Revista da ABEM
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Educação musical, tecnologias e pandemia: o que aprendemos e para onde vamos?
Este ensaio delimita, discute e reapropria conceitos que tomaram papel de protagonismo frente aos desafios apresentados ao exercício da docência em música no período da pandemia da Covid-19. Ademais, são apresentados prognósticos dos cenários educativo-musicais que se desenham à medida que o processo de vacinação avança e novas perspectivas educacionais são configuradas. É possível concluir que o ensino remoto emergencial é uma modalidade educacional particular, com uma relação tempo-espaço específica. Para um encaminhamento das ações educacionais nessa abor-dagem, os processos e práticas educativo-musicais podem se aproximar dos esquemas de funciona-mento da cultura participativa digital. É necessário compreender o ensino híbrido como possibilidade pedagógica que permite articulação e trânsito com diferentes tempos/espaços educativos-musicais, tendo em vista que a própria ideia de hibridização possibilita a integração de diferentes práticas mu-sicais. Para uma prática pedagógico-musical consistente no contexto pós-pandêmico, são necessárias mudanças no processo de formação inicial de professores de música, contemplando temáticas que vão ao encontro das necessidades apresentadas.Palavras-chave: Educação musical. Tecnologias. Covid-19
Componente curricular arte em disputa: embates pela especificidade da música nas políticas curriculares
Este ensaio analisa duas políticas curriculares para o Ensino Fundamental – as versões da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e a Proposta Curricular do Estado da Paraíba. Nas reflexões realizadas, evidenciamos as disputas a respeito do componente Arte nesses dois documentos, enfocando especialmente o campo da Música. Assim, notamos o componente como significante vazio que ora é definido como espaço curricular que abarca cada área com os seus conhecimentos específicos, ora como um componente único – Arte – que mescla os campos epistemológicos das distintas especificidades artísticas. Por meio de diálogos entre autores da Educação Musical e da Pedagogia, principalmente por apropriações da teoria do discurso no campo do Currículo, defende-se a ideia de que entremos na disputa pela significação de um componente Arte diverso, entendido a partir de uma perspectiva que assuma que nenhuma política curricular está tão definida que não possa ser ressignificada. Argumentamos ainda que a Arte no currículo deva ocupar um espaço que respeite as especificidades de cada campo epistemológico e que a luta por essa significação é uma forma de resistirmos a possíveis retrocessos.
Problema, criatividade e ensino remoto emergencial: reflexões sobre a prática docente no ensino superior
Que estratégias poderiam nortear a minha ação docente em um componente de caráter prático, no contexto de ensino remoto emergencial? A identificação de uma situação-problema e a possibilidade de estimular uma ação docente criativa apresentam-se como os eixos centrais deste ensaio. A pandemia de Covid-19 abalou as nossas vidas e as práticas de ensino e aprendizagem nos diversos campos do conhecimento, da educação infantil à pós-graduação. Especificamente na nos-sa área, vimos e ainda temos acompanhado as adequações pedagógicas para o uso satisfatório das tecnologias de informação e comunicação. Com a finalidade de discutir algumas proposições sobre a atuação docente no ensino superior e no contexto remoto, articulo os pressupostos teóricos das áreas da educação musical e da psicologia acerca dos conceitos de problema e criatividade. São elencados os caminhos que percorri na busca por propor aulas contextualizadas, criativas e significativas. O esta-belecimento de um ciclo crítico-reflexivo – conhecer o contexto, dialogar (com os estudantes e os pares da área), planejar, ministrar e avaliar o desenvolvimento das aulas e dos participantes – colaborou nas decisões pedagógico-musicais cujo processo evidencia as possibilidades e os limites de determinadas ações no âmbito do ensino remoto emergencial.Palavras-chave: Ensino remoto emergencial. Prática docente criativa. Ensino superior
As abordagens holística, fragmentada e mista no ensino tutorial de instrumento musical
A literatura tem discutido os desafios do ensino tutorial de instrumento musical. Todavia, master classes possuem idiossincrasias que demandam uma atenção especial. Assim, coloca-se a pergunta: Como o professor aborda o processo de ensino em um ambiente de master class de instrumento musical? Para investigar essa questão, esta pesquisa empregou a estratégia de estudo de caso exploratório em uma amostra de 60 master classes de violão. Essas master classes foram transcritas e analisadas individualmente com foco no processo de ensino do professor, sendo três delas apresentadas em detalhes no corpo deste artigo. Os resultados indicam que, nesse formato de ensino, o professor pode adotar três abordagens distintas: holística; fragmentada; e mista. A abordagem holística é caracterizada por uma série de instruções sobre conceitos performativos gerais que extrapola ou renuncia o uso de trechos específicos da obra tocada pelo estudante durante a aula. A abordagem fragmentada é caracterizada por um trabalho concentrado em situações técnico-musicais que captam a atenção do professor e/ou em trechos específicos da obra apresentada pelo estudante. A abordagem mista trabalha de maneira intercalada ou complementar as duas abordagens descritas anteriormente. Por fim, esta pesquisa discute os benefícios e desafios associados a cada uma dessas abordagens de ensino
Criação musical na prática coral: dimensões da formação em música
Este artigo apresenta as discussões centrais da pesquisa de doutorado, que teve por objetivo geral compreender que dimensões da formação em música podem ser trabalhadas a partir de uma ação pedagógica que estimule a criatividade e envolva experiências de criação musical no contexto do coro. A discussão teórica articula as perspectivas da psicologia da criatividade e da educação musical. A metodologia orientou-se pelos pressupostos da abordagem qualitativa e da pesquisa-ação, tendo como campo empírico o Projeto de Extensão da Universidade Federal de Pernambuco, “Canta CAp: educação musical e prática coral”, desenvolvido no seu Colégio de Aplicação. A estimulação da criatividade e a reorganização das atividades desenvolvidas no cotidiano pedagógico dos ensaios possibilitou a efetivação do processo de criação musical. A análise dos dados revelou a ressignificação da prática coral, com destaque para quatro dimensões de formação em música: estética, colaborativa, cognitiva/afetiva e crítica. A pesquisa-ação desenvolvida forneceu as bases para uma prática coral abrangente que inclui a criação musical
Práticas de ensino e aprendizagem de canto no YouTube: um estudo sobre o espaço pedagógico-musical de um canal
Este artigo discute os achados de uma pesquisa que estudou os fenômenos de ensino e aprendizagem musical online que tomam lugar em mídias sociais e objetivou compreender como ocor-rem as concepções, interações e práticas de ensino e aprendizagem de canto oriundas de um canal no YouTube. A pesquisa se insere na cibercultura, utilizando-se de práticas etnográficas (André, 2012; Hine, 2000, 2009) em sua abordagem metodológica, levando ainda em consideração características de uma investigação que se dá sobre, na e através da internet (Fragoso; Recuero; Amaral, 2011). Foram tomados como base os instrumentos investigativos: observação, pesquisa documental e entrevista semiestruturada, além da própria imersão e experiência do investigador no campo, especificamente no canal investigado. Através da discussão dos dados, foi possível compreender que as concepções, interações e as práticas de ensino e aprendizagem de canto desenvolvidas em um canal no YouTube apresentam e possibilitam: estruturas pedagógicas lineares em sua disposição ou não lineares por opção e condução do próprio aprendiz; potencial de interação todos-todos; e características que po-tencializam múltiplas formas de aprendizado através da manipulação dos vídeos. Desse modo, perce-be-se o potencial do YouTube para o desenvolvimento de práticas pedagógico-musicais na concepção de educação online apresentada por Santos (2009, 2019), conduzindo-nos a reflexões e proposições de uma educação musical atenta ao contexto contemporâneo e suas especificidades, assumindo então uma práxis formativa humana, atenta, significativa, interativa, participativa e digital.Palavras-chave: Educação musical online. Cibercultura. Pedagogia vocal. YouTube
Formação em música no ensino a distância (EAD): estado do conhecimento em teses e dissertações brasileiras (2002-2020)
Este estudo investiga o que tem sido pesquisado nos programas brasileiros de pós-graduação stricto sensu sobre a temática “ensino de música a distância”, em quais instituições de ensino superior (IES) e programas de pós-graduação (PPGs), bem como a distribuição dessa produção pelas regiões do país. Como método, realizou-se uma pesquisa bibliográfica, delineada como estudo do estado do conhecimento. Os dados foram coletados no Catálogo de Teses e Dissertações da Capes, que compreendeu os anos de 2002 a 2020. Foram identificados 50 trabalhos, sendo 16 teses e 34 dissertações. Os resultados apontam uma produção não muito robusta, desigualmente distribuída pelas regiões do país e, em grande medida, realizada pelos PPGs em música de IES públicas. Os sentidos e efeitos dessas características são discutidos à luz da revisão da literatura. Conclui-se que a reflexão sobre aspectos da produção científica no ensino a distância em música é necessária para colaborar na compreensão do fenômeno e da situação brasileira nesse campo, uma vez que a EaD em música é relativamente recente, e ensinar a distância conteúdos que eram desenvolvidos exclusivamente de modo presencial é um desafio cujo enfrentamento ainda precisa ser ampliado e estimulado
Fatores Facilitadores e Inibidores da Criatividade Musical: Por uma pedagogia da ressignificação
Este artigo apresenta os resultados de um estudo empírico/qualitativo que buscou identificar alguns dos fatores capazes de facilitar ou inibir a criatividade em música, bem como averiguar se fatores considerados inibidores à agência criativa são passíveis de serem ressignificados mediante determinadas proposições pedagógicas. O estudo foi realizado através de uma pesquisa baseada na prática (Practice-based Research) efetivada junto a estudantes de graduação e pós-graduação da Universidade xxx (Alemanha). As práticas investigativas/pedagógicas envolveram atividades de improvisação musical e conversas direcionadas. Os resultados indicam que os fatores facilitadores à criatividade estão ligados à práticas e vivências musicais realizadas em ambientes socioeducativos formais, não-formais e informais favoráveis à manifestação criativa. Os fatores inibidores, por sua vez, foram identificados a partir de abordagens educacionais restritivas e de questões de ordem psicológica e sociocultural. Alguns fatores inibidores foram ressignificados ao empregar as atividades pedagógicas propostas, mas não foi observado mudanças significativas em crenças e valores de ordem psicossocial. Conclui-se que uma pedagogia da ressignificação, apesar de suas limitações, se apresenta como uma ferramenta eficaz à praxis educativa ao estimular, em poucos encontros, reflexões críticas que encorajaram a agência criativa dos sujeitos investigados