional e a construção da docência de modo mais experiencial com música, a qual pode somar-se às vivências colaborativas em projetos de extensão, outros componentes curriculares, programas, oficinas e cursos relacionados a propostas de educação musical, potencializando a proposição de inovações e novas possibilidades de construção profissional, musical e pedagógico-musical de professores de educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental, egressos de cursos de Pedagogia
EDUCAÇÃO MUSICAL E INOVAÇÃO PEDAGÓGICA: O CASO DA CREATIVE MUSIC DE SATIS COLEMAN
O presente artigo tem como objetivo a apresentação de aspectos fundamentais da Creative Music, salientando sua coerência com o contexto de inovação pedagógica em que foi desenvolvida e seu caráter de pioneirismo – sobretudo na abertura para a participação das crianças e para as práticas criativas. O termo Creative Music refere-se ao trabalho da educadora musical estadunidense Satis Coleman iniciado na década de 1910 com crianças em um estúdio particular em Washington D.C. e, posteriormente, ampliado na Lincoln School, escola-laboratório do Teachers College da Columbia University, entre os anos de 1919 e 1942. Coleman trabalhou na educação básica e na formação de professores da instituição, além de produzir obra numerosa sobre sua atuação pedagógica. Apesar de pouco estudada na atualidade, sua proposta teve difusão internacional nas décadas de 1920, 1930 e 1940, chegando ao Brasil através dos escritos de João Caldeira Filho (1945, s.d.). A análise de sua obra e de sua influência soma esforços na construção de discursos historiográficos que contemplem as contribuições de mulheres para a inovação didática em educação musical
PROCESSOS DE ENSINO E APRENDIZAGEM DA PERFORMANCE PIANÍSTICA: UM ENSAIO SOB A PERSPECTIVA DO PRINCÍPIO DE CONTINUIDADE DE JOHN DEWEY
Este ensaio apresenta uma reflexão a respeito de aspectos presentes no processo de ensino e aprendizagem da performance pianística. Adota o conceito de performance de Keith Tombrink (Baker-Jordan, 2003-2004), utiliza como base o Princípio de Continuidade proposto por John Dewey (Dewey, 1976, 2010), considera o aprendizado performático-pianístico como um conjunto de experiências que se complementam e focaliza questões presentes nas práticas educativo-musicais do performer. Discorre a respeito de aspectos socioemocionais presentes no estudo da música, do papel do professor no desenvolvimento musical do aluno e de dificuldades relacionadas à ansiedade performática, dialogando com diferentes autores, dentre eles Nogaj e Ossowski (2017), Lehmann, Sloboda e Woody (2007) e Westney (2003). Demonstra que pensar o contexto da formação performática sob o prisma da continuidade estimula o desenvolvimento de estratégias pedagógicas que incluam a performance em todas as aulas e o direcionamento da atenção para questões emocionais envolvidas no processo
EDUCACIÓN MUSICAL PARA EL DESARROLLO SOSTENIBLE: UNA REVISIÓN DOCUMENTAL
El presente avance de investigación muestra la construcción de un registro y análisis documental tendiente a explorar perspectivas onto-epistémicas y metodológicas que permitan articular categorías como educación musical, desarrollo sostenible y educación ambiental para el planteamiento de una educación musical desde la práctica colectiva y orientada al desarrollo sostenible. Desde un enfoque cualitativo se aplicó la metodología de análisis documental para realizar la consulta directa de artículos científicos indizados en bases de datos tomando en consideración criterios de búsqueda y selección. Los resultados obtenidos develan la pertinencia de las categorías de análisis conjugadas con lo cual se abren los espacios para considerar una propuesta de educación musical como praxis educativa orientada al desarrollo sostenible.
EDUCACIÓN MUSICAL Y CURRÍCULO EN LA ENSEÑANZA PRIMARIA ESPAÑOLA: DE LA LEGISLACIÓN GENERAL A LA CONCRECIÓN AUTONÓMICA
La actual Ley de Educación española (LOMCE) ha modificado la estructura del sistema educativo de este país, vigente desde el año 1990. Esto ha afectado a la enseñanza de la música, que ha pasado a ser una asignatura optativa. Sin embargo, esta ley considera que las Comunidades Autónomas[1] y los centros docentes podrán planificar asignaturas que se adapten a sus recursos y necesidades reales. En este artículo se dan a conocer la situación actual de la Educación Musical en Primaria y las características curriculares generales propuestas por las normas estatales y autonómicas. Además, se exponen las posibilidades de los centros educativos para diseñar asignaturas propias. Para ello, se ha utilizado el análisis documental relacionado con el contexto educativo-musical actual de la enseñanza primaria española. Finalmente, se presentan las conclusiones derivadas de este proceso de búsqueda y análisis y se abren nuevas vías a investigaciones futuras. [1] Las Comunidades Autónomas son las diferentes regiones geo-políticas con entidad administrativa en las que se divide el Estado español. Son un total de 17, de las cuales 15 se encuentran dentro de la Península Ibérica. Las Islas Baleares son un archipiélago situado frente a la costa oriental de la Península, en el Mar Mediterráneo, mientras que la Comunidad Autónoma Canaria es un archipiélago extra-peninsular situado en el noroeste de África, cerca de la costa sur de Marruecos, siendo uno de los territorios ultraperiféricos de la Unión Europea. A estas 17 Comunidades Autónomas hay que sumarles Ceuta y Melilla, consideradas Ciudades Autónomas que también son territorios extra-peninsulares, en este caso situadas en el norte de África