Journal Tourism Studies & Practices (RTEP)
Not a member yet
965 research outputs found
Sort by
A IMPOSIÇÃO DE UM ESPAÇO. DE SANTA CRUZ A BAHÍAS DE HUATULCO: THE IMPOSITION OF A SPACE. FROM SANTA CRUZ TO BAHIAS DE HUATULCO
RESUMO: Este artigo explora como foi produzido o atual espaço do Centro Integralmente Planeado Bahías de Huatulco (CIP Huatulco), cuja implementação e desenvolvimento transformaram os povos e centros rurais do município de Santa María Huatulco. A partir de uma análise geográfico-política crítica, examinamos quais atores participaram de seu planejamento e desenvolvimento, como influenciaram e determinaram suas atuais condições espaciais e quais consequências esse espaço teve para seus habitantes. Da mesma forma, analisa os conflitos surgidos entre as diferentes instituições (Bienes Comunales de Santa María Huatulco e o Fondo Nacional de Fomento al Turismo) e o método utilizado para deslocar as comunidades rurais de suas localidades para construir uma infraestrutura hoteleira. Palabras chave: espaço, Centro Integralmente Planeado Bahías de Huatulco, sistema político, neoliberalismo, autoritarismo.
RESUMEN: Este artículo explora cómo se produjo el actual espacio del Centro Integralmente Planeado Bahías de Huatulco (CIP Huatulco), cuya implantación y de- sarrollo transformó los pueblos y núcleos rurales del municipio de Santa María Huatulco. Desde un análisis geográfico-político crítico se examina qué actores participaron en su planeación y desarrollo, de qué forma influyeron y determinaron sus actuales condiciones espaciales y qué consecuencias tuvo este espacio para sus pobladores. Asimismo, analiza los conflictos que se originaron entre las diferentes instituciones (Bienes Comunales de Santa María Huatulco y Fondo Nacional de Fomento al Turismo) y el método que se utilizó para desplazar a las comunidades rurales de sus localidades con el fin de construir una infraestructura hotelera. Palabras clave: espacio, Centro Integralmente Planificado Bahías de Huatulco, sistema político, neoliberalismo, autoritarismo.
ABSTRACT: This article explores how was producing CIP-Huatulco (Centro Integralmente Planeado Bahías de Huatulco) current space, whose establishment and develop transform village and rural centers of municipality Santa Maria Huatulco. From a geographic-politic and critical analyze is examining who participated in planning and develop of CIP-Huatulco, how they had influence and determine its current spatial conditions and what consequences had this space by own population. Likewise, it analyses conflicts that emerge between different institutions (Bienes Comunales de Santa María Huatulco and Fondo Nacional de Fomento al Turismo) and the methodology used to move rural communities from their villages to another place whit the purpose ofto build hotels and infrastructure in relation whith it. Keywords: space, Centro Integralmente Planeado Bahías de Huatulco, political system, neoliberalism, authoritarianism
DINÂMICAS NACIONAIS DE GESTÃO EM TURISMO: PERSPECTIVAS COMPARADAS: NATIONAL DYNAMICS OF TOURISM MANAGEMENT: COMPARATIVE PERSPECTIVES
O dossiê CAMINHOS CULTURAIS: DIÁLOGOS ENTRE BRASIL E MOÇAMBIQUE NO TURISMO, organizado por Leylane Meneses Martins e Elídio Vanzella para a Revista Turismo Estudos e Práticas (RTEP/GEPLAT/UERN), está inserido em um movimento crescente de produção científica voltada ao estudo comparado de práticas, políticas e estratégias relacionadas ao turismo em países lusófonos. A articulação entre Brasil e Moçambique, dois territórios historicamente conectados e marcados pela diversidade cultural, amplia o campo de investigação e permite observar como diferentes realidades nacionais formulam e reconfiguram modelos de gestão turística, iniciativas promocionais e práticas socioculturais que influenciam o desenvolvimento desse setor.
A proposta do dossiê parte da compreensão de que o turismo contemporâneo possui dimensões cada vez mais complexas, abrangendo desde desafios vinculados à conservação e preservação ambiental, à hospitalidade e lazer, à acessibilidade e à valoração cultural até a processos de marketing territorial e à construção de uma imagem que seja virtualmente vendável. Nesse sentido, a reunião de estudos comparativos envolvendo Brasil e Moçambique oferece um panorama que contribui significativamente para o avanço da literatura especializada, apresentando análises que aproximam essas realidades distintas sem desconsiderar suas especificidades sociohistóricas, socioculturais e socioeconômicas.
Os seis artigos aqui reunidos, desenvolvidos por pesquisadores de diferentes instituições e formações, demonstram a potência e vitalidade das pesquisas sobre turismo em contextos transatlânticos. Juntos, eles evidenciam como a análise comparada pode gerar contribuições consistentes para o planejamento de políticas públicas, ao mesmo tempo em que amplia a compreensão sobre práticas culturais e desafios institucionais. Ao realizarem esse movimento, os artigos apresentam um conjunto de reflexões que fortalecem o diálogo acadêmico entre os dois países e enriquecem o debate contemporâneo sobre turismo em múltiplas escalas.
Nos seis artigos, a interlocução entre Brasil e Moçambique não se limita à esfera das transformações culturais advindas de uma globalização capitalista exagerada ou apenas de uma mercantilização das sociabilidades da vida moderna. Ela emerge, sobretudo, como campo de pesquisa em expansão e como oportunidade concreta de fortalecimento institucional e da valorização de patrimônios materiais e imateriais. Ao longo dos seis artigos, múltiplas realidades são aproximadas, revelando dois países que, embora marcados por trajetórias de colonialidade e desigualdades estruturais, reinventam continuamente práticas turísticas, mercados e expressões culturais independentes.
O primeiro artigo deste percurso é PLANO BRASIS E INATUR: A PROMOÇÃO DO TURISMO INTERNACIONAL NO BRASIL E EM MOÇAMBIQUE, de Adriana Brambilla, Priscila Fernandes Carvalho de Melo, Joana Ernesto Neves Uamusse e Gouveia Dramane Sumale. Nessa contribuição, os autores apresentam as diretrizes estratégicas que orientam a promoção turística internacional nos dois países, reconhecendo que o marketing não é apenas ferramenta de divulgação, mas um instrumento político de construção de imagem territorial. Os autores, ao analisarem o Plano Brasis e o PEDTM II, percebem a complexidade de elaborar políticas de marketing capazes de articular identidade, competitividade e sustentabilidade em um contexto global marcado por disputas simbólicas e fluxos turísticos cada vez mais diversificados. O texto evidencia as diferenças de maturidade institucional entre Brasil e Moçambique, mas também revela possibilidades de convergência, especialmente no reconhecimento da diversidade cultural como ativo estratégico e da necessidade de fortalecer a governança e o planejamento.
Avançando no dossiê, temos o segundo artigo, DAS PALAVRAS AOS SENTIMENTOS: ANÁLISE DA QUALIDADE EM MEIOS DE HOSPEDAGEM DE MOÇAMBIQUE COM BASE NO TOURQUAL, de Leylane Meneses Martins, Marília Ferreira Paes-Cesário e Thyago Velozo de Albuquerque. Com ele, somos convidados a examinar a experiência turística pela perspectiva das avaliações online, compreendendo que a reputação digital se tornou elemento central na escolha de destinos e meios de hospedagem. Os autores aplicaram o modelo TOURQUAL a seis hotéis moçambicanos premiados pelo TripAdvisor, o que foi possível revelar a importância do atendimento humano como principal vetor de positividade nas experiências. O texto expõe tensões entre infraestrutura, expectativas dos turistas e desafios de gestão, ao mesmo tempo em que afirma o papel estratégico da hospitalidade emocional e relacional em destinos emergentes. O artigo nos provoca a refletir sobre a força do conteúdo gerado pelo usuário como indicador de qualidade e sobre a necessidade de aprimorar práticas de gestão que respondam tanto às demandas simbólicas quanto às operacionais.
O terceiro artigo, TURISMO EM ÁREAS PROTEGIDAS: UM ESTUDO COMPARATIVO DOS PLANOS DE MANEJO DA ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL DE ANHATOMIRIM (BRASIL) E DO PARQUE NACIONAL DA GORONGOSA (MOÇAMBIQUE), de Daiko Lima e Silva, Samuel Ribeiro dos Santos, Arsília Anastácio Maiela e Adriana Brambilla, aprofunda a relação entre turismo, conservação ambiental e políticas de manejo. A comparação entre a APA de Anhatomirim e o Parque Nacional da Gorongosa demonstra que, apesar de contextos ecológicos e históricos distintos, ambos os países têm buscado integrar o turismo como instrumento para a sustentabilidade. O artigo aponta desafios como pressão sobre a biodiversidade, tensões entre comunidades residentes e políticas de zoneamento, além de ressaltar a relevância da participação social, da educação ambiental e das economias verde e azul. Nesse sentido, o texto nos relembra que o turismo não pode ser compreendido apenas como vetor de desenvolvimento econômico, mas como prática que precisa dialogar com territorialidades vivas e com a urgência socioambiental global.
No quarto artigo, TURISMO DE SOL E PRAIA: UMA REFLEXÃO TEÓRICA DOS MUNICÍPIOS DE INHAMBANE (MOÇAMBIQUE) E JOÃO PESSOA (BRASIL), de Louis Philippe Patrick de Jongh Filho, João Bata Gove Júnior e Felipe Gomes do Nascimento, somos levados a uma reflexão comparativa sobre dois destinos litorâneos que compartilham características importantes de biodiversidade e desafios estruturais ligados ao ordenamento territorial. Ao discutir o turismo de sol e praia, os autores revisitam questões como poluição, especulação imobiliária, fragilidades participativas e práticas de gestão costeira. A análise apresentada evidencia, de modo geral, que tanto Inhambane quanto João Pessoa enfrentam dilemas semelhantes. O primeiro deles, o equilíbrio entre a atratividade turística e a preservação ambiental; o segundo, a garantia de segurança e acessibilidade aos usuários; e o terceiro, como fortalecer a participação comunitária nos processos decisórios, que estão envoltos a uma governança desigual. Nesse sentido, o texto reforça que o turismo costeiro requer não apenas políticas públicas que respondam às demandas da realidade, mas sim uma abordagem integrada que reconheça as dinâmicas ecológicas, sociais e econômicas que estruturam os territórios litorâneos.
Prosseguindo o percurso, chegamos ao quinto artigo SABORES DO TERRITÓRIO: A CONSTRUÇÃO DISCURSIVA DA IMAGEM GASTRONÔMICA EM MANAUS (BRASIL) E MOÇAMBIQUE (ÁFRICA), de Alessandra Souza Queiroz Melo, Cláudia Araújo de Menezes Gonçalves Martins e Maria Albertina Pinto Rodrigues Munguambe. Com esta contribuição, somos convidados a refletir sobre a gastronomia como linguagem cultural e como elemento estratégico do turismo contemporâneo. A comparação entre Manaus e Moçambique evidencia que os sabores, ingredientes e narrativas culinárias não apenas atraem visitantes, mas também reforçam identidades e promovem pertencimentos e discursos territoriais. O texto nos mostra que a experiência gastronômica não é mero complemento da viagem, mas componente central da imagem turística, capaz de mobilizar memória afetiva, tradição, criatividade e comunicação institucional. O artigo demonstra que o exame de eventos e práticas de divulgação joga luz a um campo em expansão que exige planejamento e valorização das histórias que cada prato carrega consigo, adensando as experiências culturais.
Por fim, o dossiê encerra com o sexto artigo, A SINALIZAÇÃO TURÍSTICA NOS CENTROS HISTÓRICOS DAS CIDADES DE SALVADOR, NO BRASIL, INHAMBANE E MAPUTO EM MOÇAMBIQUE, de Simone Neto de Santana Oliveira, Fernando Firmino Massango, Francinete da Silva Guilherme, Fernanda Silva Araújo dos Santos e Elídio Vanzella. O texto parte de uma análise comparativa da sinalização turística, muitas vezes invisibilizada no debate público e acadêmico, destacando que ela é determinante para a qualidade da experiência do visitante, principalmente em centros históricos que carregam densidade simbólica e patrimonial. Ao examinar placas, pictogramas, mapas, totens e dispositivos de comunicação, os autores evidenciam diferenças no grau de padronização, conservação e acessibilidade entre as cidades analisadas, consequentemente, gerando falhas estruturais. O texto, ainda, reconhece boas práticas e reforça que a sinalização inclusiva é requisito para democratizar o acesso ao patrimônio cultural, destacando que a acessibilidade deve ser entendida como dimensão ampliada do turismo, ou seja, a boa comunicação de um território é condição fundamental para garantir que todos possam experienciar espaços com autonomia e segurança.
Os seis artigos se complementam de maneira orgânica, cada texto ilumina aspectos distintos do turismo no Brasil e em Moçambique, mas todos convergem para questões centrais, tais como sustentabilidade, identidade cultural, políticas públicas, participação social, marketing territorial e qualidade da experiência turística. Dessa maneira, apresentam-se como um mosaico complexo que revela não apenas diagnósticos e análises, mas caminhos possíveis, agendas de pesquisa e horizontes de cooperação entre ambos os países.
Nesse sentido, o dossiê reconhece que o diálogo do turismo cultural lusófono não se limita à língua portuguesa, mas que se trata de uma troca que envolve formas diversas de produzir e vivenciar territórios. Além disso, o dossiê reforça a importância das parcerias entre universidades, centros de pesquisa, órgãos públicos governamentais e comunidades locais, especialmente quando compreendemos o turismo como um fenômeno que exige uma abordagem interdisciplinar entre as humanidades e ciências sociais aplicadas.
Nunca é demais notar que os artigos que compõem esta edição ilustram o já tradicional campo das monografias regionais de estudos turísticos, abordando tanto as problemáticas da gestão e do planejamento, quanto os aspectos políticos e socioculturais de determinadas práticas turísticas em contextos periféricos. Prontamente, os trabalhos aqui postos resgatam importantes encontros e desencontros micro e macroestruturais das realidades de Moçambique e Brasil, inclusive as acadêmicas e de pesquisa, remando tanto na maré das possibilidades práticas de mudança via Política, quanto no debate técnico-propositivo do campo empresarial.
Este dossiê abre ainda perspectivas para se fazer a crítica ao passado colonial de ambos os países e como essa herança problemática repercute nos territórios e nos processos socioeconômicos e culturais de cada realidade turistificada. Como se trata de dois países de capitalismo periférico, dependentes e excluídos do centro decisório e hegemônico do Capitalismo informacional e neoliberal, Brasil e Moçambique terminam por reproduzir problemas e desafios estruturais da divisão social e territorial do trabalho, já que compartilham relações de produção e de trabalho muito próximas.
Eis que, em ambos os casos, malabarismos – práticos e acadêmicos – são efetuados para garantir certa manutenção de parte da dinâmica competitiva turística desses países. O atendimento humano é visto como elemento impulsionador do sentimento positivo da experiência turística, refletindo o impacto das experiências emocionais na memória afetiva dos visitantes. Daí que, no cerne desses estudos, impera uma constatação estrutural já muito conhecida – e até contraditoriamente negligenciada – nos estudos turísticos, que é a precariedade material pronunciada dos destinos e o amadorismo e voluntarismo nas relações de trabalho, compensada basicamente pelo trabalho emocional e pelo sequestro da subjetividade do trabalhador que tenta driblar a baixa qualidade nos serviços com o “jeitinho”, empatia, amabilidade e improviso, e, não raras vezes, com a inventividade “malandra” que transforma dificuldades em vivências positivas do exótico.
Os seis artigos aqui postos ainda tocam em fragilidades centrais nas práticas turísticas ditas conservacionistas e preservacionistas, tais como a precariedade na gestão participativa e a baixa inclusão das comunidades nos processos decisórios, o que caracteriza a prática histórica e concreta de gestão turística como autoritária e centralizadora. É mostrado, no entanto, que a presença de comunidades nos processos de planejamento turístico reforça a necessidade da gestão participativa, e tanto Brasil quanto Moçambique têm avançado na integração entre turismo e conservação, utilizando os planos e instrumentos estratégicos para equilibrar as exigências socioambientais com as mercadológicas, mas que são identificadas divergências e contradições quanto à inserção da comunidade local nos processos mais básicos de decisão e nas estratégias de ordenamento territorial.
Brasil e Moçambique, ainda presos a uma herança histórica primário-exportadora, oligárquica e de grande concentração econômica, abraçam principalmente o turismo de natureza como força produtiva para tentar superar uma economia terciária dependente, ao mesmo tempo em que as condições materiais são desafiadas e pouco competitivas caso comparadas aos destinos turísticos do capitalismo central. Ambos os destinos compartilham problemas estruturais relacionados à segurança pública, à instabilidade institucional, aos gargalos logísticos e à falta de conservação e manutenção do patrimônio, o que entra em contradição com a ideia de inclusão social, conservacionismo e desenvolvimento sustentável.
Em suma, esta edição tem grande valor monográfico na medida em que aproxima os dois países e aponta politicamente para alternativas de redução das desigualdades regionais. Para o avanço futuro deste campo de análises comparativas, é salutar que se teçam análises estatísticas de fluxos de demanda e receitas globais de turismo nesses países, para que se possa analisar se, como e de que forma o turismo estaria distribuindo ou concentrando renda. Além disso, imersões etnográficas ajudariam a sair dos limites do campo bibliográfico-documental e dar maior concretude às análises, de modo a combater a mistificação ideológica de certos dados estatísticos apologéticos da ordem neoliberal em vigor.
Com este prefácio, convidamos o leitor a refletir sobre o fenômeno do turismo a partir dos artigos que seguem, reconhecendo que cada um deles é parte de um arcabouço maior, reafirmado pela pesquisa acadêmica e pelos laços culturais que historicamente interligam Brasil e Moçambique.
Boa leitura
APRESENTAÇÃO: TURISMO DE BASE COMUNITÁRIA: REFLEXÕES TEÓRICAS E EXPERIÊNCIAS BRASILEIRAS
O dossiê Turismo de Base Comunitária: reflexões teóricas e experiências brasileiras surge como mais uma coletânea de estudos acadêmicos voltada a dar visibilidade a iniciativas e a esforços coletivos que objetivam colocar em prática um outro fazer turístico, socialmente mais justo, baseado na autogestão comunitária.
Há mais de três décadas, iniciativas de Turismo de Base Comunitária (TBC) no Brasil vêm despontando com pouco ou nenhum apoio governamental, envolvendo especialmente povos originários, comunidades tradicionais, produtores da agricultura familiar, assentamentos da reforma agrária e comunidades de favelas. Essas comunidades, que historicamente estiveram à margem das políticas públicas de turismo, são, em grande medida, responsáveis pela enorme diversidade e riqueza cultural do país, além de contribuírem de forma expressiva para a preservação ambiental e para a segurança alimentar.
Desta forma, pode-se afirmar que o Turismo de Base Comunitária tem emergido majoritariamente em comunidades que se encontram em situação de vulnerabilidade econômica, social, política e territorial, as quais buscam no turismo formas de subsistência, resistência e visibilidade para seus modos de vida, lutas e direitos.
Como já existem registros de iniciativas de TBC por todo território nacional, o presente dossiê buscou reunir estudos de caso representativos das cinco regiões do Brasil. Dos 13 artigos selecionados, 10 abarcam experiências localizadas no Amazonas, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Piauí, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte. O dossiê também contempla uma diversidade de grupos sociais em análise, com estudos sobre TBC em comunidades indígenas, quilombolas, caiçaras, extrativistas, comunidades rurais e produtores da agricultura familiar. De forma complementar, três artigos do dossiê trazem uma análise mais panorâmica do TBC no país.
O artigo intitulado Turismo de base comunitária: breve revisão de escopo em teses e dissertações (2004-2024), de Itamar Freitas (UFS), Maria José Nascimento Soares (UFS), Fábio Alves dos Santos (UFS) e Núbia Dias dos Santos (UFS), inventaria e descreve a produção acadêmica brasileira sobre TBC dos últimos 20 anos, apontando o crescimento progressivo do tratamento desse tema nos programas de pós-graduação, em especial nas universidades públicas.
João Paulo da Silva (UFPE), em seu artigo Desafios de acesso ao mercado das iniciativas brasileiras de turismo de base comunitária, identifica as dificuldades das experiências de TBC em se integrar ao mercado turístico, com foco nos projetos apoiados pelo edital do Ministério do Turismo de 2008.
O artigo sob o título O turismo de base comunitária e o patrimônio cultural: reflexões, usos e apropriações, de Almir Félix Batista de Oliveira (UFRN), examina as relações entre o Turismo de Base Comunitária (TBC) e o Patrimônio Cultural (material e imaterial), refletindo sobre a apropriação histórica do patrimônio pelo turismo. O trabalho aborda o TBC como uma alternativa turística, discutindo suas definições, histórico e exemplos de comunidades que utilizam seu patrimônio nessa prática.
Lana Mignone Viana Rosa (ISA), Susy Rodrigues Simonetti (UEA), Luciana Yucari Uehara (ICMBio), Marcos Wesley de Oliveira (ISA) e Erica Vilela Figueiredo (Yanomami), com o trabalho Yaripo Ecoturismo Yanomami: gestão comunitária e articulação interinstitucional na visitação ao Pico da Neblina (AM), Brasil, analisam os desafios do turismo em terra indígena e o papel das parcerias institucionais nesse contexto, enfatizando a necessidade do turismo contribuir para assegurar os modos de vida no território Yanomami, em contraposição ao garimpo ilegal.
No artigo, Turismo indígena na Aldeia Babaçu: a experiência terena no Pantanal de Mato Grosso do Sul sob o olhar do visitante, Dionatan Miranda da Silva (UFGD), Edvaldo Cesar Moretti (UFGD) e Denise Silva (Bruaca) exploram as perspectivas dos visitantes em busca de experiências culturais na aldeia Terena Babaçu, situada na Terra Indígena Cachoeirinha, no município de Miranda/MS.
Anadia Teresa Soares de Araújo (UESPI), Sarany Rodrigues Fernandes (UESPI) e Antonio Rafael Barbosa de Almeida (UESPI), em Turismo étnico na comunidade quilombola Mimbó em Amarante-PI, investigam as dinâmicas, as possibilidades e os entraves do turismo étnico em uma comunidade quilombola no estado do Piauí, destacando sua importância no fortalecimento identitário e no engajamento comunitário.
Outro estudo que direciona seu olhar para uma comunidade quilombola é de autoria de Daciléia Lima Ferreira (UEMA), Gilmar Santana (UFRN) e Josenildo Campos Brussio (UFMA), sob o título Turismo de base comunitária na comunidade quilombola da Vila das Almas, em Brejo/MA: possibilidades e avanços. O trabalho faz uma imersão nos saberes griôs, presentes nas narrativas orais, na memória coletiva, no imaginário e nas representações simbólicas da comunidade, como condições possíveis para desenvolver o TBC.
No trabalho intitulado Organizadores sociais e turismo de base comunitária: um estudo das comunidades rurais da região do Cariri Paraibano, Jakson Braz de Oliveira (UFBA) e Carolina Todesco (UFRN) analisam como duas comunidades rurais, situadas no interior da Paraíba, estão socialmente organizadas e integradas à cadeia produtiva do turismo, revelando os fatores que explicam suas diferentes formas de organização comunitária e proximidade com o desenvolvimento do TBC, a partir da teoria de organizadores sociais da psicologia comunitária.
Thiago Chagas de Almeida (UFV), Magnus Luiz Emmendoerfer (UFV), Marcos Eduardo Carvalho Gonçalves Knupp (UFOP) e Lénia Marques (EUR), no trabalho intitulado Potencialização do “interesse pela comunidade” pela participação de cooperativas do turismo de base comunitária na governança pública territorial: uma análise em Paraty/RJ, buscam avançar no entendimento de como os benefícios do cooperativismo para comunidades podem ser intensificados pelo TBC em instâncias de tomada de decisão coletiva centrais para o desenvolvimento local.
Eloise Silveira Botelho (Unirio), Andressa dos Santos Dutra (Unirio), Marília Luísa de Oliveira (Unirio) e Douglas Cardoso Martins (UFRRJ), no artigo Monitoramento participativo do turismo de base comunitária na Área de Proteção Ambiental de Guapi-Mirim (RJ), apresentam os resultados de uma ação de pesquisa e extensão, apoiada pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade - FUNBIO, que desenvolveu metodologia para monitorar, de forma participativa, a visitação promovida por iniciativas de TBC que ocorrem em uma unidade de conservação no estado do Rio de Janeiro.
Com foco também em um projeto de extensão, Rosalma Diniz Araújo (UFPB) e Fabiane Nagabe (UFPB), no artigo Ciranda de Encontros: roteiros turísticos, troca de experiências e práticas do turismo de base comunitária na Paraíba, relatam os encontros, os diálogos e as trocas entre as comunidades envolvidas com o TBC no estado da Paraíba, nos anos de 2023 e 2024.
Êndel Raul Pachêco da Costa (UFRN) e Marcelo da Silva Taveira (UFRN), em Turismo de base comunitária e desenvolvimento regional: a experiência dos Geofoods no Seridó Geoparque Mundial da Unesco, em um recorte territorial que abarca seis municípios do interior do Rio Grande do Norte, identificam e analisam os processos de registros de Geofoods e suas repercussões no desenvolvimento do turismo regional relacionado ao TBC.
Por fim, o trabalho sob o título Inclusão social de jovens, mulheres e idosos por meio do turismo de base comunitária em comunidades do estado do Paraná, de Juliana Carolina Teixeira (Unespar) e Patrícia Denkewicz (Unesp), busca cobrir uma lacuna de pesquisa sobre turismo de base comunitária e inclusão social, com foco nos debates sobre as relações de gênero e geracionais, em cinco comunidades tradicionais situadas em diferentes regiões do estado do Paraná.
Como organizadores do dossiê, acreditamos que essa diversidade de trabalhos com diferentes olhares e perspectivas analíticas sobre o TBC corrobora para o debate e os avanços sobre o tema na academia, na arena política, no mercado turístico e, especialmente, nas comunidades interessadas em tornar o turismo um aliado às suas formas de re-existência
CIRANDA DE ENCONTROS: ROTEIROS TURÍSTICOS, TROCA DE EXPERIÊNCIAS E PRÁTICAS DO TURISMO DE BASE COMUNITÁRIA NA PARAÍBA: CIRANDA DE ENCONTROS: TOURISM ROUTES, EXCHANGE OF EXPERIENCES AND PRACTICES OF COMMUNITY-BASED TOURISM IN PARAÍBA
RESUMO: De acordo com as metas nacionais dos Objetivos do Turismo Sustentável (ODS) devem-se, até 2030, ser concebidas e implementadas políticas para promover o turismo sustentável e responsável, acessível a todos, e que gere emprego e trabalho digno, melhore a distribuição de renda e promova a cultura e os produtos locais. O Turismo de Base Comunitária (TBC) se encaixa em tais premissas pois, em seu exercício, as comunidades tradicionais abrem suas portas à visitação para contar a sua história e do seu território, com o protagonismo sobre a organização, condução e termos da visita, em que a renda gerada no TBC reverte para a própria comunidade, para o seu sustento e desenvolvimento. O projeto de extensão do Curso de Turismo da UFPB, intitulado “Ciranda de Encontros: roteiros turísticos, troca de experiências e práticas no TBC”, objetiva promover o encontro entre comunidades tradicionais e lideranças de TBC da Paraíba para troca de experiências e práticas, estimulando o diálogo, a cooperação e o trabalho sinérgico, aliando saber popular, organização social e conhecimento. Cada comunidade, e a forma como desenvolve seu turismo comunitário, fornece à outra elementos para reflexão e intercâmbio de práticas para que estas possam ser compartilhadas com visitantes, de modo a suprir as necessidades de autossustentação econômica e de torná-las visíveis aos olhos da população e do poder público diante de suas carências e potencialidades. O projeto “Ciranda” atua na promoção do encontro entre lideranças de comunidades que trabalham o TBC, para o fomento da inclusão social, melhor distribuição de renda, autossustentação e autogestão das comunidades, agregando aprendizado e promoção de valores como simplicidade e altruísmo aos que praticam esta modalidade. Sendo assim, o objetivo do presente artigo é apresentar os resultados dos encontros promovidos pelo “Ciranda” em seu primeiro ano e o que foi alcançado em termos das metas propostas. Palavras-chave: Turismo; TBC; Desenvolvimento Local; Inclusão Social; Paraíba; ODS.
ABSTRACT: According to the national goals of the Sustainable Tourism Objectives (SDGs), by 2030, “policies to promote sustainable and responsible tourism, accessible to all, and that generate employment and decent work, improve distribution income and promote culture and local products”. Community-Based Tourism (TBC) fits perfectly into these premises because, in its exercise, traditional communities open their doors to visitors to tell their story and that of their territory, in a format in which they have a leading role in the organization. , conduct and terms of the visit, and where the income generated in the TBC goes back to the community itself, for its sustenance and development. The extension project of the UFPB Tourism Course, entitled “Ciranda de Encontros: tourist itineraries, exchange of experiences and practices in TBC”, aims to promote meetings between traditional communities and TBC leaders in Paraíba to exchange experiences and practices, stimulating dialogue, cooperation and synergistic work, combining popular knowledge, social organization and knowledge. Each community, and the way it develops its community tourism, provides the other with elements for reflection and exchange of practices so that they can be shared with visitors, in order to meet the needs of economic self-sustainability and make them visible to the eyes of the population. and public power in view of its needs and potential. The project in question will work to promote meetings between communities that work with TBC, to promote social inclusion, better income distribution, self-sustainability and self-management of communities, adding learning, promoting values such as simplicity and altruism to those who practice this modality. Therefore, the objective of this article is to present the results of the meetings promoted by the “Ciranda” Project in its first year and what was achieved in terms of the proposed goals. Keywords: Tourism; TBC; Local Development; Social Inclusion; Paraíba; SDGs
REORGANIZACIÓN TERRITORIAL EN LA COSTA DE OAXACA: TURISMO Y URBANIZACIÓN: TERRITORIAL REORGANIZATION ON THE OAXACA COAST: TOURISM AND URBANIZATION
RESUMEN: El turismo en América Latina es un eje fundamental en la organización de la economía de vastos territorios, ha reestructurado amplias regiones política y económicamente. En este escrito se aborda el caso de la Costa de Oaxaca, una de las regiones de México que en las últimas tres décadas se ha transformado por el desarrollo de las actividades turísticas, en donde ha predominado el turismo de sol y playa, pero también el denominado turismo religioso y de naturaleza. De esta manera, aquí ofrecemos un análisis de la reorganización territorial de esta región de México, en donde los despojos de tierras y la amplia deforestación han sido piedra angular para que el turismo se pueda instalar y desarrollar. Para ello, organizamos el artículo en cuatro secciones: introducción, antecedentes, turismo y despojo de tierras y conclusiones. Con lo cual se brinda un panorama general de esta región, en donde habita una diversidad de pueblos indígenas y afrodescendientes. Palabras clave: despojo, conflictos, resistencia, infraestructura, desigualdad.
RESUMO: O turismo na América Latina é um pilar fundamental da organização econômica em vastos territórios, tendo reestruturado grandes regiões política e economicamente. Este artigo aborda o caso da Costa de Oaxaca, uma das regiões do México que foi transformada pelo desenvolvimento das atividades turísticas nas últimas três décadas. O turismo de sol e praia predominou, mas também o chamado turismo religioso e de natureza. Assim, oferecemos uma análise da reorganização territorial desta região do México, onde a desapropriação de terras e o desmatamento generalizado têm sido pedras angulares para o estabelecimento e desenvolvimento do turismo. Para tanto, organizamos o artigo em quatro seções: introdução, antecedentes, turismo e desapropriação de terras e conclusões. Isso fornece uma visão geral desta região, que abriga uma diversidade de povos indígenas e afrodescendentes. Palavras-chave: desapropriação, conflitos, resistência, infraestrutura, desigualdade.
ABSTRACT: Tourism in Latin America is a fundamental pillar of economic organization in vast territories, having restructured large regions politically and economically. This article addresses the case of the Oaxaca Coast, one of the regions of Mexico that has been transformed by the development of tourism activities in the last three decades. Sun and beach tourism has predominated, but so-called religious and nature tourism has also predominated. Thus, we offer an analysis of the territorial reorganization of this region of Mexico, where land dispossession and widespread deforestation have been cornerstones for the establishment and development of tourism. To this end, we organize the article into four sections: introduction, background, tourism and land dispossession, and conclusions. This provides a general overview of this region, which is home to a diversity of indigenous and Afro-descendant peoples. Keywords: dispossession, conflicts, resistance, infrastructure, inequality.
 
ON THE IMPACT OF DYNAMIC CAPABILITIES AND INNOVATIVENESS ON HOTEL PERFORMANCE : EL IMPACTO DE LAS CAPACIDADES DINÁMICAS Y DE LA CAPACIDAD DE INNOVACIÓN EN EL DESEMPEÑO ORGANIZACIONAL
ABSTRACT: Despite the challenges faced by the hotel and tourism sectors, hotel companies have demonstrated competitiveness even during crises. One theoretical explanation for this competitive advantage is the role of dynamic capabilities and innovativeness. One of the possible theoretical explanations for this competitive advantage is the role of dynamic capabilities and innovativeness. This paper empirically examines the relationship between dynamic capabilities, innovativeness, and hotel performance by investigating 54 companies. Data were collected using a questionnaire with validated scales for dynamic capabilities, innovativeness, and performance, along with publicly available company data. Statistical analyses, including confirmatory factor analysis and multiple linear regression, were employed to assess the influence of these variables on hotel performance. The results indicate that dynamic capability sensing positively affects innovativeness. However, the abilities to seize and reconfigure did not significantly influence innovativeness. Innovativeness, in turn, positively impacts performance, with the quality of products and services being the most significant aspect of innovativeness affecting performance. This research contributes theoretically to the understanding of these relationships and provides practical insights for hotels seeking to enhance their performance. KEYWORDS: dynamic capabilities; innovativeness; organizational performance; hotels; tourism.
RESUMEN: A pesar de los desafíos que enfrentan los sectores hotelero y turístico, las empresas hoteleras han demostrado competitividad incluso durante las crisis. Una de las posibles explicaciones teóricas de esta ventaja competitiva es el papel de las capacidades dinámicas y la capacidad de innovación. Este artículo examina empíricamente la relación entre las capacidades dinámicas, la capacidad de innovación y el rendimiento hotelero mediante la investigación de 54 empresas. Los datos se recopilaron utilizando un cuestionario con escalas validadas para capacidades dinámicas, capacidad de innovación y rendimiento, junto con datos de la empresa disponibles públicamente. Se emplearon análisis estadísticos, incluido el análisis factorial confirmatorio y la regresión lineal múltiple, para evaluar la influencia de estas variables en el rendimiento del hotel. Los resultados indican que la capacidad dinámica de detección afecta positivamente a la capacidad de innovación. Sin embargo, las habilidades para aprovechar y reconfigurar no influyeron significativamente en la innovación. La capacidad de innovación, a su vez, impacta positivamente en el rendimiento, siendo la calidad de los productos y servicios el aspecto más significativo de la innovación que afecta al rendimiento. Esta investigación contribuye teóricamente a la comprensión de estas relaciones y proporciona conocimientos prácticos para los hoteles que buscan mejorar su rendimiento. PALABRAS CLAVE: capacidades dinámicas; capacidad de innovación; desempeño organizacional; hoteles; turismo
TURISMO ÉTNICO NA COMUNIDADE QUILOMBOLA MIMBÓ EM AMARANTE-PI: ETHNIC TOURISM IN THE “QUILOMBOLA” MIMBÓ COMMUNITY IN AMARANTE-PI
RESUMO: Este trabalho se volta a compreender as dinâmicas, as perspectivas e os entraves do turismo étnico na comunidade quilombola do Mimbó, localizada no município de Amarante (PI). Para tanto, parte das análises e reflexões sobre as transformações e reorientações da prática turística contemporânea, com atenção para as abordagens que situam e inserem as comunidades tradicionais, como indígenas e quilombolas, como é o caso do turismo étnico. Metodologicamente, o estudo se relaciona aos pressupostos da pesquisa qualitativa, de abordagem exploratória, operacionalizada a partir da revisão de literatura e da pesquisa de campo. Em sua fase de campo, a pesquisa adotou a observação participante, por meio de vivência das práticas de visitação ali realizadas e o contato com lideranças comunitárias. Em seguida, foram selecionados três representantes para realização de entrevistas em profundidade, duas delas realizadas de modo presencial e uma no formato remoto. Os resultados revelaram as especificidades da condução da prática turística na comunidade Mimbó, em que as dinâmicas do turismo local são permeadas de desafios, a exemplo da falta de estrutura turística e da necessidade de um planejamento mais estruturado dessa atividade. Ao mesmo tempo, a pesquisa identificou oportunidades que podem conduzir a um cenário de maior engajamento, fortalecimento identitário e desenvolvimento social e econômico da referida localidade através do turismo, além de promover a preservação da cultura daquela comunidade. Palavras-chave: Turismo Étnico; Comunidade Mimbó; Resistência.
ABSTRACT: This paper aims to understand the dynamics, perspectives and obstacles of ethnic tourism in the community of Mimbó, located in the municipality of Amarante (PI). To this end, it starts from analyzes and reflections on the transformations and reorientations of contemporary tourist practice, with attention to approaches that situate and include traditional communities, such as indigenous people and quilombolas, as is the case of ethnic tourism. Methodologically, the study is related to the assumptions of qualitative research, with an exploratory approach, operationalized from literature review and field research. In its field phase, the research adopted participant observation, through experience of the visiting practices carried out there and contact with community leaders. Three representatives were then selected to carry out in-depth interviews, two of which were carried out in person and one remotely. The results revealed the specificities of conducting tourism in the Mimbó community, in which the dynamics of local tourism are permeated with challenges, such as the lack of tourist structure and the need for more structured planning of this activity. At the same time, the research identified opportunities that could lead to a scenario of greater engagement, identity strengthening and social and economic development of that location through tourism, in addition to promoting the preservation of that community's culture. Keywords: Ethnic Tourism; Mimbó Community; Resistance
ORGANIZADORES SOCIAIS E TURISMO DE BASE COMUNITÁRIA: UM ESTUDO DAS COMUNIDADES RURAIS DA REGIÃO DO CARIRI PARAIBANO: SOCIAL ORGANIZERS AND COMMUNITY-BASED TOURISM: A STUDY OF RURAL COMMUNITIES IN THE CARIRI REGION OF PARAIBANO
RESUMO: O Turismo de Base Comunitária (TBC) preza pelo protagonismo da comunidade local nos processos de desenvolvimento do turismo em seu respectivo território, entretanto, para isso é preciso que a comunidade esteja socialmente organizada. Nesse contexto, a pesquisa teve por objetivo analisar como duas comunidades rurais, do Marinho e do Bravo, situadas na região do Cariri Paraibano, estão socialmente organizadas e integradas à cadeia produtiva do turismo, revelando os fatores que explicam suas diferentes formas de organização comunitária e proximidade com o desenvolvimento do Turismo de Base Comunitária (TBC). A pesquisa caracteriza-se como estudo de caso comparativo, com uma abordagem de análise qualitativa. As informações foram coletadas em trabalho de campo junto às comunidades alvo do estudo, utilizando duas técnicas de coleta de dados: observação participante e entrevistas semiestruturadas. As informações foram analisadas a partir da teoria de organizadores sociais da área da psicologia comunitária. Os resultados demonstram que a presença de organizadores econômicos e gerenciais na comunidade do Marinho conduziram a um maior engajamento e participação social no desenvolvimento do turismo local, aproximando-a dos princípios do TBC. Esses organizadores não estão presentes na comunidade do Bravo, que é mais dependente da figura do líder, com uma baixa adesão em atividades associativistas e/ou cooperativistas. Desta forma, o desenvolvimento do turismo local reverbera de forma mais positiva e exitosa na comunidade do Marinho onde há organização comunitária em torno de atividades produtivas. Palavras-chave: Organização Comunitária. Organizadores sociais. Turismo de Base Comunitária. Comunidade do Marinho. Comunidade do Bravo. Cariri Paraibano.
ABSTRACT: Community-Based Tourism (CBT) values the local community's leading role in the development of tourism in its respective territory. However, for this to happen, the community must be socially organized. In this context, the research aimed to analyze how two rural communities, Marinho and Bravo, located in the Cariri region of Paraíba, are socially organized and integrated into the tourism production chain, revealing the factors that explain their different forms of community organization and proximity to the development of Community-Based Tourism (CBT). The research is characterized as a comparative case study, with a qualitative analysis approach. The information was collected during fieldwork with the target communities of the study, using two data collection techniques: participant observation and semi-structured interviews. The information was analyzed based on the theory of social organizers from the area of community psychology. The results demonstrate that the presence of economic and managerial organizers in the Marinho community led to greater engagement and social participation in the development of local tourism, bringing it closer to the principles of CBT. These organizers are not present in the Bravo community, which is more dependent on the figure of the leader, with low adherence in associative and/or cooperative activities. In this way, the development of local tourism has a more positive and successful impact on the Marinho community, where there is community organization around productive activities. Keywords: Community Organization. Social Organizers. Community-Based Tourism. Marinho Community. Bravo Community. Cariri Paraibano
EL AVISTAMIENTO DE BALLENAS COMO ACTIVIDAD TURÍSTICA EN LA COSTA DE OAXACA, MÉXICO. IMPACTOS SOCIOECONÓMICOS Y SOCIOAMBIENTALES: WHALE WATCHING AS A TOURIST ACTIVITY ON THE OAXACA COAST, MEXICO. SOCIOECONOMIC AND SOCIOENVIRONMENTAL IMPACTS
RESUMEN: El presente estudio tuvo como objetivo analizar los impactos socioeconómicos y socioambientales del avistamiento de ballenas como actividad turística en la Costa de Oaxaca. Se empleó un método cualitativo mediante la realización de once entrevistas a actores locales directamente involucrados. Los resultados evidencian beneficios como la diversificación de la oferta turística, la generación de empleo y la sensibilización ambiental. Sin embargo, también se identificaron efectos negativos, como el acoso a los cetáceos, colisiones y contaminación acústica, asociados a la falta de conocimiento sobre buenas prácticas. Se concluye que esta actividad presenta un alto potencial educativo, económico y ambiental, pero requiere una regulación efectiva y una gobernanza participativa para garantizar su sostenibilidad. Palabras clave: Ecoturismo, sostenibilidad, biodiversidad marina, turismo responsable, regulación turística, cetáceos.
RESUMO: Este estudo teve como objetivo analisar os impactos socioeconômicos e socioambientais da observação de baleias como atividade turística na costa de Oaxaca. Utilizou-se um método qualitativo, realizando onze entrevistas com atores locais diretamente envolvidos. Os resultados demonstram benefícios como a diversificação da oferta turística, a geração de empregos e a conscientização ambiental. No entanto, também foram identificados efeitos negativos, como o assédio a baleias, colisões e poluição sonora, associados à falta de conhecimento sobre as melhores práticas. Conclui-se que esta atividade tem um potencial educacional, econômico e ambiental significativo, mas requer regulamentação eficaz e governança participativa para garantir sua sustentabilidade. Palavras-chave: Ecoturismo, sustentabilidade, biodiversidade marinha, turismo responsável, regulamentação do turismo, cetáceos.
ABSTRACT: This study aimed to analyze the socioeconomic and socio-environmental impacts of whale watching as a tourist activity on the coast of Oaxaca. A qualitative approach was employed through eleven interviews with local stakeholders directly involved in the activity. The results reveal benefits such as the diversification of tourism offerings, job creation, and increased environmental awareness. However, negative effects were also identified, including harassment of whales, collisions, and noise pollution, largely due to a lack of knowledge about best observation practices. The study concludes that whale watching holds significant educational, economic, and environmental potential but requires effective regulation and participatory governance to ensure its sustainability. Keywords: Ecotourism, sustainability, marine biodiversity, responsable tourism, tourism regulation, benefits, challenges, cetaceans. 
MI PRIMERA CHAMBA: EXPERIENCIAS LABORALES DE JÓVENES EN HUATULCO: MY FIRST JOB: WORK EXPERIENCES OF YOUNG PEOPLE IN HUATULCO
RESUMEN: Esta investigación describe las experiencias laborales de jóvenes que viven en Huatulco articuladas con la tecnología y otras tantas condiciones de vida en un espacio turístico. La finalidad es conocer sus primeros trabajos, los contratos y las problemáticas que tienen que sortear, así como visibilizar cómo estos jóvenes apropian los artefactos digitales como interfaces de interacción laboral. Se partió de un método etnográfico multisituado –con herramientas híbridas– para situar sus experiencias laborales en un espacio turístico como lo es Santa María Huatulco. Se encontró que el tipo de trabajos atípicos genera múltiples experiencias que apuntan a panoramas de incertidumbre y precariedad laboral, aunque también se muestran estrategias de resistencia. Las experiencias son, tanto de jóvenes que trabajan y estudian, como de jóvenes egresados de la universidad y otros jóvenes que cortaron su trayectoria educativa para insertarse al campo laboral. Palabras clave: Jóvenes; experiencias laborales; tecnología; turismo; Huatulco.
RESUMO: Esta pesquisa descreve as experiências de trabalho dos jovens que vivem em Huatulco, ligadas à tecnologia e a outras condições de vida numa área turística. O objetivo é conhecer os primeiros empregos, os contratos e os problemas que enfrentam e destacar a forma como estes jovens estão a utilizar os dispositivos digitais como interfaces de interação no trabalho. Um método etnográfico multi-situado — com ferramentas híbridas — foi utilizado para situar as suas experiências de trabalho num espaço turístico como Santa María Huatulco. Verificou-se que os trabalhos atípicos geram múltiplas experiências que apontam para cenários de incerteza e insegurança laboral, embora também sejam evidentes estratégias de resistência. As experiências são partilhadas tanto por jovens que trabalham e estudam, como por recém-licenciados e outros jovens que interrompem os estudos para ingressar no mercado de trabalho. Palavras-chave: Juventude; experiências de trabalho; tecnologia; turismo; Huatulco.
ABSTRACT: This research describes the work experiences of young people living in Huatulco, linked to technology and other living conditions in a tourist space. The aim is to understand their first jobs, the contracts they hold, and the problems they face, as well as to highlight how these young people appropriate digital artifacts as interfaces for work interaction. A multi-sited ethnographic method—using hybrid tools—was used to situate their work experiences in a tourist space such as Santa María Huatulco. It was found that atypical jobs generate multiple experiences that point to situations of uncertainty and job insecurity, although strategies of resistance are also evident. The experiences are those of young people who work and study, as well as young university graduates and others who cut short their educational careers to enter the workforce. Keywords: Youth; work experience; technology; tourism; Huatulco