Revista da ABEM
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    Tablaturas para Percussão Popular: notação musical alternativa para atabaques da umbanda e do candomblé ketu

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    Este trabalho apresenta a elaboração da Tablatura para Percussão, uma notação musical alternativa para os atabaques da umbanda e candomblé ketu. O objetivo foi desenvolver uma escrita para facilitar a aprendizagem dos ritmos tocados nos terreiros no Vale do Itajaí, em Santa Catarina. Surge da interface entre pesquisas sistemáticas, explorações informais, atividades de ensino/apren-dizagem e da experiência do campo. Conta com revisão bibliográfica da área da educação musical, etnomusicologia e de estudos sobre música afrorreligiosa. O modelo foi inspirado no sistema TUBS, de Koeetting, jogo da amarelinha, analogia da fita métrica; e em parâmetros musicais aplicados às músicas de matriz africana, como linha-guia. A Tablatura para Percussão tem uma grafia simples e sintética, com o mínimo de informações necessárias à execução musical

    Ideias de música no coro infantil: por que e para quem as crianças cantam?

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    A pesquisa focaliza as perspectivas de crianças na educação musical, com o objetivo decompreender de que maneira elas se relacionam com a música e como elaboram e compartilham suas ideias de música, no contexto de um coro infantil. O referencial foi construído a partir de estudos que buscam compreender os sentidos atribuídos pelas crianças às suas práticas musicais, a partir da expressão ideias de música (Beineke, 2009, 2011; Brito, 2007, 2009; Santos, 2006). O estudo foi realizado com 29 crianças, entre 6 e 11 anos de idade, participantes do Cantoria – projeto de extensão do Colégio de Aplicação-UFSC, da cidade de Florianópolis (SC). O desenho metodológico incluiu: 1) observação e registro em áudio e vídeo dos ensaios do grupo; 2) produção de registro pelas crianças em cadernos individuais intitulados “Diários de ideias de música”; e 3) rodas de conversa, focalizando a prática coral e os registros nos diários. Os resultados do estudo apontam para as ideias de música das crianças construídas socialmente em suas relações com seus pares e com os professores, apresentando suas perspectivas em relação ao ser artista, suas concepções sobre as apresentações musicais, suas ideias sobre repertório e o brincar nos encontros do grupo. Acredita-se que pesquisas dessa natureza contribuam para o fortalecimento de práticas musicais mais participativas, identificando e valorizando as compreensões das crianças nos processos de construção musical

    Modos de ser professor formador na Pedagogia e a docência virtual em Música

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    O artigo apresenta resultados de uma pesquisa que buscou compreender a docência virtual em Música nos cursos de Pedagogia da Universidade Aberta do Brasil, a partir de narrativas de professores universitários, focalizando os modos de ser professor formador de unidocentes. Com base nos referenciais da Pedagogia Universitária, da Pesquisa Biográfica, da Teoria Fundamentada e nas narrativas produzidas em pesquisa, são discutidas as relações entre docência, Pedagogia, Música e Educação a Distância. Os resultados apontam que a docência virtual em Música na Pedagogia implica: desenvolver modos de ser que envolvam a construção de saberes do campo da unidocência, de experiências com tecnologias e do ensino de música em ambientes virtuais de ensino e aprendizagem; o respeito às vivências e aos significados da Música para os estudantes; o desenvolvimento de objetivos pedagógicos próprios; e a tomada de decisão e de seleção dos conhecimentos musicais e pedagógico-musicais indispensáveis à formação desse profissional

    O choro, a apreciação musical ativa e o desenvolvimento cognitivo e musical nos anos iniciais do ensino fundamental

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    Este artigo apresenta uma pesquisa que teve como objetivo discutir e analisar a utilização do repertório instrumental brasileiro do choro nas aulas de música dos anos iniciais do ensino fundamental. Este gênero, predominantemente instrumental, pode oferecer diferentes oportunidades de desenvolvimento musical e cognitivo no contexto do ensino básico. Considerando os seus modos de transmissão e contexto, discutimos a apreciação musical ativa como forma de viabilizar o engajamento dos alunos com o repertório instrumental proposto. A ativação da escuta utilizando o corpo, a voz, o movimento e os instrumentos possibilitaram a preservação da natureza experiencial do choro e, com isso, a valorização de seu conteúdo sonoro e expressivo.  A análise quantitativa e qualitativa dos dados coletados trouxe dados importantes sobre o potencial da apreciação musical ativa do choro para o ensino e aprendizagem musical no ensino básico. Com isso, busca-se valorizar a compreensão simbólica da música e acrescentar elementos e dados para que a música instrumental brasileira integre currículos e práticas escolares

    Relações com música na educação infantil: cenas de uma Escola Municipal de Educação Infantil em Porto Alegre/RS

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    Este artigo apresenta um recorte de uma pesquisa que teve como objetivo compreender como diferentes formas de mediar relações com música, de diferentes profissionais, contribuem para o projeto formativo de crianças em uma escola de educação infantil. Os pressupostos orientadores tomam como base ideias de infância, de educação e de música. A estratégia de pesquisa escolhida foi o estudo de caso e as técnicas, a análise de documentos, a entrevista semiestruturada e a roda de conversa. Os resultados evidenciam que o projeto formativo particulariza a escola e direciona os campos de conhecimento para um objetivo comum: a educação das crianças que introduziram seus inícios nessa instituição. A música – como um desses campos de conhecimento – funciona como dispositivo de formação das crianças

    Afetividade e formação do educador musical

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    Este artigo apresenta uma pesquisa em andamento em um curso de Licenciatura em Música, cujo objetivo principal é investigar os percursos curriculares dos alunos na perspectiva dos próprios estudantes e com foco nas questões afetivas. Tendo como principal fundamento a teoria histórico-cultural, assume-se a indissociabilidade entre afeto e cognição nos processos de aprendizagem. A partir de dados coletados através de questionários e entrevistas, o recorte aqui apresentado enfatiza alguns aspectos em relação à pluralidade de perfis musicais do corpo discente na instituição investigada e à maneira como essa diversidade é levada em conta ou não no curso. A principal consideração destacada a partir da análise conduz à importância de que as singularidades musicais dos estudantes sejam efetivamente contempladas de alguma forma na maneira como o currículo é posto em ação. Esse cuidado se constitui, de acordo com a análise aqui proposta, não apenas em condição sine qua non de aprendizagem musical, como também em requisito para a formação de um educador musical capaz de considerar ele mesmo, futuramente, as identidades musicais de seus alunos

    Editorial

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    Reconceiving music and music education as ethical practices

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    Conventional accounts of music as a source of “aesthetic experience” and of music educa-tion as “aesthetic education” have led the music education profession to seriously neglect the import-ant links between music-making, the creation of community, and the development of character. In this talk I will argue that music education’s understandings of music and of education are urgently in need of repair, and that a crucial part of that project involves recovery of their nature as funda-mentally ethical and ethically-guided practices. Drawing on neo-Aristotelean accounts of the nature of practices, I will show how such understandings offer to enrich and vivify both our understandings of music-making and music teaching. I will argue that music-making should be regarded as a rich resource through which students explore the fundamental question What kind of person is it good to be? I will also argue that this question lies at the heart of professional practice for music educators. These ethical orientations alter profoundly what we conceive musicking and educating to be, the reasons they are important, and how we should go about engaging in them. They offer to shift our attention from teaching and learning about or in music to learning through music

    A notação musical e a relação consciente com a música: elementos para refletir sobre a importância da notação como conteúdo escolar

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    O presente trabalho analisa o papel da notação como um conteúdo escolar da educação musical. Nosso objetivo é demonstrar que o aprendizado da escrita e da leitura da música ultrapassa em muito a visão pragmática e utilitária da notação que reduz a aquisição deste conhecimento à capacidade de leitura da partitura, correspondendo a um salto qualitativo na consciência dos elementos musicais e, portanto, na relação do indivíduo com a música. Nossa abordagem parte da discussão da importância da notação para o desenvolvimento da música ocidental, observando-a como expressão objetiva do desenvolvimento da consciência do ser humano sobre a sua própria prática musical. A apropriação deste conteúdo reproduz, assim, estes traços na consciência do indivíduo, transformando sua relação com a música. Concluímos ressaltando a importância da notação para a formação musical e destacando a análise aqui apresentada como uma contribuição para a reflexão sobre a importância deste conteúdo para a educação musical

    Enviadescer a educação musical, musicar a bicha e fraturar currículos: estranhamentos sonoros para pensarfazer um currículo queer

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    O colonialismo ainda norteia nossas práticas pedagógico-musicais. Alguns movimentos ten-tam caminhar pelas estradas tortuosas e estreitas da decolonialidade, na tentativa de ouvir vozes e sons que, constantemente, são suprimidos. Neste ensaio, procuramos problematizar currículos da/na educação musical escolar, partindo do entendimento de que as tessituras curriculares são vivas e em trânsito, os currículos são práticaspolíticas tecidas no cotidiano vivido por uma comunidade que ro-deia os prédios, em um movimento permanente dentrofora das escolas. Como potência viva, buscamos entender os currículos cotidianos como linhas de fuga à oficialidade. Em nossa discussão, trazemos à tona uma dessas linhas, que é a música queer. A partir da ferramenta epistemológico-sonora enviades-cer, proposta pela arti(vi)sta Linn da Quebrada, nosso debate visa pensar possibilidades e caminhos para uma educação musical comprometida com as diferenças, que busque uma justiça curricular

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