Revista da ABEM
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Biografias músico-educativas de licenciandos em música: histórias de vida e seus processos formativos na graduação
O artigo tem o objetivo de problematizar o conteúdo de uma das atividades realizadas na construção de biografias músico-educativas desenvolvidas por licenciandos em música a partir das relações percebidas entre suas histórias de vida e seus processos formativos na graduação. Como parte dos resultados de uma pesquisa de doutorado que teve o objetivo de compreender as maneiras por meio das quais as biografias músico-educativas desses acadêmicos produziriam sentidos para tais processos formativos, este recorte evidencia que experiências acadêmicas, incluindo as relações entre professores e alunos, enfoque deste artigo, são significadas a partir de memórias de aprendi-zagem musical em diferentes contextos. Nesse sentido, destacam-se as contribuições de abordagens (auto)biográficas para o desenvolvimento de novas metodologias no ensino superior capazes, talvez, de tornar conhecidas e discutir as implicações de diferentes trajetórias musicais, de professores e alunos, para os cursos de música refletindo-se, também, em desenhos curriculares mais flexíveis às subjetividades, representações e significações de seus acadêmicosPalavras-chave: Biografia músico-educativa. História de Vida. Pesquisa (auto)biográfica
O Método Suzuki e a motivação: o papel do professor e pais na motivação do aluno
Este estudo trata do tema da motivação do aluno na educação musical, segundo a perspectiva do Método Suzuki com apoio em pesquisas da área de cognição. Os fatores de motivação do aluno foram retirados da bibliografia de referência e organizados em categorias motivacionais; após, um questionário foi realizado com professores que utilizam o Método Suzuki para verificar a validade atual destes elementos de motivação; e por fim, os dados obtidos na pesquisa foram analisados a partir da Teoria da Autodeterminação, que estuda a motivação no âmbito da psicologia. Como principal resultado da pesquisa pode-se averiguar a validade das propostas motivacionais do Método Suzuki segundo a visão desta teoria da psicologia motivacional
O processo de leitura e escrita de partituras e os desafios da cegueira congênita na perspectiva de Vigotski
Este artigo tem por objetivo analisar como o professor de música pode contribuir para o processo de compreensão e internalização dos conteúdos e conceitos da notação musical tradicional tendo como instrumento de leitura e escrita o ensino de musicografia braille. Para isso, foram estabelecidos dois objetivos específicos: analisar a aplicação da musicografia braille como instrumento pedagógico relevante para compreensão do processo formativo da leitura e escrita da notação musical no aprendizado da música, principalmente por estudantes com cegueira congênita, e investigar possíveis dificuldades ou barreiras para a aplicação desse instrumento. O estudo se fundamentou nas concepções da psicologia histórico-cultural de Vigotski e está inserido em uma pesquisa de mestrado na área da educação. É uma pesquisa de abordagem qualitativa que tem como procedimento metodológico e produção de dados a pesquisa bibliográfica e o estudo de caso. A partir deste estudo foi possível verificar que a musicalização de alunos com cegueira congênita é perfeitamente possível, mas depende do conjunto do aluno, com um profissional com experiência no processo de musicografia braile
A música no currículo da educação de jovens e adultos: um estudo de caso
Este artigo apresenta os resultados de pesquisa que teve como objetivo compreender a inserção do ensino de música no currículo da Educação de Jovens e Adultos (EJA). A pesquisa se orientou teoricamente por proposições do campo dos estudos do currículo, mais especificamente, pelo entendimento de que o currículo é o núcleo estruturante da função da escola, um espaço político de legitimação e reconhecimento de saberes e de sujeitos. A escolha metodológica foi o estudo de caso, por meio da abordagem qualitativa. Como resultado destaca-se o reconhecimento dos sujeitos como princípio orientador da inserção da música no currículo. A música ocupa dois espaços no currículo, cada qual com diferentes finalidades e formas de organização e de condução das práticas pedagógicas. Como ponto comum está o reconhecimento das experiências sociais no currículo, aproximando saberes e sujeitos
Núcleo de Educação Musical e Artes: a interação dos alunos do município de Caucaia (CE) com a música dentro e fora da escola
Este artigo apresenta dados obtidos através de uma pesquisa realizada com alunos da educação básica do município de Caucaia (CE) com o objetivo geral de conhecer a relação dos alunos do ensino fundamental com a música. Os dados foram analisados através das lentes dos conceitos de campo, habitus e capital, de Pierre Bourdieu. Além disso, investiga o papel da escola no aprofundamento do protagonismo de nossos alunos no seu desenvolvimento artístico-musical, não se limitando ao consumo de música, mas analisando caminhos para estabelecer um diálogo entre a música con-sumida fora da escola e o fazer artístico-musical no campo da educação básica, por meio do desen-volvimento das dimensões da musicalidade apresentadas por Houlahan e Tacka. São evidenciadas as influências da família, das instituições religiosas e das ferramentas de streaming atuais. Destaca-se o papel do educador musical como possível protagonista ao interligar o desenvolvimento das dimensões da musicalidade das crianças e dos adolescentes às possibilidades que estão incorporadas no habitus dos alunos de forma convidativa, acolhedora, dialógica e significativa. Participaram da pesquisa 2.137 alunos, dos quais 1.395 eram dos anos finais e 742, dos anos iniciais. Os dados foram obtidos com o uso de questionários. Esperamos que os dados possam contribuir nas reflexões acerca do papel da música ou, mais precisamente, do consumo dessa linguagem artística em outras interações dos alunos para além da escola no desenvolvimento das suas dimensões da musicalidade
Resenha: BRITO, Teca Alencar de. Um jogo chamado música: escuta, experiência, criação, educação. São Paulo: Peirópolis, 2019. 200p.
A presente resenha trata da obra Um Jogo Chamado Música, Escuta, Experiência, Criação, Educação, lançada no ano de 2019 pela pesquisadora e educadora Teca Alencar de Brito. A obra, dividida em três partes, procura, através de referenciais teóricos e relatos de atividades promovidas pela autora e colaboradores, discutir o conceito de “jogo ideal” aplicado à educação musical, termo este cunhado por Gilles Deleuze (1925-1995), e como este conceito pode ser usado na criação de uma experiência aberta e humanizadora no campo da experiência sonora. Recheado de relatos de campo, o livro se apresenta como uma importante ferramenta a educadores musicais e pedagogos em geral
Perfil de autorregulação de estudantes de piano na construção da performance
Embasado na Teoria Social Cognitiva, este trabalho buscou compreender como os estudantes brasileiros nos diferentes níveis de formação (graduação e pós-graduação stricto sensu) enfrentam os desafios da construção da performance musical ao piano, pelas lentes da Autorregulação da Aprendizagem. Dessa forma, objetivou estabelecer o perfil de autorregulação e uso de estratégias de estudo na construção da performance ao piano, verificar quais variáveis – dentre níveis de escolaridade, idade, anos de experiência e horas de estudo – respondiam por diferenças na autorregulação e elencar sugestões da literatura da Autorregulação da Aprendizagem referente à prática musical que pudessem ser aplicadas. Trata de uma pesquisa de campo, descritiva, onde a coleta de dados se deu de forma online, por meio do Self-regulated Practice Behaviour Questionnaire. Participaram 93 pianistas, estudantes de sete instituições de ensino superior de diferentes regiões do Brasil. Os resultados mostraram o perfil de Autorregulação da Aprendizagem nos diferentes níveis de formação, com diferenças significativas na comparação por nível de escolaridade, idade e horas de estudo diárias. Os participantes se perceberam como inclinados a apresentar comportamento autorregulado e a utilizar estratégias de Autorregulação da Aprendizagem, além das estratégias de estudo, para resolver questões relacionadas à construção da performance.Palavras-chave: Autorregulação. Performance musical. Ensino superior
A Banda Marcial como Disciplina Eletiva no Ensino Fundamental em Escola de Tempo Integral
Resumo: O objetivo desta pesquisa é apresentar elementos da educação musical desenvolvida em escola de educação básica de tempo integral no contexto das disciplinas eletivas para a 2ª fase do ensino fundamental. Em termos metodológicos, ressaltamos nossa experiência tácita, desenvolvida no contexto das escolas de tempo integral de Goiânia (Goiás, Brasil), a qual se deu de modo participante e longitudinal, cuja experiência serviu para interpretarmos os dados coletados por um grupo de estudantes da licenciatura em música (PIBID IFG, 2018 e 2019) em um survey realizado com alunos, professores e gestores da escola. Os resultados, além de apresentarem as características da educação musical na 2ª fase do ensino fundamental nas disciplinas eletivas, também apontam para elementos que caracterizam esse contexto na voz dos atores participantes, de modo que sustentamos uma defesa das disciplinas eletivas para o desenvolvimento de múltiplas experiências em música e como processo formativo musical dos estudantes. Palavras-chave: Educação musical. Ensino fundamental. Disciplinas eletivas.
Educação Musical Escolar e Ensino Médio: configuração e desafios para a construção democrática da escola
Este trabalho analisa as configurações sócio-históricas do ensino médio brasileiro a partir de 1988, trazendo dados e apontando problemáticas tidas como consagradas no campo da Educação. Faz um levantamento de artigos que abordam o Ensino Médio e Educação Musical Escolar nas edições de 23 a 43 (2010 a 2019) da Revista da ABEM. Aborda as relações dos jovens com os fenômenos musicais, compreendendo-os como sujeitos partícipes desse nível de ensino. Também, aponta algumas possibilidades de trabalho no contexto da Educação Musical Escolar no Ensino Médio, levando em consideração o perfil heterogêneo das redes de ensino. Ainda, discute brevemente a efetivação da Lei 13.278/2016, indicando a necessidade da construção de um currículo que respeite as formações específicas de cada área do conhecimento, sem excluir possibilidades de trabalhos coletivos sistematicamente articulados em Art
Diversidade de gênero e sexualidade na docência de música: um estudo com professores/as de música da educação básica
Este artigo tem por finalidade apresentar os resultados da pesquisa de mestrado que teve como objetivo geral compreender como professores/as de música da educação básica vivenciam a diversidade de gênero e sexualidade na docência de música. Esta pesquisa está fundamentada nos coneitos de gênero e sexualidade no campo da educação e da educação musical. A estratégia de investigação adotada foi o grupo de discussão que obteve a colaboração de professoras/es de música de escolas de educação básica de Porto Alegre e região. Os resultados deste estudo indicaram que a aula de música é um tempo-espaço generificado e ambiente sexualizado, por meio da música vivenciamos nossas identidades de gênero e sexualidade e por meio do gênero e da sexualidade, criam-se ordenamentos na prática musical e para prática educativo-musical. Acrescenta-se ainda o entendimento, que no convívio entre diversidades de gênero e sexualidade na escola, é que aprendemos a entender a diversidade