Journal Tourism Studies & Practices (RTEP)
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    EL MEGAPROYECTO TURÍSTICO DEL CENTRO INTEGRALMENTE PLANEADO BAHÍAS DE HUATULCO, OAXACA: LA CONFLICTIVIDAD SOCIOAMBIENTAL: THE TOURISM MEGAPROJECT OF THE INTEGRATED PLANNED CENTER BAHIAS DE HUATULCO OAXACA: THE SOCIO-ENVIRONMENTAL CONFLICT

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    RESUMEN: Los megaproyectos turísticos en México han sido portadores de importantes beneficios en los sitios donde se han puesto en marcha, sin embargo, también han favorecido a la acumulación del capital a través de procesos (neo)extractivistas, ya que contribuyen a la mercantilización tanto de la naturaleza como del mismo ser humano, lo que se traduce en conflicto. En el presente documento, se tiene como elemento de análisis a la ecología política para el entendimiento de la conflictividad socioambiental y de los procesos de desterritorialización, los cuales son consecuencia de los megaproyectos turísticos, siendo el referente aquí el Centro Integralmente Planeado (CIP) Bahías de Huatulco, localizado en la costa de Oaxaca, cuyo contexto histórico está marcado por un conflictivo proceso de expropiación territorial, fechado al año de 1984, y que en su inmediatez cercó el territorio, al mismo tiempo que segregó y llevó a la población a un proceso de relocalización que de larga data ha incidido en la organización socio-espacial, el equilibrio ecológico y la sostenibilidad. Palabras clave: conflictos, espacio social, extractivismo, turismo, territorio.   RESUMO: Megaprojetos de turismo no México trouxeram benefícios significativos aos locais onde foram implementados. No entanto, também fomentaram a acumulação de capital por meio de processos (neo)extrativistas, pois contribuem para a mercantilização da natureza e da humanidade, o que se traduz em conflitos. Neste documento, a ecologia política é utilizada como elemento de análise para compreender os conflitos socioambientais e os processos de desterritorialização, que são consequências de projetos de megaturismo, tendo como referência o Centro Integralmente Planejado (CIP) das Bahías de Huatulco, localizado na costa de Oaxaca, cujo contexto histórico é marcado por um processo conflituoso de expropriação territorial, datado de 1984, e que imediatamente cercou o território, ao mesmo tempo em que segregava e conduzia a população a um processo de realocação que há muito tempo influencia a organização socioespacial, o equilíbrio ecológico e a sustentabilidade. Palavras-chave: conflitos, espaço social, extrativismo, turismo, territorio.   ABSTRACT: Mega-tourism projects in Mexico have brought significant benefits to the places where they have been implemented. However, they have also fostered capital accumulation through (neo)extractivist processes, as they contribute to the commodification of both nature and humankind, which translates into a source of conflict. In this document, political ecology is used as an element of analysis to understand socio-environmental conflict and deterritorialization processes, which are a consequence of mega-tourism projects, the reference here being the Bahias de Huatulco Integrated Planned Center, located on the coast of Oaxaca, whose historical context is marked by a conflictive process of territorial expropriation, dated back to 1984, and which immediately surrounded the territory, while segregating and leading the population to a relocation process that has long influenced the socio-spatial organization, ecological balance and sustainability. Keywords: conflicts, social space, extractivism, tourism, territory

    PREFÁCIO: FOREWORD

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    Esta obra é resultado da iniciativa de Internacionalização do Grupo de Cultura e Estudos em Turismo (GCET), cuja proposta é ampliar o diálogo acadêmico entre instituições, pesquisadores e territórios, fortalecendo o intercâmbio científico e cultural. Os artigos aqui reunidos refletem as linhas de investigação desenvolvidas pelo GCET, evidenciando a pluralidade temática e a abordagem interdisciplinar que caracterizam o grupo. O turismo, enquanto expressão das mobilidades humanas e culturais, revela a complexidade e a diversidade que caracterizam o mundo contemporâneo. Esta obra convida o leitor a adentrar nesse universo multifacetado, compreendendo o turismo como fenômeno social, econômico e simbólico que articula uma ampla rede de interações. Mais do que uma atividade econômica, trata-se de um campo de experiências e significados, capaz de espelhar tensões, valores e transformações das sociedades modernas. A diversidade que permeia o turismo deve ser compreendida sob uma dupla perspectiva no campo do conhecimento: como essência e como desafio. Nesta obra, ela se manifesta pela interseção de saberes de pesquisadores do Brasil e de Moçambique, cujas formações, olhares e recortes de pesquisa distintos desafiam qualquer tentativa de unificação teórica — uma característica marcante nas investigações sobre o fenômeno turístico. Os autores exploram as tensões entre a padronização global e a valorização das identidades locais, bem como as estratégias de preservação cultural e ambiental no contexto do desenvolvimento da atividade turística. As semelhanças e diferenças que estruturam os estudos comparativos também assumem a função de eixo teórico que articula os seis capítulos que compõem a obra. Destacam-se como elementos centrais a cultura marcada pela herança da colonização portuguesa, a paisagem e a hospitalidade — dimensões que conferem singularidade aos destinos e constituem o elo entre as análises apresentadas. O ponto de convergência entre os capítulos está no planejamento e na gestão do turismo como instrumentos para promover localidades e atrair visitantes. Os pesquisadores ressaltam a importância de políticas e ações baseadas na proteção e valorização do patrimônio cultural e natural, de modo que o desenvolvimento da atividade ocorra de forma responsável e sustentável. Essa perspectiva confere à obra um caráter propositivo, voltado à reflexão crítica sobre os caminhos da governança e da sustentabilidade nos territórios turísticos. A dimensão político-institucional, ou superestrutura, é abordada em três estudos que analisam diferentes contextos. O primeiro compara as propostas elaboradas pelo Brasil, por meio do Plano Brasis, e por Moçambique, por meio da INATUR, evidenciando os desafios de posicionar ambos os países como destinos turísticos internacionais. O segundo discute as interseções entre turismo e áreas protegidas — notadamente nas zonas costeiras de Anhatomirim (Brasil) e no Parque Nacional da Gorongosa (Moçambique) —, destacando o papel do turismo sustentável na conservação ambiental e no desenvolvimento socioeconômico. O terceiro estudo examina a sinalização turística em centros históricos, refletindo sobre comunicação, acessibilidade e inclusão. A dimensão cultural emerge a partir da gastronomia, compreendida como expressão identitária e resultado de interações históricas e culturais. Nesse contexto, a culinária é tratada como eixo articulador entre cultura, identidade, turismo e economia, mediando o contato afetivo com o patrimônio e tornando-se elemento estratégico para o desenvolvimento sustentável e a promoção dos territórios de Manaus e Moçambique. A dimensão tecnológica, por sua vez, é evidenciada no estudo sobre a qualidade percebida nos serviços de hospedagem em Moçambique. A pesquisa combina a aplicação do TOURQUAL Hotéis à mineração de dados, por meio da análise de conteúdo gerado pelos usuários (CGU) e de sentimentos, revelando que o atendimento humano permanece como categoria central na percepção da qualidade. Esse resultado nos leva a refletir sobre a importância da dimensão humana nas experiências turísticas — aspecto essencial num contexto de crescente digitalização. As tensões e contradições provocadas pelo avanço tecnológico, pela homogeneização cultural e pela supremacia do global sobre o local são questões sensíveis que perpassam os capítulos. Esses desafios devem ser considerados na formulação de políticas públicas e estratégias de gestão que orientem o desenvolvimento da atividade turística. Embora ainda haja muito a avançar, o turismo pode — e deve — desempenhar papel central na valorização e preservação da diversidade natural e cultural existente no Brasil e em Moçambique. Tais atributos constituem a base para um desenvolvimento econômico e social ético, participativo e comprometido com os povos que habitam esses territórios. Mais do que reunir estudos acadêmicos, esta obra propõe um diálogo entre contextos e saberes, reafirmando o turismo como campo de construção de sentidos, identidades e futuros possíveis. Este esforço consolida a relação e a cooperação Brasil–Moçambique, em uma perspectiva de valorização da pesquisa sobre o turismo no Sul Global

    PLANO BRASIS E INATUR: A PROMOÇÃO DO TURISMO INTERNACIONAL NO BRASIL E EM MOÇAMBIQUE: THE BRASIS PLAN AND INATUR: STRATEGIES FOR THE PROMOTION OF INTERNATIONAL TOURISM IN BRAZIL AND MOZAMBIQUE

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    RESUMO: O turismo vem se consolidando como uma das principais atividades econômicas globais, despertando o interesse dos governos por seu potencial de geração de renda, emprego e desenvolvimento regional. Com a retomada das viagens internacionais após a pandemia de COVID-19, cresceu a concorrência entre destinos, exigindo estratégias mais elaboradas de promoção turística. Este estudo teve como objetivo analisar comparativamente os Planos de Marketing Turístico Internacional propostos pelos órgãos oficiais do Brasil (Embratur) e de Moçambique (INATUR). A escolha desses países se justifica por suas semelhanças culturais, históricas e linguísticas, além de suas características naturais e hospitalidade. A pesquisa é qualitativa, de caráter exploratório e natureza documental, baseada na análise de conteúdos disponíveis nas plataformas digitais das instituições. Foram examinados o Plano Brasis (2025–2028) e o PEDTM II (2015–2024), com foco no posicionamento de marca, mercados prioritários, segmentos turísticos e principais ações e programas. Os resultados mostram que o Brasil apresenta uma estratégia estruturada, com forte articulação institucional e foco na diversidade de perfis de viajantes, promovendo destinos consolidados e emergentes. Moçambique, por sua vez, aposta no turismo de alto padrão e em recursos naturais exclusivos, mas enfrenta desafios como limitações de infraestrutura e baixa capacidade institucional. Compreende-se que ambos os países reforçam a importância de estratégias alinhadas aos contextos locais, sustentadas por planejamento e governança eficaz, para alcançar maior competitividade no cenário do turismo internacional. Palavras-Chave: Marketing; Plano de marketing; Turismo.   ABSTRACT: Tourism has been consolidating itself as one of the main global economic activities, attracting government interest due to its potential for generating income, employment, and regional development. With the resumption of international travel after the COVID-19 pandemic, competition among tourist destinations has intensified, requiring more elaborate international promotion strategies. This study aimed to comparatively analyze the International Tourism Marketing Plans proposed by the official tourism agencies of Brazil (Embratur) and Mozambique (INATUR). The selection of these countries is justified by their cultural, historical, and linguistic similarities, as well as their natural characteristics and hospitality. The research is qualitative, exploratory in nature, and based on documentary analysis, using content available on the digital platforms of the respective institutions. Two key documents were examined: the Plano Brasis (2025–2028) and the PEDTM II (2015–2024), focusing on brand positioning, priority markets, tourism segments, and key actions and programs. The results show that Brazil presents a well-structured strategy, with strong institutional coordination and a focus on diverse traveler profiles, promoting both consolidated and emerging destinations. Mozambique, in turn, focuses on high-end tourism and exclusive natural resources, but faces challenges such as infrastructure limitations and low institutional capacity. It is understood that both countries reinforce the importance of strategies tailored to local contexts, supported by effective planning and governance, in order to achieve greater competitiveness in the international tourism market. Keywords: Marketing; Marketing Plan; Tourism

    TURISMO DE BASE COMUNITÁRIA: BREVE REVISÃO DE ESCOPO EM TESES E DISSERTAÇÕES (2004-2024): COMMUNITY-BASED TOURISM: A BRIEF REVIEW OF THE SCOPE OF THESES AND DISSERTATIONS (2004-2024)

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    RESUMO: Este artigo de revisão de escopo inventaria e descreve a produção brasileira de teses e dissertações defendidas no período 2004-2023 sobre Turismo de Base Comunitária (TBC). Mediante procedimentos de pesquisa bibliográfica, análise descritiva de conteúdo e análise semântica, o texto tem o objetivo de listar, quantificar e tipificar trabalhos de pós-graduação produzidos por ano e gênero textual, áreas de conhecimento de aderência na Pós-Graduação, o lugar das universidades nesta produção e, principalmente, as localidades, objetos e preocupações motivadoras da pesquisa sobre TBC no Brasil. Os resultados apontam que a produção sobre TBC cresceu progressiva e significativamente nas últimas duas décadas em domínios acadêmicos, como Desenvolvimento e Meio Ambiente, com a predominância das Universidades Públicas, retratando uma diversidade de localidades-alvo (campo/cidade), em 24 unidades da Federação Brasileira, além de Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, Chile e Bolívia, abordando, sobretudo o binômio sustentabilidade/gestão comunitária. Palavras-chave: Turismo; Turismo de Base Comunitária (TBC); Revisão da Literatura.     ABSTRACT: This article aims to provide an overview of the Brazilian production of theses and dissertations on Community-Based Tourism (CBT) defended between 2004 and 2023. Through bibliographic research procedures, descriptive content analysis, and semantic analysis, this text aims to list, quantify, and typify postgraduate works produced by year and textual genre, areas of knowledge in which postgraduate studies adhere, the role of universities in this production, and, most importantly, the locations, objects, and motivating concerns of CBT research in Brazil. The results indicate that there has been a notable increase in the production of research on CBT over the past two decades. This growth can be observed in academic fields such as Development and the Environment, with a majority of studies conducted at public universities. Additionally, the research encompasses a diverse range of locations, including rural and urban areas across 24 units of the Brazilian Federation, as well as Guinea-Bissau, Mozambique, Portugal, Mexico, Chile, and Bolivia. The studies primarily focus on the interrelated themes of sustainability and community management. Keywords: tourism; community-based tourism (CBT); literature review

    DESAFIOS DO TURISMO LATINO-AMERICANO: PERSPECTIVAS DE DESENVOLVIMENTO E CONTRADIÇÕES SOCIOESPACIAIS: CHALLENGES OF LATIN AMERICAN TOURISM: DEVELOPMENT PERSPECTIVES AND SOCIO-SPATIAL CONTRADICTIONS

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    Esta edição especial, dedicada ao Turismo na Costa de Oaxaca, México, presenteia a Revista Turismo Estudos e Práticas (RTEP/GEPLAT/UERN) com mais um volume internacional, estreitando laços acadêmicos com pesquisadores latino-americanos e abrindo perspectivas para se pensar o turismo em nosso continente americano a partir de monografias empíricas e reflexões teóricas para além do pensamento econômico-gerencial. Prezando, portanto, pela pluralidade epistemológica e pela liberdade e criatividade na perspectivização crítica de objetos analíticos emergentes e enquadres compreensivos disruptivos, a coletânea de textos que segue apresenta ao leitor o desafio de repensar o Turismo na interface ampla de Sociedade, Cultura, Espaço, Natureza, Urbano, Trabalho, Tecnologia e Tradição. Cabe enfatizar, com efeito, que Turismo na Costa de Oaxaca, México buscou provocar mais fertilizações e cruzamentos de ideias do que conclusões e encerramentos de debates. Assim, no presente Volume 14, Número 2 (2025), organizado pelo professor Dr. José María Filgueiras Nodar, do Instituto de Investigación de Turismo da Universidad del Mar (campus Huatulco), brinda-se o leitor com uma coletânea de textos críticos sobre o turismo no limiar de um século XXI já em avançada consolidação, de modo que esses argumentos empírica e teórico-metodologicamente embasados se mostram ávidos por problematizar a atividade turística como recurso para o desenvolvimento socioespacial, por um lado; mas que tem demonstrado, por outro lado, uma série de contradições estruturais que limitam sua capacidade desenvolvimentista de outrora, isto é, das últimas cinco décadas de derrocada do pensamento linear, gerencial e prognosticador de tendências. Esta edição, com o fito de atualizar uma ampla leitura da teorização sobre as atividades turísticas e seus impactos na construção do mundo social, tem o mérito de trazer um diálogo ativo com o pensamento latino-americano do turismo, principalmente autores mexicanos, mas sobretudo com fortes marcas da geografia crítica brasileira, notadamente marcada por nomes consagrados como o de Milton Santos, Rogério Haesbaert, Roberto Lobato Correa e Ana Fani Carlos. Autores estes que promovem uma ponte analítica entre o século XX com seus espaços da grande fábrica e da megalópole proletária e o século XXI do capitalismo global financeirizado com seus espaços virtualizados de cidades digitais hiperconectadas por redes de consumidores de bytes e trabalhadores plataformizados.    Em termos temáticos, esta edição ainda revela problemáticas emergentes e urgentes para os estudos turísticos, tais como a preocupação com perspectivas neocolonialistas nos destinos turistificados para massas de consumidores de vitrines, parques e fachadas para a celebração imagética em redes sociais; o trabalho precário nos bastidores e nos palcos de serviços de satisfação lúdico-pueril do turista; o cotidiano de rua e de institucionalização quase militarizada de migrantes à deriva do turismo e em situação de vulnerabilidade; a especulação imobiliária e a gentrificação remodelando espaços urbanos para a expansão e reprodução sociometabólica do Capital; além da problematização de impactos socioambientais sobre os ecossistemas locais e sobre as comunidades tradicionais a partir de processos neoextrativistas. O artigo de abertura deste dossiê – que neste prefácio dedicamos maior atenção – intitulado DEZOITO ANOS DE CHEIROS NO DESTINO TURÍSTICO BAHÍAS DE HUATULCO (OAXACA, MÉXICO): UMA AUTOETNOGRAFIA QUE APONTA PARA A ÉTICA, de autoria do professor José María Filgueiras Nodar, traz uma importante discussão sobre o olfato como marcador de experiência humana e sua relação com a memória, sendo uma parte de nossa identidade. Para tanto, o estudo explora o que se passa com a paisagem olfativa do destino turístico Bahías de Huatulco, em Oaxaca. A partir de um relato pessoal de experiência, colocado metodologicamente como uma autoetnografia em que o autor relata viver há 18 anos no local, o professor Filgueiras Nodar explora essa possibilidade de memória olfativa desde os espaços naturais até os espaços com mais presença humana, tais como: os locais mais turistificados, os locais em que se encontram de maneira indistinta turistas e residentes, e aqueles espaços onde praticamente só vivem os residentes. Importa ressaltar o papel da memória coletiva na construção de uma identidade tanto social quanto territorial, que atualiza o passado presentificado em hábitos, lembranças, saberes e formas de fazer. Passado presentificado este que expressa no simbólico, no imaginário, no relacional, no discursivo e na materialidade da vida coletiva em uma territorialidade específica vivências ainda efervescentes. O estudo do Dr. Filgueiras Nodar, nesse sentido, cita odores tanto agradáveis quanto desagradáveis que surgem da atividade humana, revelando as contradições entre os espaços turísticos e os não-turísticos. O texto conclui dizendo que está interessado especialmente na ética do turismo, focada na questão de se os impactos negativos do turismo se refletem também no terreno olfativo. Na presente autoetnografia, o autor diz ter encontrado evidências suficientes para avançar uma resposta hipoteticamente positiva a tal questão. Por um lado, o texto pensa na interferência humana nos espaços naturais e áreas verdes, citando o exemplo dos quadriciclos. Por outra parte, também aborda os impactos sociais e culturais do turismo, como a gentrificação e a criação de bolhas olfativas exclusivas para os turistas (espaços higienizados, inodoros, padronizados para a experiência turistificada), ainda mais quando muitos trabalhadores dos hotéis e residentes locais em geral vivem em lugares com presença habitual de maus cheiros. O Segundo artigo, intitulado O MEGAPROJETO TURÍSTICO DO CENTRO INTEGRALMENTE PLANEJADO BAHÍAS DE HUATULCO, OAXACA: CONFLITO SOCIOAMBIENTAL, de Mayra Manuel Aragón, mostra como Megaprojetos de turismo no México fomentaram a acumulação de capital por meio de processos (neo)extrativistas, contribuindo para a mercantilização da natureza e da humanidade. Temos, nesse estudo, uma potente reflexão sobre a falência dos paradigmas conservacionista e preservacionista enquanto crítica ao avanço selvagem do Capital, bem como a ênfase da premente necessidade de superação, pelas sociedades complexas, da concepção utilitarista da natureza como recurso inesgotável, ainda que pelo recurso tecnológico da reciclabilidade, do consumo consciente e da inovação de cadeias operatórias no âmbito da produção industrial e de serviços. O megaprojeto turístico discutido na chave analítica do planejamento desenvolvimentista, com efeito, aponta para a captura da natureza como semióforo socio-ecológico a ser mercadologizado, patrimonializado, e, enfim, turistificado, isto é, reafirma-se a noção moderna de natureza como exterior ao humano, mas que pode ser socializada como recurso sociocultural e econômico. Em seguida, o terceiro texto, de Jorge Luis Hernández Aragón, com o título OBSERVAÇÃO DE BALEIAS COMO ATIVIDADE TURÍSTICA NA COSTA DE OAXACA, MÉXICO. IMPACTOS SOCIOECONÔMICOS E SOCIOAMBIENTAIS, demonstra que o turismo, de oferta diversificada, traz benefícios como geração de empregos e a conscientização ambiental, mas que, no caso do estudo, foram identificados efeitos negativos, como o assédio a baleias, colisões e poluição sonora, associados à falta de conhecimento sobre as melhores práticas. A discussão de Aragón aponta para o turismo como espetáculo e licença pueril do real, o que se apresenta deveras angustiante quando irônica, mas talvez ingenuamente, recorre ao rótulo comercial politicamente correto da educação e conscientização ambiental. Temos, no argumento crítico do texto, o quanto o turismo tem também recorrido a uma noção de natureza enquanto ciclo vital cósmico dissociado do humano e, portanto, revelador da perfeição da criação; mas, contudo, que pode ser modernamente apropriada para fins socioeconômicos. Norma Edith Gopar Cruz abre o quarto artigo com o texto CONFIGURAÇÃO TERRITORIAL E TRANSFORMAÇÃO DA PAISAGEM EM SAN JOSÉ MANIALTEPEC, TUTUTEPEC, JUQUILA, OAXACA. A autora discute a construção social e a reconfiguração territorial de San José Manialtepec, uma comunidade localizada na costa de Oaxaca, mostrando como a configuração territorial local reflete uma história de organização comunitária e apropriação do espaço através do sistema socio-ecológico-territorial de usos e costumes, mas enfatiza que as estruturas comunitárias estão a enfrentar mudanças resultantes do crescimento do turismo, promovido por interesses externos e endossado pelas autoridades locais. A discussão de Cruz tem se tornado recorrente na atual literatura sobre o impacto amplo do turismo em comunidades tradicionais, uma vez que apontam para as transformações causadas pela monetarização das trocas materiais e simbólicas, para a mercadologização dos valores e saberes tradicionais outrora configurados em relações de dádiva, compadrio e parentesco. A turistificação das comunidades tradicionais, com efeito, tem recorrido a processos de patrimonialização da memória e da cultura, bem como de profissionalização da juventude para o comércio turístico, o que, não raras vezes, insere o imaginário coletivo na alienação capitalista do consumismo. O afastamento das autoridades locais em relação à comunidade e ao território, nesse sentido, demonstra o quanto a presença de estrangeiros em atividades turísticas pode desestabilizar o cotidiano comunitário. Prosseguindo, o quinto escrito, REFLEXÕES SOBRE MIGRAÇÃO E TURISMO EN BAHÍAS DE HUATULCO, de Linda Mayell e Mario Alberto Gómez-Rivera, revela a relação estreita entre turismo e migração no destino turístico de Bahías de Huatulco, Oaxaca, analisando como as agências governamentais têm uma relação de poder sobre os migrantes que vivem em profunda vulnerabilidade e imposição de condutas. O estudo salienta a ironia de Huatulco como “destino”: para o turista, é um fim em si mesmo, um lugar de chegada para o descanso; para o migrante em trânsito, é apenas uma escala numa árdua viagem para o norte, um não-lugar de espera e incerteza. A discussão de Mayell e de Gómez-Rivera sobre a crise migratória que tangencia as atividades turísticas se inscreve em um contexto macroestrutural mais amplo de crise societária generalizada em nível global, que perpassa, entre outros, a crise econômica mundial de 2008 e a pandemia do Novo Coronavírus de 2020 a 2022, o que provocou o deslocamento de massas humanas que abarcam milhões de indivíduos desplazados de sua autoctonia cultural, territorial, linguística e, consequentemente, subjetiva e moral-emotiva. Na América do Sul, destacamos a vivência desse destino anonimizado por parte de colombianos, venezuelanos, guianenses, haitianos e dúzias de povos originários arbitrariamente cindidos pelo dispositivo moderno da fronteira entre Estados-Nação soberanos, mas falhos em promover a cidadania em mínimos toleráveis de Segurança, Alimentação, Moradia, Saúde e Educação, restando ao migrante, refugiado e deslocado, a decisão entre a vulnerabilidade da mobilidade e as ameaças existenciais da permanência em território perigoso e violento. O sexto texto, MEU PRIMEIRO EMPREGO: EXPERIÊNCIAS DE TRABALHO DE JOVENS EM HUATULCO, escrito por Jorge Alberto Meneses Cárdenas, descreve as experiências de trabalho dos jovens que vivem em Huatulco, ligadas à tecnologia e a outras condições de vida numa área turística, revelando que os trabalhos atípicos geram múltiplas experiências que apontam para cenários de incerteza e insegurança laboral, embora também sejam evidentes estratégias de resistência. Esta discussão traz à tona questões como o trabalho emocional e o sequestro da subjetividade, pois que bastante presentes no cotidiano laboral de jovens empregados na indústria turística. Indústria esta que tem se valido de estratégias criativas de exploração da força do trabalho, tais como: baixos salários, comissões associadas a metas, trabalho em horário extra expediente, monitoramento subjetivo e objetivo do trabalho, sequestro da subjetividade, precarização das condições de trabalho, engolfamento emocional no grupo, subalternização e ofensa moral, envergonhamento diante das exigências da empresa, humilhação, invasão de tempos e espaços íntimos e da Casa pela lógica instrumental do Capital, e, não menos importante, sedução da subjetividade do trabalhador para os interesses da empresa. Temos, portanto, uma discussão atual e urgente em tempos de hegemonia global do neoliberalismo como ideologia de gestão da reprodução e expansão do Capital. Ariana Eleuterio López, Edgar Talledos Sánchez e Rosalía Camacho Lomelí escrevem o sétimo artigo do dossiê. Em REORGANIZAÇÃO TERRITORIAL NA COSTA DE OAXACA: TURISMO E URBANIZAÇÃO, abordam o caso da Costa de Oaxaca, uma das regiões do México que foi transformada pelo desenvolvimento das atividades turísticas nas últimas três décadas, onde a desapropriação de terras e o desmatamento generalizado têm sido pedras angulares para o estabelecimento e desenvolvimento do turismo. A discussão deste texto remete, uma vez mais, a apropriação da sociedade e da natureza como recursos econômicos, ora socializando a natureza para o mercado, ora objetificando a sociedade para os interesses do Capital. Este dossiê traz ainda uma entrevista com a professora EVA GARCÍA PÉREZ – da Universidad Politécnica de Madrid, Departamento de Urbanismo y Ordenación del Territorio –, intitulada GENTRIFICAÇÃO E TURISTIFICAÇÃO COMO PROCESSO DE EXPANSÃO DO CAPITAL NA CIUDAD CAPITALISTA CONTEMPORÁNEA. A entrevista foi realizada por Rosalía Camacho Lomelí, que enfatiza como os processos de aburguesamento de resíduos socioespaciais urbanos estão atrelados a uma lógica não somente ético-estética de revitalização das cidades, mas sobretudo de colonização do urbano pela turistificação, aí situando de forma crítica os recentes processos de patrimonialização pelo (ab)uso da memória coletiva. O presente dossiê traz também uma tradução do artigo A IMPOSIÇÃO DE UM ESPAÇO: DE SANTA CRUZ A BAHÍAS DE HUATULCO, do professor Edgar Talledos Sánchez, discutindo como foi produzido o atual espaço do Centro Integralmente Planeado Bahías de Huatulco (CIP Huatulco), cuja implementação e desenvolvimento transformaram os povos e centros rurais do município de Santa María Huatulco. Sánchez discute como a produção socioespacial está associada de forma complexa a reorganização ecossistêmica de um território, o que implica em transformações cosmográficas dos povos que ali habitam, alterando dinâmicas econômicas e políticas. Este artigo foi originalmente publicado em espanhol na Revista Mexicana de Ciencias Políticas y Sociales, em 2012. A edição se encerra com a publicação de duas resenhas, excelentes notas críticas de leituras de duas obras relevantes para os estudos críticos em turismo. A primeira resenha, sobre o livro VENDER UNA CIUDAD: GENTRIFICACIÓN Y TURISTIFICACIÓN EN LOS CENTROS HISTÓRICOS, de Ibán Díaz Parra, foi escrita por Fanny Antonia Cortes Matías e aborda como o urbanismo neoliberal prioriza o mercado, desregulamentando o solo e o crédito e reduzindo a moradia pública estatal, legitimando a lógica capitalista nas cidades. É colocado que essa busca por rentabilidade usa a cultura urbana para atrair investimentos e turismo. As políticas de revitalização causam gentrificação e turistificação, deslocando trabalhadores e privilegiando ricos. Logo, o turismo de massa transforma o centro histórico em uma mercadoria consumível, aumentando a alienação dos moradores locais. A segunda resenha é da obra ¿TURISMO ECOCIDA O TURISMO ECOLÓGICO? EL ECOTURISMO: IMPACTOS Y POSIBILIDADES DE GESTIÓN, de Filgueiras Nodar, Manuel Aragón, Gómez Rojo e Jiménez Baños. A excelente resenha, escrita por José Ricardo Robledo Carmona, destaca que já o título “Turismo ecocida” é provocador, questionando se o ecoturismo falha em seus preceitos. O volume critica o ecoturismo sob diferentes dimensões (culturais, ecológicas, sociais), expondo sua polissemia e incapacidade de resolver os problemas do turismo de massa. A obra analisa os impactos negativos do turismo em ecossistemas e comunidades locais, promovidos por grandes cadeias e governos. Conclui-se que o livro abre novas possibilidades para se compreender e gerir o ecoturismo de forma responsável, buscando alternativas a um desenvolvimento insustentável. Concluímos afirmando que esta edição, sumamente crítica e atual, aborda temas de vital importância para o turismo. Traz uma narrativa a favor de práticas socialmente justas, não deixando de debater as desigualdades sociais e os desequilíbrios socio-ecológico-territoriais criados estruturalmente no e pelo turismo

    REFLEXIONES EN TORNO A LA MIGRACIÓN Y EL TURISMO EN BAHÍAS DE HUATULCO: REFLECTIONS ON MIGRATION AND TOURISM IN BAHÍAS DE HUATULCO

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    RESUMEN: Se entiende una estrecha relación entre el turismo y la migración, una que debe estudiar a estos dos movimientos de personas de una manera interrelacionada. Este documento explora esa relación en el destino turístico Bahías de Huatulco, Oaxaca, siendo éste un lugar desarrollado exclusivamente para la actividad económica del turismo, y que fue paso en el 2024 de miles de migrantes durante las grandes oleadas de Centroamérica y Sudamérica hacia Estados Unidos. A través de una extensa revisión bibliográfica y la observación, se realizó un mapeo de actores involucrados en la migración para determinar el tipo de relación que existe entre ellos. El estudio determinó que los organismos gubernamentales tienen una relación de poder sobre los migrantes mientras que con otros actores su relación es fundamental o de dependencia. Palabras clave: Bahías de Huatulco, mapeo de actores, migración, turismo.   RESUMO: Existe uma relação estreita entre turismo e migração, o que requer o estudo desses dois movimentos de pessoas de forma inter-relacionada. Este documento explora essa relação no destino turístico de Bahías de Huatulco, Oaxaca, um local desenvolvido exclusivamente para o turismo e que foi um ponto de trânsito para milhares de migrantes durante as grandes ondas da América Central e do Sul para os Estados Unidos em 2024. Por meio de uma extensa revisão bibliográfica e observação, foi realizado um mapeamento dos atores envolvidos na migração para determinar o tipo de relação existente entre eles. O estudo determinou que as agências governamentais têm uma relação de poder sobre os migrantes, enquanto com outros atores sua relação é fundamental ou de dependência. Palavras-chave: Baías de Huatulco, mapeamento de partes interessadas, migração, turismo.   ABSTRACT: There is a close relationship between tourism and migration, one that demands studying these two types of flow of people in an interconnected manner. This paper explores this relationship in the tourist destination of Bahías de Huatulco, Oaxaca, a place developed exclusively for tourism as an economic activity. In 2024, it became a transit point for thousands of migrants during the large waves of people from Central and South America heading towards the United States. An extensive literature review was made and also observation was used to create a mapping of actors involved in migration to determine the type of relationship that exists between them. The study determined that government agencies have a relationship of power over migrants, while their relationship with other actors is fundamental or one of dependence. Keywords: actor mapping, Bahías de Huatulco, migration, tourism

    TURISMO INDÍGENA NA ALDEIA BABAÇU: A EXPERIÊNCIA TERENA NO PANTANAL DE MATO GROSSO DO SUL SOB O OLHAR DO VISITANTE: INDIGENOUS TOURISM IN ALDEIA BABAÇU: THE TERENA EXPERIENCE IN THE PANTANAL OF MATO GROSSO DO SUL FROM THE VISITOR'S PERSPECTIVE

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    RESUMO: O turismo é um fenômeno social, multifacetado e dinâmico, com vínculos nas dimensões sociais, ambientais, políticas, econômicas e culturais que influenciam e são influenciados pelos visitantes e a comunidade local onde o fenômeno ocorre. Devido aos impactos causados pelo turismo hegemônico (turismo de massa) e devido a procura por novas experiências, o Turismo de Base Comunitária (TBC) tem como perspectiva ser uma alternativa de turismo voltado para a sustentabilidade social. Este tipo de turismo, realizado em comunidades indígenas, constitui fator de empoderamento da comunidade com valorização da cultura e da natureza. O artigo é resultado de pesquisa qualitativa e quantitativa que utilizou de ferramentas como o questionário com os visitantes para compreender a visão da demanda sobre a experiência do Turismo de Base Comunitária da aldeia indígena Terena Babaçu. Essa experiência é inédita e inovadora no estado de Mato Grosso do Sul. Através dos resultados foram criadas nuvens de palavras com o objetivo de representar e compreender o olhar do visitante no processo da experiência. Constatou-se que os visitantes tinham muitas expectativas em conhecer a comunidade indígena, seus usos, costumes e cultura; que a comunidade indígena Terena é considerada pelos visitantes como hospitaleira apesar da sua timidez no contato com o outro (turistas); que os visitantes participaram de troca de conhecimentos. No geral, o turismo na perspectiva comunitária na aldeia Babaçu contribui para a valorização da cultura indígena Terena, gerando recursos econômicos e sendo fator de resistência e empoderamento da comunidade. Palavras-chave: Terena; Aldeia Babaçu; Miranda-MS; Pantanal; Turismo de Base Comunitária; Turismo Indígena.   ABSTRACT: Tourism is a social, multifaceted, and dynamic phenomenon, intertwined with social, environmental, political, economic, and cultural dimensions that both influence and are influenced by visitors and the local community where it occurs. Due to the impacts of hegemonic tourism (mass tourism) and the search for new experiences, Community-Based Tourism (CBT) is envisioned as an alternative form of tourism focused on social sustainability. This type of tourism, conducted in Indigenous communities, serves as a means of community empowerment, valuing both culture and nature. This article is based on qualitative and quantitative research using tools such as visitor questionnaires to understand the demand perspective on the Community-Based Tourism experience in the Terena Babaçu Indigenous village. This experience is unprecedented and innovative in the state of Mato Grosso do Sul. Word clouds were created based on the results to represent and understand the visitors' perspectives on their experience. It was observed that visitors had high expectations regarding the Indigenous community, its customs, practices, and culture; the Terena Indigenous community was perceived as hospitable despite some shyness in interactions with outsiders (tourists); and visitors engaged in knowledge exchange. Overall, the community-based tourism experience in the Babaçu village contributes to the appreciation of Terena Indigenous culture, generating economic resources and serving as a factor of community resistance and empowerment. Keywords: Terena; Babaçu Village; Miranda-MS; Pantanal; Community-Based Tourism; Indigenous Tourism

    CHALLENGES OF LATIN AMERICAN TOURISM: DEVELOPMENT PERSPECTIVES AND SOCIO-SPATIAL CONTRADICTIONS

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    This special edition, dedicated to Tourism on the Oaxaca Coast, Mexico, presents the Journal of Tourism Studies and Practices (RTEP/GEPLAT/UERN) with another international volume, strengthening academic ties with distinguished Latin American researchers and opening new perspectives for thinking about tourism in our American continent based on empirical monographs and theoretical reflections that go beyond economic-managerial thinking. Therefore, valuing epistemological plurality and freedom and creativity in the critical perspective of emerging analytical objects and disruptive comprehensive frameworks, the collection of texts that follows presents the reader with the challenge of rethinking Tourism at the broad interface of Society, Culture, Space, Nature, Urban, Work, Technology, and Tradition. It is worth emphasizing, in effect, that Tourism on the Oaxaca Coast, Mexico sought to provoke more fertilization and cross-fertilization of ideas than conclusions and closures of debates. Thus, in the present Volume 14, Number 2 (2025), organized by Professor Dr. José María Filgueiras Nodar, from the Institute of Tourism Research, Universidad del Mar (Huatulco campus), the reader is presented with a collection of critical texts on tourism at the dawn of a 21st century already in advanced consolidation, in such a way that these empirically and theoretically-methodologically grounded arguments are eager to problematize tourism activity as a resource for socio-spatial development, on the one hand; but which has demonstrated, on the other hand, a series of structural contradictions that limit its developmental capacity of yesteryear, that is, of the last five decades of the collapse of linear, managerial and trend-predictive thinking. This edition, aiming to update a broad understanding of the theorization on tourism activities and their impacts on the construction of the social world, has the merit of fostering an active dialogue with Latin American thought on tourism, primarily Mexican authors, but above all it bears strong marks of Brazilian critical geography, notably marked by renowned names such as Milton Santos, Rogério Haesbaert, Roberto Lobato Correa, and Ana Fani Carlos. These authors promote an analytical bridge between the 20th century with its spaces of the large factory and the proletarian megalopolis and the 21st century of global financialized capitalism with its virtualized spaces of digital cities hyperconnected by networks of byte consumers and platformized workers. In terms of themes, this edition also reveals emerging and urgent issues for tourism studies, such as concerns about neocolonialist perspectives in tourist destinations geared towards mass consumers of shop windows, parks, and facades for image-based celebration on social media; precarious work behind the scenes and on the stages of services aimed at the playful and childish satisfaction of tourists; the daily life on the streets and the almost militarized institutionalization of migrants adrift from tourism and in vulnerable situations; real estate speculation and gentrification reshaping urban spaces for the expansion and socio-metabolic reproduction of Capital; in addition to problematizing the socio-environmental impacts caused by tourism activities on local ecosystems and traditional communities through neo-extractive processes. The opening article of this dossier – to which we devote greater attention in this preface – entitled EIGHTEEN YEARS OF SMELLS IN THE TOURIST DESTINATION OF BAHÍAS DE HUATULCO (OAXACA, MEXICO): AN AUTOETHNOGRAPHY THAT POINTS TOWARDS ETHICS, authored by Professor José María Filgueiras Nodar, presents an important discussion about smell as a marker of human experience and its relationship with memory, being a part of our identity. To this end, the study explores what is happening to the olfactory landscape of the tourist destination Bahías de Huatulco, in Oaxaca. Based on a personal account of experience, methodologically framed as an autoethnography in which the author recounts living in the area for 18 years, Professor Filgueiras Nodar explores this possibility of olfactory memory, from natural spaces to spaces with a greater human presence, such as: the most touristic locations, places where tourists and residents are indistinguishably found, and those spaces where practically only residents live. It is important to highlight the role of collective memory in the construction of both a social and territorial identity, which updates the past made present in habits, memories, knowledge, and ways of doing things. This presentified past expresses, in the symbolic, imaginary, relational, discursive, and material aspects of collective life within a specific territory, experiences that are still effervescent. Dr. Filgueiras Nodar's study, in this sense, cites both pleasant and unpleasant odors arising from human activity, revealing the contradictions between tourist and non-tourist spaces. The text concludes by stating that he is particularly interested in the ethics of tourism, focusing on whether the negative impacts of tourism are also reflected in the olfactory realm. In this autoethnography, the author claims to have found sufficient evidence to advance a hypothetically positive answer to this question. On the one hand, the text considers human interference in natural spaces and green areas, citing the example of quad bikes. On the other hand, it also addresses the social and cultural impacts of tourism, such as gentrification and the creation of olfactory bubbles exclusive to tourists (sanitized, odorless, standardized spaces for the tourist experience), even more so when many hotel workers and local residents in general live in places with a habitual presence of bad smells. The second article, entitled "THE MEGA-TOURISM PROJECT OF THE FULLY PLANNED BAHÍAS DE HUATULCO CENTER, OAXACA: SOCIO-ENVIRONMENTAL CONFLICT," by Mayra Manuel Aragón, shows how mega-tourism projects in Mexico have fostered capital accumulation through (neo)extractive processes, contributing to the commodification of nature and humanity. This study offers a powerful reflection on the failure of conservationist and preservationist paradigms as a critique of the unbridled advance of capital, as well as emphasizing the pressing need for complex societies to overcome the utilitarian conception of nature as an inexhaustible resource, even through technological means such as recyclability, conscious consumption, and innovation in operational chains within industrial and service production. The mega-tourism project discussed within the analytical framework of developmental planning, in effect, points to the capture of nature as a socio-ecological semiophore to be marketized, patrimonialized, and, ultimately, touristified; that is, it reaffirms the modern notion of nature as external to the human, but which can be socialized as a sociocultural and economic resource. Next, the third text, by Jorge Luis Hernández Aragón, titled WHALE WATCHING AS A TOURIST ACTIVITY ON THE COAST OF OAXACA, MEXICO. SOCIOECONOMIC AND SOCIO-ENVIRONMENTAL IMPACTS, demonstrates that tourism, with its diversified offerings, brings benefits such as job creation and environmental awareness, but that, in the case of this study, negative effects were identified, such as harassment of whales, collisions, and noise pollution, associated with a lack of knowledge about best practices. Aragón's discussion points to tourism as spectacle and a puerile license to ignore reality, which is quite distressing when, ironically, but perhaps naively, it resorts to the politically correct commercial label of environmental education and awareness. The text's critical argument shows how tourism has also resorted to a notion of nature as a cosmic life cycle dissociated from the human and, therefore, revealing the perfection of creation; However, it can be appropriated in modern times for socioeconomic purposes. Norma Edith Gopar Cruz opens the fourth article with the text TERRITORIAL CONFIGURATION AND LANDSCAPE TRANSFORMATION IN SAN JOSÉ MANIALTEPEC, TUTUTEPEC, JUQUILA, OAXACA. The author discusses the social construction and territorial reconfiguration of San José Manialtepec, a community located on the coast of Oaxaca, showing how the local territorial configuration reflects a history of community organization and appropriation of space through the socio-ecological-territorial system of uses and customs, but emphasizes that community structures are facing changes resulting from the growth of tourism, promoted by external interests and endorsed by local authorities. Cruz's discussion has become recurrent in the current literature on the broad impact of tourism on traditional communities, as it points to the transformations caused by the monetization of material and symbolic exchanges, and the commodification of traditional values ​​and knowledge once configured in relationships of gift-giving, godparenthood, and kinship. The touristification of traditional communities has, in effect, resorted to processes of patrimonialization of memory and culture, as well as the professionalization of youth for the tourism trade, which often inserts the collective imagination into the capitalist alienation of consumerism. The distancing of local authorities from the community and the territory, in this sense, demonstrates how much the presence of foreigners in tourism activities can destabilize daily community life. Continuing, the fifth paper, REFLECTIONS ON MIGRATION AND TOURISM IN BAHÍAS DE HUATULCO, by Linda Mayell and Mario Alberto Gómez-Rivera, reveals the close relationship between tourism and migration in the tourist destination of Bahías de Huatulco, Oaxaca, analyzing how government agencies have a power relationship over migrants who live in profound vulnerability and are subject to imposed conduct. The study highlights the irony of Huatulco as a "destination": for the tourist, it is an end in itself, a place of arrival for rest; for the migrant in transit, it is merely a stopover on an arduous journey north, a non-place of waiting and uncertainty. The discussion by Mayell and Gómez-Rivera on the migratory crisis that affects tourism activities is part of a broader macrostructural context of generalized societal crisis at a global level, which includes, among other things, the 2008 global economic crisis and the 2020-2022 COVID-19 pandemic, which caused the displacement of masses of people encompassing millions of individuals displaced from their cultural, territorial, linguistic, and consequently, subjective and moral-emotional autochthony. In South America, we highlight the experience of this anonymized fate for Colombians, Venezuelans, Guyanese, Haitians, and dozens of indigenous peoples arbitrarily divided by the modern device of the border between sovereign nation-states, but failing to promote citizenship in tolerable minimums of security, food, housing, health, and education, leaving the migrant, refugee, and displaced person to choose between the vulnerability of mobility and the existential threats of remaining in a dangerous and violent territory. The sixth text, MY FIRST JOB: WORK EXPERIENCES OF YOUNG PEOPLE IN HUATULCO, written by Jorge Alberto Meneses Cárdenas, describes the work experiences of young people living in Huatulco, linked to technology and other living conditions in a tourist area, revealing that atypical jobs generate multiple experiences that point to scenarios of uncertainty and job insecurity, although resistance strategies are also evident. This discussion brings to light issues such as emotional labor and the hijacking of subjectivity, which are quite present in the daily work of young people employed in the tourism industry. This industry has been employing creative strategies to exploit labor, such as: low wages, commissions tied to targets, overtime work, subjective and objective monitoring of work, hijacking of subjectivity, precarious working conditions, emotional engulfment within the group, subordination and moral offense, shame in the face of company demands, humiliation, invasion of intimate time and space and the home by the instrumental logic of Capital, and, no less important, seduction of the worker's subjectivity for the company's interests. Therefore, we have a current and urgent discussion in times of global failure of neoliberalism as an ideology for managing the reproduction and expansion of Capital. Ariana Eleuterio López, Edgar Talledos Sánchez, and Rosalía Camacho Lomelí write the seventh article in the dossier. In TERRITORIAL REORGANIZATION ON THE OAXACA COAST: TOURISM AND URBANIZATION, they address the case of the Oaxaca Coast, one of the regions of Mexico that has been transformed by the development of tourism activities in the last three decades, where land expropriation and widespread deforestation have been cornerstones for the establishment and development of tourism. The discussion in this text refers, once again, to the appropriation of society and nature as economic resources, sometimes socializing nature for the market, sometimes objectifying society for the interests of Capital. Furthermore, this dossier includes an interview with Professor Eva García Pérez – from the Polytechnic University of Madrid, Department of Urban Planning and Territorial Development – ​​entitled "GENTRIFICATION AND TOURISTIFICATION AS A PROCESS OF CAPITAL EXPANSION IN THE CONTEMPORARY CAPITALIST CITY." The interview was conducted by Rosalía Camacho Lomelí, who emphasizes how the processes of bourgeoisification of urban socio-spatial waste are linked to a logic that is not only ethical-aesthetic in the revitalization of cities, but above all in the colonization of the urban through touristification, thus critically situating the recent processes of patrimonialization through the (ab)use of collective memory. This dossier also includes a translation of the article THE IMPOSITION OF A SPACE: FROM SANTA CRUZ TO BAHÍAS DE HUATULCO, by Professor Edgar Talledos Sánchez, discussing how the current space of the Centro Integralmente Planeado Bahías de Huatulco (CIP Huatulco) was produced, whose implementation and development transformed the towns and rural centers of the municipality of Santa María Huatulco. Sánchez discusses how socio-spatial production is complexly associated with the ecosystemic reorganization of a territory, which implies cosmographic transformations of the peoples who inhabit it, altering economic and political dynamics. This article was originally published in Spanish in the Revista Mexicana de Ciencias Políticas y Sociales, in 2012. The edition concludes with the publication of two reviews, excellent critical notes on readings of two works relevant to critical studies in tourism. The first review, about the book SELLING A CITY: GENTRIFICATION AND TOURISM IN HISTORIC CENTERS, by Ibán Díaz Parra, was written by Fanny Antonia Cortes Matías and addresses how neoliberal urbanism prioritizes the market, deregulating land and credit and reducing state-provided public housing, thus legitimizing capitalist logic in cities. It argues that this pursuit of profitability uses urban culture to attract investment and tourism. Revitalization policies cause gentrification and touristification, displacing workers and privileging the wealthy. Therefore, mass tourism transforms the historic center into a consumable commodity, increasing the alienation of local residents. The second review is of the work ECOCIDAL TOURISM OR ECOLOGICAL TOURISM?, by Filgueiras Nodar, Manuel Aragón, Gómez Rojo and Jiménez Baños. The excellent review, written by José Ricardo Robledo Carmona, highlights that the title "Ecocidal Tourism" is provocative, questioning whether ecotourism fails in its precepts. The volume criticizes ecotourism from different dimensions (cultural, ecological, social), exposing its polysemy and inability to solve the problems of mass tourism. The work analyzes the negative impacts of tourism on ecosystems and local communities, promoted by large networks and governments. It concludes that the book opens new possibilities for understanding and managing ecotourism responsibly, seeking alternatives to unsustainable development. This edition, highly critical and up-to-date, addresses important themes for tourism that, even while presenting a narrative in favor of socially just practices, does not fail to discuss social inequalities and socio-ecological-territorial imbalances structurally created in and by tourism

    CONFIGURACIÓN TERRITORIAL Y TRANSFORMACIÓN DEL PAISAJE EN SAN JOSÉ MANIALTEPEC, TUTUTEPEC, JUQUILA, OAXACA: TERRITORIAL CONFIGURATION AND LANDSCAPE TRANSFORMATION IN SAN JOSÉ MANIALTEPEC, TUTUTEPEC, JUQUILA, OAXACA

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    RESUMEN: Este documento tiene como objetivo analizar la construcción social y la reconfiguración del territorio en San José Manialtepec, comunidad ubicada en la costa de Oaxaca. Se parte de la idea que el territorio no es un espacio neutral, sino una construcción social dinámica influida por relaciones de poder, prácticas cotidianas y procesos históricos. La metodología empleada es cualitativa, basada en trabajo etnográfico prolongado desde 2015 hasta la actualidad. Se realizaron entrevistas individuales y colectivas, sesiones con fundadores y ancianos, observación participativa, revisión de archivos agrarios y documentos municipales. Esta investigación se enriquece con la experiencia de vida de la autora, originaria de la comunidad. Los hallazgos revelan cómo en San José Manialtepec, la configuración territorial refleja una historia de desplazamientos, organización comunal y apropiación del espacio a través del sistema de usos y costumbres. La comunidad ha gestionado sus recursos naturales bajo estructuras comunitarias, pero enfrenta transformaciones derivadas del avance del turismo, promovido por intereses externos y avalado por autoridades locales. Palabras clave: Construcción social, Territorio, San José Manialtepec, Prácticas comunitarias, Turistificación.   RESUMO: Este documento tem como objetivo analisar a construção social e a reconfiguração territorial de San José Manialtepec, uma comunidade localizada na costa de Oaxaca. Assenta na ideia de que o território não é um espaço neutro, mas antes uma construção social dinâmica influenciada pelas relações de poder, pelas práticas quotidianas e pelos processos históricos. A metodologia utilizada é qualitativa, baseada num trabalho etnográfico prolongado desde 2015 até ao presente. Inclui entrevistas individuais e de grupo, sessões com fundadores e anciãos, observação participante e revisão de arquivos agrícolas e documentos municipais. Esta pesquisa é enriquecida pela experiência de vida do autor, que é originário da comunidade. As descobertas revelam como em San José Manialtepec, a configuração territorial reflete uma história de deslocação, organização comunitária e apropriação do espaço através do sistema de usos e costumes. A comunidade gere os seus recursos naturais através de estruturas comunitárias, mas está a enfrentar mudanças resultantes do crescimento do turismo, promovido por interesses externos e endossado pelas autoridades locais. Palavras-chave: Construção social, Território, San José Manialtepec, Práticas comunitárias, Turistificação.   ABSTRACT: This paper aims to analyze the social construction and reconfiguration of territory in San José Manialtepec, a community located on the coast of Oaxaca. It is based on the idea that territory is not a neutral space, but rather a dynamic social construction influenced by power relations, everyday practices, and historical processes. The methodology employed is qualitative, based on extended ethnographic work from 2015 to the present. It includes individual and group interviews, sessions with founders and elders, participatory observation, and a review of agrarian archives and municipal documents. This research is enriched by the life experience of the author, a native of the community. The findings reveal how in San José Manialtepec, the territorial configuration reflects a history of displacement, communal organization, and appropriation of space through a system of uses and customs. The community has managed its natural resources under community structures, but faces transformations resulting from the expansion of tourism, promoted by external interests and endorsed by local authorities. Keywords: Social construction, Territory, San José Manialtepec, Community practices, Touristification

    GENTRIFICACIÓN Y TURISTIFICACIÓN COMO PROCESOS DE EXPANSIÓN DEL CAPITAL EN LA CIUDAD CAPITALISTA CONTEMPORÁNEA. ENTREVISTA A EVA GARCÍA PÉREZ: GENTRIFICATION AND TURISTIFICATION AS CAPITAL EXPANSION PROCESSES IN CONTEMPORARY CAPITALIST CITY. INTERVIEW WITH EVA GARCÍA PÉREZ

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    Eva García Pérez es profesora en la Universidad Politécnica de Madrid, en el Departamento de Urbanismo y Ordenación del Territorio. Es arquitecta y urbanista, con experiencia en arquitectura, análisis y planificación urbana, tanto en proyectos de vivienda colectiva como en planeamiento urbano de la periferia metropolitana de Madrid. Su participación en la investigación académica, es el resultado heterodoxo de combinar saberes técnicos y académicos con herramientas multidisciplinares y compromiso social. Sus intereses de investigación se centran en los procesos de gentrificación, las dinámicas del mercado inmobiliario y los fenómenos de segregación y desigualdad urbana. Además, como madre, se reafirma cada día en la necesidad de construir una ciudad feminista como espacio de vida en común

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